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7ª Mentira - Entrando em Mictlan 2 (Parte 4)

Lied (LD)

7ª Mentira - Entrando em Mictlan 2 (Parte 4)

Autor: Mitsuaki Seiji | Revisão: HebiTantei

Em Ganeden, na casa de Susumu, Tatsuo era surpreendido pela ausência do filho. O veterano detetive ligaria a ele, mas este não atenderia.

Na esperança de encontrá-lo, dirigiu-se à delegacia. Não estava lá. Começava a ficar preocupado.

 

...

 

Bloco Restrito, Nível -8 do Submundo.

A jornada de Yamir e Naomi continuaria. A esta altura já tinham descido um nível, uma prova de que andaram muito num curto espaço de tempo.

De fato, aquele bloco, adjacente aos pisos em que Lied e Susumu se encontravam, tinha caminhos muito lineares, não existindo qualquer tipo de elevador ou portal que levasse as pessoas diretamente a outro lugar.

Mesmo para níveis do Submundo era uma zona extremamente mórbida, tanto que nem se avistavam quaisquer guardas. Eram apenas eles e os “moradores da morte”, que não surgiram mais desde o primeiro confronto.

Naomi, um pouco incomodada pelo silêncio, procura conversar com Yamir. Estranhamente curiosa, ela começa a encarar insistentemente o rosto do jovem de olhos esverdeados escuros.

— Há algo de errado com a minha cara?

— Não, bem, agora que eu vejo, de alguma forma, você me lembra dele...

— “Dele”? A quem é que se refere?

Quando se dá conta, Naomi tem a sua boca muito próxima da boca de Yamir. Ela mergulha em vergonha, corando até dizer chega.

— N-Não fica com vergonha?!

Pelo visto, Yamir era demasiado insensível para não se afetar por interações mais intímas...

— Não, eu...

— Sim, isso é algo que vocês têm em comum!!

— Igual entre “nós”? Mas de quem é que está falando?

Naomi, ainda relativamente envergonhada, vira-se para a frente.

— Do Lied, um rapaz da “superfície” assim como eu.

— Percebo, você e esse rapaz que é parecido comigo, o Lied, têm uma relação particularmente próxima...

Naomi é apanhada de surpresa pela afirmação de Yamir. As bochechas voltam a ficar avermelhadas.

— N-NÃO TEMOS NADA! E-Eu só realmente comecei a falar com ele há pouco tempo!!

Yamir não era um perito em relações sociais, muito por culpa de nunca ter realmente socializado com uma pessoa normal antes, e mesmo assim…

— Sério...? Julgando pela maneira como reagiu, dá a entender que se dão melhor do que diz...

— NÃO, não nos damos!!

Naomi suspira. Yamir, demasiado curioso, não consegue conter a sua curiosidade.

— Mas o que é que eu e ele temos realmente de parecido?

A pergunta de Yamir faz Naomi focar-se novamente na esbelta cara da cobra.

— Os olhos. Não é como se fossem exatamente da mesma cor, mas sempre que olho para eles, lembram-me sempre do Lied. Têm... como é que poderia dizer... sim, a mesma “aur”", ou algo do gênero!

— Compreendo. É misterioso...

Naomi continua fixando o olhar nele.

— Não... não é apenas isso...

— Hm? O quê?

À medida que encarava Yamir, a moça se sentia sendo devorada pelos olhos demoníacos do rapaz. Antes que ela desse conta, Yamir apresentava uma nova faceta, diabolicamente sorridente. Um segundo depois o sorriso desaparece, dando novamente lugar à expressão pálida.

— O que foi, Naomi?

Naomi encolhe no chão, chocada. Já havia sentido algo assim antes, com Core, a menina misteriosa, mas desta vez era uma sensação mais aguda.

Vários momentos do seu passado recente inundavam-lhe a mente neste preciso instante.

“(...) um homem que derramou sangue a fim de contrariar o seu destino (...)”

“O teu nome é Naomi, certo?”

“E-E o teu nome é Lied, certo?!”

...

“(...) e aqueles que o opunham.”

“Quem é... essa pessoa...?”

“Eu sou Martyr! Prazer.”

...

“O nome deste homem é…”

“(...) Primeiro, quem é você?”

“Quem sou eu...? Essa é uma boa pergunta (…) a verdade é que não me lembro de nada... para além do meu nome, ‘Yamir’.”

...

“…Nachash.”

"Entretanto, não pense que é menos culpada do que nós. Todos vocês, não, todos nós estamos conectados, por diferentes ou pelos mesmos elos. O pecado... é partilhado.”

“Quem sou realmente eu? (...) O meu nome é...”

"Lilith!”

— Naomi! — Yamir chamava efusivamente, abaixando-se junto dela.

A agoniada adolescente desperta. Naomi, tonta, levanta-se do chão, apoiando-se no ombro direito de Yamir.

— E-Está tudo bem... isto já aconteceu antes... V-Vamos continuar...

“Na altura eu não entendia. Ou não quis entender... o porquê do Lied, do Yamir e até mesmo do Martyr aparecerem ao mesmo tempo na minha visão. Sem nem mesmo perceber, foi neste momento... que a minha tragédia verdadeiramente começou.”

 

...

 

Yamir fica preocupado com o estado de Naomi. Ela tomaria a iniciativa de aliviar a tensão no ar.

— E-Ei, Yamir!

Yamir é apanhado de surpresa com a abordagem repentina.

— Você devia visitar a minha escola! As moças todas iriam ficar caidinhas por você...! — a moça fita-o atrevidamente, mirando o seu belo físico.

— “Escola”? É algum lugar mais perigoso do que este?

— Hum, mais perigoso do que este não acho, mas sim, consegue ser um lugar muito perigoso às vezes! — Naomi põe a mão no queixo, pensativa.

“Perigoso” em diversos sentidos...

— Tudo bem, um dia irei.

Naomi sorri, contente pela reviravolta climática que havia conseguido.

— O Lied também frequenta esse local?

— Sim! Mas... — o sorriso dela dissipa-se — ...no momento está ausente. E supostamente está aqui!

— No Submundo?

— Sim! Só ainda não o encontramos...

Yamir ergue a cabeça para encarar o horizonte na frente deles.

— Pode estar lá em cima.

— É? “Lá em cima”?

— Sim, eu já percorri uma grande parte deste caminho e percebi que existe outro “bloco” acima deste.

— Sério?!

Naomi anima-se com esta possibilidade. Então poderia mesmo encontrar Lied!

— Entretanto, a possibilidade de sermos confrontados com mais moradores da morte aumenta à medida que nos aproximamos. Eu posso cuidar de mim mesmo, mas você...

A moça, ao invés de se indignar com a desvalorização da sua força, dispõe um novo sorriso atrevido.

— É por isso que você está aqui, Yamir! Para me proteger, como um cavaleiro que protege a sua princesa!

— H-Hã? Um “cavaleiro”? Eu...?

Naomi acena com a cabeça vezes sem conta.

— Um cavaleiro... então uma espécie de “guardião”? — Yamir cruza os braços, pensativo.

— Sim, bem isso! — algo confusa com o termo utilizado, Naomi responde indiferentemente.

Yamir fecha os olhos, abrindo-os de seguida.

— Certo. Até se encontrar com o Lied, eu irei te proteger. Tem a minha palavra.

Os dois encaram-se, Naomi com um sorriso vibrante.

— Hm!

...

 

Yamir e Naomi continuam a caminhada rumo ao Bloco Inferior, onde Lied se encontra.

Eles são subitamente desafiados por cinco moradores da morte que rodeiam a dupla. Naomi, assustada, encosta-se a Yamir.

— Y-Yamir!

— Deixa comigo.

Yamir, tentando não se afastar muito da moça, dá uns passos para a frente.

— Já perdi a conta de quantas vezes derrotei vocês. Vocês não têm um “limite de população”? Ou... são produções infinitas?

Os moradores da morte limitam-se a observá-lo, a presa que por muito tempo têm tentado capturar, mas sem sucesso.

— Bom, não interessa. Continuem desaperecendo!

Yamir ativa o seu Spirit Mode (termo que não utiliza por desconhecer as origens do poder que recebeu). Ele é envolvido por uma aura de tonalidade verde escura. Seguidamente o rapaz invoca cinco cobras espirituais do seu corpo. Assim como antes, planejava acabar com eles de uma vez.

No momento em que se prepara para investir, o morador da morte mais próximo de Naomi move-se estranhamente. Foi tarde demais que Yamir percebeu o que a criatura almejava.

Ao contrário do que ele pensava, aquelas criaturas têm alguma inteligência. Com a atenção de Yamir presa nos outros quatro monstros, o morador da morte ataca Naomi, consciente de que ela era o alvo mais fácil de abater.

— NAOMI!

A jovem, prestes a ser saciada pelo predador, fechou os olhos. Foi quando um milagre aconteceu. Naomi voltaria a ser salva, mas desta vez... por si mesma; pelo seu próprio espírito!

Uma luz vigorosa cobre todo o cenário sombrio, incluindo todos aqueles que o habitavam. Os moradores da morte, principalmente aquele que atacava Naomi, eram fortemente ofuscados, já Yamir tapava a cara com os braços de modo que aquele brilho não lhe atingisse.

Apenas alguns segundos depois é que o fulgor se dissiparia, devolvendo ao plano de fundo o vazio negro que lhe é normal. Yamir descobriu a face, dando uma vista ao redor: os moradores da morte que desafiavam a serpente permaneciam vivos e foi de imediato que Yamir eliminou-os com as suas cobras. Os corpos caíram lentamente diante dele.

Extremamente preocupado, Yamir girou os olhos para perceber o que havia acontecido com Naomi e o morador da morte. Inacreditavelmente a criatura estava estendida no chão, inconsciente, e a adolescente mantinha-se em pé, inteira.

O mais impressionante, e provavelmente a explicação para tal reviravolta, era o misterioso e fascinante objeto no pulso direito de Naomi: um bracelete em forma de lua vibrante.

Mas não era somente a pulseira que oscilava. O corpo de Naomi, à semelhança do que acontece com o corpo de Yamir, era cercado por uma aura azul turquesa. Ela, sem palavras, apenas examinava todo o seu tronco humano.

Terminada esta curta examinação, Naomi fita Yamir delicadamente. Aquela troca de olhares instantânea causou um fenômeno visual nele.

Yamir vê agora uma outra pessoa em Naomi – uma jovem da mesma idade fisiológica dele de cabelo e olhos azuis turquesa, usando um colar também em forma de lua ao pescoço.

Yamir! — esta bela mulher, sorridente, chama por ele.

 

...

 

O súbito “despertar” de Naomi não passou despercebido a outros que assim como ela eram escolhidos por algo maior.

Afinal de contas todos os laços conectam-se para formar um grande laço, e esse grande laço, chamado “destino”, é aquilo que os une simultaneamente, independentemente da distância que os separa.

 

...

 

“Adão!”

Lied, que corria com Zaccharias até à recepção do Submundo, tem uma estranha sensação que lhe obriga a parar por um instante. Acreditava ter ouvido algo.

— O que foi, Lied?

O rapaz vira a cabeça para trás, deixando-se ficar, curioso.

— Lied?

O chamado do corvo falante o desperta. Teria sido apenas impressão dele? Começara a enlouquecer entre tanta morte...?

— Não, não é nada. Continuemos!

 

...

 

“Meshulam!”

No gabinete do Deus da Morte, Mictlan, sentado à mesa, participa nesta maré de conexões. Na sua mente uma voz feminina surge, deixando-o confuso.

— Hm? Disseste algo, Golgotha?

O esqueleto, que remexia em papéis, olha-o por um instante.

— Não, não disse nada.

Estaria finalmente enlouquecendo por causa do trabalho?

 

...

 

Martyr e Core, que se tinham separado de Varius na Recepção (entraram em Mictlan pela mesma entrada espiritual que Lied usou para entrar) dado terem objetivos diferentes, seguiam agora para os pisos inferiores do Submundo, caminhando por corredores opostos aos de Lied e de Zaccharias.

Martyr subitamente jura pressentir uma exótica sensação, algo que nunca havia antes sentido.

— O-O que é que foi isto...? Você também sentiu, Core?

Ao fitar Core, o homem é surpreendido – no pulso dela vê uma pulseira em forma de lua. Este bracelete, assim como todo o corpo, luziam numa cor azul turquesa.

— O meu Spirit Mode... se ativou sozinho...? — Core estava quase incrédula, ainda mais confusa do que Martyr.

 

...

 

Iduma, recém-chegado ao Submundo, esboça o sorriso insolente no exato momento em que a maré também lhe atinge. Sobre a sua localização, situava-se no Nível -8 do Submundo, não muito distante de Naomi e de Yamir.

— Então está logo aí à frente...

 

...

 

“Nachash!”

Um quarto escuro com uma cama no seu centro. Sentado nela, de cabeça para baixo, um adolescente, louro e de olhos esverdeados escuros, de capuz. Ao lado dele, também sentado, encontrava-se Zechariah.

Este jovem, um dos protagonistas deste nosso conto, recebe com relativa surpresa o chamar do destino. Ao ouvir “o nome” ser invocado, o moço abre a boca, pasmado.

— O que foi? — Zechariah o questiona.

— Alguém... está me chamando... — ele responde, nunca deixando de encarar a escuridão do quarto.

— O Lied?

O louro abana a cabeça.

— Não... Isto é...

 

...

 

Naomi ainda processava tudo o que estava acontecendo. Yamir tentava compreender a relação que aquela figura feminina tinha com ele e com a própria Naomi, a qual substituiu por alguns segundos.

O nome daquela mulher... jurava que tinha na ponta da língua... Ele tenta chegar ao nome encalhado nas entranhas da sua mente…

— O que... é que aconteceu? O meu corpo... e este bracelete... — Naomi observava-se.

Yamir aproxima-se dela para ter a certeza do que estava vendo.

— Isto é... o mesmo tipo de poder que eu possuo.

— S-Sério?!

— Sim. Tem características diferentes, mas não há dúvida.

— M-Mas por quê assim do nada?

— Provavelmente despertou apenas agora...

Em perigo, o espírito evoluiu. Ou... acordou do seu sono profundo.

Naomi relaxou um pouco, o que pelo visto desativou o modo espiritual. Yamir não conseguia deixar de pensar na mulher de cabelos azulados.

— Vamos continuar. Ficarmos aqui parados não nos fará bem nenhum — Yamir afirma.

Mais moradores da morte podem aparecer, atraídos pela derrota dos companheiros... Naomi acena com a cabeça e os dois retomam caminho.

 

...

 

Por Mitsuaki Seiji | 26/10/18 às 23:27 | Ação, Aventura, Fantasia, Drama, Romance, Portuguesa, Mistério