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7ª Mentira - Entrando em Mictlan 2 (Parte 3)

Lied (LD)

7ª Mentira - Entrando em Mictlan 2 (Parte 3)

Autor: Mitsuaki Seiji | Revisão: HebiTantei

O Shinigami, apavorado com a situação atual, permanecia de cabeça estendida na mesa cheia de papéis. A porta abre-se para revelar uma pequena figura esquelética, não mais de 70 centímetros, que caminha lentamente até à mesa. Muito pequeno para chegar até ela, a criatura dá um pulo para cima da papelada, que se dispersa ainda mais.

Este singular esqueleto é o assistente do Deus da Morte e principal encarregado de treinar cada nova geração de deuses, de modo que o legado, começado por Meshulam – primeiro Shinigami – , possa ser devidamente passado e honrado.

Trata-se, precisamente, de uma criação exclusiva de Meshulam, que não imaginava um futuro Submundo sem um conselheiro que pudesse orientar os futuros deuses da morte.

— G-Golgotha... é o fim... novamente...

— Se acalma! O que é que está acontecendo?

— O mesmo... o mesmo vai acontecer outra vez! Ó MEU DEUS, SÓ PODE SER KARMA!

Não era ele o próprio “Deus”...?

— DESEMBUCHA LOGO!

— A-Aparentemente um espírito está agora em fuga. Os guardas ainda perseguiram-no, mas foram despistados! É-É a mesma coisa... O MESMO QUE ACONTECEU HÁ 18 ANOS ATRÁS, QUANDO NACHASH FUGIU! ALGUÉM ESTÁ TENTANDO ESCAPAR DE MICTLAN!

Em cima da mesa, está uma fotografia que retratava um homem deveras parecido com Mictlan. Este sujeito era o anterior Shinigami, Mictlantecuhtli IX, que morreu pelas mãos de Nachash há 18 anos atrás. O jovem Deus da Morte contempla depressivamente o retrato.

— ESTÁ ACONTECENDO NOVAMENTE, PAI! O QUE É QUE DEVO FAZER?!

Mictlan chamou-o de “pai”, mas na verdade eles não são tecnicamente pai e filho. Cada Shinigami é uma reencarnação de Meshulam e as gerações acabam por considerar-se família.

— SE ACALMA! É apenas um espírito qualquer, não a “Serpente Falante”!

— Mas... karma...

— NÃO É KARMA NENHUM! Apenas uma coincidência! Ouve, esta é a altura de honrar o teu pai e o legado dos teus antepassados. Mantém-te calmo e avança com os procedimentos normais!

— S-Sim, tem razão. Eu já mandei os guardas continuarem as buscas.

— E isso basta, por agora.

 

...

 

De modo a entrarem em Mictlan, o prisioneiro Nemo guia Susumu até a uma das entradas espirituais de Ganeden.

O local era a escola, fechada por ser fim de semana. Os dois encontravam-se à frente dos portões metálicos, hoje bastante quietos.

— E-Ei, por quanto mais tempo é que me vão obrigar a andar assim?! — Nemo reclama das correntes de Zosimus que prendem o seu corpo.

Susumu, não muito disposto a deixá-lo andar livremente, recusa-se a libertá-lo.

— Está tudo bem, Susumu. Ele pode ser uma criança, mas entende perfeitamente a situação inelutável em que se encontra. E para falar a verdade, nós iremos precisar dele livre enquanto estivermos em Mictlan — Zosimus diz.

— Certo.

Sem precisar possuir o jovem novamente, o Homem das Correntes recolhe espiritualmente as correntes.

— Uff, finalmente — Nemo suspira de alívio perante a leveza do seu corpo.

— Vá, abre essa entrada para nós — Susumu ordena.

— “Abrir”? A entrada é aberta de origem.

— Então vamos logo!

— E-Ei, se acalma! Como você não é um utilizador de Spirit Mode, o seu corpo espiritual irá se separar do corpo físico no momento em que atravessar a dimensão, e para ninguém pensar que virou um cadáver, precisamos partir de um lugar onde o seu corpo possa ficar escondido.

A imobilização a que Nemo se referia... o detetive sentia que já tinha presenciado algo similar. Sim, com Lied.

— Tudo bem. Sendo assim recomendo que nos dirijamos à enfermaria da escola.

— Qualquer lugar serve, desde de que seja discreto.

 

...

 

Susumu deixa-se repousar em uma das camas da enfermaria. Nunca antes o estudante sentira a necessidade de se deitar ali e iria agora passar provavelmente mais tempo lá do que qualquer outro aluno na história da escola.

— Fecha os olhos e se concentra. Vamos entrar em seguida! — Nemo, de pé, dá as instruções.

 

...

 

Num abrir e fechar de olhos tinham chegado ao destino desejado – o mundo dos mortos, o Submundo. Susumu presta especial atenção ao estado do seu corpo, bastante tênue.

— Este é... o meu corpo espiritual? Ah...!

O adolescente impressiona-se com a espaçosa sala em que se situavam. É verdadeiramente larga, com cinco paredes espirituais fechando-a. E o mais extraordinário estava mesmo à frente dele: uma cápsula com um ser humano dentro que se ofuscava.

— O que… é isto...?

Uma mulher aparecida do nada começa a caminhar até o invólucro, ignorando Susumu e Nemo. Ela é teletransportada para dentro do recipiente. À semelhança do que aconteceu anteriormente, o espírito desapareceria desprovido de arrependimentos.

— É um espírito de Mictlan. E... — Nemo, que assistia ao lado de Susumu, esclareceria — ...este lugar onde estamos é a “Sala da Reencarnação”, o 8º Nível do Submundo. O que você viu agora mesmo foi a reencarnação de um espírito, o momento em que a alma assume um novo corpo ainda por nascer e assim regressando à vida.

— Reencarnação... — Susumu murmura.

Zosimus está certamente consciente daquele fenômeno, não se intrigando de todo.

— Então, onde é que estão os teus companheiros? — Susumu questiona a criança asteca.

— Hm, muito provavelmente nos níveis inferiores.

— Ou seja, temos de descer.

— Sim...

— Nem pense em escapar.

— EU NÃO VOU!!

 

...

 

 7º Nível do Submundo.

A dupla Susumu e Nemo desce as longas escadas que dão acesso ao piso inferior. Enquanto descem os degraus começam a ouvir sussurros de pessoas vindos desse mesmo piso. Eles espreitam para ver aquilo que lhes aguarda.

Distribuídos pela sala vêem-se ecrãs que apresentam fluxos espirituais graficamente expostos, e analisando esses gráficos encontram-se indivíduos de uniforme.

— Este piso é... a “Sala de Supervisão Espiritual”. A detecção de invasores é feita nesta sala.

A força que mantinha a ordem no Submundo. Infelizmente para Susumu, a sua identificação policial não teria qualquer influência em Mictlan.

Tendo em conta a quantidade de vigilantes presentes, seria muito difícil passar por eles na discrição. Sabendo disso, e não querendo perder tempo, Zosimus se prepara para fazer uma sugestão.

Dos pés de Susumu a sombra acorrentada surge, tomando de surpresa os dois rapazes.

— Você... virou a minha própria sombra?!

— Parece que aqui dá para “libertar-me” um bocado mais. Bem, nós vamos forçar o caminho.

— E-Ei, espera um pouco! E se eles soarem o alarme e trouxerem reforços?! Seremos perseguidos por todo o Submundo! — Nemo não é a favor da ideia de Zosimus.

— É simples: só temos que evitar que soem.

O pequeno asteca sabia que não valeria a pena insistir. Assim como Susumu, aquele misterioso homem era bastante teimoso.

— Tudo bem... mas eu vou depois de vocês!

Covarde, como já nos acostumou... A sombra, vivendo agora nos pés de Susumu, está confiante no sucesso deles.

— Vamos! — Zosimus sinaliza.

Susumu sai rapidamente do canto em que se escondia após o sinal de Zosimus, seguido de Nemo. Os seguranças viram-se todos de costas ao ouvirem o barulho das solas do calçado.

— Q-QUEM SÃO VOCÊS?! DE ONDE É QUE VIERAM?! — um deles interroga-os.

Zosimus trata imediatamente de imobilizá-los, prendendo o corpo do indivíduo com as correntes. Sabendo que não bastava aprisionar apenas um, desdobrou as correntes e estendeu-as até aos outros. No entanto, quando só restava um segurança, Zosimus sentiu as suas correntes limitadas por alguma circunstância.

— Raios...! Como eu suspeitava, este é o limite...

Aquele instante foi suficiente para que o operador se preparasse para pedir ajuda através de um headphone.

— Rápido! Parem ele! — Zosimus grita.

Susumu, incapaz de agir, dá a Nemo a sua chance de brilhar. O rapaz ativa o seu Spirit Mode, sendo envolvido por uma aura cuja cor não era nítida, e move-se em direção ao sujeito.

Alcançando-o ainda antes do pedido de socorro ser feito, a criança coloca a mão na cabeça dele.

— Esquece... tudo o que viu.

Era a manipulação de memórias de Nemo em ação. O homem acabou mesmo ficando inconsciente. Estavam agora todos incapacitados.

Zosimus, grato pela intervenção de Nemo, pediria a ele que alterasse as memórias dos restantes operadores para que prosseguissem discretamente a infiltração.

A respiração de Susumu está acelerada. Toda aquela reviravolta foi demasiado para ele e Zosimus percebeu isso.


...

 

Por Mitsuaki Seiji | 26/10/18 às 23:24 | Ação, Aventura, Fantasia, Drama, Romance, Portuguesa, Mistério