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Capítulo 88 - Mentalidade

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 88 - Mentalidade

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

Os olhos imóveis da garota pressionavam na imagem de um antigo colega, ele não parecia o mesmo de antes. A certa infantilidade que ainda permanecia nos seus olhos havia sumido dando razão a firmeza e uma certa... hostilidade.

Não era algo que ela soubesse, mas os meses que Fukai Ferio passaram foram tão dolorosos quanto os dela. Foram meses árduos que fizeram dos dois mais propensos a não sentirem mais sentimentos, foram meses que transformaram crianças em pré adultos.

- Não... - ela só conseguiu responder aquilo. - O que você...?

Fukai deu uma risada para ela coçando a cabeça enquanto a chuva batia contra a lateral do seu corpo.

- Acho que temos muito o que conversar, não é? - Fukai falou estalando os dedos formando a terra abaixo dos seus pés se solidificarem e formarem um caminho até onde a ruiva ainda imóvel o encarava. - Venha...

Os soldados caídos no chão olharam para Melina curiosos. A ruiva não se mexeu nem um pouco quando o outro se virou e começou a sair de perto fazendo o solo virar terra dura sem lama. Aquilo era como estar na presença de um Elementarista.

Fukai ainda estava no Terceiro Nível do Reino Terrestre, isso quase mais de três meses.

Depois de ter sugado a vida de Nitório, o garoto se concentrou em aprender sobre os elementos. Sobre a disciplina e a arte das espadas com os dois espíritos. Estar preparado, sem depender da situação ou da sorte, era isso que valia agora.

Melina deu um passo para frente, mas parou.

- Eu não sei... - ela disse. - O que aconteceu com você? Por que fugiu?

Fukai parou de caminhar sem se virar. Ele suspirou abaixando sua cabeça e continuou caminhando.

- Vamos, deixe de lado, esse tipo de coisa de comandar soldados não é coisa sua. - ele falou indiferente.

- E o que sabe sobre mim? - ela berrou com misturas de confusão e tristeza. - Ficamos mais de meses lutando para sobreviver, eu vi pessoas morrerem, vi familiares caídos no chão sangrando e pedindo ajuda. - ela foi forte o suficiente para fazer Fukai parar de novo. - O que sabe sobre esse tipo de coisa?Paragon: Eu até gostava da Melina, mas depois dessa…

A chuva era algo que atormentava Fukai desde sempre. Era a chuva que o lembrava da sua família, era a chuva que lembrava das pessoas que não pôde ajudar. Era a água que o fazia se recordar da Seita Thug sendo massacrada.

- Ver pessoas morrendo... - ele deu uma risada baixa não deixando os demais assistirem isso. - Eu matei homens e mulheres que queriam destruir a Seita Calto, fiquei 4 meses assassinando pessoas, treinando e ficando escondido ajudando cada parte daquele lugar imundo. - Fukai virou apontando o dedo para Melina, seus olhos ocultos pela chuva pesada, mas uma chama de ódio podia ser visível naquele temporal. - Não me venha com conversas tolas, você viu sangue, viu pessoas morrendo, mas quantas pessoas estão atrás de sua cabeça?

Melina se quietou.

Fukai a esperou responder, mas nada veio.

- Eles, os Calto, servem ao Quilin que servem a algo maior, os Impérios são todos unidos para formar guerras e tentar dominar o outro lado opositor. - Fukai falou balançando a mão para o lado se virando. - As pessoas veem apenas aquilo que está na sua cara, e não expandem a noção do que está acontecendo.

Melina não compreendia o que ele falava, mas se atentava a gravar aquelas palavras.

Sereno que estava no chão percebeu a suavidade que o ar, Fukai se distraiu pela ruiva, isso o fez abaixar a guarda. O soldado tinha uma chance de dar um golpe fatal, não deixaria um moleque desgraçado desses o jogar no chão. Ele, um dos soldados dos Quilin, não seria humilhado tão facilmente.

Sua espada já estava na sua mão, ele se levantou com rapidez afundando seu pé na lama e pegando impulso se atirando para cima de Fukai que estava de costas. Sereno ergueu seu braço e desceu com um grito de guerra pronto para acabar com a vida do jovem.

Os outros a sua volta abriram a boca em descrença, o movimento foi covarde. Pegar um adversário pelas costas sempre foi condecorado como algo desonroso.

Fukai moveu o dedo anelar para trás.

Um turbilhão de pedras se estirou para o alto arremessando todos a terra para cima do soldado. As pedras se amontoaram acima do corpo de Sereno que foi perdendo sua velocidade e seu braço grudado e preso por milhares de pedras e lama.

O homem gritou.

- Tire-me daqui, me enfrente se for capaz, seu rato de merda! - sua voz não era agradável, misturava raiva e ódio, angústia e humilhação agarrados dentro da garganta dele.

- Seu ódio não serve em nada para mim. - Fukai ergueu sua mão, seus dedos se curvaram para frente e o homem foi lançado para trás.

Sereno teve seu corpo arremessado a quase 100 metros onde gritou até bater contra uma parede de pedra feita para os soldados. Foi um estrondo que alertou todas as pessoas do vilarejo, cada um dos moradores estava agora na janela olhando para o garoto com seu braço esticado.

- Os Ferio pagarão, os Calto pagarão, os Quilin pagarão. - Fukai falou olhando diretamente para Melina. - E eu matarei qualquer um que estiver na minha frente, isso inclui pessoas que eu já tive boas relações.

A garota engoliu o seco.

Sim, as chamas de ódio dentro de Fukai transbordava de diversas maneiras. Seu Profundo Poder agora emergia uma grande onda de discórdia e caos, seus olhos emaranhados com o fogo do pecado, e uma enorme produção de energia a sua volta que estava sendo sugada.

Fukai Ferio parecia o mesmo pela superfície, mas escondia algo monstruoso dentro dele, e Melina podia sentir isso de alguma forma.

Era como estar na presença de uma pessoa capaz de realizar qualquer uma das palavras que largou para fora. Era como se todos os nomes que disse, certamente, morreriam. Era uma questão de tempo.

- Sangue e poder, essas coisas são necessárias para conquistar suas promessas. - Fukai cravou suas unhas na palma de sua mão com raiva. - Por mais que eu odeie admitir isso. É vencer ou vencer.

O estrondo do céu ecoou, um trovão ressoou com um relâmpago chocando contra o punho fechado de Fukai, ele era um condutor de energia elétrica. O raio esbranquiçado tremeu e bateu contra o chão a sua volta evaporando as gotas da chuva que caíam e secando o solo.

Todos eles taparam a visão pela claridade que se expandiu, Melina foi a única que permaneceu encarando o garoto que fez um último contato com o canto do olho sumiu.

A caída da chuva voltou a ocorrer, o fenômeno da natureza continuou caindo, dessa vez ainda mais forte.

O silêncio ponderou por algum tempo até que Pierre que havia se levantado comentou:

- Eu não sei quem é ele, mas gostei do que fez com os raios.

Melina virou para Pierre e balançou a cabeça.

- Você tem sorte de ter saído vivo contra um combate contra ele. - ela olhou para Gaston parado também de pé, sujo dos pés a cabeça. - Os dois têm sorte, viram o que ele fez contra aquele outro soldado.

- Sim, senhora. - Saraida falou acenando com a cabeça sombria. - Mas, quem é ele?

- Fukai, talvez a pessoa mais perigosa da nossa geração. - ela nada fez além de apertar a mão em resposta, falar aquilo lhe doía o orgulho. - Alguém que jurei derrotar algum dia.

Pierre fez uma careta.

- É, nem se vinte desse grupo estivesse aqui seriamos capaz de acertar ele. - e não poupou elogios. - Viu o controle dele com a terra, e raio? Eu nunca vi alguém que conseguia fazer tal coisa.

- Ele estava no Reino Terrestre, mas conseguiu mover um Elemento, talvez deve ser algum tesouro que achou. - Gaston deu de ombros. - Eu li que há coisas assim, espadas indomáveis, artefatos que controlam o tempo e os elementos, tudo é possível.

- Não. - Melina falou se reunindo ao redor do seu grupo. - Ele não usa nada além da espada, o fato dele não ter sacado a sua arma quer dizer que não queria nos matar, um saque daquela lâmina curvada e nossa morte era certa.

Não havia nenhum tipo de piada na voz de Melina, estava séria e olhou a reação dos demais.

- Em qualquer circunstância, se entrarem em um confronto contra ele, não entrem em luta, acredito eu que ele mataria qualquer um de nós sem pensar duas vezes.

- Até mesmo você que é amiga dele? - Saraida perguntou ainda perturbada com o decorrer da situação.

Melina abaixou os olhos para o solo, e assentiu.

- Até mesmo eu!

 

Por Amnésia | 05/04/18 às 11:18 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação