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Capítulo 87 - Reencontro

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 87 - Reencontro

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

Melina estava na chuva. A água se chocava contra sua armadura e grudava suas roupas de seda no corpo mostrando completamente todo as linhas e curvas que a jovem de 17 anos tinha. Se não fosse pela armadura, os homens a sua volta estariam babando.

A terra estava grudenta, lamacenta. A cada passo dado, suas botas afundavam e voltavam encharcados de lama e o que parecia fezes de carruagens que passaram por ali.

Ela estava acompanhada de dez homens, ou melhor, garotos, todos eles da mesma idade que a jovem ruiva. Todos reluzentes por estarem naquela terra morta esquecido pelos Deuses e o mundo.

Um dos jovens pigarreou baixo, tremendo de frio, sendo do Reino Terrestre, o garoto ainda não podia ativar o Elemento que corria pelo seu corpo para se aquecer ou proteger pelo frio. Mas não era só ele, até mesmo Melina batia os dentes querendo que qualquer tipo de calor a inundasse.

- Raios de local, quintos dos infernos, que um raio parta esse lugar em todos os sentidos. – Pierre, o garoto que abraçava o próprio peito de cabeça baixa xingava sem nenhuma dificuldade cada parte daquela maldita cidade.

- Se continuar falando assim é capaz de um raio cair em cima de você, sabe disso, não é? – Saraida, uma das poucas garotas junto de Melina, respondeu em voz alta.

- E o que quer que eu faça? – ele falou irritado, impaciente. – Estou num lugar, molhado, com frio e provável de pegar uma doença, acha que tenho que aceitar isso em silêncio?

- Pelo menos, ele está xingando a terra e não a nós. – Gaston, um dos jovens mais robustos e altos falou rindo. – Ele já tem a voz irritante, imagino o que deve ele deve começar a falar de nós quando nos virarmos.

Pierre virou sua cabeça tremendo para Gaston e levantou seu dedo do meio devolvendo.

- Chupe minhas bolas, maldito. – foi o que Pierre disse a ele, mas partilhou de um sorriso fraco. – Eu não xingo pessoas.

- Mais xingou o padeiro de Kasandra, o chapeleiro, o açougueiro, os soldados, até o próprio patriarca da Seita foi xingado... – ele levou a mão no queixo fingindo estar pensativo. - ... esqueci alguém?

O dedo de Pierre foi levantado de novo e isso fez com que todos os homens a sua volta rissem, pelo menos a risada lhes tirava a sensação da chuva bater com violência contra seus corpos.

Estavam quase que 4 horas em uma ronda noturna ao redor da cidade sendo liderados pela ruiva que nada dizia desde a presença com o capitão na base central dos soldados. Ela era misteriosa, seu novo ‘eu’ não era conhecido, mas sua espada guardada do lado de sua cintura parecia estar sempre pronta para ser sacada.

Pessoas que passavam a sensação de serem fortes mesmo sem demonstrar nada eram quase que raras, estar presente a uma que parecia pronta para matar qualquer coisa em qualquer lugar estavam muito a sua frente.

O que fez Pierre, Gaston e Saraida sussurrarem entre si.

- E então... – Pierre disse e balançou sua cabeça na direção de Melina. -... O que acham?

- Autoritária. – Saraida respondeu com o mesmo tom de voz, mais deixando alguns a sua volta também ouvintes a conversa que tinham. – Se não me engano, ela é parte de uma das famílias que são do Leste, de onde aconteceu aquela guerra.

Pierre arquejou sua sobrancelha interessado.

- Daquele inferno que eles chamavam de guerra? – ele olhou a garota caminhar pisando dentro da lama sem se importar em como seu material ficaria. – Ela deve ser forte, então.

Gaston concordou em sabedoria.

- Ela me passa a mesma aura autoritária que meu pai e meu mestre transmitiam quando estavam me ensinando, é como estar na presença de alguma força maior. – ele falou mexendo seu corpo, seu estômago embrulhou um pouco pela sensação anormal. – É como ver alguém muito superior a você.

Os outros dois encararam Gaston com olhos meio incrédulos, a maioria das pessoas que ouvia Gaston falar sempre afirmavam que ele subestimava seus inimigos e amigos, e por isso era um egocêntrico de primeira.

Mas a pessoa que eles presenciaram ali era mais do que um simples garoto. Era Gaston Albulquer, um dos filhos dos barões da direção sul, Seita Albulquer. Uma das poucas que tinham comércios entre dois reinos diferentes, os Quilin e Zanos, ambos aliados em guerras.

Ele tinha o direito de ser chamado de mimado, mas o garoto enorme e com listras negras na parte das suas têmporas era tranquilo e humorista, diferente dos rumores que circulavam.

- Se não querem morrer de frio, reúnam sua Profunda Energia em volta do peito. – Melina falou, ela tinha escutado tudo o que eles disseram, mas nada falou a respeito. – A circulação irá fazer com que não percam calor em excesso.

A voz dela era exatamente como diziam, autoritária e forte. Digna de liderança.

- Líder, o que estamos fazendo exatamente aqui? – Pierre perguntou começando a circular sua Profunda Energia em volta do seu corpo.

As ruas do vilarejo não eram nada cimentadas, somente o barro os prendia e dava acesso aos locais. Melina não tinha a intenção de ficar a noite toda na chuva, se não fosse pelas ordens de seu superior, ela não deixaria ninguém na chuva sentindo esse frio.

- Vamos fazer a ronda mais uma vez, depois partiremos para a casa que foi designada a nosso pelotão. – ela falou sem entusiasmo. – Depois disso, ao amanhecer, seguiremos para o campo de batalha onde nos juntaremos para fortalecer as forças aliadas.

Em aceno de cabeça, todos eles concordaram.

O trajeto que seguiram foi silêncio, foram mais uma hora dando a volta no vilarejo chegando a parte central onde muitas das lojas ficavam abertas 24 horas por dia. Lojas de trocas, bares e umas poucas casas de jogos que serviam de entretenimento.

- Eu queria tomar uma cerveja das boas. – Pierre falou lambendo os beiços dando uma risada se imaginando com os copos ao seu lado. – Tomaria várias.

- Outro alcoólatra no grupo não. – Gaston riu em uma risada. – Se lembra de quando viemos juntos de Kasandra e paramos no bar?

Pierra gargalhou alto e prestes a falar, sua boca foi fechada com uma explosão enorme surgindo de dentro de uma das lojas do vilarejo. A loja de trocas teve sua frente explodida junto de três corpos arremessados para fora.Paragon: Quando eu tava revisando e li essa parte, eu quase gritei um ‘Ae!!!’.

Todos eles eram soldados.

Melina parou seu grupo por inteiro. Era seu primeiro dia, eles não tinham feito nenhum tipo de estratégia ainda de como fariam a formação, não era hora de deixar nenhum deles agir por impulso.

Gaston foi o primeiro a falar alto.

- Mas que porra...?

Melina puxou sua espada esperando a pessoa que fez aquela explosão sair de dentro da loja. Seus músculos já coçavam para uma luta, fazia um tempo desde que não empunhou sua espada e perfurou um inimigo vagabundo.

Ela esperou até que um dos soldados se levantou do chão lamacento pegando sua espada do chão. A Profunda Energia que estava reunida no ar era densa demais e até mesmo atrapalhava a respiração por ser muito forte, e isso até mesmo assustou o grupo de Melina.

- O que fazemos, Melina? – Saraida perguntou ociosa. – Quem quer que tenha feito isso, ainda está lá.

- Esperamos, não sabemos quantos são, ou quem são. – Melina falou indiferente mesmo partilhando do intuito de ir resgatar as pessoas que usavam as mesmas armaduras que ela. – Acalmem e formem grupos de duas pessoas, caso for muitos inimigos, nossa missão será o resgate dos aliados, se for uma pessoa, então ataquem.

O soldado que estava no chão era Sereno. Ele cuspiu um bocado de saliva e sangue misturados, sua cabeça pesou quando a presença monstruosa do garoto apareceu novamente. Era tão sufocante que ele nem mesmo podia dar conta de se proteger.

Ele ergueu os olhos vendo o garoto ainda dentro da loja se despedindo do mercador e entregando moedas de ouro que seriam usadas para pagar pela destruição. E então, o garoto se virou, seus olhos mudados para um focado, um mortal.

Do lado de fora, Melina e os outros esperaram o tempo curto de uma ventania chuvosa. Os pés de Fukai foram colocados para fora da loja, seus cabelos secos foram pegos pela chuva de vento, seu rosto com uma cicatriz recente abaixo do lábio inferior e as duas espadas juntas na cintura.

Ele deu um passo caminhando, foi um passo que criou uma tensão entre todos os que o viram.

Melina engoliu o seco, ela paralisou ao ver aquele rosto. A expressão que antes era indiferente se moldou para uma viva, seus olhos brilharam em um tom fino e alegre; sua boca se curvou para cima.

Fukai Ferio, era ele mesmo.

Gaston e Pierre, juntos, correram na direção da pessoa.

Os sons de passos se aproximando alertou Fukai, ele esticou sua mão para o solo e sua Profunda Energia condensou em forma de terra e toda a lama subiu cobrindo um espaço de 4 metros de altura.

Os dois amigos ainda correndo olharam para cima com suas bocas abertas e olhos arregalados.

- Puta merda... – Gaston berrou antes de ser levado de volta por uma avalanche de lama.

Saraida e sua colega, Ane, ajudaram os dois a se levantar e buscaram ajuda na sua líder, que não respondeu.

Milena ainda olhava para aquela expressão ousada e firme de Fukai. Parecia ter sido ontem que ela estava dentro do Instituto Darey Mason junto dele, do maldito Garp e de Pin. A sensação de alegria mais uma vez tomou conta do corpo vazio da ruiva.

- Melina, o que fazemos? – Saraida falou alto o suficiente para que Fukai a ouvisse.

O jovem olhou para o lado e encarou a ruiva imóvel que tinha um sorriso no rosto. Os cabelos dela presos e as sardas, era ela mesmo, sua ruiva favorita.

- E aí, Melina. – Ele falou dando um aceno com seu braço. – Espero que eu não esteja atrapalhando em nada importante. Paragon: Depois dessa vou até revisar outro cap, se o Yuri não publicar dois ao mesmo tempo é por preguiça

 

Por Amnésia | 05/04/18 às 11:16 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação