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6ª Mentira - Entrando em Mictlan (Parte 4)

Lied (LD)

6ª Mentira - Entrando em Mictlan (Parte 4)

Autor: Mitsuaki Seiji | Revisão: HebiTantei

Nemo ficaria inconsciente durante 15 minutos...

A criança sonha com a experiência traumática causada por Martyr durante o confronto entre os dois, e o depois, que foi o mais difícil de aguentar.

Durante não mais do que duas horas, Nemo foi atormentado pela constante presença de alguém que o perseguia. Com muito medo para olhar para trás, fazia sempre uso da audição para tentar identificar o perseguidor da sua imaginação.

O “Ssssss” de uma cobra importunou-o até à exaustão.

O momento mais dramático seria sem precedentes… a sombra espreitava das costas. Sem aviso prévio, uma mão adulta morena toca no ombro esquerdo de Nemo. A mão da serpente...

 

...

 

O asteca fica consciente, suor escorrendo pelo pescoço. Nemo vê a si mesmo de joelhos, pregado à parede, aprisionado dos pés às mãos pelas correntes espirituais. Na sua frente encontrava-se Susumu. Ou...?

— S-SUSUMU! MALDITO! Não, você é...!!

— Não, sou mesmo o Susumu.

Nemo tentava a todo o custo se soltar.

— Não desiste mesmo. Você não vai conseguir fugir, e eu também não vou te libertar, mesmo depois de responder às perguntas que tenho.

— P-PERGUNTAS?! NÃO TERÁ QUAISQUER RESPOSTAS MINHAS, SEU OTÁRIO, IDIOTA, RETARDADO!

— Zosimus, eu não queria, mas parece que irei te emprestar o meu corpo mais uma vez.

Nemo repara imediatamente na tortura que o aguarda…

— NÃO, PÁRA POR FAVOR!! Eu te conto, eu conto aquilo que quiser saber!

“Muito fácil”, pensava Susumu.

— Primeiro, quem são vocês? Segundo, qual é o seu objetivo? O próprio Lied?

Nemo rangia os dentes como última resistência.

— ENTÃO?

O “então” agudo apavora Nemo e o leva a ceder completamente.

— O nome da nossa organização é “Illuminatus”. Viemos de Aqua para capturar a “Maçã de Adão”, uma maçã especial que está dentro desse Lied.

— A “Maçã de Adão”? E vieram de “Aqua”? Do que é que está falando?

— Hã? Vocês aqui não sabem dos outros mundos? Que ignorância, que ignorância...

Susumu volta a ameaçá-lo com o seu olhar feroz.

— OK, OK! “Aqua” é o nome do mundo no qual nós, astecas, vivemos.

O povo asteca, ao qual Zosimus também pertence...

— Sobre a Maçã de Adão, a única coisa que sei é que se trata de um objeto divino com centenas de anos.

O detetive não quer que nenhum detalhe seja ocultado de si e desperta a sua ferocidade vigilante.

— JURO, EU NÃO SEI MESMO DE NADA! Esse tipo de informação é partilhada entre o Zechariah e o líder.

— E quem é esse líder?

“Pára, Susumu”, Zosimus diz friamente.

— O que foi, Zosimus?

Essa... não é uma identidade que precise saber agora.

— Hã?

Eu vou trazê-lo para cá.

O desprevenido prisioneiro Nemo é novamente levado para dentro da alma pelo Homem das Correntes, aparecendo ao lado de Susumu.

— E-Ei! Ao menos avisa que vai fazer isso!!

Responde-me apenas a esta questão: os olhos do “líder”... são de que cor?

— Cor? Hum, deixa pensar... — Nemo fica uns segundos tentando se lembrar — Ah, sim. Verde-escuros. Por que é que quer saber isso?

Esta revelação choca ligeiramente Zosimus, que faz uma conexão direta com Martyr e outras personagens das suas expiradas lembranças...

Percebo. O resto iremos descobrir por nós mesmos.

Enquanto Nemo regressa à realidade, Susumu fica refletindo sobre a inesperada intervenção da sombra. O que foi aquilo...?

O detetive acaba com o silêncio entre si e Nemo.

— Então? Continua.

— Continuo? O que mais quer saber?!

— Seu próximo passo.

Nemo volta a ficar relutante.

— Desembucha.

— AH, TUDO BEM! Vou ser seriamente castigado, mas com sorte conseguirei escapar... A minha tarefa era controlar a polícia de Ganeden e fazer com que não nos incomodassem durante a nossa missão, mas o resto tinha tarefas diferentes. Neste momento já devem ter entrado em Mictlan, ou estão prestes a entrar.

— “Mictlan”?

— O Submundo! Quando as pessoas morrem, nós – astecas –, ou vocês – humanos –, é para lá que vão os seus espíritos!

Susumu regressa à sua alma para questionar Zosimus.

— Agora que me lembro, você disse que era um asteca. Então sabia sobre tudo isto que o Nemo está dizendo.

É claro.

— Por que é que não me contou?! Se tivesse me dado estas informações...!

O que é que teria feito? O que é que poderia fazer de maneira diferente? O conhecimento não vale de nada se não possui o poder para fazer uso dele.

— Mas...!

O Homem das Correntes suspira.

Não percamos tempo. Susumu, ainda há algo que quer perguntar, certo?

Sim, existe uma questão que o rapaz precisa fazer.

— Nemo, o que é que vai acontecer agora aos agentes da polícia que tiveram as suas memórias alteradas?

— Ah, não se preocupe. Se eu não estiver perto por um longo período de tempo, a memória deles volta ao normal. Como se nada tivesse acontecido.

Então iria ficar tudo bem com Tatsuo.

— Percebo. Então só precisa estar longe deles, certo? Perfeito.

— H-Hã? O que é que quer dizer com isso?!

Zosimus sorri dentro da alma de Susumu.

— É óbvio que não vou te deixar andando por aí. Vai comigo... para Mictlan! Na verdade, será o nosso guia!

— O QUÊ?!

Ignorando os gritos de Nemo, Susumu ajeita a gravata e se prepara.

— EI, NÃO PENSE QUE VOU CONCORDAR COM ISSO! JÁ ME BASTOU TER DE RESPONDER ÀS SUAS PERGUNTAS!

O detetive espreita o exterior do beco, tendo a certeza que ninguém se encontra por perto.

— ESTÁ ME OUVINDO?! E de qualquer forma, o que é que pensa ir fazer lá?!

O jovem vira-se lentamente para a criança, os olhos azulados expirando determinação.

— Pará-los. Desde de que colocaram os pés em Ganeden várias coisas terríveis aconteceram, o que perturbou o funcionamento normal da nossa sociedade.

Lied vem à sua cabeça...

— Não deixarei mais fazer aquilo que querem. A justiça... deve prevalecer! Eu irei mantê-la!

Com o seu olhar pasmo, Nemo parecia querer vomitar ao ouvir tais palavras. Mas por mais teimoso que seja, ele sabia que não tinha voto na matéria e que pelos próximos tempos estaria condenado a ser um refém daqueles que o capturaram.

— Aaaaaah, faça como quiser. Depois de falhar no meu dever, não é como se tivesse algum futuro.

“Mictlan, hã...? O lugar mais compatível comigo. Será que não me vou sentir enjoado enquanto estiver lá? Haha…”, pensa Zosimus enquanto sorri divertidamente.

Com as suas mentes conformadas, também os três partiriam para onde o destino lhes reserva.

— VAMOS! — Susumu grita.

A jornada deles começaria agora!

 

...

 

13:10 (Ganeden)

Após ter ido ao bar beber umas cervejas com os seus colegas, Tatsuo regressou a casa, esperando encontrar Susumu. Estranhamente, o filho não se encontrava presente.

— Será que foi a algum lugar...?

 

...

 

— “Spirit Mode”?

Lied é confrontado pelo corvo falante com um termo desconhecido.

— Trata-se de um poder que os seus inimigos possuem e que por regra própria só pode ser derrotado por ele mesmo. Em outras palavras, se quer realmente sobreviver daqui para a frente às investidas da Illuminatus, é essencial que o desperte.

— Entendido. Explica-me... o que é o Spirit Mode e como despertá-lo!

— Quando o espírito e o corpo físico se tornam um, ou seja, quando o elemento intermediário entre ambos, o perispírito - aquele que é o principal motor do espírito e que faz todo o mecanismo funcionar - une completamente as duas partes, uma extraordinária força desponta, um modo que não conhece limites na sua evolução: o Spirit Mode. A “alma” que visita é um espaço próprio do perispírito, uma dimensão dentro do fluído que separa o teu corpo e o espírito. Apesar de estarem diretamente conectados, ainda reconhecemos como sendo componentes diferentes. Agora presta atenção, Lied.

O corvo preparava-se para deixar um aviso extremamente importante.

— É precisamente por ser o elo de ligação que o perispírito é a nossa maior vulnerabilidade. Se o teu perispírito for cortado, ambos espírito e corpo serão separados um do outro, e quando isso acontecer… você morrerá instantaneamente.

Lied engole a sua própria saliva. Então numa luta será importante manter-se alerta para qualquer iniciativa de derrubá-lo num só golpe, cortando o perispírito.

— Continuando, é um modo que qualquer pessoa, asteca ou humano, pode aprender e eventualmente dominar. E dentro de todas as grandes potencialidades ocultas do Spirit Mode, é no campo de batalha que o seu potencial verdadeiramente se excede. O que não significa que não possua funcionalidades capazes de te auxiliar no dia-a-dia.

Zaccharias interrompe por um momento a sua explicação para espreitar a situação fora do beco.

— Existem vários pormenores sobre o Spirit Mode que não te contarei agora porque receio que os guardas retomem as investigações por estes lados e nos encontrem. Por não termos tempo é que irei avançar para o mais importante. Imagino que também seja esse o teu desejo.

De fato, Lied só queria mesmo iniciar a prática.

— O Espírito tem oito propriedades: “Visibilidade”, a propriedade que permite ao espírito ficar visível a pessoas com potencial latente espiritual; “Plasticidade”, a propriedade que permite produzir alterações morfológicas no seu perispírito; “Penetrabilidade”, a propriedade que permite atravessar barreiras vibratórias, físicas ou não, como é o caso da “alma”; “Intangibilidade”, a propriedade que permite a um espírito ficar intangível a um corpo físico; “Sensibilidade”, a propriedade que o espírito tem de produzir sensações, sentimentos e emoções; “Densidade”, a propriedade que determina a constituição molecular do perispírito; “Expansibilidade”, a propriedade que permite ao espírito a sua expansão e exteriorização em fenômenos anímicos, como por exemplo nas doações fluídicas; e por último a “Unicidade”, que tem na estrutura perispirítica um reflexo da alma, tratando-se de uma propriedade que mais tarde iremos explorar.

O rapaz processou cada informação de maneira ágil, ainda que admitindo que seria bom ter um bloco de notas para apontar tudo.

— A propósito, para me manter com esta aparência de corvo estou usando neste momento a Plasticidade.

— Ah, então era isso.

No meio de todas as outras propriedades mencionadas, Lied lembrou-se de duas que já tinha ouvido antes – Visibilidade e Sensibilidade, sendo que a última teria supostamente usado para perseguir Martyr.

— De modo a despertar o Spirit Mode, é indispensável que domine pelo menos três destas propriedades, as consideradas propriedades principais: Visibilidade, Sensibilidade e Unicidade.

— Hã? Mas a Unicidade não era para deixarmos para depois?

— Sim, essa é uma propriedade que irá naturalmente dominar e só quando despertar o Spirit Mode é que perceberá o seu propósito. No momento só precisa se concentrar em dominar por conta própria a Visibilidade e a Sensibilidade.

A última teoria para o início da prática.

— A Visibilidade é o que nos permite acompanhar os movimentos do adversário. Se a sua Visibilidade for inferior à velocidade do oponente, você não conseguirá acompanhar as suas ações. A mesma teoria aplica-se à Sensibilidade, que funciona como o nosso motor sensorial, ajudando-nos a sentir a aproximação de pessoas ou a localizá-las ao longe. Num ataque surpresa, a Sensibilidade é fundamental, pois precisa sentir a investida, a intenção por trás dela, de modo a se preparar para evitá-la.

Terminada esta última explicação, Zaccharias prepara-se para sair daquele beco.

— Dúvidas levanta depois. Agora temos de sair daqui. Preparado?!

— Sim!

...

 

Ao mesmo tempo que Tatsuo chega em casa para não encontrar Susumu, Core e Martyr aguardam junto ao edifício da Câmara Municipal pela chegada do último elemento do trio, Varius. Estava estranhamente atrasado.

Core mostrava-se concentrada, capaz de desviar os pensamentos que lhe atormentavam. Martyr não aguentaria esperar muito mais tempo. Felizmente, Varius chegou de seguida.

— Peço desculpa pelo atraso.

Martyr, exaltado, aproxima-se do recém-chegado.

— Fez-nos esperar este tempo todo para quê?! O que é que esteve fazendo? Alguma tarefa especial que o Zechariah te deu...?!

— Sim.

Varius não se esforça para dar uma resposta satisfatória. Martyr fica olhando de maneira desconfiada.

— Ei, Varius. Não está escondendo nada de nós, certo?

Os olhos de cobra despertam por um momento em Martyr, um despertar que a jovem de olhos lilás capta.

— Martyr, duvida de Zechariah? E... do líder?

Aquela questão apanha Martyr desprevenido. Varius, o perspicaz, dos poucos que não tem quaisquer dificuldades em confrontá-lo. O louro solta umas risadas.

— Sempre de guarda.

Entendendo que a reunião estava demorando mais tempo do que o necessário, Core faz a sua intervenção.

— Vamos.

O trio fixa o olhar no edifício de onde partirá para o seu destino – o lugar onde descansam os mortos, Mictlan. Isto acontece porque toda aquela zona é uma das várias entradas espirituais para o Submundo localizadas em Ganeden.

 

...

 

Enquanto Core, Martyr e Varius se preparam para entrar em Mictlan...

Um garoto de olhos vermelhos e cabelo carmesim é visto próximo à casa de Naomi.

À semelhança de todos os outros participantes neste ciclo do destino, Iduma segue para Mictlan, como combinado entre ele e Xanthus. Partiria dali mesmo, pois aquela zona também era uma entrada espiritual para o Submundo (foi precisamente por essa entrada que Naomi inconscientemente entrou).

Por falar na moça, Iduma havia pressentido a sua presença, tendo conhecimento da atual localização dela. Naomi era, na verdade, a sua razão de seguir para Mictlan.

O atípico sorriso forma-se no rosto dele.

— Posso sentir. Adão, Eva, Nachash... Meshulam... e… Lilith... estão reunindo-se novamente. Eu estou realmente... entusiasmado.


...

 

9º Nível do Submundo, Pisos Administrativos, Bloco Superior

Mictlan é governado por um “Deus da Morte”. É a existência mais importante do mundo, o supremo governante. Durante centenas de anos, diversas gerações de deuses da morte tomaram conta do Submundo, garantindo estabilidade no fluxo dos mortos e vivos.

E o jovem gótico que se apavorava nos seus próprios pensamentos, de cabeça caída em cima dos papéis, era ninguém mais ninguém menos do que o atual “Shinigami”. Mictlantecuhtli X, o décimo sucessor.

Alguém bate subitamente à porta do escritório, o que interrompe a depressão mental em que ele mergulhava.

— Entre!

Um homem de uniforme, um dos guardas do Submundo, entra no gabinete e fecha levemente a porta.

— Senhor, venho relatar algo.

De alguma maneira Mictlantecuhtli, ou apenas Mictlan, já tinha pressentido isso.

— D-Diz!

O guarda estranha o comportamento anormal de Mictlan, cujos olhos quase sangram de desespero.

— Hum... senhor...?

— DIZ LOGO O QUE É!

— S-Sim! Parece que um espírito recém-chegado escapou. Os dois guardas que o perseguiram perderam o rasto, mas temos uma ideia do seu atual paradeiro. Quais seriam as suas ordens...?

Aquele relatório confirmou a superstição do Deus da Morte. Por alguns momentos o seu cérebro se desligou, deixando o guarda no vácuo.

— S-Senhor?

Ele não responde.

— Mictlan-sama...? — o homem chamou-o novamente.

— EU SAAABIAAAAAAAAA! — um grito que se ouviu pelos níveis restantes do bloco soou e assustou o guarda, que caiu para trás.

Tempos negros aguardavam cada um dos escolhidos pelo destino. A propósito, este depressivo Shinigami também é um dos escolhidos.

— S-SÓ PODE SER KAAARMAAAAAAAAA!

 

[FIM DO CAPÍTULO]
Por Mitsuaki Seiji | 12/10/18 às 18:29 | Ação, Aventura, Fantasia, Drama, Romance, Portuguesa, Mistério