CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 75 - Mercenários

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 75 - Mercenários

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

Fukai não perdeu tempo, escalou rapidamente o muro que estava dividindo os agressores da Seita Thug e dali de cima observou o campo de batalha até seus detalhes.

Os inimigos todos tinham um traje de batalha igual e possuíam o símbolo da Raposa para fora indicando que era a própria Seita Calto, mas ainda assim, isso não estava convencendo Fukai de que eram realmente eles.

Sempre que a Seita Calto entrava em um tipo de guerra ou conflito, eles deixavam claros seus objetivos e os motivos de estarem fazendo tal coisa.

Atacar uma outra Seita nas escuras não fazia parte das estratégias dos Calto.

Fukai estava para descobrir isso agora.

Ele caminhou pelo muro até chegar onde os soldados inimigos não estavam fazendo acampamento.

- Devem ter sido ordenados apenas tomar conta da atenção dos soldados nos Portões Norte e Leste, por isso que o ataque ao Oeste ainda não deve ter sido tão alertado. – Fukai comentou para si mesmo ao saltar para fora do muro e chegar ao chão com som curto não alertando nada a sua volta.

O garoto continuou pelo lado esquerdo, Gallo havia lhe dito que Juno havia feito caminho pelos flancos, se eles foram pegos por alguém no flanco esquerdo, então a situação era favorável apenas a um dos lados.

Reféns eram os mais utilizados para barganhar muitas coisas, até mesmo terras e riquezas.

Apressando seus passos, continuou se esgueirando enquanto o barulho de soldados conversando começou a aumentar aos poucos, todos eles pareciam não estar nada preocupados com o que estava acontecendo, parecia até que eram um treinamento casual.

- Viu a cara do negro que estava comandando as tropas dos Thug quando matamos vários deles? – O soldado perguntou zombando, estava ao lado de uns 3 ao redor de uma pequena fogueira que aquecia um ensopado.

- Aquela cor de pele dele, são seres inferiores que sequer foram abençoados pelos Deuses, temos que exterminar cada um deles. – O segundo falou, era mais sério e carregava uma intenção assassina mortal com ele.

Fukai gravou o rosto daquele homem, ele era perigoso.

- Mas de qualquer jeito, Nitorio, mesmo que seja negro, ele conseguiu suprir até certo ponto nossos ataques sozinhos. – O Terceiro homem elogiou Gallo, mas recebeu um olhar desprezível de Nitorio, o homem com a intenção assassina.

- Escórias são escórias, Ramon. – O primeiro se dirigiu ao terceiro. – Não se deve elogiar inimigos, isso atrai azar para nosso esquadrão.

Nitorio cuspiu no chão e sacou sua adaga amolando sua afiada lâmina em uma pedra ao seu lado produzindo ruídos agudos e horrendos.

- Depois que acabarmos com esses idiotas dos Thug, onde o chefe mandou para irmos, Hack? – Ele perguntou ainda amolando a faca.

- Primeiro, pare de amolar esse pedaço de ferro na pedra. - Hack era o primeiro soldado e logo ordenou a seu parceiro. – Essa pedra não é usada para amolar, vai ter o efeito contrário se continuar, e segundo, o chefe tem pontos importantes para todos nós.

- O que quer dizer? – Ramon se interessou mexendo na panela com ensopado. – Ele tem planos para tudo?

Hack concordou e inclinou o corpo para frente com um toque de mistério.

- Ele disse para mim que temos que dominar alguns pontos importantes de todo o Império Quilin, e nossa recompensa vai ser um território só para nós, mercenários. – Hack ergueu os braços em felicidade. – Imagine, um lugar só nosso, sem que ninguém venha nos cobrar.

Ramon abriu seus olhos um pouco assustado.

- Isso seria muito bom, mesmo. – Ele falou coçando a testa bem animado. – Um lugar só nosso, parece até um sonho.

Nitorio por outro lado não ficou nada satisfeito, ele balançou a cabeça coçando fortemente sua cicatriz que envolvia toda a parte a sua testa.

- Acha mesmo que ele vai dar isso para vocês assim do nada? – Falou rispidamente para seus colegas os acordando de sonhos futuros. – Essa terra que vocês tanto querem não existe, somos mercenários contratados para matar, nossas vidas são assim, nosso chefe apenas tem esse desejo, matem todos eles.

Os dois encararam Nitorio com um pouco de choque, mas para a surpresa de Fukai que só assistia, os dois concordaram com a cabeça como se o que tivesse escutado fosse verdade.

- Parem de imaginar sonhos perdidos, temos que falar com nosso General sobre o motivo de estarmos segurando aqueles desgraçados dentro da sua própria casa. – Nitorio foi frio de novo. – Já podíamos ter entrado pelo lado Oeste e dizimado metade deles sem que percebessem.

Hack levantou o dedo começando a falar.

- Acho que é por causa de Tie, Guter e Jame. – Ele disse. – Os três iriam montar um plano para assassinar o General dos Thug e pelo menos dois Anciões, estamos esperando essa chance.

Nitorio bufou em desdém.

- E se eles forem pegos? Ficamos aqui a noite toda esperando uma resposta que não virá?

Os outros dois encararam Nitorio um pouco pensativo. Ele tinha razão, se o plano falhasse, então como iriam proceder com os ataques? Era até ilógico pensar dessa forma já que tudo se resumiria a um ataque surpresa.

Mas ao dizer aquelas palavras, outro homem apareceu andando na direção deles. Era alto, forte e tinha uma armadura completamente diferente das outras, era revestida com malha por baixo e ferro por cima, tinha um machado gigante nas costas e caminhava na direção dos três com seus olhos os cerrando.

Parou ao lado de Nitorio e começou a pronunciar.

- O Capitão manda avisar que caso o plano falhar usaremos o Oeste para o confronto direto contra o Thug. – Ele falou lentamente contendo uma voz grossa e nada fraca. – Suas dúvidas estão agora respondidas?

Nitorio nem olhou para o homem e revirou os olhos.

- Pegue o seu senso de dever e enfie no rabo, Macoto. – Ele falou pegando um pote e enchendo de sopa. – E que o Capitão vá a merda, eu estou pouco me fodendo para o que os Calto querem de verdade.

Macoto olhou para Nitorio e nada disse, quando o homem estava prestes a beber a sopa, Macoto lhe desferiu um chute jogando o pote para longe.

Nitorio se levantou pegando sua espada tão rápido quanto um raio, e esticou na direção do pescoço de Macoto. Seus dentes se cerraram enquanto sua Profunda Energia era liberada do corpo fazendo a atmosfera de todo o lugar esfriar.

Até mesmo Fukai ficou assustado com tamanha frieza que aquele homem conseguia produzir. Ele estava no mínimo no Oitavo nível do Reino Terrestre e era forte demais, sua aura era até mais densa do que as demais a sua volta.

Seus dois colegas se levantaram rapidamente e se colocaram entre os dois.

- Hey, garotos. – Uma outra voz soou, era feminina e bem atraente, surgiu com uma mulher caminhando rapidamente na direção deles. – Deixe as brigas para depois do trabalho, precisamos do dinheiro para fazer as trocas de armaduras depois.

Era uma mulher na casa dos 25 anos, era morena dos cabelos longos e olhos tão negros quanto a própria noite, ela andava com um rebolado bem simples que chamava atenção de muitos os que estavam assistindo o desenrolar entre Nitorio e Macoto.

Essa era a mulher que fazia o primeiro comando dos mercenários, Trinyti Algano.

Nitorio ao olhar aquela mulher parando em sua frente e lhe dando um olhar nada amigável retraiu a espada e a guardou de volta na bainha.

Macoto se virou para Trinyti e curvou a cabeça em respeito.

- Senhorita... – Ele disse e se ergueu. – Como devemos continuar com a luta, o lado Oeste deles ainda está bem fraco e ninguém está cuidando, devemos mandar um segundo pelotão de assassinato?

- Não. – Ela respondeu cruzando os braços. – O chefe mandou esperar, então faremos isso, Macoto.

Ela olhou para os dois e depois para onde os demais encaravam a mulher, ela sempre era bem observada por todos pelas curvas de suas pernas e seus seios, e odiava esse tipo de coisa, os olhares obscenos a encarando de diversas formas.

- Bastardos... – Ela falou baixinho e começou a sair de perto, mas logo parou olhando para Nitorio e Macoto. – Não quero voltar aqui para parar uma briguinha infantil, vocês não estão mais em Nathergard, entenderam?

- Sim, senhora. – Eles responderam juntos, Nitorio com desdém e Macoto com determinação.

Suas personalidades não eram nada parecidas, isso era claro.

E diziam que Macoto e Nitorio já tinha lutado diversas vezes entre si, mas sempre acabava em empate, nenhum dos dois conseguia ganhar o outro, e ninguém além de Hack e Ramon sabia o motivo.

Fukai que esteve ouvindo tudo o que aconteceu guardou todas as informações possíveis, cada detalhe e cada nome, e o que mais o surpreendeu foi a localização de onde tinham vindo.

A cidade tirada do mapa, Nathergard.

Era a cidade que antigamente era bem vista por todo o Império Quillin, mas aos poucos foi dominada por mercenários, que mesmo tendo uma reputação péssima conseguia fazer todo o lugar prosperar.

Eles eram o centro de lucro de lá, mas o próprio Império Quillin os tirou do mapa fazendo uma varredura completa e assassinando cada líder em comando.

Essa história era de dezenas de anos atrás, e até hoje a cidade é oprimida por soldados do Império Quillin.

A missão que Gum havia dado a Fukai era só achar Juno e levar de volta em segurança, mas agora que tinha todas essas informações, ele precisava rapidamente voltar e avisar sobre os ricos que o lado Oeste poderia trazer.

Mesmo naquela situação, Fukai se manteve calmo e respirou fundo.

Está na hora de buscar Juno, ele pensou. Não posso deixar que os Thug sofram essa desordem inteira.

 

Por Amnésia | 13/03/18 às 21:56 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação