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Capítulo 84 - Passado de 4 meses

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 84 - Passado de 4 meses

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

Dois camponeses caminhavam entre uma planície de gramas verdes, cada um tendo consigo pendurado nas costas uma cumbuca cheia de frutas de onde vieram.

-... eu sei que Adda estava presa, mas agora nada podemos fazer para ajudá-la, o Senhor já deu a ordem de sentença a ela. – O primeiro camponês disse dando de ombros. – Não treinamos nenhum tipo de arte marcial para simplesmente irmos e resgatar ela.

O outro afirmou com a cabeça mais continuou quieto, parou colocando a mão para trás onde pegou uma fruta amarela, e mordeu tirando um pedaço.

- Pare de sonhar em treinar, até o nosso mestre disse que não podemos sequer passar do quinto nível do Reino Verminiano, encontrar alguém aqui que ultrapasse o sétimo nível já é raro.

Os dois homens suspiraram juntos. A concentração de pessoas que treinavam artes marciais e cultivavam eram escassas, as únicas que podiam ter esse privilégio eram os filhos de Condes e Governantes que eram parceiros de comércio direto da cidade do Império Quilin.

- Mudando de assunto, Gilian. – Roulf, o barbudo falou. – Faz quatro meses desde que vimos aquela chuva de tempestades para o Leste, não foi?

- Acho que são cinco meses, cara. – Gilian mordeu a fruta e falou de boca cheia. – Os raios dourados e os azuis no céu escuro, foi uma visão linda.

- Foi mesmo. – Os dois começaram a lembrar dos raios se fundindo no ar e se rebelando ao mesmo tempo. – Eu me pergunto o que fez aquilo ocorrer.

Roulg esticou as costas respirando fundo e tirou a cumbuca enorme das costas a colocando no solo.

- Muitos dos soldados que fizeram vista semana passada disseram que foi um duelo entre um garoto e um dos seus capitães. – Roulf disse aquilo sem entusiasmo.

- E você acreditou? – Gilian disse deixando a cumbuca bater no chão e a tapou com um pedaço de madeira circular se sentando em cima.

- Claro que não, eles disseram que foi um homem chamado Januário que lutou contra esse garoto, mas que o garoto foi lançado milhas de distância e não foi achado de jeito nenhum.

Gilian cuspiu um caroço no chão e passou a mão na testa coçando.

- Isso tudo deve ser para aumentar a fama do Império, sabe como são as lutas entre Quilin e Chanei. Se deixarem, os dois Impérios entram em guerra e se explodam.

Roulf deu uma risada.

- É verdade, são tipo água e fogo.

- E então, o que você acha que eram aqueles raios azuis no céu?

O camponês estava prestes a falar, sua boca se abriu para pronunciar as palavras quando um rugido enorme de uma besta ecoou dentro de seus ouvidos. Não estava longe, e se aproximava cada vez mais.

Os dois homens se entreolharam antes de pegar suas cumbucas e começarem a voltar pelo caminho cheio de medo.

- Faça alguma coisa, Gilian, não era você que queria treinar.

- Vá a merda, eu estava brincando, não quero enfrentar esses bichos selvagens.

O solo abaixo de seus pés abriu em rachaduras e uma besta marrom pulou de dentro. Seu focinho era um cone de metal afiado que perfurava qualquer coisa pela frente, sua altura passava 4 metros e suas patas gordas e enormes esmagavam qualquer coisa no nível humano. Suas garras afiadas tortas para baixo rasgavam o ar produzindo sons tremulados com seu berro agudo.

Correndo pelas suas vidas, Gilian e Roulf não ousavam olhar para trás, seus corações quase pulava da boca e suas almas arrancadas do corpo.

Gilian foi o primeiro a falar depois de correr.

- O que é isso?

- Deve ser a besta de raça Trerion que o Império Quilin deixou escapar. – Roulf falou ainda mais rápido e se virou para o amigo. – Continua correndo, mas não larga as frutas.

- Eu não vou dar minhas frutas para esse bicho. – Gilian abraçou ainda mais o seu grande vaso de frutas. – Eu demorei quase um dia inteiro para pegar isso.

Roulf riu mesmo naquela situação e permaneceu correndo.

A toupeira gigante berrou de novo correndo por trás dos dois homens, ela seguia o mesmo caminho e berrava com fome e sede, ainda assim, seus gritos eram mais parecidos com gemidos de dor do que outra coisa.

Gilian olhou para trás, primeiro a besta correndo e depois para o solo onde rastros de sangue seguiam por trás da toupeira gigante. Ele se virou para o colega, o outro notou e o encarou.

- O que foi? Estamos correndo pelas nossas vidas, não fala.

- Vai pra esquerda. – Gilian berrou indo para a direita. – Agora.

Roulf nem mesmo perguntou o motivo. Mudou a rota para a esquerda rezando para que a besta não fosse atrás dele, e se assustou quando olhou para trás e viu que a toupeira continuou correndo para frente destruindo o gramado com rastros de sangue por todo o seu caminho.

Na parte de trás, em uma das patas havia uma queimadura de quase dois metros profunda que atingira as veias.

Os dois amigos se olharam colocando a cumbuca enorme no chão e levantaram a mão ambos querendo saber o que se passava.

- Volta aqui, sua desgraçada!

Um grito muito maior do que o berro da toupeira foi ouvido. Ela veio de baixo da terra produzindo rachados sob a grama e se aproximando rapidamente da parte de baixo da besta.

A toupeira virou sua cabeça para baixo e prestes a gritar, ela tentou saltar mais rápido.

Um raio azul cresceu debaixo do solo acertando completamente a barriga e levantando a besta quase que 6 metros do ar. Era um azul forte, com uma espada desnudada na mão. Era um garoto segurando a espada.

Gilian abriu sua boca em descrença, Roulf também tinha seus olhos brilhantes. Esse era o mesmo raio que viram meses atrás, o mesmo que duelou contra o dourado.

- Isso foi uma técnica de perfuração? – O garoto falou consigo mesmo arquejando a sobrancelha, e logo depois concordou. – Entendi, entendi, tenho que ser mais preciso.

O garoto agitou seu braço livre e desceu com um soco direto no peito da besta a arremessando de volta ao chão aonde de barriga para cima, fechou seus olhos para sempre.

Pousando no chão, ele caminhou até onde o corpo da besta estava e vasculhou em volta, não havia nenhum tipo de pedra preciosa escondida entre as dobras de seus pelos.

- Não, nada! – Ele disse aborrecido. – Pelo menos tenho carne para algumas semanas.

Observando o garoto de não muito longe, Gilian e Roulf engoliram o seco deixando o garoto na frente para ter certeza de que a besta tinha sido morta, e sua resposta veio quando ele guardou a espada na cintura e pegou uma das patas da toupeira e começou a vasculhar a parte de baixo de suas garras.

Gilian foi o primeiro a se aproximar, ele carregava sua cumbuca na frente do peito hesitante de falar algo para aquela pessoa misteriosa.

- Ham.. – O garoto levantou sua cabeça e virou para o lado onde avistou os dois homens, e sacando sua espada, ele fechou a cara assustando os dois.

Seu pé foi tão rápido que nem deu tempo de Gilian pensar. A espada cinzenta cortou ao lado de sua bochecha e sangue começou a cair pelos seus ombros e pingar. O homem começou a ficar choroso, seus olhos molhados e ele largou a cumbuca caindo no chão.

O garoto puxou a espada de volta e enfincou na bainha se virando.

- Vocês dois deviam ser mais cuidadosos, nessas planícies vivem seres que vocês não conseguem enxergar. – Ele voltou a vasculhar a parte de baixo de outra pata da toupeira.

Gilian ouviu aquilo e do nada um corpo gigante cinzento caiu para frente, suas patas estavam enroladas no pescoço dele e tombou revelando seu comprimento que passava a quase 3 metros.

No chão, a besta começou a mudar de transparência para a cor da grama e depois sumia e desaparecia, o sangue que escorria no seu ombro pertencia a ela.

Roulf abriu seus olhos com um pouco de medo e curiosidade misturados.

- Então é por isso que meu ombro estava doendo tanto? – Gilian passou a mão pelo pescoço sentindo diversos ferimentos ainda frescos.

- Esse é um Mariotap, se camufla e fica quase invisível, pula na parte superior do corpo e suga seu sangue e vitalidade até que fique sem nada e morra, depois disso ela passa para outro. – o garoto falou colocando sua cabeça na lateral, onde as costelas da besta ficavam e fincou sua mão dentro do corpo procurando por algo. – Depois de você, seria seu colega.

Roulf engoliu o seco ouvindo aquilo.

- E depois isso, o que acontecia?

O garoto puxou algo de dentro, mas não saiu, ele puxou mais forte fazendo uma careta e tirou de dentro um órgão, era o estômago.

Gilian colocou a mão na boca com ânsia de vômito e se virou para o lado deixando sair. O homem olhou para o garoto que abriu o estômago e procurava algo dentro.

- Depois disso, vocês morrem, não é óbvio? – ele respondeu indiferente e tirou uma pérola de dentro. – Ah, achei, agora são quarenta dessas.

Roulf se aproximou do colega e colocou sua cumbuca do lado da de Gilian. Os dois se sentaram em cima dos vasos e ficaram olhando para o garoto.

- Está tudo bem, Gilian? – Roulf perguntou ao colega depois de um tempo.

- Sim, ele só me deixou enjoado por ter tirado aquilo do nada. – Gilian ainda se segurava para não ser colocado como fraco na frente do seu colega. – Só quero saber quem é esse?

O garoto ouviu aquilo e guardou a pérola marrom dentro de sua jaqueta de couro presa por fivelas no ombro e na cintura. Suas calças eram reforçadas e eram presas diretamente nas botas de couro de dromedário.

- Sou Fukai. – Ele acenou a mão olhando para os dois. – E vocês, são quem?

- Roulf. – O maior e também barbudo disse. – E esse cara passando mal é Gilian. – apontou para o lado rindo.

- Não estou passando mal, porra. – Gilian ficou ereto, olhou para a toupeira e abaixou a cabeça para o outro lado vomitando.

Fukai deu uma risada e colocou a mão no ombro do homem curvado. Ele liberou uma simples gota de Profunda Energia no corpo do homem que fez seus órgãos e mente ficassem mais aptos ao cheiro e também a presença.

Gilian mudou na hora.

- Está melhor? – Fukai perguntou tirando a mão do homem.

Gilian levantou sua cabeça olhando para o amigo que não mudou sua reação. Seu nariz não mais recebia o cheiro do sangue e nem mesmo ele se abalava por estar vendo o massacre e os órgãos caídos para fora.

Ele se dirigiu a Fukai com olhos brilhantes de curiosidade.

- Como fez isso?

- O que? – Fukai balançou os ombros. – Não fiz nada.

Gilian olhou para seu amigo e depois mexeu seus braços, uma corrente quente de energia se misturava ao seu sangue o dando um pouco de capacidade para não ficar enjoado.

- Está tudo bem, Gilian?

O homem demorou um pouco para responder por estar vislumbrando do que passava dentro do seu corpo.

- Sim, sim, estou ótimo, pareço até mais bonito. – Ele gargalhou.

- É. – Roulf revirou os olhos com tédio. – É o Gilian.

Fukai deu uma risada.

- Então, eu devo partir agora, deixarei vocês em paz. – o garoto se dirigiu a até a toupeira e segurou a pata, com um rasgar do espaço, a besta foi sugada para o dedo do garoto onde um anel azul se localizava.

Os dois homens ficaram ainda mais impressionados.

- Isso é um Anel dimensional?

Fukai voltou a olhar o homem depois de ter colocado toda a toupeira dentro do anel.

- Ah, isso. – Ele mostrou o dedo. – Sim, achei... perdido por ai. – Ele buscou a palavra certa.

Fukai havia matado cerca de 30 pessoas que buscaram sua cabeça, e roubou todas as coisas que eles tinham.

Os quatro meses não foram tão fáceis.

- Garoto, você mora aonde? – Roulf disse se levantando e pegando a cumbuca de frutas e colocando de volta nas costas.

- Eu vivo por ai, não tenho casa. – Ele falou indiferente.

Gilian e Roulf se olharam e assentiram com a cabeça.

- Então venha conosco, nós somos camponeses em uma vila há duas horas daqui. – Gilian falou com sua mão esticada, estava ainda bem impressionado com o que um simples toque do garoto resultou em seu corpo. – Pode ficar por lá, se quiser.

Fukai pensou um pouco olhando para o céu, as nuvens estavam atravessando o campo muito rapidamente.

- Tempestade, hein? – ele cochichou, e olhou para os dois. – Então, vamos, vamos comer a carne da toupeira juntos.

Gilian e Roulf sorriram juntos.



 

Por Amnésia | 29/03/18 às 21:48 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação