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21ª Mentira - Anima Sancta

Lied (LD)

21ª Mentira - Anima Sancta

Revisão: Venâncio Matos

– Espero que estejas preparado… porque é hora do troco.

Os olhos transparentes; a aura mística; a cruz no pulso direito. O “Herdeiro de Adão” consegue, finalmente, despertar o Spirit Mode!

– Aquilo é… o Spirit Mode do Lied…? – Mare está impressionada.

– A cruz no pulso dele simboliza o próprio espírito, a sua qualidade de único. Essa é… a propriedade final, “Unicidade” – Zaccharias acena com a cabeça.

“Aquele prana não é normal… é a primeira vez que o vejo, mas como esperado do Spirit Mode de Adão…”, o corvo falante pensa.

O Animus não conseguia se soltar de Lied, que segurava a garra direita do monstro com grande firmeza. Em relação às feridas do corpo real de Lied, parece que se curaram ligeiramente com o despertar.

– Quer sair, é? Então, como deseja… – Lied ergue o Animus no ar enquanto segura a garra, demonstrando uma enorme força – …aqui vai.

O rapaz o arremessa sem piedade, a besta indo contra a parede mais distante. O Animus, visivelmente indignado, levanta-se imediatamente do chão e oculta-se. Da mesma forma que antes, procurava uma abertura no adversário.

            – Isto outra vez, hã? – Lied suspira – Infelizmente para você…

A terceira vez é a definitiva. O jovem usa sem fechar os olhos a Sensibilidade para sentir, com sucesso, de onde vem o inimigo. Da esquerda!

– …não resultará novamente – afirma ao bloquear descontraidamente, com a Visibilidade, a investida.

O Animus uiva irritado em reação.

– Comunicação não é o teu forte, não é? Não há problema, eu falo principalmente com os meus punhos.

Lied não esperou sequer um segundo para dar um valente soco na deformada face e assim o Animus voa para longe. Entretanto, e querendo dar o troco, Lied não fica por aqui e o acompanha na sua “viagem”.

– Vê bem, é assim que se dá um pontapé.

Uma potente pancada é desferida na barriga e desta feita o monstro embate novamente contra a parede de metal.

– Na verdade, isso foram dois pontapés. Pareceu apenas um porque foram muito rápidos... para os teus olhos, claro.

Dois pontapés tão velozes que pareceu que Lied só deu um único pontapé… O Animus, bastante confuso com a reviravolta que a luta deu, mantém-se estendido no pavimento escuro.

– Levante-se. Eu ainda… não mostrei tudo o que tenho.

O Animus não se rende e desfere vários golpes em Lied, que vai bloqueando com sucesso.

– Oh, finalmente força total. No entanto… – o humano cerra os dois punhos e desfere um poderoso golpe que leva o Animus novamente ao chão – …ainda não é suficiente… diante do Spirit Mode.

Dentro da barreira, Mare vai ficando cada vez mais impressionada com a evolução de Lied.

– Incrível… o Lied nem parece o mesmo!! E você tinha previsto isto, Zaccharias.

– Previsto…? Mare… – o corvo pousa gentilmente uma das asas no ombro da criança – …a única vidente aqui… é você.

Uma mensagem simples, mas eficaz. Ao ver a maneira como Lied orgulhosamente usava o seu Spirit Mode, também Mare sentiu um raro orgulho em si mesma e na sua habilidade.

– Hm, obrigada, Zaccharias… – acena com a cabeça, um sorriso se forma no rosto.

O predador perde um pouco da sua ferocidade. Quanto a Lied, ainda não está satisfeito, mas entende que aquele é o limite do seu oponente.

– Já chega. Está na hora… de acabar com esta luta.

O herdeiro ergue o braço direito no ar. A cruz no pulso responde à vontade do dono e uma grande concentração de energia é gerada à volta da mão.

– O-O que é que o Lied está tentando fazer?! – Mare questiona-se.

– Aquilo é… – Zaccharias observa o surgimento de algo.

Uma lâmina comprida e formosa, um punho cujo núcleo imita rigorosamente a forma de uma cruz. No cabo desse mesmo punho, uma autêntica pequena cruz é vista ligada.

As diversas lembranças com o enigmático homem de cabelo e olhos vermelhos vêm à cabeça de Lied. Ainda não sabia o nome dele, mas recorda-se de o indivíduo ter dito que era preciso que o rapaz se lembrasse por si mesmo.

Esta sagrada memória… assim como todas as outras memórias… ele definitivamente irá recuperar.

– O nome da espada é… “Anima Sancta” – Lied identifica.

A espada que representa a alma sagrada, a arma herdada pelo “Herdeiro de Adão”! A luz que a radiante espada emite ilumina o escuro piso do Submundo.

– É… uma espada!! Que bela…! – Mare comenta.

A claridade afeta o Animus, cujo habitat é desprovido de luz.

– Eu te agradeço. Graças a esta batalha, eu despertei a minha força contida. Agora… poderei finalmente seguir em frente. E derrotá-lo! – Lied diz a última parte com um tom mais carregado, referindo-se a Martyr.

Num ágil movimento que a criatura não consegue ver, Lied corta o Animus num único golpe com a espada que empunha. A besta desaparece em partículas espirituais.

– Espero… que tenha uma boa reencarnação – Lied diz por último antes do Animus morrer.

E assim Lied venceu a primeira de muitas batalhas que iria travar.

A barreira que protegia os espectadores, já não sendo necessária, é retirada por Zaccharias.

– Ganhou… O Lied… realmente venceu! – Mare diz.

Lied mantém-se com o Spirit Mode ativado, apreciando o poder que tanto se esforçou para obter. A moça asteca se aproxima de Lied, já o corvo falante permanece quieto no mesmo lugar.

– Eu sabia… que conseguiria – Mare fala amavelmente.

O protagonista fica surpreso por um instante, mas devolve prontamente o sorriso. Lied coloca gentilmente a mão esquerda (a mão direita segurava a Anima Sancta) na cabeça de Mare.

– Obrigado… por acreditar em mim.

– Este é o momento perfeito – Zaccharias interrompe-os inesperadamente.

O professor voa e pousa no chão a uma distância considerável do seu aluno.

– Zaccharias…? – Mare sussurra, fitando-o.

O corvo ajeita o chapéu. Os olhos dourados encaram determinadamente Lied, que olha com estranheza.

 – Não desative o teu Spirit Mode, Lied. Nós vamos… lutar.

 

“…?!”

 

[FIM DO CAPÍTULO]

Por Mitsuaki Seiji | 01/01/19 às 17:00 | Ação, Aventura, Fantasia, Drama, Romance, Portuguesa, Mistério