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Capítulo 01 - Humilhação

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 01 - Humilhação

Autor: Edson Fernandes | Revisão: Yamasuke, Nego

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Áudio do capítulo 1 https://www.youtube.com/watch?v=gjjtFTQv8Es&feature=youtu.be

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O céu fechava cada vez mais com nuvens escuras. Logo pequenas gotas foram molhando a terra. As pessoas corriam procurando locais para se abrigarem, barracas, comércios, casas de jogos. Outras com maior controle de seu poder cobriam os próprios corpos com energias de seus cultivos a fim de evitar molhar as roupas.

Ao fundo da cidade, chamada de Toravan, erguia-se parte do império do clã Torres. Era um entre os cinco maiores clãs do continente sul, estava entre os clãs mais respeitados da região... até um pequeno incidente ocorrer.

Rael, o filho do patriarca do clã Torres, Romeo, havia nascido com um problema físico, ele não tinha o braço direito, sem ele, Rael não podia treinar seu cultivo espiritual, tendo como único meio de se fortalecer o treinamento físico. Para treinar o cultivo era necessário usar movimentos com as duas mãos, sincronizar a mente e o corpo para manipular a energia interior dentro dos passos iniciais. Rael nunca poderia fazer isso devido seu estado físico.

Logo após seu nascimento, seu pai tentou de tudo junto a sua mãe, Elisa. Buscaram doutores, alquimistas, cultivadores com poderes curativos, nada funcionou, nenhum milagre pôde reaver o braço que Rael não tinha.

Os status da família caiu em desgraça total logo após o ano seguinte, onde a segunda criança do casal nasceu, uma menina. O patriarca queria um homem para continuar a linhagem depois de sua retirada e manter a família no poder. Ainda por cima, o sábio da montanha havia visitado o patriarca Romeo, e disse que ele só iria ter dois filho e nada mais que isso. Isso era devido a um problema vital no próprio Romeo.

Rael tinha agora dez anos e passava a maior parte do tempo treinando e exercitando seu corpo, não tinha um professor como a maioria dos garotos da sua idade. Ele mal tinha roupas pra usar, andava em farrapos, roupas rasgadas e sujas. Isso porque ninguém ligava pra ele, nem seu clã, nem seus pais. A única que ainda se importava com ele era sua irmã mais nova, Natalia, ela vivia sendo duramente repreendida cada vez que tentava se aproximar ou tentava conversar com o próprio irmão. “Qualquer um que se aproxima de lixo, vira lixo também”, é o que falavam para ela. Mesmo em oito anos, o casal teve inúmeras tentativas e não conseguiu qualquer outro filho, as palavras do sábio pareciam não estarem erradas. Isso acabou piorando ainda mais o nome do clã.

Toda vez que as pessoas viam Rael, elas fechavam a cara, mesmo que estivessem rindo, elas o viam como um miserável, um mendigo lixoso e fedorento, ao qual só de estarem perto pareciam que iam ter enjoos. Com seus pais não era diferente, não falavam uma palavra com ele, tratavam-no como se não existisse.

Rael dormia em um pequeno quarto de madeira feito do lado de dentro das muralhas do clã Torres. Os únicos que não o tratavam mal, além de sua irmã, eram os escravos, e mulheres tomadas pelo clã para serem concubinas de seus membros. Assim como ele, essas pessoas também viviam sendo abusadas e humilhadas, é claro, ninguém passava pelo que Rael passava todos os dias. Rael já tinha ouvido coisas como: “Criança amaldiçoada! Por que não some? O Patriarca devia tê-lo matado assim que nasceu”, entre outros diversos comentários desdenhosos. Rael jamais desistiu, nunca deixou de treinar ou fazer seus exercícios, sempre treinou golpes mesmo tendo apenas um braço. Ele também vivia apanhando para os garotos da mesma idade de outras famílias, os mesmos podiam usar técnicas especiais, mesmo que fossem algo bem inferior aos adultos já ajudavam a surrar e humilhar o pobre Rael.

Ninguém perguntava se ele voltava ferido ou não, os escravos, apenas faziam seu trabalho de tratar dele quando era preciso e faziam escondidos do clã para ninguém ver, se vissem seria outra briga.

Foram dez anos de sua miserável existência seguindo os mesmos dias e vendo o ódio de todos por ele. Mesmo uma criança forte não suportaria isso. Rael já não aguentava mais, as vezes ele chorava e se lamentava sobre seu destino de ser um lixo, de ser tão odiado, por culpa dele, a família Torres era conhecida por ter um filho aleijado de um braço e isso era motivo de risadas lá fora, é claro, ninguém ousava dizer nada a qualquer um da família Torres diretamente, mas lá fora, as piadas se espalhavam como vento enquanto o nome da família ia de mal a pior a cada ano que se passava.

Até que um dia, Romeo não aguentando mais forjou um plano para tirar a vida do próprio filho.

Rael foi acordado de madrugada por quatro figuras mascaradas que o puxaram de dentro da casa de madeira, ele tentou se segurar nos panos em que dormia e acabou levado-os junto. Os homens mascarados riam enquanto um deles segurava as duas pernas do garoto e o levantava, deixando ele de cabeça para baixo. Rael gritava, ele sabia que os guardas do seu clã estavam por perto, pelas muralhas. Mas, por que ninguém vinha para ajudá-lo? Ele então arregalou os olhos acordando para a dura realidade de sua vida, e se acalmou parando de gritar ou reagir, soltou os panos que seriam sua cama e ficou imóvel, seria melhor assim, se esses homens tirassem sua vida seus pais iriam ficar mais felizes e todo o clã iria parar de ser ridicularizado.

― Ele não está mais reagindo, será que perdeu a vontade de viver? ― perguntou a voz fria do homem que o segurava. Todos eles estavam usando vestes cinzas e máscaras brancas.

― Esse garoto vive como um porco, todo esse quarto fede ― disse um outro mascarado olhando dentro do pequeno quarto apertado ao lado da muralha.

O clã Torres tinha um território grande, cercado por uma muralha, no meio ficava a fortaleza principal onde a maior parte da família do patriarca morava e ao redor outras famílias de ramos inferiores, tinham também um grande pátio para treinamento e o chão era de grama macia.

― Imprestável, eu tinha coisas mais importantes a fazer e estou tendo que vir me livrar desse bosta ― disse um outro de braços cruzados.

― Levem logo esse lixo e façam como foi ordenado, mesmo que algumas pessoas escutem ninguém vai ligar ― disse um outro.

O homem soltou Rael no chão que por instinto aparou parte da queda com seu único braço, girou e conseguiu terminar de costas evitando os ferimentos na cabeça, logo foi puxado pelo ombro e colocado de pé.

― Anda, seu merda! ― disse o mesmo homem que o havia soltado.

― É melhor você não tentar nada, se fizer qualquer coisa nós te matamos ― disse outro.

Rael não pretendia reagir, ele sabia que era melhor assim para sua família e para todo o clã, ele só havia trazido desgosto e decepção a todos, mesmo que ele ficasse com raiva da forma que era tratado, de certa forma ele conseguia entender, alguém sem valor nesse mundo jamais seria respeitado.

Depois de passarem pela muralha deserta que não tinha guardas eles seguiram uma trilha por entre a densa floresta. Os homens não paravam de rir e dizer que agora talvez o clã Torres poderia se reerguer, alguns dos homens até diziam que deveriam fazer o mesmo com Natalia. Rael começou a achar estranho que aqueles homens pareciam preocupados com o clã dele, porém com dez anos sua sagacidade não era afiada como a de um adulto. A única coisa que veio a mente dele foi sua irmã, uma garota de cabelos castanhos quase escuros, ela era a única que chegou a sorrir para ele nas poucas vezes que conversaram.

Depois de duas horas andando eles pareceram chegar onde queriam, se tratava da beirada de um penhasco.

― Acho que não precisamos mais usar essas máscaras ― disse um dos homens e a retirou.

Rael o reconheceu de vista, era um dos guardas da muralha, seu nome era Reges. Aquilo deixou Rael confuso, até ele ver todos os outros retirando as máscaras e perceber que todos também eram guardas.

― Por que está nos olhando assim seu merda? ― perguntou um dos outros guardas encarando Rael com desdém.

Rael os olhava de olhos arregalados, ele esperava ser odiado, mas jamais pensou que seu próprio clã pudesse querer tirar sua vida. Aquilo mudou tudo dentro dele, fazendo seus poucos sentimentos de compreensão serem jogados fora. Rael se sentiu estranho, tudo parecia embolar por dentro. Sentiu como se fosse vomitar, mesmo que hoje ele não tivesse jantado. Como houve uma reunião de noite no clã, não deixaram Rael entrar nem para comer os restos, como de costume.

― Sabe quem deu a ordem para tirar sua vida? Foram seus próprios pais! ― disse Reges e aplicou um soco no estômago de Rael, o fazendo cair de joelhos no chão, quase sem conseguir respirar e com as mãos no estômago, todos os guardas riram. Obviamente uma criança não aguentaria a mão de um adulto, mesmo que seu corpo fosse um pouco resistente.

Rael não queria assumir aquele sentimento que vinha tendo há alguns anos, raiva. Ele sempre evitou pensar assim, mas, ao ouvir que foram seus próprios pais que decidiram arquitetar aquele plano, ele não se controlou, lágrimas surgiram em seus olhos, não eram lágrimas de dor como pensaram os guardas, eram lágrimas de ódio.

― Ele está chorando, vejam, que patético, não aguenta nem um simples soco ― disse um dos guardas. Todos os guardas riram novamente.

Rael sabia de sua situação, mas tudo o que pôde fazer foi chorar, chorar de raiva por não poder fazer nada, se naquele momento ele pudesse, ele com certeza destruiria tudo. Sua família, seu clã, e qualquer outro que abusasse de pessoas como ele, ele iria reescrever completamente a história nem que para isso tivesse que se tornar um monstro.

― Já chega, vamos logo com isso ― disse Reges.

Ele se adiantou, segurou Rael pela cabeça com força, girou ele para encarar seu destino,  um terreno de pedras, terra e poucas árvores, e uma queda com mais de cem metros. O coração de Rael batia acelerado sabendo o que estava prestes a acontecer e naquele momento ele entendeu que não valia a pena perder sua vida para um clã tão maligno. Mas que força ele teria para lutar? Mesmo que ele quisesse jamais poderia evitar aquilo.

― Uma queda dessas vai matá-lo? ― perguntou um outro guarda.

― Ele não tem qualquer poder, até uma queda de vinte metros já poderia matá-lo, mas vou garantir que ele morra, isso é mais que o suficiente ― disse Reges.

Rael sentiu suas costas serem rasgadas, uma dor absurda passou por entre seus ossos, suas roupas logo foram molhadas com seu sangue enquanto Reges girava a lâmina da adaga causando um ferimento maior. O coração de Rael aos poucos começou a desacelerar enquanto ele era largado e empurrado para frente. Rael sentia a intensa dor e foi perdendo os sentidos, enquanto seu corpo voava no ar de encontro às rochas.


O espírito de um ser celestial estava passeando nas redondezas olhando as monótonas vidas das grandes famílias e dos seus miseráveis escravos quando captou a forte vibração dos sentimentos de Rael. Um sorriso de ponta a ponta cresceu em seus lábios enquanto ele voava como um raio para o local.

― Finalmente, algo interessante, hahahahaha! ― o espírito não poderia deixar de rir enquanto cruzava os céus indo de encontro ao corpo do garoto.

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Capítulo em audio> https://www.youtube.com/watch?v=gjjtFTQv8Es&feature=youtu.be


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Por Lord Letal | 28/11/17 às 21:52 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama, +18