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Capítulo 24 - A Ordem de Violeta

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 24 - A Ordem de Violeta

Tradução: Lord Letal | Revisão: Yamasuke, Nego

Os lábios delicados da jovem a frente não se moveram, mesmo assim Rael ouviu claramente em seus pensamentos ela dizer que seria Rose.

― Princesa Rose, você fez um contrato com essa jovem? ― perguntou Rael normalmente de volta, ainda confuso.

Era mais fácil acreditar em um contrato, do que pensar que a mulher a frente era a unicórnio que ele havia salvado.

                A jovem a frente usava um vestido azul de festa que seguia dos ombros até a altura do joelho. Nas pernas usava meias longas escuras, e nos pés um par de botas sem salto. Nas mãos ela usava um par de luvas de couro escura que cobriam todo o antebraço.

― ‘Não é um contrato, eu sou a...’ ― ela disse em pensamentos e então abriu a boca em seguida: ― Ro-se ― A voz dela era bonita, mas continha um certo esforço, como se cada palavra pesasse uma tonelada.

― Você é a princesa Rose? Como? ― Rael perguntou de volta, agora começando a acreditar nessa nova possibilidade.

― ‘Não precisa mais me chamar de princesa, não temos mais esse direito uma vez que abandonamos nossa antiga espécie. Estamos evoluindo, foi preciso para poder manter a nossa linhagem celestial’ ― explicou ela mentalmente.

― Uau! Eu não entendo porque você virou humana, mas ficou linda ― disse Rael abrindo um sorriso.

O que era verdade. Rose parada parecia uma escultura perfeita, ela mal se movia até mesmo para respirar. Mesmo assim era linda. Ela era como uma princesa tirada de um sonho.

―‘Obrigada pelo elogio’ ― respondeu ela mentalmente parecendo feliz, mas sua expressão não mudou, seus lábios continuaram numa linha reta, ela continuava aparentando estar apenas séria.

― Bom então o que você quer comigo? Você virou humana e veio atrás de mim certo? ― perguntou Rael indo direto ao que importava.

― ‘Você foi a primeira pessoa humana a me tratar bem, então vim recorrer a você para me ajudar a aprender o que é ser humana’ ― disse Rose mentalmente.

― Aprender a ser humana? Eu não entendo o que isso quer dizer ― perguntou Rael confuso.

― ‘Você me ensinará os costumes humanos e me guiará a partir de agora’ ― disse ela.

― Eu não sei o que devo ensinar a você, nem do que você está falando. Você já é humana eu acho ― disse Rael perdido.

― ‘Já tive muitos problemas com esse corpo. Violeta me ensinou a comer, a dormir e outras coisas que não quero mencionar. Ser humana não é uma tarefa fácil, na minha outra forma eu não sentia nenhuma dessas necessidades estranhas.’― explicou Rose.

Rael ficou por um tempo de boca aberta.

― Isso é o funcionamento comum do corpo humano ― disse Rael depois com uma cara meio sem jeito.

― ‘Isso eu já entendi, Violeta me ajudou nessas primeiras etapas’ ― disse ela.

― Você conheceu Violeta? Como?

― ‘Quando me conectei com você, eu e você nos tornamos um, então seus pensamentos e suas memórias foram compartilhadas comigo, ai eu e minha mãe fizemos uma visita a ela.’

― Então depois você simplesmente decidiu vir me procurar? Você não podia ter ficado com Violeta? Ela é mulher e pode te ensinar muito mais do que eu. Eu não entendo tudo ainda do corpo humano feminino ― disse Rael ficando sério.

― ‘Eu já sei que preciso comer, beber, e fazer aquelas outras duas coisas nojentas quando me dão vontade, sei também que preciso dormir.’

― Certo, mas por que você não ficou com Violeta?

― ‘Porque você é o meu futuro macho, eu tenho que ficar ao seu lado.’ ― disse ela.

― Eu? Eu sou o que? ― Rael não entendeu nada do que Rose tentou dizer.

― ‘Eu e minha mãe decidimos que você será nosso novo macho dessa nova espécie’ ― explicou Rose.

― E o que isso significa?

― ‘Significa que nós devemos ficar juntos’ ― disse Rose de volta.

― Eu não sei o que você quer dizer, mas eu tenho uma vingança em mente para cumprir e não vou ter tempo pra você, pra ficar sei lá, explicando sobre corpo ou tentando ser seu macho. Desculpe, quando você estava em perigo eu te salvei porque era a coisa certa a fazer, mas agora você não está em perigo, você não precisa de mim.

― ‘Eu preciso de você. Você é o único que pode me guiar e isso já foi decidido’ ― disse ela de volta.

Rose sempre mantinha aquela expressão séria sem sentimentos.

― Rose você não entende, eu estou sempre me colocando em perigo, tenho pessoas que quero matar, e ficar comigo será perigoso para você ― disse Rael de volta.

― ‘Eu não tenho medo e não ligo. Até vou te ajudar’ ― disse ela de volta.

― E se acontecer alguma coisa a você? Como fica sua espécie? Eu não sei ainda o que você quer comigo, mas isso está errado ― disse Rael, sem saber mais o que dizer.

― ‘Não está errado, você ouviu muito bem, eu preciso de você’ ― insistiu ela.

                Rael invocou Ralf, ele não ia ficar discutindo isso com Rose. Quando Ralf surgiu ele chegou perto de Rose e ficou cheirando ela. Depois soltou um grunhido animado reconhecendo-a. Os dois subiram em Ralf e partiram.

                Duas horas depois os dois estavam entrando na sala de Violeta. Rael dessa vez não só encontrou Violeta como Rika em sua nova forma humana.

― Já está aqui novamente Rael? ― perguntou Violeta tentando parecer surpresa, mas ela não estava.

Rael estava com uma expressão irritada.

― Você pode me dizer o que significa tudo isso? ― perguntou Rael de volta.

Rose estava do lado de Rael, enquanto Rika sentada na cadeira.

                A beleza da mãe e filha eram inegáveis.

Enquanto a filha tinha uma aparência graciosa e delicada, a mãe tinha uma aparência de pureza e um ar de imperador, um tipo de beleza forte e avassaladora. Seus peitos eram bem avantajados, diferentes da filha que ainda aparentavam estar em crescimento.

A mãe tinha três sinais brancos na testa em vez de um, enquanto era também um pouco mais alta e continha um corpo obviamente mais desenvolvido. Isso era um fato que Rael não entendia. Porque Rose já tinha mais de 125 anos e parecia uma garotinha de quinze anos como humana.

― Do que você está reclamando Rael? ― perguntou Violeta confusa de volta.

― Você me mandou ela? Você quer que eu tome de conta dessa mulher? ― perguntou Rael olhando de lado para Rose.

― É claro, qual é o problema? ― perguntou Violeta de volta.

― O problema? ― Rael pareceu ficar ainda mais irritado com o fato de que Violeta havia concordado com isso. ― Violeta você sabe os riscos que vivo correndo! Se ela ficar comigo, isso não vai ser bom! ― reclamou.

― Mais um motivo pra você pegar leve Rael, ainda não está na hora de você atacar ― disse Violeta.

― Então você ta fazendo isso para eu pensar duas vezes antes de me colocar em perigo, não é? Foi a mesma coisa que fez me dando uma família! Que droga Violeta! Você tá sempre tentando evitar que eu cumpra meus objetivos! ― reclamou Rael furioso.

Agora, ele começava a entender um pouco sobre as ações de sua mestra.

― Ao contrário, estou tentando manter você vivo. Você não conhece o nível de seus inimigos, você não sabe nada do mundo real. Quando eu imponho essas responsabilidades sobre você, é para te proteger e não deixar você solto como uma fera alucinada. Desde o começo eu disse para você proteger sua família de mentira e tratar bem. Isso na verdade era um método que eu usei pra deixar você na linha ― disse Violeta.

Ela subiu e sentou-se na mesa e cruzando as pernas.

― E a droga da minha vingança? ― perguntou Rael de volta indignado.

― Para pra pensar Rael. Se uma mera mulher do clã Torres de quase vinte anos está no quarto reino, como você acha que os elders dele estão? Nesses dias você veio reclamando que mal estava dando conta de pessoas do quarto reino e todo aquele blábláblá de ser fraco, ou será que estou enganada? ― perguntou Violeta de volta.

― Ai, por isso, você vai me cerca de razões para não lutar? ― perguntou Rael furioso de volta, ele agora entendia tudo e Violeta ainda estava assumindo.

― Eu sou sua mestra! Então mostre mais respeito quando falar comigo! Isso é uma ordem, você vai cuidar da sua mais nova amiga e eu não vou falar de novo ― disse Violeta ficando extremamente séria.

Rael sentiu que não podia mais reclamar quando chegava aquele ponto, então sua última saída foi recorrer a Rika.

― Senhora Rika, você não pode deixar sua filha comigo, ela vai correr o mesmo perigo de quando estava nas mãos daqueles homens, é isso que você quer? ― perguntou Rael olhando a bela mulher sentada.

― ‘Desde que ela esteja com você, tenho certeza que a manterá segura, eu confio nas suas ações’ ― disse Rika de volta em pensamentos, e todos ali presentes puderam ouvir.

Mãe e filha mantinham a mesma aparência sem sentimentos. Um olhar sério e lábios cerrados.

                Rael abaixou a cabeça desanimado. Ele não entendia porque queriam Rose com ele.

― Rael você não precisa ficar assim, isso é para o seu bem ― disse Violeta.

― Você não entende, minha prima Mara, não aceita nem mesmo Rita perto de mim, que é minha suposta irmã, o que acha que ela vai fazer sobre Rose que ela nem conhece? ― perguntou Rael de volta.

― Então faça ela aceitar, você é o homem no relacionamento ― disse Violeta de volta.

― E como acha que vou fazer isso? Ela é como uma cobra.

― Toda mulher tem um ponto fraco, descubra e use ― disse Violeta.

― E como eu vou explicar isso a minha falsa família?

― Isso é muito fácil ― Violeta saiu da mesa e mirou em um espaço vazio na sala, fazendo surgir uma cama de casal. ― Basta dizer que Rose é sua futura noiva e não terá problema ― disse ela.

― Ta de brincadeira? ― perguntou Rael de boca aberta.

― Não, eu não estou, você vai fazer exatamente o que estou mandando ― disse Violeta.

― Isso não tem cabimento, eu nunca falei nada sobre uma suposta noiva e do nada vou chegar com uma? ― perguntou Rael nervoso, até ele sabia que aquilo era demais.

― Eles vão aceitar não se preocupe. Diga que ela é uma discípula minha e já estava destinada a você como uma promessa. Você pode inventar o que quiser sobre isso.

― Eu to mais preocupado é com Mara. Ela não vai gostar de saber sobre Rose.

― Isso já foi decidido então você não tem escolha ― disse Violeta fazendo uma pausa e prosseguiu. ― E parabéns pelo seu quarto reino. Mas acho bom você não continuar sua evolução matando por enquanto. Depois de uma quantidade de energia recebida o corpo para de evoluir por um tempo até se acostumar, depois você voltará a ganhar energia matando novamente ― explicou ela.

Rael estava tão furioso que quase se esqueceu de perguntar esse pequeno detalhe, então irritado, ele apenas fingiu não se importa.

Ele se virou e apontou para a cama de casal, fez ela sumir entrando em seu bracelete. Então ele olhou mais uma vez para Rose. Ele não estava com raiva por não querer uma bela mulher como aquela com ele, ele estava irritado porque isso ia atrapalhar seus planos com Mara e ainda, acrescentar mais uma pessoa na lista de preocupações. O que era o perfeito plano de Violeta que só agora ele sabia.

― Que seja, mas se algo fugir do controle vocês não podem me culpar, eu avisei ― disse Rael se virando irritado.

Rose o seguiu. Ele estava tão furioso que nem se despediu de Rika nem de Violeta. As duas ficarem em silêncio vendo Rael e Rose partirem.

                Rael e Rose pararam na parte do canto do salão cheio de bestas divinas. As bestas não estranhavam Rose, porque já a conheciam. Como estava muito tarde para voltar para casa agora Rael fez um colchão surgir e depois uma coberta grossa.

― Você dorme no colchão e eu na coberta, não tenho nada melhor que isso por enquanto ― disse Rael.

Rose obedeceu se deitando no colchão e ambos ficaram deitados de frente um para o outro.

― ‘Rael você está com raiva de mim?’ ― perguntou Rose preocupada, embora sua expressão não continha nenhuma indiferença.

― Não, eu não estou. Sua própria mãe e minha mestra me obrigaram a isso, então você não é culpada no fim das contas ― disse Rael olhando para ela de volta pensativo.

― ‘Então, o que eu sou pra você de verdade?’ ― perguntou Rose se ajeitando e apoiando uma de suas delicadas mãos por baixo da cabeça.

― Nós já éramos amigos antes, então acho que agora você é minha concubina ― disse Rael sem pensar muito se lembrando de Janete.

― ‘Concubina é algo importante?’ ― perguntou Rose que não fazia ideia do que significava.

― Deve ser sim, foi o que a última pessoa que conheci me ensinou ― disse Rael.

                Rael nesses últimos dias se acostumou a dormir até em árvores, então dormir em um lugar seguro como aquele, cercado de bestas divinas aliadas, era confortante.

Ele e Rose pegaram no sono rapidamente. Rael poderia ter dormido com Violeta, mas estava irritado com ela, então preferiu dormir em uma coberta.

                Pela manhã, Rael cumprimentou várias bestas que se aproximaram e saiu do local junto com Rose, que também cumprimentou algumas bestas. O Sol já havia nascido a algum tempo.

                Rael fez Ralf surgir e os dois subiram em Ralf. Rael não podia saber, mas Rose adorava voar em Ralf, desde a primeira vez que voaram, quando ela teve que puxar Rael.

                Montados em Ralf os dois ficaram do mesmo jeito que vieram. Rose na frente e Rael nas costas dela. Rael só achou estranho que Rose cobria tanto sua pele. Ela era tão bonita e deixava muita pouca pele à mostra, mas não disse nada. Ele apenas envolveu os braços no ventre dela para se segurar e partiram.

                De volta no esconderijo de Violeta, na sala.

― Droga! Eu esqueci de entrega o bracelete redutivo ― disse Violeta levando uma mão ao rosto.

― ‘Então ele irá sofrer um pouco se Rose não tomar cuidado’ ― disse Rika em pensamentos.

― É bom, pelo menos ele aprende coisas novas ― disse Violeta abrindo um sorriso que se transformou em uma risada.

Rika não entendeu o que era tão engraçado. Se Rael não usasse o bracelete e Rose perdesse o controle a coisa não seria muito bom.

Por Lord Letal | 28/11/17 às 22:42 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama