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Capítulo 21 - Batalha no Acampamento

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 21 - Batalha no Acampamento

Tradução: Lord Letal | Revisão: Yamasuke, Nego

As últimas bestas que haviam ficado finalmente foram mortas. Alguns poucos homens haviam tido alguns ferimentos, desde leves até um pouco mais sérios, devido o grande número de bestas que havia atacado. Mesmo que elas não eram tão fortes, os números ajudaram.

O que eles ainda não sabiam é que metade de seus companheiros haviam sido mortos por Rael no meio do caos mais cedo, e mesmo os três, a pouco enviados, sumiram completamente, ninguém mais conseguia sentir a aura deles.

                O líder deles estava pensativo, ele havia escolhido um local bem longe do império ou até mesmo de clãs fortes para não chamar atenção. Sua ideia era coletar apenas esses caçadores ou nômades que cruzassem seu caminho.

Depois de torná-los escravos, ele daria uma ordem para nunca falarem sobre isso a ninguém, e os venderia passando seu comando ao comprador, mas aquela ordem permaneceria até que ele morresse e ninguém jamais descobriria que alguém está fazendo tráfico de escravos.

                O ataque das bestas, o sumiço de seus homens. Tudo era bem estranho, porque ninguém era capaz de controlar bestas, mas foi o que pareceu.

O líder não sabia o que pensar além do pior caso. Eles foram descobertos. Mas por que ele não sentia a energia de outros cultivadores? A pouco sentiu apenas uma fraca energia de um segundo reino e esse não poderia ter sido alguém capaz de matar três cultivadores do quarto reino.

― Prepare as barracas, junte os homens, iremos partir ― disse o líder para o homem do lado, ele não teve nenhuma ideia melhor a não ser pensar em recuar, então ordenou ao seu capitão que comandava os homens depois dele.

― Senhor, e os outros? Eles ainda não voltaram ― perguntou o capitão.

― Já devem estar mortos a essa altura, eu não consigo sentir a energia de nenhum deles, por acaso você consegue? ― perguntou o líder mantendo a calma.

― Não senhor ― respondeu o capitão sem pensar muito.

― Junte os homens, os presos e vamos partir imediatamente ― disse ele se virando para entrar na sua barraca.

Foi nesse momento que uma coisa parecida com uma pedra voou e caiu próximo a quatro homens que estavam distraídos conversando. Tudo naquela área se escureceu.

O capitão e o líder ficaram olhando confusos e escutaram alguns gritos. Do meio da escuridão um de seus homens conseguiu sair, fugindo assustado, mas não demorou muito para desabar para frente caindo de cara no chão, tinha um buraco no seu peito onde escorria uma cachoeira de sangue.

                Quando os segundos de escuridão chegaram ao fim, Rael estava em pé segurando pelos cabelos a cabeça de outro homem decapitado, os outros dois estavam mortos, tudo aconteceu em segundos.

Aquela cena chocou a todos presentes, porque Rael estava apenas no reino dois, como poderia matar quatro cultivadores do terceiro reino tão fácil? Ainda por cima, Rael estava sorrindo, sua técnica Punhos de Pedra ainda estava ativa.

                Naquele momento Rael chamou toda a atenção, até mesmo dos presos que haviam sido empurrados para fora da barraca, cerca de uns dez homens.

― Olá senhores bandidos. Vocês poderiam forma uma fila para que eu possa tirar a vida de vocês facilmente? O resultado já está decidido, então eu queria evitar um pouco de trabalho. Prometo a vocês dar uma morte rápida se me obedecerem ― disse Rael sorrindo, enquanto soltava a cabeça decapitada no chão.

                Todos em volta ficaram sem saber o que dizer, nem o que pensar. Rael era do segundo reino e havia matado quatro homens muito facilmente, mesmo se considerar que ele usou uma bolsa da escuridão, ainda era um milagre um resultado como aquele.

