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Capítulo 89 - Ferro da Justiça

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 89 - Ferro da Justiça

Autor: Yuri Cavalier | Revisão: Paragon

A chuva não era tão bondosa. Não, era pior, ela o fazia se recordar dos dias que esteve com seu irmão. Agora fazia anos, quase uma década desde que seu irmão o deixou, quase uma década que sofria a cada vez que gotas de chuvas caíam sobre seu corpo.

France Ferio foi seu maior exemplo, ele era chamado de herói pelo pequeno e ingênuo Fukai. As brincadeiras de espadas e de como salvariam o mundo do caos, as fantasias que sempre esteve imaginando quando atingisse certa idade.

A chuva era apenas uma forma de fazê-lo lembrar de que o mundo era injusto e não existia forma de fugir da cruel realidade.

Ele teria sua vingança contra todos, os Ferio cairiam, os Calto cairiam, Januário cairia. Todos aqueles que massacraram alguma vez a forma inocente do mundo iriam pagar. Podia não ser agora, mas seria um dia, um dia no qual ele se tornaria forte o suficiente para que todos reconhecessem a cruel e mortal espada curvada que ele possuía.

Fukai tinha esses pensamentos enquanto andava apertando o cabo de sua espada. Um aperto que podia se conciliar do ódio e raiva que sentia.

Ele acabara de encontrar uma amiga, uma na qual tinha confiança e disse que a mataria. Ele até podia ser frio, mas não podia dizer a verdade, não agora que tinha o objetivo completo na sua mente.

Ajoelhou diante a poças de lama no chão, sua cabeça baixa, seus olhos semifechados, uma dor constante na sua barriga, não era fome, não era algo mundano. Ele estava começando a sentir a dor real que cada parte da pérola Hidro liberava no seu corpo.

Essa dor se fundia com a fórmula inicial de sua verdadeira perda: Sua família.

Era cortante, cada traço de sua irmã, de sua mão, de seu pai. Toda ela parecia ser como um catalisador para seu ódio aumentar e, consequentemente, seu amor pelas pessoas diminuir.

Erguendo sua cabeça para cima onde as gotas despejavam pelo seu rosto, ele não sabia fazer um pedido. Não havia deuses, não havia um Ser superior, não havia nada que suprisse aquele sentimento doloroso.



O dia voltou ao normal. O céu aos poucos começou a se tornar mais rosado, as listras roxas, iguais hematomas depois de golpes, voltaram a iluminar o céu depois que as imensas nuvens negras foram se dissipando.

Ele estava dentro da casa dos dois camponeses, sentado no quintal com uma pequena fogueira acesa. Uma panela de aço que encontrou jogada foi colocada sobre as labaredas e brasas, ele operou calmamente a colher sobre o líquido marrom dentro da panela.

O cheiro não era dos mais fortes, mas emitia um doce congelar na pele, algo que refrescava constantemente os poros e abria cada uma das veias e meridianos.

O tempo de 4 meses que esteve treinando no meio de planícies e cavernas cheio de toupeiras deu a Fukai um complexo de aprendizado que se revelou muito grande. Ele era treinado na arte da espada por Razam e em sobreviver na pior das situações com Reynold.

Ele sofreu na escuridão das cavernas, sofreu contra as imensas bestas que viviam na escuridão. Aprendeu a se camuflar melhor, e observar cada vez mais os detalhes nas lutas. Ele não se remetia, ele era focado, ele era forte, ele era um guerreiro e era para isso que vivia.

Viver para lutar, lutar para viver.

Roulf apareceu olhando para o jovem longe sentado. Ele cruzou os braços e debruçou na parede ao seu lado observando.

Gilian apareceu logo depois coçando os olhos, acabara de acordar e procurava água para lavar o rosto, mas parou quando avistou seu primo um pouco pensativo em relação ao garoto.

- Aconteceu alguma coisa com ele?

- Não sei, mas não me parece que ele está bem. – Rouf falou sem desgrudar os olhos do jovem que balançava a colher de um lado para o outro. – Vamos deixa-lo em paz – disse se virando. -, pegue as coisas, temos que ir até o outro vilarejo para vender os restantes das frutas.

Gilian assentiu lambendo os dentes ainda com o gosto da carne do dia anterior ainda nos lábios.

- Depois da nossa última refeição, nem vamos precisar comer até chegar lá. – e segurou sua barriga rindo. – Tô com o bucho cheio.

- Eu quem o diga... – Roulf deu dois tapinhas na barriga rindo. - ... mas vamos logo, deixe o garoto em paz.

Antes que pudessem sair, um braço pegou Roulf pelas costas.

- Vão sair? – era Fukai perguntando segurando a panela pelo cabo, estava soltando fumaças.

Roulf se virou e concordou.

- Não me assuste assim, garoto. – ele levou a mão no peito. – Sim, vamos sair, temos que vender o restante das mercadorias em outro vilarejo para poder ganhar moedas.

Fukai assentiu sem muita dificuldade soltando o ombro de Roulf. Colocou a mão no bolso e tirou duas moedas de ouro e uma de prata.

Os olhos de Gilian brilharam com intensidade de dois sóis. Ele nunca tinha visto uma moeda de ouro tão perto de seus olhos.

- Eu não tenho uso para essas duas, então contratem alguém para escoltá-los até o próximo vilarejo. – Fukai jogou a moeda nas mãos de Gilian. Ele também estava de saída. – Eu tenho que arrumar informações sobre algumas pessoas e lugares, sabem de alguém nesse lugar que sabe das duas coisas.

Roulf que ainda olhava para as moedas ficou um pouco atordoado. Ele tinha simplesmente jogado moedas do nada para eles.

- Informação boa por aqui é complicado, mas a pessoa que sabe das coisas é o comandante e o capitão dos soldados. – Roulf disse fazendo uma meia careta. – Eles são bem arrogantes e capaz de não quererem responder nada.

- Isso não é importante. – Fukai disse levando a mão acima do punhal de Lingot. – Eu os farei falar alguma hora.

Roulf riu dele, mas também deu uma certa preocupação pelo garoto. Ele era forte, mas enfrentar um exército inteiro de soldados armados era um pouco de loucura.

- Fukai, esse seu nome, ele tem um significado para nós, sabia? – Roulf falou depois de Gilian ter guardado as moedas no bolso.

- E qual seria o significado? – o jovem perguntou.

- Detentor de vingança, Ferro da justiça... – Roulf respondeu fechando o punho como um gesto nobre para o garoto. – Aquele que não descansa até encontrar a paz dos mortos.

Gilian assentiu junto de seu primo.

- Nós queremos agradecer, e esperamos que nossos caminhos se cruzem mais vezes. – o gordo homem disse rindo e esticou a mão para Fukai. – Assim, podemos retribuir da carne que comemos ontem.

Fukai não disse nada, mas a sua mente sim. Vocês já retribuíram, meus amigos.

 

Por Amnésia | 07/04/18 às 23:32 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação