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Capítulo 86 - Troca

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 86 - Troca

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

A tempestade rasgava todo o céu do Império Quilin. As nuvens cinzentas e escuras salpicavam suas gotas para baixo com força enquanto os ventos sopravam alegando estarem em união com o outro fenômeno da natureza. Mano, só eu que percebi ou a maior parte dos caps de LDD começam assim?

As estações bem definidas eram impressas por vários tipos de climas em Quilin. A Era da Chuva marcava o início das rasantes tempestades longínquas.

Os telhados das casas do vilarejo de Saraidas eram todas feitas de pedaços longos de bananeiras e barro fundido protegendo da maior parte da chuva. Ainda assim, furos nos telhados produziam goteiras que caíam dentro da casa dos camponeses.

Do lado de fora a solidão criava um cenário sombrio. A escuridão só não reinava por causa das inúmeras casas que tinha tochas e lamparinas acesas. Os velhos homens que mais nada podiam fazer para parar aquela tempestade ficavam da janela com seus olhos tristes pela vida que levavam. Parece umas tias da minha cidade

A estrada cheia de lama, as chuvas e seus ventos furiosos erguiam um pouco da terra e levavam para longe.

Soldados que foram colocados apostos em localidades que as chuvas seguravam praguejavam por estarem naquela fúria violenta. Suas armaduras molhadas cada vez mais danificadas e seus rostos encharcados balançavam tentando levar a água para longe.

E mais uma vez, os novos soldados trazidos de todas as partes do Império Quilin agora estavam reunidos sob a casa de armamentos.

Eram todos novos com um instrutor mais velho na frente. Cada um dos novos soldados trazia consigo uma armadura com um lobo de dentes amostras desenhado no peitoral. As ombreiras e joelheiras todas colocadas para ação e somente o elmo caído por baixo dos seus braços era a peça não colocada.

A sala era em quatro paredes feitas de concretos com uma lamparina em cada uma delas. Uma mesa de madeira e um homem sentado na cadeira olhando para os papéis acima de sua mesa.

A fileira de jovens do sexo masculino e feminino esperavam pela inspeção do seu mais novo líder. Alguns sentiam orgulho de estarem ali e empinavam seus narizes quase batendo no teto, outros engoliam o seco hesitantes, travados que não queriam estar ali.

E havia uma jovem ruiva que sequer parecia estar interessada em estar ali. Ela segurava o elmo por baixo de um dos braços e tinha seus dedos tocados no cabo de sua espada. A ruiva olhava em volta inspecionando cada canto da sala com seus olhos negros.

- Hm.. – O líder inclinou mais sua cabeça na direção do papel que lia, e piscou algumas vezes voltando a encostar suas costas na cadeira. – Melina Salto.

A garota deu o passo na direção do homem e parou sem dizer nada. Estava nessa situação fazia cerca de meses, cada vez que levantava sua voz, uma marca surgia nas suas costas por chibatadas, assim era o castigo do Império Quilin.

- Muito bom, sabe como se portar. – O homem elogio a olhando com um sorriso perverso, a beleza dela era desigual, seus cabelos e suas sardas diferenciavam das outras a sua volta. – Aqui consta que durante 4 meses desde que Seita Calto liderou o ataque a outras duas Seitas, você completou cerca de 7 missões e matou mais de 30 pessoas que estavam foragidas.

Melina endureceu seu queixo e assentiu com um ligeiro abaixar da sua cabeça. A grande quantidade de pessoas que ela matou não a fazia se sentir orgulhosa porque eram eles ou ela.

- Vejo também que presenciou contra a própria Seita Calto quando ela sentenciou uma das suas famílias mais baixas. – O homem pegou o papel na mão e deu uma risada zombeteira. – Gosta dos humildes e dos fracos, soldado?

- Senhor...

- Eu não dei permissão para falar. – O homem disse perdendo seu sorriso. – Não há desculpas aqui, você fez e já foi, seu nome é o que importa - ele balançou sua cabeça irritado - contanto que haja de maneira correta e obedeça as ordens dessa vila, então eu não irei tocar nesse assunto fajuto.

Melina concordou de novo. Ao deixar os Salto, ela nem mesmo ligava mais para o que se passava ao seu redor, a única coisa que estava na sua cabeça era a linha vaga de fugir daquele inferno de conspirações.

E ali estava a ruiva, pronta para começar algo novo, algo que talvez marcasse o início de um recomeço bom.

Com 17 anos, ela sequer parecia se comparar aos que estavam à sua volta.

- Ficará na posse do primeiro comando nas linhas da divisa contra o Império, a única coisa que deverá fazer é assegurar junto deles aquela marca. – E apoiou seu braço na mesa olhando para todos os garotos atrás deles. – Suas famílias lhes enviaram aqui para que possam prestar serviços a favor do Império, todas as suas ações serão bem recompensadas, espero que isso estejam claros.

Os garotos assentiram todos juntos.

- Sim, senhor.

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- Está querendo mesmo trocar todos esses ossos por moedas de prata, garoto? – O vendedor estava abismado pela quantidade de ossos enormes de toupeira que estavam em cima de seu balcão. – Poderia criar uma armadura se levasse no ferreiro certo.

Fukai coçou a cabeça com um sorriso e negou para o comerciante.

- Eu já tenho tudo o que preciso, e se não houver moedas suficientes eu posso trocar por Pérolas Terrestres. – Ele disse pegando uma das pérolas e mostrou para o homem que pegou nas suas mãos e analisou cada parte da esfera marrom. – Aqui trocam isso?

O homem não falou nada por um tempo, e depois olhou para o garoto.

- Olha, eu não faço ideia do que vai fazer com essas pérolas, mas eu tenho uma caixa cheia dessas, talvez umas cinquenta delas.

Fukai deu um ligeiro sorriso e assentiu.

- Então eu vou querer as cinquentas.

- Cinquenta dessas valem só um desses ossos, garoto. – O mercador o alertou entregando a pérola de volta. – Temos pérolas diferentes também – Ele abaixou no balcão e começou a mexer em várias caixas. – Faz um tempo desde que recebemos uma proposta grande por essas coisas, para nós é inútil já que não podemos usar em nada.

- Eu tenho certos planos para elas. – Fukai disse apoiando seus cotovelos no balcão ainda com a pérola na mão, olhou para baixo onde o mercador mexia em várias caixas e puxava algumas para fora.

O homem deu um suspiro de alívio e se levantou batendo sua cabeça no balcão. Deu uma risada e um gemido de dor ao mesmo tempo e colocou as três caixas de quase um metro de largura em cima do balcão, cada uma em cima da outra.

- Bom, aqui estão pérolas terrestres, hidros e gélidas de baixa qualidade, todas elas ajudam um pouco na compreensão dos Elementos. – O mercador colocou seu braço em cima do balcão olhando para o garoto. – Mas eles são todos para os que estão acima do Reino Elementar, você é novo e nem me parece estar no pico do Reino Verminiano.

Fukai deu uma risada sem jeito ocultando a verdade.

- Eu não estou mesmo, meu tio é um viajante, está ocupando uma das casas de um colega antigo dele por esse vilarejo, e como eu nunca faço nada, ele me mandou aqui para trocar com o senhor. – Sua fala era justa e não tinha ondulações, ele continuou encarando o homem nos olhos.

A mentira era firme, e não cairia.

- É. – O mercador olhou para o outro lado. – Viajantes sempre são impressionantes – E levantou sua sobrancelha olhando para os ossos. – Eu vou ser verdadeiro contigo, todos esses ossos de toupeira podem ser vendidos diretamente para os soldados, eles dariam um bom preço nisso.

- Meu tio disse que os soldados são egoístas e não gostariam de trocar nada, iriam arrancar isso de mim a força. – Fukai disse um pouco carrancudo fortalecendo sua mentira.

- E ele está certo. – O mercador abaixou pegando mais duas caixas e colocou para o lado. – Aqui está umas duas caixas de pérola terrestre, elas ainda são poucas comparadas com a quantidade de ossos que tem, então se não quiser trocar, eu entenderei.

Fukai abanou as mãos dando uma suavizada no homem.

- Eu vou levar todas elas, fique com os ossos e venda-os para os soldados por um preço maior. – o garoto esticou sua mão para frente a fim de cumprimentar o mercador.

Nesse instante, a porta da loja foi aberta violentamente. A chuva do lado de fora entrou um pouco pelas laterais, mas uma porção de pessoas entraram todas molhadas, eram mais de sete soldados todos tirando os elmos das suas cabeças e balançando os braços tentando se livrar do frio e da água.

O que andava a frente ergueu o rosto para o teto e respirou fundo.

- Aquele inferno molhado, finalmente fomos trocados por outros. – ele disse e se atentou ao garoto e o comerciante trocando mercadorias, e levou seus olhos até onde os ossos largos e enormes estavam do outro lado, ele deu um pequeno salto chocado.

O mercador conhecia aquela expressão no rosto dele, seu negócio com o garoto estava prestes a cair.

- Isso são os ossos de toupeiras! – o líder, Sereno, caminhou até onde os ossos estavam e atrás deles seus homens também foram bem chocados. – É muito difícil de pegar uma delas, seus ossos então, nem se comparam.

O mercador assentiu e foi até onde os soldados se agruparam elogiando os ossos.

- Esse foi um negócio recente de um cultivador muito forte. – Ele falou tentando deixar sua mentira melhor, não queria colocar o garoto no meio disso.

Sereno nem olhou o homem e abanou os dedos.

- Vai para o outro lado, está fazendo sombra nessas peças. – Ele falou com nojo e pegou um dos ossos levantando na direção dos seus olhos para uma nova avaliação. – Eu quero isso para mim, imagina um punhal com esse material....

- Infelizmente, esse material é meu. – A voz veio do outro lado da entrada, Fukai levantou sua voz guardando as caixas de pérolas dentro do seu anel dimensiona, todas as cinco. – E como eu vendi para o mercador, vocês não podem tocar nisso, então tirem suas patinhas de cima delas, por favor.

O líder com o canto dos olhos encara o garoto e dá uma risada.

- Então foi você quem fez a troca, deve ter bastantes coisas com você, não é? – Ele deixou os ossos de volta do balcão caminhando na direção do garoto.

- Tenho bastantes coisas de valor, mas não servem para vocês, lacaios de Quilin. – Fukai fechou o punho levando sua mão para trás das costas ainda calmo.

Os homens olharam diretamente para Fukai, seus corpos aumentaram suas auras e Profundas Energias expelindo a poeira do ar direcionada para frente de Fukai.

- Tem bastante coragem para falar uma coisa desses, garotinho. – Sereno sacou sua espada rapidamente.

O mercador engoliu o seco e deu um passo para trás, ele queria ajudar o garoto, mas ele mesmo se colocou naquela situação. Se tentasse alguma coisa, ele não conseguiria fazer nada além de apanhar também.

Mas Fukai lhe deu um aceno com a mão atrás das costas para que o homem atrás do balcão se acalmasse. Estava tudo sob controle.

- Coragem? – Fukai perguntou confuso. – Para lidar com vocês devo ser corajoso? Um bando de soldados, é o que vejo, não são nem dignos de terem a posse daqueles ossos.

Sereno deu uma risada balançando sua cabeça e parando na frente do garoto.

- Espero que tu seja mais do que essas palavras, maldito. – Um dos soldados disse.

Fukai mudou o foco para o homem de trás e riu fazendo uma cara de nojo.

- E quem é você? Volte para o fundo da vala onde é o lugar de todos vocês. – Ele disse virando o rosto para o mercador e levantou um dedo. – Eu vou pagar...

O mercador sem entender o que o garoto estava falando balançou os ombros perguntando mentalmente.

O sorriso do garoto inundou a presença do velho, e com apenas um pouco de esforço, toda a sua Profunda Energia foi liberada para fora.

- Desculpe pela destruição.

 

Por Amnésia | 02/04/18 às 03:50 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação