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Capítulo 68 - Perdoe

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 68 - Perdoe

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

Havia vários tipos de pessoas paradas do lado de fora das casas, estavam atentos aos movimentos que uma única outra fazia, era um garoto com dificuldades e com um rosto cansado que caminhava lentamente para frente.

Seus passos eram lerdos, pesados e não seguiam uma padronização, estava caminhando como se houvessem pesos em cima de seus ombros. Ele arfava e parava para puxar o ar em vários momentos, fechava os olhos e os abria continuando a caminhar.

Sua perna esquerda tinha ferimentos de queimadura como se grilhões tivessem sido pressionados contra sua pele por bastante tempo e em várias partes.

A perna direita tinha um arranhado na vertical na parte de trás, ligando a panturrilha até o dobramento do joelho.

Sua mão direita estava enrugada como se somente aquela parte tivesse envelhecido, e ainda assim havia cicatrizes que a contornavam fazendo vários seguimentos de retas em todas as direções.

Continuando seu caminho, ele saiu da parte das residências a sua volta e foi para o único lugar que a Seita Thug havia lhe dado permissão para descansar: O Celeiro do Patriarca.

Não era grande coisa, mas haviam guardas por todos os cantos e isso os protegia, era a melhor chance de ninguém o incomodar.

Ele atravessou o portão que ligava a cidadela com o palácio do Patriarca e se dirigiu ao Celeiro sem cumprimentar ninguém, todos estavam cientes já de quem era aquela pessoa e também não ousariam confrontar uma ordem direta do Patriarca.

A autoridade do Líder da Seita era a ordem mais alta de todo o escalão, ir contra era sentenciar sua própria vida.

O jovem passou para dentro do Celeiro abrindo a porta com dificuldade, sem forças, e depois a fechou.

Suas pernas estavam fracas, não tinha comido nada fazia dias e toda a sua força vital parecia ser drenada a cada dia que passava.

O garoto tombou para trás em um amontoado de feno fechando seus olhos e dormiu.

Não demorou muito para que seu corpo fosse sacudido rapidamente para todos os lados, e ele abriu assustado pelo que estava acontecendo.

- Eu disse para me esperar acordado, você é surdo, por acaso?

A senhora que estava a sua frente era muito idosa com rugas que se estendiam por todo o seu rosto. Ela esticou a mão entregando um corpo de água para o garoto e se sentou em uma cadeira velha que estava deixada de lado.

- Tem sorte por estar vivo. - Ela falou casualmente. - Tulio teve misericórdia quando te encontrou naquele estado, ele diz que você fez uma proposta a ele, Fukai.

O garoto concordou ainda deitado no feno com suas mãos a frente do peito olhando para o teto.

- Eu tinha uma proposta generosa para ele. - Falou baixo e arrastando a voz de forma cansada. - Mas agora não tenho vontade de passar isso.

- Um Ferio entregando a planta da própria casa, isso é um forma de rebelião que ninguém admira, sabia?

- E o que isso tem a ver com admiração? - Os olhos de Fukai se mexeram para a senhora com um pouco de irritação. - Eles me queriam morto, isso também é admiração para a sua casa?

A senhora Avallon deu de ombros e continuou.

- Há muitas formas de ver o ponto de vista dos outros, mas entregar a própria família nunca teve um bom aspecto aos que estão a sua volta.

- Os que estão a minha volta também querem me matar... - Fukai a lembrou. - Admiram a morte, mas não a sobrevivência, agora entendo o motivo de sua Seita nunca ter passado os Calto ou os Naita.

Avallon o encarou com curiosidade.

- E por que seria?

- Medo de arriscar. - Fukai continuou a encarando. - Quando são chamados a fazer alguma coisa, hesitam ao ponto de quase recuar, por isso perderam uma jade e uma técnica para a Seita Calto.

A mulher riu.

- E se nos arriscarmos acabamos como você, cheio de machucados e uma parte da sua alma destruída?

Fukai não a respondeu, tomou a água e respirou fundo entregando de volta o copo.

Avallon continuou ali parada observando o jovem meio desencorajado abaixar a cabeça e suspirar silenciosamente.

- Está pensando nos seus inimigos agora?

Fukai balançou a cabeça afirmando.

- Acho melhor não deixar que o desejo de vingança lhe corrompa. - ela disse se levantando. - Deixar pra lá é a melhor opção, as vezes.

- E deixar que... - Fukai estava prestes a falar sobre Razam e Reynold quando a imagem dos dois feridos penetrou em sua mente. - Não, está certa, não tenho o que fazer hoje em dia.

Apertando sua mão em um momento de irritação, ele deixou que o sentimento da vingança não o preenchesse.

Sua mãe havia lhe dito antes de ir embora que era para esquecer seus inimigos, perdoá-los de alguma forma.

Fukai queria perguntar sua mãe naquele momento em como fazer tal ação.

Como perdoar alguém que feriu alguém importante?

Não deixar que o coração fosse corrompido, ele não deixaria isso.

- Posso estar errada sobre como você pensa, Fukai Ferio. - Avallon lhe disse andando para a porta do Celereiro. - Mas conheço sua família muito melhor do que todos aqui dentro, e eu não os perdoaria também.

Ela saiu do local e deixou Fukai sozinho parado olhando para o nada com sua mão direita machucada aberta.

Fechando os olhos e respirando profundamente, ele entrou dentro de sua mente onde Razam e Reynold estava parados de frente para o outro rindo e gargalhando.

Os dois viraram a cabeça na mesma hora para o garoto e aquele sorriso não sumiu.

- Hey, faz uns dias, vem sentar aqui conosco, garoto. - Razam lhe chamou com um aceno. - Reynold está me contando como quase morreu para umas bestas de nível baixo.

Reynold levantou a sobrancelha pra Razam em um tom interrogativo.

- Eu já disse que era Drakonianos, eles são fortes. - falou, mas desistiu com um bufar já que Razam continuava rindo dele. - Eles são fortes, idiota.

Fukai caminhou a frente no mundo escuro, ele não sorriu para os dois como de costume, mas a felicidade de ver os dois o atingiu.

Era a primeira vez que tinha a sensação de casa desde que perdeu sua família.

Razam e Reynold, os dois eram como irmãos para Fukai, mas acima de tudo, Mestres.

Fukai se sentou ao lado dos dois e os encarou.

- Estávamos falando de algumas aventuras que tivemos quando mais jovens. - Reynold falou com um ar feliz.

- Jovens? - Razam o interrompeu. - Eu sou jovem, só tenho 3 mil anos.

Rey revirou os olhos e riu depois olhando para Fukai.

- Está calado, algo te perturba?

Fukai secretamente encarou a palma direita da mão de Reynold e depois para as pernas de Razam. Os machucados ainda estavam lá.

A dor no seu peito de ter feito dois espíritos sofrerem por causa da sua falta de força foi dominante naquele momento.

Ambos os espíritos puderam sentir a perturbação de Profunda Energia dentro do corpo do garoto, estava embaralhada e inquieta.

Razam colocou a mão apertando no ombro do garoto com seus longos dedos.

- Nossas feridas não são resultado da sua falta de força, tome isso em mente. - Ele disse fazendo o garoto levantar seu rosto surpreso. - No mundo não há tempo para lamentar, as coisas que aprendemos são o resultado de batalhas, acabamos de passar por uma situação de vida ou morte, agora temos que nos reforçar.

Reynold concordou com as palavras de Razam.

- Ele está certo, Fukai. Ferimentos de batalha são o resultado de que fizemos o nosso máximo, não os leve como uma fraqueza, não deixe que os demais perceba onde sua fraqueza está.

Fukai olhou para os dois que tinham expressões sorridentes e solenes, e abaixou a cabeça em seguida.

- Obrigado... mestres.

Por Amnésia | 08/03/18 às 06:02 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação