CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 59 - Desejo de vingança

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 59 - Desejo de vingança

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

Dentro da imensa floresta, um grupo de pessoas saltavam de um lado para o outro. Alguns na frente, outros atrás, todos eles pulando e se jogando entre os galhos enquanto em suas costas flechas, adagas e espadas eram todas miradas para eles.

Um grupo estava fugindo, o outro avançando, todos eles seguindo para mais e mais dentro da floresta de enormes copas e troncos de 4 metros.

A pessoa que liderava os fugitivos era um velho, correndo pela sua vida, ele saltava pelos galhos sempre espiando suas costas à procura dos seus perseguidores. O suor na sua testa escorria depois de quase 3 horas correndo loucamente.

Estavam cercados, seu grupo tinha cerca de 5 pessoas contando com ele, cada um deles ferido em um lugar específico, um ponto de energia no corpo para que sua Profunda Energia não pudesse se ativar, assim selando metade da movimentação de cada usuário.

O velho olhou para os dois lados antes de saltar e com apenas um único segundo, ele vislumbrou a criança sentada no chão não muito longe. Era um garoto, 16 anos mais ou menos, cabelos presos atrás da cabeça e bebia água balançando a cabeça.

Estava calmo, muito calmo, nem sequer estaria ciente de que havia algo ou alguém que estava assassinando qualquer pessoa dessa área.

- Garoto... – O velho gritou fazendo todo o grupo atrás dele olhar para onde gritava. – Saía daqui, agora!

O jovem virou seu rosto despreocupado, olhou para onde todos estavam correndo e mexeu a boca balbuciando algo.

Logo depois, ele se levantou rapidamente colocando o cantil dentro de um saco, jogou suas duas espadas na parte esquerda da cintura e mudou seu foco para trás do grupo de 5 pessoas, nos outros que estavam aparecendo e em maior número.

O garoto era Fukai Ferio que tinha acabado de ouvir de Reynold algumas coisas relacionadas a sua cultivação e estava prestes a entrar no assunto sobre os Demônios.

- Pelo visto vamos ter que adiar essa conversa! – Foi o que Fukai disse assim que o velho o gritou.

Reynold se levantou limpando suas roupas, mas não havia terra nela.

- Eu tenho todo o tempo do mundo para te contar, mas acho que sobre a técnica Medo do Escuro, o mais correto seria que Razam lhe explicasse.

Razam estalou a língua.

- Eu já ensinei a base para ele. – O espírito respondeu cruzando os braços. – Não quero que ele fique usando isso toda a hora, as necessidades de se usar em uma luta variam muito.

- Eu sei disso. – Fukai lhe respondeu rapidamente. – Está na hora que eu aperfeiçoar os estilos dos Ferio...

O velho que saltava por cima das árvores não gritou novamente, dessa vez ele conduziu as pessoas para fora da linha de confronto. Os galhos mais tortos serviam para atrasar os oponentes, ele não deixaria essas coisas serem tão fáceis para os inimigos.

O velho virou de costas saltando no ar, esticou sua mão para frente, e puxando todo o ar que pode, ele gritou liberando todo a sua Profunda Energia.

- Pressão de Vapor...

A Energia que ele liberou no ar se fundiu em uma só tendo uma cor cinza, uma cor densa que não era possível ver através, ela se espalhou entre a palma e cresceu dominando a floresta. Era uma técnica de fuga executada perfeitamente.

Não muito longe, a voz de um dos inimigos se levantou rapidamente.

- Senhor, o velho usou a mesma técnica de fuga daquela vez.

A língua do Líder foi estalada quando a densa névoa começou a se expandir rapidamente por todos os lugares, a falta de luz já era bem terrível para os olhos, e agora com a névoa, não havia nada além de cinza pelos lados.

O grupo parou no meio da névoa, eles não estavam familiarizados com a floresta, então recuaram um pouco, se agrupando no solo.

- Senhor, eles vão fugir se continuarmos assim! – Um deles falou, era um homem. – O que devemos fazer?

- Usem Sétimo Sentido e investiguem a área. – O líder disse rapidamente. – Não podemos deixar aqueles ladrões escaparem.

- Deixe-me fazer isso, então, senhor.

Uma mulher se colocou a frente rapidamente, ajeitou a mão para a névoa e focalizou sua Profunda Energia nas palmas.

- Perfuração Ventilar.

A Profunda Energia foi convertida em filamentos unidos de ar que foram atirados para frente e se expandiam com rapidez para os lados criando um túnel no meio de todo o nevoeiro. Quando a mulher respirou fundo, os filamentos aumentaram para as direções em volta e fizeram uma ventania levar todo a denso ar embora.

O líder aprovou com um balanço de cabeça.

- Se dividam em 5 grupos de 2 pessoas e avancem para todos os lados.

- Sim, senhor Tulio. – Eles rapidamente se colocaram em pares e saltaram em volta deixando o líder sozinho de pé no solo.

Tulio respirou fundo e encarou os lados procurando qualquer vestígio de posições onde os ladrões estavam, porém tudo estava intacto, não tinha nenhuma grama mexida, nenhum tipo de movimento, a floresta estava calma.

A natureza enganava sempre.

Tulio ainda parado ouviu o barulho de folhas se mexendo a sua direita, foi curto, mas o suficiente para que o fizesse se atentar. Ele virou seu rosto calmamente até que a figura de um garoto enchendo seu cantil em uma moita entrou.

Tulio não disse nada e esperou.

O jovem bebeu da água e começou a sair de perto dando as costas para o homem que afiando seus olhos viu um símbolo um tanto quanto estranho em suas roupas: A raposa.

- Hey, você. – Tulio gritou indo a frente. – Você está em um território dominado pela Seita Tugh, quais as suas credenciais?

O garoto, Fukai Ferio, se virou encarando o homem.

- Pelo que está constado nos livros, esse é um lugar da Seita Calto. – E olhou o homem de cima a baixo antes de falar. – Você não parece ser da Seita Calto.

Tulio fechou a cara sacando sua espada rapidamente, ele deu seu primeiro passo fazendo sua aura expandir e sua Profunda Energia circular a volta de seus membros.

Fukai por sua vez colocou a mão para trás das costas dando um passo largo para trás com um sorriso bobo no rosto.

- Pelo que me lembro, há uma torre ou cabana de chamadas da Seita Calto para Leste, o que aconteceria se eu os avisasse que há Tughs por aqui?

- Você não vai avisar. – Tulio afirmou com total certeza. – Ninguém pode escapar dos Tughs depois que o ameaçam.

Fukai riu dele.

- É mesmo? E o que acontece com essas pessoas? – Ele tirou uma das mãos de trás das costas e apontou para a espada. – Vai usar isso ai nas suas mãos?

Tulio respirou fundo e deu o primeiro passo para frente. Correndo como uma bala disparada, ele avançou com todos os seus sentidos mirados no garoto.

Sua espada se aproximou pela direita com um golpe lateral simples.

Fukai se abaixou tão rápido não dando chance de pensar. Se colocou de lado e acertou uma cotovelada na barriga de Tulio de baixo para cima o fazendo se curvar, aproveitou o resultado do golpe anterior e acertou uma joelhada arremessando a cabeça junto do corpo para trás.

Tulio recuou segurando seu nariz sangrando.

- O que...?

Tulio não conseguia se mexer, todos os seus músculos foram paralisados e nada mexiam. O homem, meio assustado, meio chocado, encarou rapidamente Fukai.

- O que você fez? Me envenenou?

Fukai balançou sua mão esquerda no ar com as listras brancas em sua palma.

- Não brinco com venenos, eles podem matar, sabia? – Fukai soltou a frase que Razam havia lhe dito uma vez. – Quero saber o motivo de você estar atrás de um velho e as outras pessoas, só isso.

Tulio tremia ao tentar se mexer, mas nada acontecia, seus músculos estavam bem selados e nada podia o soltar a não ser a pessoa que fez aquilo com ele.

- Mesmo que eu fale, você me matará, você faz parte da Seita Calto, eu vejo a raposa na parte de trás de seu casaco. – Tulio berrou de volta, irritado tanto com o garoto quanto consigo mesmo.

Cair numa armadilha do inimigo por ter subestimado, isso era coisa de iniciante, e Tulio caiu como um pato.

Era humilhante.

Mas a resposta do garoto o tirou de um certo transe.

- Eu não faço parte de lugar nenhum. – Fukai logo anunciou deixando o homem bem surpreso. – Estou viajando a procura de... respostas. – Ele foi cauteloso com sua última palavra e foi bem mais misterioso do que pensou.

O homem concordou com a cabeça no momento que ouviu, seus membros estavam paralisados e todos os seus sentidos selados, isso era obra de alguém forte demais.

- E o que quer aqui? – Ele perguntou um pouco desesperado.

Fukai deu de ombros.

- Estou somente viajando, não há nada que eu quero, nem de você e nem de onde veio.

- Então me solte... – Tulio disse irritado. – Para que me segurar se o que você falou foi mentira?

Fukai levantou uma sobrancelha e riu dele.

- Ah, não fui quem atacou o outro, isso é consequência das suas ações. – Fukai continuou rindo. – Mas me diga, qual o motivo de estarem atrás daquelas pessoas?

Tulio reconhecendo que não daria em nada, resolveu falar, mas a desconfiança no garoto ainda era grande, não acreditava que alguém que carregava o símbolo da raposa não fosse ninguém.

Seita Calto tinha uma variada rede de famílias que a protegiam quando entrassem em conflitos, mas até agora, nenhuma delas foi acionada para a mais recente entre elas.

- Eles fazem parte de um grupo dos Calto chamado 'Governadores', são ladrões que se disfarçam como membros de pequenas famílias em outras Seitas e Clãs e roubam os segredos, técnicas e tesouros. – Tulio rangeu os dentes furioso. – Nós fomos acionados para que recuperássemos o que eles levaram.

- Que foi...? – Fukai foi mais a fundo.

- Uma jade contendo duas técnicas de conhecimento do Elemento Raio, e um estilo de luta que envolve o desarme, o mais avançado entre eles. – Tulio foi sincero e fechou os olhos amenizando a raiva. – O que eles fizeram não foi nada além de destruir centenas de anos estudando o aperfeiçoamento da nossa Seita Tugh.

Fukai concordou, ele também ficaria irritado se outras pessoas roubassem as técnicas de sua família, mas como já tinha gravado tudo em sua mente, nem se importava mais com os Ferios.

- E sabe quem foram os que mandaram eles atrás dessas técnicas?

Tulio concordou.

- Houve duas famílias que estavam por trás disso, os chamados Menbey e os Salto.

Fukai arregalou um dos olhos surpreso, estalou os dedos e cruzou os braços.

O corpo de Tulio voltou ao normal, o homem soltou a espada rapidamente e depois respirou fundo como se toda a sua vida estivesse em jogo. Era uma pressão muito forte, uma na qual pressionava com força cada órgão e veia.

Fukai o deixou relaxar um pouco, o estado mental do homem parecia arrasado por alguma coisa.

- Você carrega o símbolo da Raposa, isso indica que esteve no caminho dos Calto, não é?

- Sim, eu estive lá, mas não quero voltar. – Fukai respondeu de braços cruzados esperando a reação do homem. – Eu irei te dar uma dica, a pessoa que carrega a tabuleta e também o pergaminho correu naquela direção e está escondido em alguma moita.

O dedo de Fukai foi direcionado para sua esquerda.

- Não há uma base dos Calto por aqui, eu estava mentindo. – Ele revelou rindo. – Por isso, eles devem estar escondidos esperando que vocês desistam e partam para a próxima ronda em outro lugar da floresta.

O homem concordou sério.

Essa era uma criança um tanto quanto estranha.

- Se caminhou pela Seita Calto, deve saber sobre algo sobre uma família que vive por lá, certo?

Fukai levantou os ombros concordando por parte.

- Depende da família que for.

O homem pegou sua arma do chão, apertou fortemente cada parte do cabo quase amassando a, e rangeu os dentes com um fogo nos olhos.

- Uma família que causou a maior desgraça para toda a minha família, assassinou todos os meus parentes e deixou apenas uma moeda dizendo que o Barqueiro do Inferno só podia levar apenas uma alma para caminhar em paz.

Ele encarou Fukai deixando toda a sua raiva sair de uma só vez, mas se concentrou em não avançar ou recuar, apenas seu olhar mortal, carregando um desejo de vingança gigante, se mostrava.

- Eu quero a destruição de toda a família Ferio e Gaufeng.

Ao ouvir aquilo, Fukai lhe deu uma risada.

Por Amnésia | 01/03/18 às 18:55 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação