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Capítulo 56 - Breve descobrimento

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 56 - Breve descobrimento

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

Merer e Lau Gaufeng haviam se locomovido rapidamente, se apressaram com certo receio. Fukai Ferio era um dos poucos da família Ferio que puderam entrar no Instituto, se deixasse que ele morresse, certamente a família do Antigo Protetor não deixaria barato.

Os dois se encararam antes de aumentar a velocidade.

Os sons dos rugidos agora não mais podiam ser ouvidos, o que significava duas coisas: Fukai conseguiu derrotar completamente as bestas, ou ele foi morto pelas feras.

Lau apertava o punho com toda a sua força pedindo aos céus que fosse a primeira opção, mesmo que fosse a menos provável. Ele já estava ciente de que os Tigres Amarelos se multiplicavam cortando e transformando seus inimigos em uma parte de si, era um sistema evolutivo, algo que acontecia naturalmente ao decorrer dos anos.

O único problema era a forma como isso se arrastava. As bestas não tinham potencial para progredirem nesse sistema evolutivo por causa do seu predador natural, o ser humano. A cada ciclo reprodutivo, um grupo de pessoas é formado para ir até lá e acabar com as cópias que acabaram de nascer.

Ainda não tinha uma forma de trazer os humanos de volta a sua forma original depois que eram cortados, e nem sequer foram dadas ideias de como trazer. Para muitos, ser acertado por um animal no Reino Terrestre já indicava que sua força não era nada além de nada, e por isso era deixado de lado.

O mundo não era um lugar para fracos.

Com a parada da forte chuva, os dois homens começaram a diminuir sua velocidade, já estavam chegando no local, mas os sentidos de ambos ainda não captavam nada, nenhum sinal de vida.

Lau olhou para o diretor com um pouco de ansiedade.

- Senhor, deixe me ir na frente.

- Vá. – Merer assentiu com a mão ordenando com a mão. – Eu também estou pressentindo sinais de vida a direita daqui.

Lau nem mesmo perguntou do que tratava, virou seu corpo para frente e saltou como se sua vida dependesse disso.

Sua respiração pesou no momento em que ultrapassou as árvores e moitas que os distanciavam, Lau Gaufeng não tinha medo de nenhum homem, nenhum tipo de pessoa, mas a Razam sim, o espírito lhe dava calafrios que gelavam completamente a espinha.

Podia ser medo, talvez um pouco de tormenta pelo que houve no passado, mas ele não ousaria contrariá-lo de novo, Lau estava perto de atingir a camada final do Reino Sol Nascente e avançar para o Gladiador.

O medo que sua mente possuía não era nem compartilhada com as mulheres com quem deitava.

Era seu único pesadelo todos os santos dias.

A chuva parou, completamente. Lau parou de saltar pelos troncos e tocou ao solo, o ar havia mudado, o cheiro de sangue fresco ainda estava no ar o que indicava a luta recente que houve.

Lau passou andando olhando por todos os lados procurando algum tipo de pista que indicasse o paradeiro de Fukai Ferio. Não havia nada além de terras jogadas, uma cratera gigante no chão aberta, e algumas árvores curvadas para o lado.

Houve uma grande luta, isso era preciso a observação dele.

Os rastros de terra no chão eram até que bem simples. Uma grande luta aconteceu, e pelo que parecia houve um vencedor, não havia nada e nem ninguém ali.

Isso até Lau afiar sua visão.

Ele olhou para o alto, onde as maiores árvores com os maiores troncos se portavam. Lau abriu a boca meio chocado, meio incrédulo, e depois disso sorriu como se estivesse vendo algum tipo de piada.

- Isso é sério mesmo?

Ele não pode parar de observar, e riu.

- Fukai Ferio, certamente você é alguém que ele deseja!

Lau Gaufeng gargalhou e deu de costas, começou a sair de onde sepulturas estavam cavadas.

Todas os Tigres Amarelos estavam cortados, ferimentos em todos os membros e acima de tudo isso, estavam com estacas atravessadas entre seus peitos no pico de cada árvore, cada uma das feras em uma árvore diferente.

Ele não tinha como não rir, era divertido ver isso.

Por fim, ele deu as costas com um sorriso que era mais para triste do que para feliz. Essa era a extensão de poder de um único garoto.

Retraindo sua intensa sede de querer saber como a luta ocorreu, Lau começou a fazer trajeto para onde Merer havia ido.

O diretor podia ter achado algo importante, e realmente achou.

Com a saída de Lau a algum tempo, Merer continuou andando para onde captado batimentos, respirações pesadas e alguns poucos cheiros de sangue. Antes de seu primo, Lau Gaufeng, ter anunciado que iria sair para procurar Fukai pela esquerda, ele já tinha ouvido, sentido e previsto o que aconteceu.

O cheiro de sangue férrico estava no ar, poucos eram os que se especializavam nos cheiros de sangue, a coleta de informações através desse fator era importante, pois indicava qual tipo de fera estava presente.

 

Merer era um dos poucos que havia gravado muitos cheiros durante sua vida, os mais de 800 anos foram sempre recompensadores.

Caminhando lentamente pela planície, o velho homem não emitia nenhum tipo de aura para fora, estava cauteloso pelo que procurava, era firme, porém se dificultava a andar para que não alertasse nada.

De qualquer forma, poucos eram os que podiam se equiparar contra Merer Gaufeng hoje.

Ele parou quando ouviu o som de um galho se partindo não muito longe. Virou sua cabeça para onde o som veio e viu a pessoa parada.

Era Fukai, sentado em um tronco de árvore tombado para o lado com sangue escorrendo da sua testa.

Merer escondeu sua presença na mesma hora que o viu falando sozinho.

- Sei que você falou que eram muitas para mim. – Fukai disse aborrecido e se virou para o lado como se falasse com alguém, cruzou os braços balançando a cabeça zombando de algo e continuou falando. – Ah, agora você é o dono do mundo que conhece tudo, faça-me o favor, vá se fuder.

O velho homem escondeu o seu riso continuando a espiar o garoto.

- Olha só, eu não estou com cabeça para ficar discutindo, viu o que acabou de acontecer. – E ele levantou a mão mostrando os cinco dedos. – Eu matei cinco bestas, cinco delas, cara.

Ele parou, gargalhou colocando a mão na barriga e balançou a cabeça.

- O que atacou Lucy foi um tal de Nanotte, ele também tinha uma espada selada, fiz bem em pegar mesmo?

Os ouvidos de Merer se atentaram, era claro que ele conversava com algo além dos seus sentidos, mas as palavras Espadas Seladas era um tabu muito antigo, ele queria saber mais daquela conversa.

- Ah, um complexo de besteira o que esse outro está dizendo. – Fukai desprezou com um olhar negativo. – Você disse que ia me levar para algum lugar seguro, terei que levar esse cara comigo? - E com um apontar para o lado, ele mirou para o ar.

Balançou a cabeça para a esquerda onde assentiu com algumas coisas e depois fez um gesto se erguendo do tronco.

- Está bem. – Fukai abanou as roupas e limpou o resto do sangue que escorria pela sua testa. – Irei levá-lo, mas só porque o Razam pediu, não confio em você, Reynold.

Nesse momento que Merer estagnou, ele afiou sua audição ao escutar aqueles dois nomes: Razam e Reynold.

Esse era o nome de dois seres, duas entidades que, descritas pelo livro, eram fortes o suficiente para acabar com continentes inteiros apenas com a sua mão.

Mas ele não interferiu no assunto do garoto, continuou escondido apenas observando e ouvindo o que ele tinha a dizer.

- Então ele pode ajudar me ensinando sobre Hidro? – Fukai assobiou rindo. – Até que você não é de todo mal, hein, Rey?

Ele olhou para frente e gargalhou de novo como se tivesse ouvindo uma piada.

- Sim, ele parece aqueles bichos que se rastejam no chão. – E parou ouvindo. – Claro que não sou um verme, acha que deveria me chamar assim quando fui eu quem te resgatou das mãos de uma escória como o Nanotte?

Fukai balançou a cabeça e começou a caminhar.

- Nem ferrando que eu ia deixar a chance de conseguir mais força para lá. – Fukai falou antes de ser interrompido e encarou atento para a direita olhando para alguém, e depois assentiu afiando seu olhar em volta. – Gostou do que ouviu, xereta?

Merer não tremeu, ele estava próximo demais e se o garoto tivesse afiado sua atenção teria sentido sua aura, mas quando o velho diretor estava prestes a sair de trás de seu esconderijo, uma segunda voz ecoou.

- Eu não sou uma xereta. – Era feminina, simples e veio com um tom sorridente. – Só queria saber o motivo de você não ter aparecido por 2 dias inteiros no Instituto.

A jovem dos cabelos curtos até o ombro, usando um casaco grosso de frio, com óculos por cima dos seus olhos vermelhos e um sorriso encantador que levava até o último resquício de tristeza de alguém, essa era Pin Ferio.

A menina sorriu cruzando seus braços a frente do peito e virou a cabeça para Fukai.

- Você tem métodos muito diferentes dos outros, sabia?

Fukai estranhou aquela pressão que se iniciou do nada vindo de sua colega, era totalmente diferente do que tinha passado antes com ela.

- O que quer dizer?

- Eu também os vejo, sabia? – Ela descruzou os braços e tocou a ponta de sua arma na cintura, a atmosfera inteira se tornou mais densa, onde havia o começo do dia, agora estava se tornando cada vez mais escuro.

Merer continuou parado observando atentamente cada detalhe que os dois faziam, não era difícil imaginar do que estavam falando, ele era alguém que estava há muito tempo vivo, com apenas algumas poucas informações, desvendou bastante coisa.

Fukai não se impressionou, ele continuou encarando a garota e moveu seus olhos para onde havia agora um espírito parado, era uma mulher, tão bonita quanto a própria Pin Ferio, parada de braços cruzadas.

A mulher tinha longos cabelos, mas haviam uma trança nelas que a própria Pin fez. Estava utilizando um traje de batalha completo revestido de metal, um colete abaixo que aumentava bem os seus seios, e suas pernas longas e grandes que deixaram Reynold e Razam de boca aberta.

- Essa é Polka. – Pin disse. – Imagino que saiba do que estou falando.

Fukai não ficou bem feliz ao ver aquilo, sua mão aos poucos se aproximava da sua espada curvada.

Pin riu daquilo.

- Acha que eu quero atacar você? – Ela sorriu de novo. – Vamos conversar, por favor... – E ela mexeu seus olhos para a direita mirando e fazendo Fukai também encarar secretamente. – Sozinhos, para ser exata.

A nova personalidade de Pin Ferio era diferente, bem diferente da garota que parecia ter medo de tantas coisas.

Fukai não se assustava mais com muitas coisas, estava até bem certo de que haveria muitos que teriam espíritos selados também, então concordou com ela.

- Tudo bem...

Por Amnésia | 01/03/18 às 18:52 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação