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Capítulo 51 - Nova Era

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 51 - Nova Era

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

O solo estava encharcado, totalmente lamacento e os ventos balançavam as copas das árvores com tanta violência que estavam prestes a cair.

O local era em meio a uma floresta longe de todo o tipo de civilização. Abandonada em meio a uma escuridão tão fria, a casa feita de madeira era chacoalhada com os poderosos ventos e a forte chuva, as madeiras que a sustentavam não eram nada fortes com trincados aparecendo em cada pedaço.

A única coisa que a segurava era o forte firmamento de uma viga de ferro nas laterais da casa onde Profunda Energia estava protegendo grande parte da morada.

Aquele era o último ponto de resistência para a casa.

 O local estava vazio, solitário e quieto por dentro. Fukai Ferio estava parado dentro sentado em uma cadeira de madeira na qual conseguiu achar nos fundos, pegou alguns pedaços de madeira de uma mesa queimada e acendeu uma fogueira embaixo da lareira feita de tijolos.

O fogo não era forte, mas o suficiente para que sua capa resistente fosse secada um pouco.

Ele tirou a parte de cima de suas roupas e pendurou um pouco mais próximo da lareira. Respirou fundo enquanto fechou os olhos cruzando seus dedos das duas mãos perto do peito.

Os únicos barulhos que era a chuva e o vento começaram a sumir aos poucos no ouvido do jovem que entrou em um estado mental meditativo.

Quando todo o som parou de se produzir, ele abriu os olhos novamente aparecendo em um novo cenário.

Montanhas de casas uma acima da outra chegando a mais de 200 metros de altura, se estendiam pelo céu flutuando sem nenhum tipo de ajuda exterior. Cada montanha tinha um tamanho variado chegando a ter 700 metros os mais altos.

Era como um cenário fantasioso, as cores também eram diferentes para cada montanha, elas se misturavam fazendo parecer que cada uma delas tinha uma forma de vida, cada uma tinha um sistema que precisava ser aceito.

Fukai piscou os olhos admirando o local, mas não se deu conta de onde pisava.

O solo não era terra, mas sim água. Era um oceano tão longo quanto o do mundo real. Tão extenso que nem mesmo se podia enxergar o limite, as montanhas seguiam a mesma linha de raciocínio, flutuando nos céus formando o que parecia ser nuvens.

A cena não era nada real, não pelo que Fukai pensava.

 

- Mestre… - Uma voz soou de longe, parecia fraca, sonolenta e um pouco animada. - Chegou a sua hora de se juntar aos mortos…

Fukai engoliu o seco quando seu corpo congelou. Seu braço foi puxado para baixo na direção do mar por uma mão negra feita de fumaça cinza. Outras mãos se ergueram do mar e puxaram seu braço esquerdo.

- Quem… ?

Fukai debateu com força se puxando para cima, ele esticou seu pescoço fugindo de umas outras três mãos que buscavam o puxar pelo pescoço.

- Não resista, mestre. - A voz disse com um risinho, dessa vez. - Estamos te esperando faz muito tempo.

Mais de vinte mãos surgiram rapidamente do mar fazendo uma simples ondulação, elas se envolveram entre si em volta de Fukai e começaram a segurar seus membros inferiores também o puxando para debaixo do oceano.

Debatendo todo o seu corpo, Fukai foi preso com tanta força que seus músculos começaram a ficar marcados, seu braço direito que antes não liberava nenhum tipo de Energia começou a brilhar em um tom verde, o mesmo tom que suas veias paralisadas estavam.

- O gosto do seu sangue é bom, mestre. - A voz veio de uma mulher agora. - Deixe-me provar mais. Deixe-me.

Com a palma da mão aberta, Fukai usou seu impulso para frente e bateu de peito contra o chão quando disse uma palavra antes de uma das mãos fumacentas tapar sua boca.

- Lingot..

Metade do seu corpo estava debaixo da água, a outra metade se debatia com firmeza buscando a liberdade.

Fukai buscou Razam em sua mente, mas não o achou, não havia sinal de sua presença, parecia que tudo estava como antes, como se nada tivesse acontecido, como se todos os dias que passou em Darey Mason não tivessem sido realidades.

Mas Fukai não aceitou.

A lâmina curvada apareceu em sua vista, ela tombou do céu com relâmpagos e trovões ecoando por todas as partes, como uma figura tão poderosa que apenas os mais dignos poderiam a ter, como se apenas os Deuses que comandavam os Raios Primários pudessem tocá-la.

Fukai esticou sua mão, a palma buscando a aprovação da lâmina em um momento desesperador que talvez chegasse ao fim a qualquer momento.

A única coisa que ainda estava acima da água era a cabeça e a palma da mão erguida. O som dos trovões, os lampejos esbranquiçados todos atiçando em volta das montanhas de casa.

E junto daquilo tudo, Fukai avistou alguém parado por baixo de uma das montanhas de casas em pé sobre um cajado de madeira velho. Ela tinha seus olhos voltados para baixo e um total de 3 cordões em volta do pescoço.

Ela não se mexeu, continuou parada observando o jovem afundar, a cabeça começou a submergir, boca, nariz, e por fim os olhos.

Sua mão esticada para cima aos poucos se fechou perdendo suas forças.

A mulher suspirou.

- Ele me disse que esse garoto era diferente dos demais que havia visto. - Ela falou para si mesmo se virando. - Perda de tempo como das outras vezes, ninguém pode dominar algo sem conhecimento absoluta, eu já disse isso para ele.

Caminhando no ar, a mulher parou por um momento ouvindo o som de borbulhar.

Se virou encarando o imenso mar e esperou.

Lingot tremeu para os lados, se não houvesse um olhar afiado sobre a espada seria impossível de notar, mas a mulher tinha, seus olhos tão afiados quanto a melhor espada.

A mão subiu mais uma vez para fora da água, a palma dela estava com mais de 5 listras brancas e as mãos negras feitas de fumaças soltavam agudos gritos de dor e agonia como se fossem todas perfuradas por imensas lâminas e agulhas ao mesmo tempo.

O corpo de Fukai saltou da água para fora enquanto sua respiração ofegante o dominava. As batidas de seu coração estavam tão aceleradas por causa da hora de sua morte que Fukai não o controlava direito, a sensação de pré-morte era desesperadora.

Quando ele saiu da água, sua mente só buscava as respostas para o que tinha acontecido na parte de baixo do oceano, onde tudo estava escuro e sombrio.

Todos os seus músculos se contraíam e expandiam em pedido de ajuda, sua mente visualizava tantos métodos para sobreviver que se esquecia de movimentar o corpo.

Mas sua palma esquerda brilhou com o tom mais branco, o mais limpo possível no meio da escuridão.

Fukai estava submerso na escuridão quando aquela luz brilhou tudo a sua volta, e foi nessa hora que ele viu os 10 pares de olhos o encarando, todos eles atentos e cautelosos.

- Mestre… - A voz disse novamente, era feminina com um toque feliz. - O senhor chegou.

- Cale-se, Ohaio. - Outro mais denso disso.  - Ele não é o nosso mestre, nosso mestre se foi faz muitos anos, ele é um impostor, é isso.

Fukai virava sua cabeça para os lados assustado, os olhos eram tão grandes quanto sua própria casa em Darey Mason, só de imaginar o tamanho real dessas coisas, ele ficava assustado.

- Parece que ele é parecido com o antigo mestre. - Outro falou, mais velho e mais sábio. - Deve ser um descendente, algo parecido.

Um dos olhos imensos se revirou ao ouvir o velho.

- Estamos falando de uma criança que acabou de chegar, primeiro perguntem o nome, seus idiotas.

- Sim, sim, é isso. - O mais denso disse. - Sou Marth, um submundo, e você, pequeno verme?

Ohaio deu uma risadinha brincalhona.

- Não o chame de pequeno verme, que coisa estranha.

Fukai não se continha naquilo, ele estava desesperado, as coisas que falavam a sua volta não tiravam seus olhos sobre ele, e a pressão a sua volta não diminuía. A água por si só já era bem pesada e o esmagava, mas a energia que apenas esses olhos emitiam eram muito mais do que ele já tinha experimentado.

- Ele está com medo. - O mais velho e sábio disse. - Sou Janos, um submundo, qual o seu nome, jovenzinho?

Fukai abriu a boca, e fechou novamente. Ficou com medo da água entrar e o sufocar, mas nada aconteceu, ele ficou estupefato com a situação.

- Vamos, vamos, pare de brincar com a água. - Uma mulher mais velha e séria falou. - Estamos com pressa e não queremos brincar.

Fukai concordou tão rápido por causa do medo.

- Fukai.

- Sobrenome? - Ohaio falou com um tom brincalhão. - Não tem um?

- Sou Ferio, Fukai Ferio. - Ele conseguiu dizer sem vacilar dessa vez. - E vocês, quem são?

Um estalar de dedos ecoou por dentro de todo o oceano escuro, a escuridão se formou em azul e um aperto mais denso esmagou os ossos e músculos de Fukai ao extremo, até o limite.

Prestes a desmaiar pela dor, ele começou a fechar os olhos.

- Pare, Marth. - Janos falou fortemente suavizando a pressão em volta do corpo de Fukai. - Não o teste ainda, estamos nos apresentando, onde está sua cordialidade?

- Eu perdi quando me trancaram aqui, é isso. - Ele falou descontraído. - E eu não queria testá-lo, só ver o ponto máximo de seu corpo.

Ohaio riu.

- É a mesma coisa, seu bobinho.

Fukai caiu de joelhos no nada com sua cabeça abaixada. A pressão que o amassou era tão extrema, e era idêntica a quando enfrentou os dois Assassino de sua família e teve que optar da ajuda de Razam.

A pressão era idêntica.

- Entidades...  - Fukai levantou sua cabeça com uma expressão de dor, ele segurava sua barriga com força. - Presos em algum lugar?

- Ah, parece que esse é inteligente. - A mulher sábia e velha disse. - Sou Garoa, Deusa da Chuva.

- Sou Ohaio, Deusa do Outono.

- Marth, Deus do Inferno... - A voz sombria que ecoou foi fria o suficiente para colocar Fukai em alerta máximo.

- Marth... diga a verdade. - Ohaio falou rindo.

Marth bufou antes de continuar.

- Deus do Verão.

- Sou Janos, Deus Elementar primário.

Os outros disseram seu nome e título em sequência.

- Manue, Deusa do Mar.

- Summ, Deus do céu.

- Gimbi, Deus da Terra.

- Satã, Deus do Submundo. Deus é mais Quer dizer, Deus da religião cristã, mais no sentido de melhor

Cada um deles disse seu nome e de onde derivada, assim deixando Fukai mais impressionado ainda por nunca ter ouvido sobre isso.

Ele desligou sua mente por um instante antes de voltar a encarar os olhos novamente.

- O que querem de mim? - Foi a primeira sentença que eles ouviram do garoto, e não foi nada fraco, ele emitia uma radiação de energia consigo.

Janos foi o primeiro a falar.

- Estamos, atualmente, buscando novos recursos, na verdade, você não está sozinho, estamos atualmente falando com todas as pessoas que tem um espírito livre em suas armas, estamos para esclarecer algumas coisas.

Fukai concordou mesmo não tendo compreendido muita coisa.

- A verdade que todos os mundos estão passando. - Garoa completou. - Todos os espíritos estão selados, essa é a verdade.

- Selados? - Fukai reagiu aquilo quase que sentindo uma dor no estômago.

- Por muitos anos, os Deuses começaram a fazer parte de uma organização no Plano Celestial, pode ser dizer que era uma na qual todos estávamos em igual, não havia uma diferença entre rank ou poder. - Janos disse. - Mas isso foi quebrado por uma Entidade que está acima de todos nós.

As vozes se calaram.

- O Deus Eterno… - Fukai falou para si mesmo.

- Então conhece ele, seu espírito deve ser alguém de importância. - Garoa devolveu ouvindo claramente as palavras ditas. - Mas sim, Ele mesmo, o Deus Eterno criou um sistema na qual nenhum de nós pode fugir.

Ohaio riu chamando atenção de Fukai.

- Ele está tentando fazer com que nós lutemos para o topo. - Ela disse rindo. - Ele teve essa ideia para que provássemos que somos dignos de nossos títulos, isso é tão… excitante, não acha?

Fukai nada disse.

- Mas sim. - Janos suspirou. - Todos os que estão ouvindo isso, prestem bem atenção. - Os olhos gigantes de Janos se dirigiram em volta fazendo Fukai também girar sua cabeça, mas não havia nada e nem ninguém. - As pessoas que vocês conhecem, o mundo que vocês vivem, tudo isso pode ser destruído algum dia, e esse dia está tão próximo quanto qualquer outro.

- O atual Deus Eterno fez de nós os informantes, aqueles que passarão a mensagem. - Janos continuou. - Cheguem ao Plano Celestial, criem seus caminhos sozinhos nos mundos, vocês são aberrações que não pertencem a esse plano.

- Vivam para ganhar poder, e do poder matem todos os que estão no seu caminho. - Janos foi muito sério. - Isso é uma corrida para o topo, e aquele que chegar primeiro destruindo todos os outros ganha.

Marth gargalhou.

- É uma pena que não podemos competir nesse tipo de coisa, seria muito fácil, é isso.

- Todos os que possuem espíritos de entidades selados devem chegar ao Plano Celestial, mesmo que demore mais de mil anos para acontecer, ainda esperaremos. - Janos foi claro. - Estamos esperando para retomar nossas posições de entidades e doar a vocês, seres pensantes, a chance de se tornarem algo do gênero também.

Fukai não se abalou com aquilo, ele estava calmo observando mais os olhos de Janos que diriam para todos os lados. Ele falava com muitas pessoas, talvez milhares, ou bilhares que podiam estar com algum tipo de espada junto de uma entidade, isso era estranho.

Onde tinha que ter desespero, onde tinha que ter medo, estava tomado por euforia.

O sorriso fraco no rosto do humano presente a Entidades Universais.

- Criem seu caminho, esse é o recado do Deus Eterno. - Janos disse. - Cada pessoa desse mundo pode sentir quando outra está emitindo a radiação do Plano Celestial, então começará uma guerra entre seu próprio povo, sua própria pessoa.

Todos as dez entidades riram ao mesmo tempo.

- Isso é o fim da nossa Era, a Era dos mais talentosos prodígios começará a partir de hoje. - Janos gritou com euforia. - Sobrevivam… 

Por Amnésia | 01/03/18 às 18:43 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação