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53ª Mentira - Amigos

Lied (LD)

53ª Mentira - Amigos

Autor: Mitsuaki Seiji | Revisão: HebiTantei

Esta é uma história que remonta a um tempo em que os frutos do caos ainda estão sendo formados, os cruéis destinos a serem revelados.

Em mais um volume da jornada pelo Submundo, o “Herdeiro de Adão” travará memoráveis batalhas que lhe farão questionar sobre o seu papel neste conto, assim como conhecerá pessoas que lhe poderão dar as respostas que ele tanto procura.

Origens, convicções e deveres. Tudo será, mais uma vez, colocado à prova...

 

A 5-Kai Unda de Lied é certeira e coloca um ponto final na batalha entre o Herdeiro de Adão e a Cobra Louca. O príncipe corre logo em seguida até Hitoshi, o último estendido no chão.

– Hito!

– L-Lied… obrigado… por me salvar…

Ele aparenta ter recuperado definitivamente a consciência. Lied suspira de alívio. Entretanto, ele nota o corpo espiritual de Hito desaparecendo lentamente diante de seus olhos.

– H-Hito…!

– É normal. E-Eu sou um espírito de Mictlan. Não pertenço mais ao mundo dos vivos.

– Como é que…?

– …Perdi o total controle. Transformei-me numa “cobra louca”, o estado selvagem que viu. Por causa disso, eles não tiveram outra opção senão me matar e me dar como uma “experiência falhada”.

– E o fato de estar preso no Submundo…

– Matei… pessoas inocentes…

– Entendo… Quem são “eles”?

– O… culto de Nachash.

– “Culto de Nachash”?!

– Lied, eles são perigosos. N-Não tente enfrent…

Hito dizia antes de ser interrompido pela tosse. A expressão outrora preocupada de Lied ganha um caráter maior de urgência em virtude da chocante revelação.

Pelas costas, Susumu se aproxima, ileso, na companhia de Mare. Lied entende que a luta do companheiro também terminou, mas não consegue comentar no momento…

– …O Blasius me contou que foi subornado e depois morto por esse culto de Nachash – Susumu, que pelo visto ouviu uma parte da conversa, diz.

Em relação a Blasius, incapaz de se mover, o policial corrupto não reencarnou visto não ter ainda moralmente reconhecido os seus pecados.

– …É você, Susumu – Hito o cumprimenta com um sorriso gentil.

– Ainda se lembra de mim? – o detetive ajoelha-se de modo a ficar próximo de Hitoshi.

– É claro! Eu me lembro de todos os meus irmãos.

– “Irmãos”…

– Sim, todos os órfãos do orfanato Regenbogen são uma grande família – Hito responde orgulhosamente.

– É, me lembro que você dizia sempre isso – Susumu acena com a cabeça, rendido.

Na reunião, Hito faz uma pausa para apreciar os rostos de Lied e Susumu. Passaram-se muitos anos, mas eles continuam perfeitamente reconhecíveis. E o melhor de tudo…

– Entendo… então o Lied e o Susumu tornaram-se amigos. Que bom, não é, Lied? – o pálido Hito pousa o olhar no Príncipe Perdido.

– P-Por favor, me escute, Hito! – Lied desespera-se, lágrimas quase saindo – Naquele dia, houve algo que não fui capaz de te dizer!

Mare, que prefere manter-se em silêncio por se sentir uma intrusa, concentra a sua preocupação em Lied. Quanto a Susumu, nunca viu o rapaz tão desesperado.

– Desculpa. Eu, na verdade, queria ter ido brincar com vocês. Naquela época, o meu coração estava muito confuso. Sentia que não podia confiar em mais ninguém no mundo.

– Eu sei… – Hitoshi sussurra, nunca tirando o sorrisinho do semblante.

– E obrigado. Cada vez que me distanciava, você se aproximava. Não pedia, mas estava sempre lá para estender o ombro. No passado não era capaz de admitir, mas hoje posso dizer com toda a sinceridade… que foi o meu primeiro amigo na vida.

O humor de Hito escurece. Ele conhecia as circunstâncias de Lied melhor do que o próprio.

– Lied, estará melhor sem recuperar as suas memórias.

– O-O quê…?

– Parece que chegou a hora…

Não deu tempo sequer de questioná-lo a respeito da súbita declaração. As mãos do jovem dissolviam-se, Lied segurava o corpo dele. Mare tapa a boca, a primeira vez que assiste ao processo de reencarnação, ao contrário de Susumu, que já havia presenciado o fenômeno.

A expiação cumprida, sem arrependimentos restantes, a alma de Hito pode finalmente descansar em paz e, como última missão de vida, reencarnar. É a despedida…

– Não… – as gotas por fim começam a escorrer dos olhos esverdeados de Lied.

Da cintura para baixo, todo o tronco humano esvai-se.

– Então estas são as suas lágrimas… Manda os meus cumprimentos à Aki e ao Kenta quando você os vir, por favor.

– HITO!

Hitoshi desvanecia-se em partículas espirituais, a atmosfera fria. Não tira os olhos de Lied, que não parava de chorar. Hito esboça um novo e radiante sorriso…

– Está tudo bem. Dentro do teu espírito, eu viverei para sempre.

É quando, mesmo antes de reencarnar, uma parte do seu prana entra dentro de Lied, encontrando conforto na alma do rapaz. O Príncipe Perdido sente o calor espiritual aquecendo-lhe o interior, uma multiplicidade de emoções e memórias, tristes e felizes, são transferidas.

Na realidade, Hito não conheceu os seus pais e por isso é que se pode rever em Lied, que por não ter recordações do passado também não conhece a própria família.

Desde o momento em que o humano Hitoshi Yasahiro foi acolhido pelo orfanato até à sinistra tarde em que fora raptado pelo culto de Nachash… toda uma vida inteira é rebobinada.

Concluído esse filme de lembranças, Hito desaparece totalmente…

– Imperdoável… – o coração de Lied acelerava – Imperdoável, Nachash…!

Nada pode contê-lo agora. O choroso príncipe olha na direção de Pantera, a única pessoa ali presente em quem pode descarregar toda aquela fúria que lhe subia à cabeça.

 

“Tristeza conjugada com raiva…”

“Liberta tudo!”

 

[FIM DO CAPÍTULO]

Por Mitsuaki Seiji | 11/07/19 às 19:57 | Ação, Aventura, Fantasia, Drama, Romance, Portuguesa, Mistério