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Capítulo 63 - Presente

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 63 - Presente

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

A resposta de Tulio estava na ponta da língua, ele ergueu sua cabeça para frente, olhando todos os seus subordinados agora cansados e esgotados começaram um a um se sentar por não terem mais forças.

A caminhada deles já estava durando dias, o único motivo de Tulio ter parado o garoto na floresta era para que de algum jeito conseguisse algo para sua Seita, mas como Fukai mesmo havia dito, era impossível para o homem conseguir algo sendo escravo do lugar que chama de casa.

Tulio fechou os olhos deixando sua cabeça bater no solo para trás, ele mordeu os lábios ficando cada vez mais receoso, claro que estava irritado, mas ainda assim, além disso, tinha medo de que voltando para casa, ele seria recebido como um vagabundo.

Ele colocou a mão nos olhos, e praguejou para si mesmo.

- Agora que todos aqueles malditos ladrões estão longe, eu não vou ter como voltar. – Ele disse irritado, socou o chão com a lateral da mão fazendo subir um pouco de poeira. - Eu aceitaria sua proposta sem ao menos dizer nada, mas como eu poderia?

Fukai nada disse, continuou observando a melancólica situação de Tulio, mas permaneceu quieto, sem demonstrar pena. Para ele, cada movimento era uma ação que poderia se resultar simulação, já estava cansado de ter que dizer as coisas e nem um deles sequer prestar atenção, agora tinha que ficar ouvindo as lastimas.

Se não fosse por motivos pessoais, Fukai já tinha atravessado o peito dele há bastante tempo.

Os outros a sua volta também concordaram com seu líder, fazia quanto tempo desde que eram colocados como vermes dentro da sua Seita? Meses, anos..

A sensação de dor acumulada no peito foi exposta para Fukai que nada chocado revirou os olhos suspirando forte.

- Sério? - Fukai disse para si mesmo colocando a mão na testa aborrecido, respirou fundo antes de se levantar. - Perda de tempo, eu mesmo vou buscar essas técnicas.

Tulio encarou o garoto no mesmo momento, ele começou a sair de perto a passos largos entrando na floresta, diretamente para onde tinha apontado antes onde os fugitivos estariam. Tulio quando ouviu no primeiro momento que os fugitivos tinham ido para aquele lado, nem se importou porque poderia ser uma armadilha, mas vendo o garoto andar rapidamente para dentro da floresta, ele estremeceu.

Quem era esse?

- Para onde está indo? - Gallo perguntou com as mãos nas costelas, o golpe que recebeu ainda estava o atordoando.

- Não é óbvio? - Fukai retrucou de volta ainda de costas. - Vou buscar essa merda que estão procurando.

O garoto continuou andando para frente, passou pelas árvores mais grossas, caminhava com uma cara assustadora, respirava fundo e articulava seus planos para o futuro, lutar contra aqueles idiotas lhe custou tempo precioso.

Continuou por mais 4 minutos até parar em uma área aberta, abriu seus dois braços e fechou os olhos empinando sua cabeça um pouco para cima.

Com a puxada do ar para dentro dos seus pulmões, ele expandiu as veias que percorriam Profunda Energia e liberou no mesmo instante conduzindo todo o ar para fora. A pressão do ar golpeou todos os lados invadindo as plantas e até a grama.

Esse movimento fez Razam ficar curioso.

- O que está fazendo? - Ele logo perguntou aparecendo junto de Reynold, ambos olhavam curiosos para o garoto que tentava se concentrar.

- Fique quieto, por favor. - Fukai respondeu puxando seus braços para perto do peito.

Ele dobrou a perna a arrastando para trás, fez sua mão conduzir a Profunda Energia pela sua palma e com uma sequência de movimentos para os lados, ele se tornava um com a sua própria Energia corporal, era uma harmonia simples que aprendeu com sua mãe há muito tempo.

Dobrou o cotovelo para trás o deixando acima da costela e socou o ar fazendo toda a harmonia que tinha se formado explodir para fora sendo liberada para todas as direções, ela agitou e sacudiu cada folha a sua volta.

Fukai continuou na mesma posição por algum tempo.

Reynold afiava sua visão aos poucos, aquela era uma posição familiar, muito mais do que ele tinha previsto, foi uma sequência de movimentos envolvendo sutileza e brutalidade ao mesmo tempo, era como a paz e o caos ao mesmo tempo.

O espírito arregalou os olhos, mas retraiu sua emoção rapidamente para si.

Aquela posição, isso é...

Fukai respirou fundo aliviado, passou a mão na testa um pouco cansado, ele assentiu para si mesmo e continuou andando sem dizer nada aos dois espíritos ao seu lado.

Razam emburrou a cara rapidamente, e deu um tapa nas costas de Fukai com força.

- O que foi aquilo, desgraçado?

- Uma técnica de respiração. - Fukai lhe respondeu levando a mão ao lugar agredido. - Mesmo sendo um espírito sua força não diminui?

- Claro que não. - Razam ergueu a voz de forma superior. - Nossa força sempre será a mesma, apenas nossas cultivações e Reinos serão diminuídas levando nossas técnicas embora.

Fukai concordou com um pouco de dor, Razam havia lhe acertado na nuca, como fazia sempre.

- Uma técnica de respiração? - Razam não deixou de lado essa informação. - Você nunca disse sobre isso, quando a aprendeu?

- Minha mãe. - A lembrança de sua mãe o fez sorrir na hora, o rosto de sua mãe era uma das formas de lhe trazer paz. - Ela ensinou a mim e meu irmão quando éramos novos, eu sempre fui o mais fraco, mas ela dizia que eu tinha talento, sempre falava que se tornar um comigo mesmo era a chave para ser forte.

Enquanto Fukai dizia aquelas palavras bonitas que lhe faziam sorrir, Reynold encarava o garoto com mais curiosidade.

Técnicas de Respiração não são tão simples de serem ensinadas, apenas alguém com capacidade acima da média poderia fazer, então levava a pergunta a cabeça do espirito: Quem era a mãe de Fukai?

Mesmo que isso estivesse querendo sair de sua boca, Rey permaneceu quieto.

- Técnicas de Respiração são usadas para reforçar os sentidos, não é? - Razam disse para si mesmo, mas pareceu mais uma pergunta para o garoto.

Fukai riu dele.

- Você quem é a entidade do Plano Celestial aqui.

Razam o olhou de cima a baixo com um olhar desprezível.

- Está se achando o engraçadinho, não é?

Fukai riu de novo, mas aos poucos ele foi sumindo. Sem mexer a cabeça, ele mexeu os olhos para a direita.

Uma flecha surgiu rapidamente daquela direção, mirava certamente na cabeça do garoto e sua ponta vinha banhada em chamas amarelas.

Com um desvio fácil, Fukai jogou sua cabeça para trás a deixando passar direto e acertar uma árvore que foi incendiada no mesmo momento.

A figura saiu de trás da árvore com seu arco em mãos já com uma segunda flecha pronta para atirar. Era um homem, alto, forte e com ombros largos, usava um tapa olho no olho direito e era careca. Tinha uma cicatriz na pele aonde o tapa olho ocultava seu olho.

Ele mastigava algo na boca e cuspiu para do lado sem tirar o olho de Fukai.

O arco em suas mãos já estava com a linha puxada para trás, a flecha mirada para onde o garoto estava, ele só estava esperando um movimento brusco e abria um buraco no corpo do oponente.

- Você me é familiar.. - O homem disse encarando Fukai com mais atenção, e seu olho bateu contra a raposa desenhada nas costas do garoto. - Seita Calto, não é?

- Isso. - Fukai falou secamente. - E você?

O homem não afrouxou a linha e permaneceu passando a língua entre os dentes tentando tirar um pedaço de mato que agarrou. Cuspiu novamente e observou mais um pouco.

- De que família?

- Ferio... - Fukai falou direto e afiou seu olhar também, ele não conhecia essa pessoa, e estar ali presente não era uma coincidência, ele tinha algo para fazer e atirar em pessoas já indicava que estava atrás de um alvo.

O homem riu ao ouvir aquilo.

- Esse é um presente do Segundo Elder dos Ferio...

Por Amnésia | 01/03/18 às 18:59 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação