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Capitulo 113 - Curando Laís

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capitulo 113 - Curando Laís

Tradução: Lord Letal | Revisão: Nego

Valda ficou trêmula com aquela notícia. Rael não parecia com um médico, mas ele era um jovem mestre de um clã importante, então ele definitivamente não estaria mentindo. O que ela não entendia era o que ele ganharia com isso. Por que ele estava querendo ajudar sua filha? Ela não acreditava que era por um mero estudo. As pessoas nesse mundo não ajudavam as outras simplesmente de graça. Sempre havia algo por trás: seja uma busca de status, uma ambição por poder, por dinheiro, por amor...

― Jovem mestre, eu sou uma mulher pobre, nossa família trabalha muito, mas infelizmente nossas condições não são boas. Se você puder mesmo curar minha filha eu o recompensarei, mesmo que tenha que vender essa casa. Ou se você tiver outro pedido que eu possa cumprir eu com certeza aceitarei. ― disse Valda, tentando controlar o nervosismo. Ela podia sentir que Rael iria mesmo poder curar sua filha.

― Senhora, eu não espero por nenhuma recompensa da parte de vocês. Para curá-la eu só peço uma coisa: Eu preciso que retire sua filha da cama. Ela deve ficar apenas em roupas intimas, calcinha e sutiã, e deve ser deitada no chão fora da cama. A senhora pode fazer isso? ― perguntou Rael.

                Valda ficou um tempo estudando o pedido estranho de Rael, mas como ele continuava sério esperando sua resposta, então não poderia estar mentindo. Como mãe ela não queria despir a filha a esse ponto e deitá-la sobre um chão gelado, mas se era preciso para curá-la, então ela o faria.

                Rael esperou a mulher preparar tudo. Ele evitava ficar olhando a todo momento, por isso as vezes ele ficava com o rosto na janela olhando pelas frestas.

― Precisa que eu faça mais alguma coisa? ― perguntou a mulher esperando. Ela tinha acabado de deitar a filha cuidadosamente de costas no chão.

― Apenas que saia do quarto e só entre quando eu chamar. ― disse Rael que não pretendia mostrar suas capacidades para qualquer um. O pedido foi bem estranho, mas ela não desconfiava de Rael, ele era casado com duas belas mulheres do clã Torres pelo que ela tinha ouvido dizer. Então por que ele faria algo de errado com uma garota doente e um corpo tão magro?

― Farei isso agora mesmo, Jovem mestre. Por favor, salve minha filha! ― ela pediu emocionada e depois saiu do quarto fechando a porta. Rael fechou as frestas da janela e se voltou para a garota. Ela estava tão magra que os ossos da costela apareciam em uma perfeita fileira, era uma cena bem triste de se ver. Rael não tinha pensado muito antes de sair de casa, mas ele teria que ficar por mais alguns dias cuidando um pouco da saúde dessa garota. Ele não podia simplesmente curar e abandonar Laís. Afinal, ele era o culpado por ela não ter mais uma irmã para apoiá-la. Pensar nisso fez travar os dentes irritado consigo mesmo.

― ‘Maldita vingança cega!’ ― ele rugiu em sua própria mente de novo. Rael respirou fundo e buscou calma para iniciar o processo que curaria a garota.

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                Rael repetiu o mesmo processo usado em Mara. O símbolo da vida banhou o corpo da garota curando todos os danos causados pelo vírus além de também removê-lo completamente. O processo demorou apenas quatro minutos e, quando Rael já estava removendo os símbolos, ela abriu os olhos. Ela ainda viu aquela agradável energia esverdeada fluindo do símbolo mágico banhando o seu frágil corpo. Foi a primeira vez após muitos anos presa na própria mente em que ela se sentiu tão bem.

                Rael concentrou sua energia e puxou toda de volta, apagando os símbolos. Ela tentou se levantar, mas fraca como estava ela não obteve êxito, apenas conseguia virar o rosto e olhar na direção de Rael, mesmo que não o visse bem.

                Rael se aproximou da janela e abriu as frestas, deixando um pouco mais de iluminação entrar. Laís chegou a fechar os olhos porque fazia anos que ela não via nenhuma luz, e aquilo chegou a doer.

― Como se sente? Consegue falar? ― perguntou Rael e se agachou próximo a ela.

― Me sinto bem, só estou fraca... Quem é você? Por que você me curou? ― perguntou ela.

― Você estava o tempo todo consciente? ― perguntou Rael.

― Sim, eu ouvi a conversa entre você e a mamãe ― disse a moça com voz fraca.

― Engula. ― disse Rael estendendo uma pílula verde: ― É uma vitamina, eu fiz especialmente pra você antes de vir. Mas terei que fazer outras melhores depois ― explicou Rael e ele mesmo levou a pílula para a boca dela. Ela obedeceu e engoliu.

                Rael pegou a garota nos braços e cuidadosamente a levou para a cama, deitando-a. Ele chegou a sentir perfeitamente os ossos das costas dela, sem mencionar o peso que ela quase não tinha. Depois, ele abriu a porta para a mãe poder entrar.

― Filha? ― perguntou Valda de olhos arregalados, ela quase chegou a cair antes de consegui chegar até a cama de sua acordada filha.

― Mãe... ― disse a garota de volta.

― Oh, meu anjinho, você acordou! Isso me deixa tão feliz! ― disse a mãe e beijou o rosto dela várias vezes, depois ela cuidadosamente abraçou o rosto da filha. Rael ficou em pé olhando elas a alguns metros.

― Você conseguiu, você disse que curaria e realmente a curou, jovem mestre. Eu, Valda Reis, serei eternamente grata ao senhor e farei qualquer coisa para pagar essa dívida! ― disse ela e abaixou a cabeça a Rael em sinal de respeito.

― Esqueça isso. Vamos ao mais importante, que é cuidar de sua filha. Eu farei uma lista de coisas que ela precisará comer e tomar. Ela precisa recuperar sua saúde o mais depressa possível. A senhora está disposta a continuar recebendo minha ajuda? ― perguntou Rael.

― Jovem mestre, eu não tenho como pagá-lo de forma adequada por tudo que o senhor deseja fazer, mas se ainda assim quer ajudar, eu aceitarei receber toda ajuda.

                Rael fez lista de vegetais, bebidas e coisas que ela deveria comer.

                Na casa só havia eles três. Valda, Laís e Rael. Eles não tinham escravos.

― Jovem mestre, eu sairei para comprar esses ingredientes, você se importaria de ficar com minha filha? ― perguntou ela preocupada. Parte do que Rael pediu ela não tinha em casa.

― Claro que não, vá em frente. Eu também terei que preparar algumas vitaminas para ela, então não tem problema. Farei companhia enquanto a senhora faz isso.

                Valda agradeceu e partiu. Rael sentou-se no chão ao lado da cama de Laís e já espalhou as ervas para iniciar o processo.

― Durante todos esses anos, eu vi pessoas tomando dinheiro dos meus pais por causa de mim. Eles cobravam simplesmente por olhar meu estado. Eu fiquei presa no próprio corpo sem poder me mover, mas o tempo inteiro eu ouvia e sentia tudo. Foi horrível... ― disse a garota em um tom triste.

                Rael não estava olhando para ela mas estava ouvindo enquanto misturava as ervas na fôrma.

― Por isso quando eu tentei analisar seu corpo você lutou contra mim. ― concluiu Rael.

― Sim. Essa era a única forma de comunicação que eu tinha, mas fraca como eu estava e com um cultivo tão baixo eu nunca pude fazer muito. ― explicou ela. Sua voz já estava melhor por causa da ultima pílula que Rael deu, ela já até conseguia mover os braços. Ela também já tinha bebido um pouco de água e tinha comido um pedaço de bolo para aliviar a fome.

― Por que está me ajudando? Eu não entendo seus motivos. ― assim como a mãe, ela também tinha duvidas que Rael não iria fazer aquilo simplesmente de graça. Ela acreditava que deveria haver um alto preço por trás.

                Rael ficou pensando em silêncio no que deveria dizer, não havia nada especial que ele pudesse inventar e mesmo a verdade, ele jamais teria coragem de contar.

― Eu apenas quero ajudar. ― disse ele sem se virar. Laís ficou parada olhando Rael sentada na cama, ela estava com as costas na parede.

― Se minha irmã estivesse aqui, ela saberia seus reais motivos só em olhar nos seus olhos, ela era muito boa em ler pessoas, sabia? Mas ouvi meus pais conversando e ela está desaparecida desde um último evento em que participou. ― explicou a garota.

― Desaparecida? ― perguntou Rael surpreso. Ele tinha certeza que ela estava morta.

― O corpo dela não foi encontrado como o dos outros. ― disse Laís. Rael continuou fazendo seu trabalho. Mas ele não entendeu porque o corpo dela não estava junto, ou se simplesmente eles preferiram passar informação errada. Isso fez Rael se lembrar da conversa de Rayger com o Elder do clã Sangnos, será que isso tinha algo a ver?

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                Valda estava voltando e encontrou chegando em seu portão um grupo de guardas. Ao vê-la, eles rapidamente foram em direção a ela...

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                Rael fez pílulas mais poderosas porque não sabia que o estado de Laís seria tão ruim. Ele tinha passado a noite de antes lendo sobre a doença dela e seus efeitos, por isso ele tinha decorado a lista de coisas que ela poderia comer e beber além das pílulas.

                Valda voltou e foi diretamente até o quarto, encontrando Rael e sua filha nas posições que havia deixado anteriormente.

― Jovem mestre, o patriarca Arthur do clã Sangnos deseja vê-lo. Ele convida você para jantar na casa dele essa noite. Os guardas estão esperando no portão, o que devo dizer? ― perguntou Valda.

                Rael pensou um pouco. No começo ele não planejava ficar muito tempo na cidade, porém ele agora queria fazer mais por Laís, pois só curá-la não seria suficiente para tampar o arrependimento criado por seu coração sobre matar a irmã dela. Se ele recusasse tal convite já não seria respeitoso com o clã da cidade e até poderia trazer algum problema a essa família. Rael poderia negar se já estivesse indo embora, porém nesse caso...

― Avise a eles que eu estarei presente. ― disse Rael de volta.

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                Neide entrou em contato mais tarde, perguntando o que Rael estava fazendo no clã Sangnos. Ele apenas respondeu que estava cuidando de problemas pessoais.

― ‘Tome cuidado genro, você já deve saber o quanto essas famílias são venenosas, não fique muito tempo ai e me avise se tiver problemas.’

― Pode deixar, eu sei me virar. ― disse Rael irritado.

― ‘Marido! Que história é essa de você estar no clã Sangnos? Como chegou ai tão rápido e porque não me chamou? Eu poderia ir com você!’ ― reclamou Mara logo em seguida, entrando na conversa depois de ouvir o que a mãe tinha dito. Agora todo mundo que tinha o anel de comunicação sabia.

― Esposa eu estou bem e não vou ficar muito tempo, talvez apenas alguns dias. Não precisa ficar preocupada. Eu volto assim que possível. ― disse Rael de volta.

― ‘Dias? Você disse que voltaria essa noite! Por que você sempre me engana?’

― Você sabe que eu tenho coisas pra resolver.

― ‘Natalia está preocupada com você e pediu pra você voltar logo.’ ― disse Mara, apelando para a prima. Ela sabia que Rael gostava mais de Natalia e ela não tinha medo de chantageá-lo com isso.

― ‘Samuel? Que tipo de problema você teve no clã Sangnos, eu posso saber? Se precisar do meu apoio posso chegar ai em uma hora!’ ― agora era Rayger falando em um tom preocupado. Rael bateu a mão no rosto e desceu lentamente percebendo que aquela conversa não teria fim. Quando ele não era marcado e não sabiam da verdade tudo era mais fácil.

― Já chega! Prestem atenção: Eu não quero ajuda, não preciso de ajuda, eu estou bem e não estou com problema nenhum com o clã Sangnos! Que estou fazendo aqui tem relação com outra coisa, vocês não precisam se preocupar. Se um problema surgir então eu aviso e peço ajuda, mas até agora não está havendo nada. Se continuarem me importunando com um milhão de perguntas eu tiro a droga do anel! Eu também não quero ver ninguém aqui vindo atrás de mim, me ouviram? ― reclamou Rael irritado.

― ‘Marido! Não faça isso! Pelo menos entre em contato uma ou outra vez para termos certeza que você está bem.’ ― disse Mara.

― Tá bom, eu vou pensar no caso. Um abraço para todos e tchau! ― disse Rael encerrando a comunicação. Valda e Laís ficaram olhando Rael curiosas.

― Família preocupada. ― explicou Rael sorrindo sem jeito.

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                A noite chegou. O senhor Ervam Reis, pai de Laís chegou. Ele ficou tão animado quanto a esposa de ver a filha despertada. Graças a vitamina de Rael e a comida especial ela já estava até podendo caminhar um pouco. Mas ela, diferente dos pais, não ficou agradecendo Rael o tempo inteiro. Ela passou cinco anos dormindo enquanto via pessoas enganando os pais dela, ela não confiava em Rael, ainda mesmo ele não tendo mostrado qualquer problema.

Não demorou muito para cinco guardas virem buscar Rael pessoalmente para o tal jantar. Rael, que também estava curioso para conhecer os importantes membros do clã Sangnos partiu os acompanhando, mas ele disse ao casal que voltaria assim que pudesse e os mesmos responderam que as portas sempre estariam abertas para ele. Depois do que ele fez os pais de Laís estavam muito agradecidos. Eles estavam até analisando o tanto de dinheiro que poderia dar a Rael antes dele ir embora.

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                O território do clã ficava ao fundo, isso era estratégia básica de qualquer formação de clã em cidades, eles jamais ficariam em um ponto de fácil acesso por qualquer direção. O clã Sangnos tinha um longo território, mesmo não sendo maior que o clã Torres.

                A mansão do patriarca de paredes vermelhas ficava encostada a parede do fundo do clã ao norte, diferente do clã Torres que ficava no centro.

                Rael seguiu com os guardas e reparou que a segurança do lugar era formidável, os guardas estavam muito bem espalhados pela muralha e havia muitos deles. As casas de dentro do território eram mais ricas que as da cidade de fora. Quem vivia dentro do território do clã obviamente tinha muito mais ganhos e vantagens.

                À frente da mansão, Rael foi recebido por uma belíssima jovem morena muito bem arrumada, com um lindo vestido de cor prateada curto que deixava as belas pernas dela completamente expostas. A jovem de cabelos longos escuros tinha um sorriso cativante e seu perfume era tão bom que fazia Rael querer chegar mais perto para cheirar melhor. Os cabelos dela estavam molhados de quem tinha acabado de sair do banho. Ela parecia ter apenas uns dezoito anos, Rael duvidou que ela tivesse apenas aquela idade. O cultivo dela já estava no sexto reino nível cinco.

― Eu sou Sofia, filha do elder Ariel, é um grande prazer conhecê-lo, jovem mestre Samuel.

― Oh, obrigado. ― disse Rael bem surpreso. A mulher a frente era bem requintada e até o som de sua voz era bonito, assim como a forma de falar que mostrava grandeza. O que mais chamava atenção eram as perfeitas pernas dela naquele vestido apertado, Rael não cansava de ficar olhando, sem mencionar os lindos olhos escuros que ela tinha. Ele tentava evitar olhar demais devido ao pedido de Mara, mas na cabeça dele tinha uma questão antes ensinada por Rita: Aventura.

― Por favor, queira me acompanhar. ― pediu ela sorrindo enquanto estendia a mão a frente. Os guardas atrás desejaram um bom jantar ao dois e se afastaram. Rael passou a seguir a jovem que o conduzia por dentro do lugar.

Por Lord Letal | 29/11/17 às 17:31 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama, +18