                O líder e o capitão lançaram seus sentidos em volta várias vezes, porque não podiam acreditar naquele tipo de resultado, era impossível. Rael não estava usando nem sequer a Técnica Visão Iluminada, então como ele matou aqueles homens sem isso? Ou será que ele havia desativado antes que eles percebessem? Havia tantas dúvidas em seus corações que eles não sabiam o que pensar. Mas todos sem exceção ouviram a pouco as palavras arrogantes de Rael pedindo que formassem uma fila para a morte.

― Eu vou é matar você, seu merda! ― um dos bandidos pareceu acordar.

Ele era do quarto reino nível dois. Enquanto corria tirou um machado do bracelete e o levantou no ar enquanto soltava aura pelo corpo.

Quando ele alcançou Rael, desceu seu machado contra sua cabeça. Rael recuou meio passo e cerrou o punho socando a lâmina com a própria mão direita.

Braaash!

Todos puderam ouvir um forte barulho de aço batendo contra aço. A lâmina do machado se quebrou em pedaços. O resto do que sobrou da luva de Rael rasgou-se, deixando amostra sua mão azul.

A força do impacto fez o homem perder o equilíbrio momentaneamente, mas antes de se recuperar recebeu um soco de rocha na cara que o fez mergulhar de lado por uns dois metros e cair pelo chão de poeira se arrastando.

Depois disso ele não se levantou mais, ficou ali com todo seu rosto molhando a terra com sangue, enquanto seu corpo se tremia um pouco.

― ‘Finalmente nível dez!’ ― pensou Rael animado. Agora estava a um passo do quarto reino.

                Aquela cena fez o coração de todos entrar em terror, porque agora Rael não usou truque algum além da própria habilidade corporal e técnicas para acabar com seu inimigo. Quando ele parou de tremer, deu a entender a todos que agora havia acabado de morrer, com apenas uma troca de golpes.

― O que estão esperando, vocês não vão vir? Se não vem, então eu vou ― Rael avançou alguns passos na direção deles.

Todos viam a mão azul de Rael e não sabiam o que era aquilo. Em vez de alguém gritar e avançar contra Rael estavam recuando, aquilo estava mesmo acontecendo? Dezenas de homens recuando de um segundo reino? Quem não visse aquela cena, com certeza não acreditaria mesmo se um grupo inteiro contasse.

― Espere jovem mestre! Quem é exatamente você, e porque está nos atacando? ― perguntou o líder fazendo Rael parar e olhar para o fundo, onde ele estava.

― Estou atacando porque quero matar vocês ― disse Rael sem cerimônia.

― Será que você não está aqui pelos nossos reféns? ― perguntou o líder, inconformado com aquela resposta.

Rael não parecia ser o tipo que mataria por matar, ele tinha uma expressão calma demais. Geralmente assassinos cruéis não são daquele jeito, sempre existe uma brecha no olhar ou algum tipo de malícia.

― Reféns? Não, eu não quero, quero apenas vocês ― explicou Rael sem rodeio mais uma vez.

― E nos matar por matar rende a você algum benefício? Eu não entendo, alguém com seus talentos poderia ser muito bem pago se trabalhasse para mim ― disse o líder.

― Trabalhar pra você? Eu não tenho que responder nenhuma das duas questões para futuros defuntos ― disse Rael e avançou correndo contra os homens mais próximos.

Todos os homens que viram, e ouviram tudo, se levantaram e saíram correndo para qualquer direção longe de Rael. Rael não parecia ser assustador, mas o fato dele matar sorrindo, ameaçar todos e matar um cultivador no quarto reino com um golpe, tinha quebrado a coragem de todos naquele momento. Isso sem mencionar o fato que ele decepou um homem e ainda exibiu  a cabeça.

― Seus covardes! ― rugiu o capitão e balançou um chicote elétrico acertando o homem mais próximo que estava fugindo.

Os raios do chicote rasgaram a carne das costas e ainda fez o cultivador entrar em combustão, ele correu e depois caiu grunhindo miseravelmente.

― Aqueles que correrem, morrerão pelas minhas mãos! Isso é uma vergonha! Um bando de homens como vocês correndo de um mero segundo reino! ― o capitão rugiu de novo.

Os homens que estavam fugindo pararam e se voltaram a Rael. Foi aí que outra bolsa voou e tudo naquele pedaço se escureceu. Os que não foram idiota conseguiram escapar a tempo correndo para as beiradas, alguns outros não tiveram tempo ou não tiveram sorte.

Quando a escuridão passou, mais sete homens estavam mortos pelo chão. Rael estava furioso, ele julgava que agora passaria de nível, mas lá estava ele ainda no mesmo nível. Embora ele sentisse sua energia aumentando e aumentando, ainda sim não rompia o gargalo.

                Os homens cercaram Rael, eles preferiam morrer tentando matar Rael, do que morrer dolorosamente nas mãos de seu capitão. E aproveitando que a escuridão havia passado essa era a hora perfeita de atacar.

Cerca de oito homens armados cercaram Rael, todos dentro do terceiro e quarto reino. Os homens não estavam brincando, estavam com suas melhores técnicas ativadas e suas melhores armas.

Rael estava os matando sem nenhuma chance, usando o fator da escuridão ou não, algo como aquilo já passava e muito de algo normal.

― Todos ataquem! ― gritou um deles avançando.

Os outros gritaram partindo junto. Rael podia usar outra bolsa, mas queria saber como estava seu limite e por isso começou a recuar, tentando manter uma luta contra esses usando apenas seu poder normal e sua técnica.

― Aquele homem está mesmo apenas no segundo reino? ― o capitão perguntou para o seu líder do lado. Ele ainda segurava o chicote elétrico que agora estava deitado no chão.

― Eu nunca vi alguém como ele antes, mas não acredito que esteja apenas no segundo reino, é impossível ter essa força e ser mais forte que nossos homens ― disse o líder.

― Verdade ― concordou o capitão. ― então eu mesmo devo lidar com isso ― disse o capitão avançando para frente carregando seu chicote.

                Rael não estava tendo um bom resultado, os ataques vinham de todas as direções e de várias formas, ele mal conseguia se defender, embora estivesse mais forte que antes ainda se sentiu na mesma situação de quando lutou contra os membros do clã Asura.

                Os homens atacando em bando perceberam que havia uma chance e aumentaram mais ainda os ataques fazendo Rael recuar cada vez mais. Não tendo outra forma de reagir Rael atirou a última bolsa de escuridão. Os homens recuaram o mais rápido possível do local, para não virarem novas vítimas. Apenas um morreu na mão de Rael.

― Se afastem, eu mesmo cuido dele ― disse o capitão que havia acabado de se aproximar enquanto segurava seu chicote elétrico. Todos os homens obedeceram sem pestanejar.

                Rael saiu da escuridão com a mão azul coberta em sangue que escorria pelos seus dedos. Rael estava mesmo furioso, mais um quarto reino morto e nada, nada de passar de nível.

― Eu sou Russel de Brindar, sou aquele que irá tirar sua vida. Agora diga o seu nome ― disse o capitão.

― Eu não vou me apresentar para futuros defuntos ― disse Rael de volta.

Rael sabia que esse homem a frente estava no quinto reino, mesmo que ainda fosse nível um já seria um empecilho.

― Então você morrerá sem um nome! ― rugiu o homem e lançou seu chicote na direção de Rael.

Rael não esperava que aquela coisa movesse tão depressa e quase foi atingido, teve que se jogar para o lado o mais rápido que pôde.

Quando o chicote atingiu o chão, soltou faíscas de raios azuis para os lados e abriu uma pequena fenda na terra, um monte de poeira subiu em volta. Tão rápido quanto ele atacou com o chicote elétrico azul, ele voltou para trás e o lançou novamente contra Rael.

Rael mal estava se recuperando da esquiva já viu o chicote vindo outra vez, então ele estendeu o braço direito para defender. Russel abriu um sorriso vendo essa cena.

A ponta do chicote enrolou o braço de Rael queimando as mangas da roupa e descobrindo todo o braço azul. Russel não entendeu como o braço de Rael resistiu a seu ataque, mas não ficou viajando de surpresa, ele rapidamente puxou Rael o arremessando para trás por cima de si mesmo.

                Preso pelo chicote, o corpo de Rael voou pelo ar e chocou-se contra uma rocha conforme Russel quis. Após Rael bater contra a rocha, o chicote se soltou e voltou para a mão de Russel.

                Rael dessa vez se feriu sem meios de defender e não teve a menor chance. Todo o seu corpo sofreu uma tensa descarga elétrica que ainda parecia queimar até os ossos, até mesmo o braço direito estava doendo agora. Rael só naquele momento percebeu que um inimigo no quinto reino era deveras perigoso.

                Rael se levantou com o corpo um pouco trêmulo e doído, não só pelas pancadas, mas também pelo recente choque. Todos em volta sabiam que uma vez acertado por aquele chicote era morte instantânea, mas Rael estava se levantando, embora sua cara não fosse muito boa.

― Ainda de pé? Tenho que parabenizá-lo, você é o primeiro que sobreviveu depois de um ataque direto ― Todos podiam ver o braço e mão azul de Rael agora, não podiam mais achar que aquilo era algum equipamento, aquilo era uma anomalia no corpo de Rael.

                Rael precisava aumentar sua velocidade se quisesse ter alguma chance contra aquilo, então ele usou seu penúltimo recurso.

― Técnica Movimento de Terra! ― Rael fez a mesma posição usada por Sergio, curvando levemente o pé direito.

Uma aura amarela cobriu o corpo de Rael. Depois disso ele explodiu em velocidade na direção de Russel.

                Russel atirou o chicote de um lado a outro enquanto Rael se aproximava esquivando e as vezes até pulando por cima do chicote que passava raspando por suas pernas.

Chegando em Russel, Rael aplicou seu soco mais forte contra o peito dele. Russel foi pego de surpresa pelo aumento estrondoso de velocidade e força de Rael, então foi jogado quatro metros para trás.

― Isso é tudo? ― perguntou Russel quando conseguiu parar em pé.

Seu peito queimava apenas um pouco, quando comparado a velocidade ganha de Rael ele acreditou que receberia algum dano, mas não foi nada surpreendente.

Rael ficou ali com a mão direita tremendo, porque a sensação que ele teve foi de bater contra aço em vez de bater em uma pessoa.

O quinto reino tem como principal efeito em um cultivador o aumento de sua resistência, deixando o cultivador muito mais poderoso fisicamente. Para Rael, que não estava nem sequer no quarto reino, era quase impossível ter alguma chance contra alguém do quinto.

― Agora morra! ― Russel voltou a atacar com o chicote de um lado a outro.

Rael não conseguiu desviar de tudo e foi acertado no braço, foi jogado dois metros para trás e caiu se arrastando. Pela primeira vez seu braço direito estava machucado, o local atingido abriu uma ferida que começou a escorrer sangue. O braço que era quase indestrutível não estava dando conta do chicote elétrico.

― Você é mesmo insistente! ― rugiu Russel e girou o chicote mais uma vez.

Todos os homens e seu líder estavam aliviados. Finalmente Rael ia ser morto e aquele pesadelo ia acabar.

                Rael se concentrou se preparando para chamar Ralf, ele era seu último recurso, quando de repente perdeu todo o controle de seu poder. Sua aura amarela desapareceu cancelando a técnica de movimento e seu punho esquerdo normalizou, as duas técnicas foram desativadas sem Rael querer.

― Essa não ― disse Rael consigo mesmo, quando viu o chicote vindo contra seu peito.

 

                Mara estava saindo de seu quarto alugado quando encontrou um escravo que estava à sua espera.

― Fale ― ordenou ela.

― Jovem mestra, eu tenho uma carta de seu pai ― o escravo manteve a cabeça baixa e estendeu a mão entregando o rolo com fita.

Mara desatou o rolo, furou o próprio dedo com uma agulha e pingou na carta branca. O conteúdo logo surgiu.

― ‘Volte imediatamente para casa filha, em dois dias mais um ritual estará pronto. Espero você. Assinado Rayger Raleon’ ― Mara sorriu.

Ela não tinha notícias de Rael, mas pelo menos outro ritual estava sendo preparado, o que garantia que ela ia ficar ainda mais poderosa.

Por Lord Letal | 28/11/17 às 22:29 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama