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Capítulo 60 - Essa é a minha proposta

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 60 - Essa é a minha proposta

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

- Do que está rindo? – Tulio logo parou de falar ao ver que Fukai parecia se divertir com aquilo.

Fukai, por sua vez, apenas abanou a mão não revelando o motivo do riso, ele acenou para o homem e com simplicidade o pediu para continuar o que está falando.

- A Seita Calto, eles são um bando de cachorros sem mãe. – Tulio cuspiu as palavras com prazer. – Eu não tenho nada a discutir com eles, só quero que me paguem com suas vidas, assim como a própria família Ferio e Gaufeng.

O ódio que Tulio sentia não era comum, era forte, sem dúvidas um ódio acumulado de diversas ocasiões. Um homem que tinha a cabeça tão focado na destruição dos Ferio e Gaufeng não podia ser chamado de comum, era um lunático que queria a destruição de duas das maiores famílias que já existiam.

Se isso não fosse o destino, Fukai não sabia o que era.

O garoto de braços cruzados assentiu de volta para Tulio sem nenhum pingo de emoção ou divertimento dessa vez.

- Você diz que quer a destruição de famílias e uma Seita inteira, então deve ter um plano para isso?

Tulio estava prestes a responder quando Fukai o parou.

- Mas eu não o vejo como alguém de poder já que foi chamado para caçar ladrões, não é? – O garoto tocou um ponto fraco de Tulio.

- Isso mesmo. – O homem falou de cabeça baixa. – Não é questão de poder, mas sim de status, meus superiores dizem que uma guerra agora com uma Seita qualquer ocasionaria em um desastre para ambos os lados.

Fukai não concordou com aquilo, uma guerra era uma guerra, riscos eram necessários, e se fosse para que o Patriarca da família Ferio sentisse o que era desespero, o garoto usaria qualquer método para trazer esse sentimento.

Os mais pobres da família Ferio trabalhavam cerca de 12 horas por dia e não eram nem pagos por isso. O fato era claro, se o Patriarca aceitava isso, ele também era pior do que um lixo.

Fukai vendo o homem de cabeça baixa e meio deprimido, sorriu.

- Então que tal um acordo...

Tulio ergueu sua cabeça na mesma hora encarando o garoto com olhos estranhos.

- O que é?

- Digamos, apenas digamos, que eu tenho cerca de todas as saídas, entradas e túneis da família Ferio.Entrada e saída não é a mesma coisa? – Fukai falou de forma descontraída, como se aquilo não fosse nada. – Você teria uma planta elaborada da família que quer destruir, e ainda por cima pode ser dar bem com seus superiores.

Tulio encarou por alguns segundos aquele garoto estranho. Alguém caminhar pela floresta sozinho já é estranho, alguém estranho caminhando na floresta sozinho com a planta da família Ferio era ainda mais estranho.

Desconfiado, Tulio permaneceu imóvel.

- E por que me daria isso? Qual a sua discórdia contra os Ferio?

- Eu? – Fukai colocou a mão no próprio peito e sorriu. – Eu era um Ferio...

E dessa vez, a arma de Tulio se ergueu novamente com uma pequena chama de ódio e raiva acumuladas, a energia de seu corpo sendo liberada deixava até mesmo os seus próprios subordinados com medo.

Mas ali agora, com sua energia sendo jogada para todos os lados, o garoto nem se mexeu, nem fez careta, sem ao menos lhe deu face.

Ignorava a energia como se não fosse nada.

- Alguém que é dos Ferio presente na minha frente, isso deve ser um presente para que eu desconte minha raiva. – Tulio estalou os ombros pronto para atacar. – Era melhor ter continuado quieto, garoto, assim poderia ter ido embora.

Fukai continuou parado, ele respirou fundo meio chateado por não ter sido ouvido. Aquela era uma chance de ouro para o homem se dar bem na vida, e a desperdiçou no mesmo momento.

- Se eu fosse alguém ruim, já teria te matado a muito tempo. – Fukai revelou tirando a espada lisa, que tirou de Nanotte, da bainha. – Mas parece que quer lutar de verdade, seu Reino é o segundo nível do Terrestre, certo? Não deve ser tão complicado para você se dar conta de que vai perder.

Tulio por mais que fosse confiante, na presença dessa criança, ele tinha algo em seu corpo que pedia um alerta mais forte, como se alguma coisa estivesse alimentando o seu medo de avançar com tudo.

- Os Tugh foram feitos de bobos por muito tempo para que eu perdoe um Ferio presente na minha frente.

Fukai deu uma levantada na sobrancelha não ligando muito para o que ele tinha dito. Alisou a lâmina da espada com a sua mão, era a primeira vez que estava usando a espada que tinha tomado de Nanotte, não era nada especial, mas o peso era maior do que sua lâmina curvada.

Seria complicado assimilar o peso das duas armas usando só o seu braço direito.

- Sei que tomar dores dos outros é normal para os que estão envolvidos com Seitas, mas eu te pergunto. – Fukai apontou diretamente sua espada para frente, seu tom de voz, sua postura e até mesmo seu olhar foi para um mais agressivo. – Eles tomam a sua dor?

- Do que está falando? – Tulio não recuou ou cedeu para aquela pergunta, mas em sua mente, um pouco de informações desorganizadas já o dominavam. – Explique-se.

- Olhe para você agora, está lutando com alguém só por causa de um nome, eu sou um Ferio no papel, mas não sigo as condutas ou ordens deles, isso me faz um andarilho, nada mais do que isso. – Fukai falou. – Mas olhe para si mesmo, sua Seita vingou sua família ou fez algo para lhe consolar?

Tulio não respondeu, sua cabeça se abaixou com os olhos vagos, estava pensativo demais em algo como aquilo, sua família Seita. O garoto lhe espetava com o pior tipo de espeto possível, o espeto emocional.

- Foi o que pensei. – Fukai lhe respondeu depois do silêncio entre eles. – Sabe o motivo de você sempre estar sendo guiado pelos seus superiores? É porque para eles, a Seita é a única coisa que existe para você se agarrar.

Tulio levantou sua cabeça curioso.

- Do que está falando?

- Do que acha que estou falando? - Fukai continuou sério. – Estou falando deles usando sua raiva para que você possa ser um peão que não pensa, alguém que quando for morto não vai ganhar nem uma sepultura.

Tulio apontou sua espada diretamente para o rosto de Fukai.

- Não fale mais da minha casa assim. – Ele berrou furioso. – O que alguém que teve tudo na vida sendo um Ferio sabe sobre sacrifícios ou complicações? Vocês que nasceram e viveram no berço de ouro por toda a vida, isso é mais do que suficiente para que os menos favorecidos fiquem irritados.

Fukai abriu os olhos decepcionado.

- Então é inveja que você tem?

Tulio não o respondeu.

As coisas em volta começaram a ficar mais barulhentas, os poucos sons de passos pararam quando 10 pessoas aos poucos começaram a aparecer por cima das árvores, todos eles com rostos decepcionados e chateados por não terem conseguido achar os fugitivos.

A mulher que antes havia conseguido dissipar a densa névoa parou ao lado de seu colega, e agachou observando seu chefe empunhar uma espada contra uma criança.

Ela não disse nada, mas seu colega de braços cruzados ficava atento a qualquer movimento do oponente.

- O que o Tulio está fazendo, Gallo?

- Parece que aquela criança é alguém da Seita Calto, mas não totalmente dela, Juno. – Gallo, alto, forte e negro respondeu, usando um traje curto que deixava seu peito exposto, ele era o segundo líder do grupo depois de Tulio.

- Um renegado? – Juno perguntou rapidamente ajeitando sua espada na bainha. – Isso quer dizer que temos um refém?

- Ele não parece ser fraco. – Gallo respondeu encarando a espada que o garoto empunhava e a outra guardada na cintura. – Ele parece ter uma lâmina curvada com ele.

A mulher rapidamente ergueu a cabeça olhando para Fukai, era verdade, ele tinha uma lâmina curvada guardada na cintura e não parecia nada nervoso, mesmo quando todos os 10 membros estavam o circulando.

- Verdade, então tiramos o dia de sorte, se o comandante conseguir aquela lâmina curvada, nós conseguimos subir de nível na Seita. – Juno falou toda sorridente, era claro que uma promoção não cairia mal.

- Isso se o chefe conseguir tirar a espada dele, preste atenção na sua postura, não é uma qualquer, ele certamente é bem treinado e tem experiência, não é como os fujões que escaparam de nós. – Gallo falou tentando esconder a irritação de ter falhado em recuperar a jade e a tabuleta.

- Mas o chefe está na segunda colocação entre os melhores comandantes perdendo somente para o nosso Primeiro Comando que tem o quarto nível no Reino Terrestre, tanto em poder quanto em habilidade ele devia ser capaz de esmagar esse ratinho. – Juno disse ainda com um sorriso no rosto. Já tô putasso com essa vagabunda

Gallo continuou calado observando os movimentos de Fukai. O garoto era sólido, não demonstrava reação de medo ou de recuar, ele era alguém forte, e sua postura, seu corpo totalmente exposto e ao mesmo tempo passando uma sensação de invencibilidade.

Essa era apenas uma sensação que pessoas com espírito de guerra possuíam, Gallo reconhecia muito bem essa sensação de incômodo, de insegurança, mesmo que fosse na presença de um pequeno garoto.

Fukai mudou seus olhos para acima das árvores, as pessoas lhe encarando com uma certa hostilidade e curiosidade, corpos e mentes perdidas em um mundo bem diferente do que alguma pensaram em ser.

Ele iria mostrar como o mundo funcionava, pelo menos, para algumas pessoas.

- E então, é inveja ou apenas um desejo de vingança que subiu a sua cabeça como um piolho que se agarra ao couro cabeludo? – Fukai novamente tocou nessa tecla quebrada que incomodava Tulio. – Me responda, eu sou um Ferio, desertei da minha família, e agora vai me atacar? O ódio da sua família é maior do que o desejo de conseguir ser alguém na vida?

- Não é um desejo de vingança. – Tulio devolveu totalmente irritado. – Mas uma forma de fazer com quem eles paguem pelo que cometeram a nós.

 - Desculpas e desculpas. Quando vai se dar conta de que isso é mais do que um ódio, eu ainda estou te propondo um acordo simples. – Fukai não deixou a espada descer, mesmo um pouco pesada, ele continuou a erguendo. – Eu lhe darei a planta de toda a área dos Ferio, e como troca peço duas coisas.

As pessoas que estavam acima das árvores começaram a comentar sobre, basicamente, a ideia para eles não era ruim, entregar a planta de uma família não era complicado, o único problema de verdade era como alguém tinha isso.

Plantas de um território familiar é muito mais do que alguém sozinho podia gravar, isso se não fosse o Fukai, a pessoa que conseguia gravar cada parte dos nove estilos dos Ferio sem errar uma parte.

Gallo e Juno se encararam acenando com a cabeça, eles já tinham um plano.

O homem negro, então se colocou a frente levantando a voz fazendo todos os demais se calarem a sua volta.

- E quais seriam os seus dois pedidos?

Fukai olhou para o homem e sorriu.

- Eu quero aprender sobre o Estilo da família Hyono e a técnica Raio Negro da Seita Tugh.

Por Amnésia | 01/03/18 às 18:56 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação