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Prólogo - Radicibus (Parte 2)

Lied (LD)

Prólogo - Radicibus (Parte 2)

Autor: Mitsuaki Seiji | Revisão: blazzze

A rixa entre o rapaz e a cobra que levaria ambos Adão e Serpente Falante ao limite.

A conciliação dos dois e a aceitação de Nachash no grupo.

Estes eventos são páginas de um livro cuja história ainda vai a meio. Cabe a nós agora folheá-lo, página a página… até finalmente chegar ao seu inalterável fim.

Esta é a continuação do conto deles…

 

10 dias depois

O trio passou o tempo na descontração… se Adão e Nachash estarem constantemente a lutar pode ser considerado descontrair. É quando Adão teve uma ideia.

— Ei… por que não tentamos outra vez?

O rapaz relaxava junto à Árvore da Ciência. Eva foi colher flores a um lugar relativamente distante, Nachash instalava-se num dos ramos da árvore, ligeiramente acima de Adão.

— Tentar o quê?

— Ah, pois, você não estava conosco ainda.

— Voltei.

Eva chegou com uma dúzia de gardénias, meia em cada mão. A garota pousou as flores, deixando-as juntas aos amarantos.

— Ei, Eva, bora para lá outra vez, agora mesmo!

— Aquele lugar?

Nachash caiu para o chão.

— Ao que vocês os dois se referem?

— Irá entender quando chegar lá — Adão deixou Nachash no ar…

— Então… do que é que estamos a nos esconder? — Nachash interrogou num volume ligeiramente alto.

— Shiii… se aproxima um pouco — Adão pediu.



— Uma segunda árvore…? E… pessoas…?!

A “Árvore da Vida”.

De fato, ele apenas tinha conhecimento de uma árvore, a Árvore da Ciência, e acreditava que não existia mais ninguém além deles neste mundo.

— Pois é… eu realmente não tenho certeza quanto a serem pessoas. Quando os vimos pela primeira vez, pensamos que eram estátuas — Adão explicou.

Eva acenou, convicta de que fossem obras da natureza, tamanho o desconhecimento que eles tinham a respeito do mundo.

— Mas não é para isso que viemos. Olha bem, na árvore.

A repousar num dos galhos da Árvore da Vida, avistava-se uma maçã vermelha.

— Uma… maçã? O que é que há de tão especial nela?

— Para ser sincero, eu também não sei.

— Hã?

— A maçã está a ser vigiada é o que faz o Adão pensar que ela é especial — Eva deu uma risada.

— Yep.

— Apenas intuição, hã…? — Nachash suspirou — E então? O que é que vamos fazer?

— Simples. Nós iremos roubá-la — Adão afirmou.

Estavam todos a postos. Cada um na sua posição. A operação “Roubo da Maçã”.

Cinco minutos antes

— O meu plano: o Nachash chama a atenção deles e enquanto isso eu roubo a maçã. Quanto a ti, Eva, é mais seguro se esconder nos arbustos — Adão propôs.

Nachash, estupefato, não achou o plano plausível. Quem estava verdadeiramente insatisfeita com a sua função era Eva, mas esse sentimento acabaria por passar ao lado.

— Em outras palavras, eu sou a isca para você ficar com toda a glória. Inaceitável.

— Que egoísta!

— Você que é egoísta!

— Hum, eu acho que o Nachash na sua forma cobra será mais discreto. Desculpa, Adão, mas a isca mais apropriada é você — Eva concluiu.

— Eeeeeh? Não pode ser…

— Hehe, penso o mesmo.

Adão ficou sem o papel principal, mas rapidamente recompôs-se…

— Antes de mais nada, vocês tentaram roubá-la quando vieram para cá? — Nachash perguntou.

— Sim, quer dizer, não podemos dizer que realmente tentamos. Para falar a verdade, não chegamos sequer a chegar perto dela. Eu sempre tinha a sensação… de que era muito perigoso — Adão pôs a mão no peito à medida que relembrava.

“O Adão… a desistir de algo?”, Nachash pensou.

— Mas desta vez é diferente. Desta vez nós temos a ti, Nachash!

Nachash sorri ante o companheiro, esquecendo naturalmente os seus pensamentos. Eva também deixou escapar um sorriso, os três entraram em uníssono.

 

Adão a cerca de 20 metros dos encapuçados; Nachash, na sua forma réptil, nos arbustos à esquerda de Adão; e Eva atrás.

— Yo! Há quanto tempo, né? — Adão cumprimentou os indivíduos.

Sem resposta. Adão pegou numa pedra do chão e atirou ao sexto indivíduo alinhado na fila. O pedregulho atravessou o corpo dele…

— Passou por ele…?! 

Nachash era o único que não testemunhou o fenómeno antes.

— Ah! Eu tinha as minhas dúvidas, mas parece que estava certo. Vocês são fantasmas, não são?! Todavia estão com azar, porque eu não tenho medo de fantasmas! Não tenho medo de cobras… — uma clara indirecta a Nachash — não tenho medo de fantasmas… não tenho medo de nada!

Eva teve um mau pressentimento. Um frio na espinha. Perigo.

“Para, Adão”, Eva pensou, mas sabia que ele não podia ouvir os seus pensamentos.

— Pelo contrário, vocês é que devem ter medo de mim!

Nachash. Eles já repararam nele. A própria tinha de agir, caso contrário…

— Abram essa maldita boca e uivem perante o grande Adão! 

Eva seguiu o seu instinto e saiu disparada, tomando de surpresa Adão e Nachash.

— Eva?! O que é que está fazendo?! —  Adão questionou.

A segunda figura a contar da esquerda moveu-se de repente a uma velocidade fantasmagórica e alcançou Eva.

— Eva! — Adão correu para socorrê-la sem pensar duas vezes.

Nachash resolveu continuar a sua missão. É esta a altura em que devem acreditar um no outro.

Shlishi Shlishi (terceiro), Shmini (oitavo) e Tishi (nono) são os números ordinais em Hebraico. — o alvo da pedra chamou.

O terceiro encapuçado a contar da esquerda barrou o caminho a Adão. O miúdo encarou-o ferozmente, não conseguindo ver os olhos dele. Estranhamente, Adão não conseguiu sentir intenções malignas. O que é que isso significava…? Enfim, não era hora de se perder em pensamentos!

A cruz no pescoço sobreluziu como na luta contra Nachash. O colar ressoou ao ritmo da mística energia que vestiu o corpo, os olhos escarlates a tomarem uma tonalidade branca.

Sai da frente.

Adão derrubou-o instantaneamente com um murro no estômago. Entretanto, a intangibilidade não ativou. Uma habilidade daquele encapuçado em especial? Ou teria alguma coisa impossibilitado a sua ativação?

O líder não hesitou apesar da queda de um dos companheiros; permanecia frio e cauteloso.

Shmini, Tishi — ele invocou outros dois camaradas.

O quarto e quinto encapuçados a contar da direita aterraram em cima de Adão.

— Eva! Corre! — Adão gritou desesperadamente — Raios! Me larguem… hã?

Os protestos de Adão cessaram ao ver Shlishi, o encapuçado que derrubou, de pé.

— Como…? E-Eu te acertei com toda a minha força. Você… não sente dor?

Os olhos de Adão perderam o vigor da claridade branca e lentamente retomaram ao vermelho padrão.

O coração dele palpitou. A poderosa aura que envolvia Adão ofuscou-se… O seu espírito destemido temeu. E assim, a sua alma quebrou por completo.

A cruz parou de oscilar. O som de uma lágrima ecoou.


O discreto Nachash passou pelos oito encapuçados restantes. Ser apanhado em flagrante significaria desperdiçar a oportunidade que Eva lhe havia concedido em troca da segurança dela.

Tudo bem. Adão estava lá, a serpente sabia que podia contar com ele. Por curiosidade Nachash resolveu espreitar e viu Eva atemorizada diante do inimigo e Adão imobilizado.

— Adão está chorando?

Pouco a pouco, o tempo esgotou-se para Adão, Eva… e Nachash.

Um monstro. Algo com o qual eles não se deviam ter metido.

“Eles”? Eles quem? Adão, Eva e Nachash? Ou apenas ele…? Ou apenas Adão?

Em primeiro lugar, a ideia foi do miúdo de cabelo avermelhado. Sim, desde o princípio, Adão ignorou o perigo e acabou por trazer consigo os seus amigos para o abismo. A sua ingenuidade, a sua inabilidade de considerar os resultados das suas ações iria custar caro.

— E-Eva… foge… depressa…

Desespero, uma consequência do medo. Medo… de perder as pessoas mais importantes, bem na sua frente.

A árvore viu-se finalmente a poucos metros.

Um. Dois. Três passos. O encapuçado aproximou-se de Eva, rendida ao terror da morte. Nachash devia tomar uma decisão. A missão ou a amiga?

Numa segunda tentativa de reunir a energia perdida, Adão esforçou-se para evocar aquela força misteriosa. Contudo, ela não vinha ao de cima. Já era… tarde demais.

— EVAAAAAAAAAAAAAAAA! — Adão gritou.

No segundo mais importante, Nachash apareceu!

Não toca.

Uma cobra comprida e grande em forma espiritual saiu das costas de Nachash e estrangulou o encapuçado violentamente no ar. Ninguém contava com aquilo. Nachash foi capaz de olhar de relance por detrás do capuz…

— O que raios… é você…?

Os dois encapuçados que obstruíam Adão recuaram, unindo-se aos nove companheiros dispostos em fila. O encapuçado atacado por Nachash libertou-se da constrição. Adão correu a todo o gás até Eva.

— Eva! Está bem?!

— Sim…

Adão virou-se para Nachash, que já não tinha a cobra ligada.

— Nachash, você…!

— Falamos depois! Agora não é boa altura.

Os três encararam os indivíduos suspeitos. O líder somente apontou o dedo mindinho a Nachash… Um vento forte atirou poeira para cima dos olhos das crianças. Os encapuçados retiraram-se.

— Desapareceram… — Eva observou.

— Quem eram eles…? — Adão questionava-se.

Nachash não conseguiu esquecer da visão por baixo do capuz. Adão, cabisbaixo e de punhos cerrados, queria dizer alguma coisa…

— Eva, Nachash. Desculpem. É minha culpa. Se eu não tivesse pensado numa brincadeira tão estúpida, vocês não teriam… Eu realmente os magoei. Eu magoei… os meus preciosos amigos.

Adão não conseguia olhá-los nos olhos. Nachash dá-lhe uma tapa na cabeça.

— Au!

— Idiota. Nós escolhemos, por vontade própria, fazer isto. A culpa de tudo o que nos aconteceu, só a nós próprios ela pertence.

— Nachash…

— Vá lá, um cabeça oca como tu forçar alguém? Nunca na vida.

— Ei!

— Em outras palavras, não se culpe pelas decisões dos outros, mas sim pelas tuas próprias decisões. Se existe uma decisão pela qual se arrepende, então tem a certeza de não a tomar novamente.

— Continua a ser você mesmo. Ah, mas não tão despreocupado… às vezes é melhor se preocupa um pouco mais com as coisas! — Eva disse.

Nachash riu levemente.

— Eh?! O que é que quer dizer, Eva? Mas… — Adão inclinou a cabeça, limpou as lágrimas e sorriu — Sim!

— E agora que está tudo resolvido… — Nachash retirou de dentro dos trajes uma maçã vermelha. 

— Isso é…! — Adão sobressaltou-se.

— Nachash! Quando é que conseguiu?! — Eva interrogou.

— Antes de ir ajudá-los.

Quando Eva ia ser atacada pelo encapuçado, Nachash agarrou o fruto e imediatamente retornou à sua forma humana para salvá-la.

— Bom trabalho, Nachash! Apenas desta vez, eu deixarei a glória para você!

— Tss…

Eva se recordava do líder dos encapuçados a apontar o dedo a Nachash…

— “Ele” referia-se à maçã?

— Mais alguma coisa?

— Não, é que é demasiado estranho. Aquelas pessoas estavam a proteger a maçã, certo? Se eles realmente notaram que o Nachash a levou, então… por que é que não tentaram recuperá-la?

Quais seriam as verdadeiras intenções daquele grupo? Era como se… estivessem a testá-los. O silêncio foi quebrado por Adão, que tomou a maçã de Nachash.

— Devolve!

— Pronto! Decidi-me! Eu não vou comê-la. Ficarei com ela!

— Hã?

— E já tenho um nome!

— Um nome também? Sério…?

Adão segurou a fruta como se um bebê se tratasse.

— A maçã é minha, então eu vou chamá-la de… “Maçã de Adão”!

— Que lógica é essa? Mesmo típico de ti, Adão! — Eva delirou.

Nachash suspirou. É quando subitamente a maçã resplandeceu, assustando-os. A Maçã de Adão mudou de tonalidade, passando de vermelho para dourado. O brilho tornou-se cada vez mais saliente e, por fim, engoliu todo o local.

O trio abriu os olhos. O fulgor não os atingia mais. A maçã voltou à cor original e parou de reluzir. O que os aguardou agora era um desenho sobrenatural… Ao redor, os mais diversos tipos de seres vivos: cabras, ovelhas, porcos, vacas e até mesmo pessoas! Um verdadeiro presente da natureza – nova vida.

— E-Eu não sei o que aconteceu, mas… parece que já não estamos mais sozinhos — Eva não conteve as lágrimas de alegria.

— Hm — Nachash sorriu tranquilamente.

— Sim — Adão acenou.

Os três sentaram-se num rochedo. O horizonte fotográfico com as sossegadas ondas do mar acompanhadas pelo pôr do sol…

— Nachash — Adão chamou o amigo.

— O que foi? — Nachash não desviou o olhar da vista esplendorosa. 

— Quando apareceu para nos ajudar, por um momento parecia que tinha visto um fantasma. O que é que… exatamente viu?

O que escondia o capuz do encapuçado. A pergunta fez Nachash tremer ao submergir nas suas obscuras lembranças…

— Nachash?

— Hã? Ah… aquilo foi apenas a minha imaginação.

— Hum… mais uma coisa…

O que o jovem queria agora perguntar era a respeito daquele poder que Nachash manifestou…

— Nada… não era nada… — Adão curvou a cabeça — Ei… não mude.

Aquele era um receio que ninguém imaginava que fosse ser o prenúncio de uma grande desgraça que recairia sobre o trio… e os deixaria novamente sozinhos.

Esta é uma história que remonta aos primórdios da humanidade, um tempo em que nada existia.

Nada, exceto três jovens pintassilgos que abriram as asas e, pouco a pouco, enquanto crescem, continuam a descobrir-se a si mesmos.

O conto deles continuaria e, eventualmente, acabaria.

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Esta é uma história que remonta a um tempo que ainda estava para vir, mas que não viria se outros tempos não o tivessem antecedido e histórias passadas principiado o enredo desta nova história.

Este é um conto que começou muito antes do seu protagonista ser nascido e que só terá o seu final quando todas as peças forem montadas corretamente.

Um menino de cabelos dourados sonhou: dois rapazes — um de cabelo avermelhado e outro de cabelo esverdeado — e uma garota no meio deles. Quem seriam eles…? 

O loiro de 16 anos, estatura média e de olhos tirantes a um verde escuro, despertou do seu sono. Ao lado encontrava-se de pé um homem alto nos 30 anos.

O adolescente ergueu-se da cama. Uma cruz preta surgiu no pescoço, iluminando o escuro quarto com a sua vivacidade.

Aquele também era um prelúdio do que estava para vir…

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Um menino de oito anos inconsciente no relvado de um parque. Olhos verdes claros e cabelo da cor do ébano, roupas esfarrapadas, cicatrizes na testa e nos braços. A julgar pelas feridas espalhadas pelo corpo, qualquer um acharia que ele era um sobrevivente de alguma guerra ou uma vítima de uma grande catástrofe.

Independentemente do porquê e de como ele foi ali parar, questões que com o tempo serão naturalmente respondidas, devemos atentar que nada acontece por acaso.

O destino é reservado para aqueles que forem escolhidos.

E este pequeno e inocente rapaz, assim como os que vieram antes e aqueles que no presente giram a roda que move o mundo, terá o seu próprio papel nesta história.

É o nosso protagonista e este é o início de uma “mentira”, a aventura em busca da verdade.

O seu nome é... Lied.

[Fim do Prólogo]


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Qualquer conceito ou moralidade religiosa utilizada nesta obra não reflete nem representa a ideologia ou os princípios morais do autor. Todas as referências têm como único intuito o proveito do potencial criativo e meramente ficcional. Qualquer semelhança com a realidade é absoluta coincidência.

Capítulo reescrito em 2020.

Por ScryzZ | 01/09/18 às 20:04 | Ação, Aventura, Fantasia, Drama, Romance, Portuguesa, Mistério