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Capítulo 77 - 4 Dedos e Uma palma

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 77 - 4 Dedos e Uma palma

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

O mercenário era Hack, ele deu um passo para trás depois de toda a sua visão ter escurecido e ele ter perdido de vista o seu inimigo, o garoto. O chão se tornou uma camada mais escura e o mundo todo entrou em um breu.

- O que está acontecendo?

Ao dar seu segundo passo para trás, ele enxergou um brilhante sorriso no escuro, somente os dentes brancos refletindo sua malícia. Só eu que pensei no Kid Bengala?

O sorriso desapareceu, e revelou no ar um brilho cinzento rápido que passou cortando a junta de sua ombreira. A placa de aço foi arremessada no chão e caiu cortada, um risco reto a atravessou e o vermelho do aquecimento era a prova de que foi um ataque à queima roupa.

Hack arfou um pouco com a mão no ombro acertado, o impacto não o acertou por pouco. Ele não se desesperou por completo, mas a escuridão a sua volta sussurrava cânticos de morte e rendição para o homem que engolia um pouco e salivava com seus batimentos meio anormais.

O vento passou pela dobra de seu joelho arremessando uma das plaquetas de aço para longe, de novo.

Uma risada maligna começou a crescer no meio da escuridão vindo de todos os lados deixando Hack mais perturbado do que já estava.

- Torturar, cortar seus olhos e dar aos vermes, juntar seus ossos e dar aos cães do inferno. – a voz dizia com um risinho depois. – Se ajoelhe, bastardo.

O joelho de Hack se dobrou na mesma hora sem resistência, ele não pode recorrer a ninguém, tentava gritar, mas as suas cordas vocais pareciam cortadas, ele levou a mão a garganta tentando soltar qualquer tipo de som, e como recompensa estava começando a ficar sem fôlego.

Uma espada se iluminou no meio da escuridão à frente dos olhos de Hack que respirou fundo, e prendeu a respiração no mesmo instante. Ele pôde sentir, era a espada derradeira da morte.

E a mão segurando o cabo da espada se iluminou, assim todo o corpo de Fukai se mostrou com o garoto sorrindo, o mesmo sorriso maligno que apareceu no meio da escuridão.

Hack fechou os olhos quando toda a espada veio na sua direção, ele foi derrotado mentalmente e seu corpo não obedeceu mais, era a hora de partir.

Fukai antes de descer sua espada olhou para fora do mundo escuro com rapidez, e praguejou.

Ele desviou sua espada para o lado onde do nada, uma adaga surgiu cortando todo o filial do mundo e buscando seu pescoço. Fukai deu um passo para trás e só conseguiu desferir um soco no rosto de Hack com toda a sua força o derrubando inconsciente.

O mundo escuro desabou, as fissuras negras aumentaram e todo o breu sumiu em um estalar de dedos.

O mundo do lado de fora se iluminou novamente, mesmo de noite, sua escuridão ainda era mais suave do que o Medo do Escuro que Fukai criava. E parado, agora segurando uma adaga e uma espada estava um homem atormentado com um sorriso meio macabro com filamentos de dentes expostos pronto para abater qualquer que fosse o inimigo.

- Eu senti que havia alguém me observando naquela hora. – o homem disse, era Nitório, o que havia dado calafrios em Fukai antes. – E Hack sempre volta com um saco de frutas, e essas frutas são minhas.

Fukai permaneceu quieto e se atentou, esse mercenário era diferente, ele tinha algo que outra pessoa não tinha, que era uma intenção assassina natural acumulada com o seu desejo de sangue insaciável.

- O que foi? – Nitório riu virando sua cabeça de lado mostrando o sorriso cruel se divertindo. – Não está pensando em fugir, certo?

- Estou pensando em qual parte do seu corpo eu vou dar para as bestas. – Fukai devolveu esticando sua espada para frente e fazendo as listras de sua mão brilharem em branco, ele iria com tudo contra essa pessoa, mesmo que isso fosse avisar que ele era um Ferio.

Nitório deu uma risada levando sua mão ao rosto e distanciou seus dedos deixando seu olho amostra, ele soltou uma baforada de ar prazerosa.

- Eu adoro os que sempre fazem isso.

Nitório e Fukai se olharam por uma última vez antes de suas lâminas se encontrarem em um confronto direto de força.

O mercenário estava no sétimo nível do Reino Terrestre, e Fukai ainda no ápice do Oitavo nível do Reino Verminiano. A diferença era quase que um reino inteiro, mas para ambos, era um combate onde essa diferença só seria analisada nos golpes que requeriam Profunda Poder.

Nitório abaixou deixando o garoto se desequilibrar para frente e arrastou ombro contra a barriga dele. Fukai abriu a boca soltando saliva pelo golpe baixo, mas não deixou barato; quando Nitório recuou o seu ombro, Fukai ergueu sua perna o acertando diretamente no ombro com um chute vertical.

Ambos receberam um golpe e estavam empatados.

O mercenário levou a mão ao ombro o mexendo depois do golpe sofrido.

- Nada mal, nada mal!

As espadas colidiram em grandes velocidades criando faíscas que se degolavam de um lado para o outro. As lâminas das duas espadas começaram a sumir com os golpes rápidos de ambos os lados.

Nitório ficou impressionado pelo garoto estar conseguindo se defender de golpes tão furiosos e tão rápidos, poucos eram os que podiam se esquivar e golpear de volta contra ele. Isso já tinha criado uma certa mentalidade de respeito.

Mas Fukai não teve essa mentalidade.

Esse era um oponente digno do estilo que tinha criado.

Nitório deu um passo a frente para encurtar a distância e golpeou em uma estocada no centro diretamente para o peito de Fukai. O garoto não deu reação para se esquivar, ao invés disso, ele esticou sua espada tão rápida para a diagonal que chegou no pescoço de Nitório mais rápido do que o ataque que estava pronto para receber.

O mercenário amaldiçoou pelo garoto ter sido rápido, seu golpe não chegaria primeiro, teria que voltar, teria que se defender se quisesse permanecer vivo.

Ele mudou o trajeto da sua lâmina para cima bloqueando o golpe da diagonal, e logo depois sua boca se abriu quando a própria lâmina do garoto mudou de direção para a outra diagonal, da direita para a esquerda e da esquerda para a direita.

De uma hora para outra, os ataques começaram a entrar em uma velocidade surpreendente, o garoto mexia seus pés de um lado para o outro dando pequenos saltos circulando o homem com rapidez.

Nitório bloqueava de um lado para o outro e tentou erguer sua base; posicionou sua perna para trás virando na lateral e puxou sua adaga, mas ele foi surpreendido pela segunda espada que Fukai tirou rapidamente de sua cintura.

Foi como uma flecha, uma espada veio pela diagonal e a outra pelo centro. O homem teve que se entortar para não ser preso em um golpe que tiraria sua vida, mas sua cabeça já gritava, ele estava perdendo, e ainda por cima para um garoto.

Isso era humilhante.

Não era para ser assim, ele era o mais forte, e também o que matava por prazer.

Ele não deixaria que um bastardo, um rato conseguisse tirar esse desejo de ver sangue dele.

O braço esquerdo que segurava a espada se abriu deixando o golpe do centro passar mais uma vez, e não o acertou.

- Draconian... – Nitório falou se defendendo do golpe da diagonal.

A terra do solo tremeu com o chamado do seu mestre, os pedregulhos se formaram e subiram como raios, chocaram contra o antebraço, braço e toda a mão de Nitório formando uma camada protetora aumentando seu membro pelo menos 5 vezes.

Fukai abaixou levando sua perna a rasteira, ele não tinha mais nada em mente, a única coisa que seus olhos captavam era a velocidade de seu oponente e como ele agia perante as situações. Não deixaria ter vantagem, e agora com o perigo de uma técnica ativada, ele era obrigado a ser mais cuidadoso.

Nitório golpeou seu braço para frente, Fukai que errou a rasteira teve que se realinhar para trás enquanto fugia das braçadas incessantes de seu inimigo.

- Você é divertido, eu gostei de como luta. – Nitório fechou o punho de terra e socou o ar abrindo sua mão, dezenas de pedregulhos afiados foram enviados voando em uma velocidade constante para cima de Fukai.

Com suas duas espadas, o garoto tentou se defender, mas acabou sendo perfurado em inúmeras situações. Ele foi golpeado nas pernas e no peito, os buracos em seu peito começaram a sangrar enquanto ele caiu de joelhos cuspindo uma mistura de sangue com saliva.

Nitório arfou em vitória, sua espada transbordava energia e parecia prestes a escapar de sua mão.

- Foi mais complicado do que pensei, sua habilidade não é ruim, mas carece de experiência em batalhas.

Fukai estava de cabeça baixa com suas mãos no peito, uma das cinco listras sumiu no momento que ele encostou em corpo. Depois abaixou tocando o solo e a segunda listra sumiu, arrastou sua mão sobre o sangue que estava derramado no solo e a terceira listra sumiu.

Ele olhou para cima com um dos seus olhos fechados, mas ria.

- Um mercenário tão idiota, o quão imbecis são de estarem sendo ordenados pelos Calto. – Fukai instigou o homem a encará-lo de lado. – Moedas e moedas, sem honra e sem mérito, eu tenho nojo de permanecer no mesmo mundo que vocês, prefiro a morte do que mais um segundo na presença de seres tão nojentos.

Nitório apertou o cabo da sua espada, ele firmou seu maxilar e levantou seu corpo no alto, fechou o punho e mais e mais pedregulhos do solo começaram a surgir.

- Ratos não possuem opinião, a lei do mundo sempre vai prevalecer: O forte vence o mais fraco.

- Os fracos pensam mais do que os fortes. – Fukai devolveu encostando sua mão na lâmina da espada e a quarta listra desapareceu. – Acredita em outra vida?

- Acho que vai descobrir essa resposta agora. – Nitório levantou sua espada para cima onde toda a terra acumulada em seus braços juntaram mais e mais para um ataque impiedoso. – Vai morrer de qualquer forma, então permaneça no silêncio.

Fukai riu dele e levantou a parte de cima do seu corpo ainda ajoelhado, seus braços ficaram suspensos enquanto o sangue em todo o seu corpo escorria pelos buracos, se demorasse mais, ele iria morrer mesmo.

- Venha, estorvo. – Fukai berrou em fúria. – Me mostre do que um merda de mercenário pode fazer, eu renego estar na sua presença, então me mate.

- Maldito, filha de uma puta...

Nitório desceu sua espada agora arrebatada de pedras, folhas, terra seca e molhada, tudo misturado, ele desceu na direção da cabeça de Fukai soltando uma risada psicopata e gritou:

- Quando encontrar os Deuses, chore para que sua alma seja destruída e eu não o encontre do outro lado.

Fukai riu e viu a espada descer contra o meio de seus olhos, mas antes de chegar com tudo, as palavras de sua boca se revelaram.

- Selo de Contrato: 4 Dedos e uma palma.

O corpo de Nitório parou do nada, e seus olhos ficaram arregalados.

 

Por Amnésia | 16/03/18 às 11:40 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação