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Capítulo 262 - Armadilha

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 262 - Armadilha

Autor: Edson Fernandes | Revisão: Nego

Depois da última batalha dos devoradores com as violadoras, a ilha ainda não havia se recuperado. Era possível notar facilmente boa parte do cenário destruído próximo ao vulcão. Vários buracos estavam presentes por todo o lugar. Ainda tinha uma enorme cratera do que ficou da última batalha, e até o rastro do poderoso ataque de Rael.

― Parece que houve uma batalha grande aqui, isso não estava no relatório que li anteriormente ― disse Reges, observando o cenário caótico enquanto descia com seus homens próximo ao vulcão.

― Que tipo de batalha ocorreu aqui? Isso não é nada comum, olhem para o tamanho daquela cratera! ― disse um dos homens que seguiam Reges e apontou para o imenso buraco. Todos os homens pararam no ar um pouco impressionados.

― Estamos há muito tempo fora do clã, talvez tenha tido uma batalha aqui entre alguns clãs e não fomos informados ― sugeriu Reges, sem muita certeza.

― Será que Isabela se esconderia aqui? Não sei se ela seria tão louca de permanecer num local nesse estado ― disse outro homem.

― Não importa. Recebemos uma pista de que ela está escondida aqui e vamos averiguar. Houve uma batalha sangrenta nesse local, mas agora não parece haver mais ninguém, além de nós e algumas bestas fracas. Se Isabela estiver aqui, ela estará escondida em alguma passagem secreta, se espalhem e procurem.

― Sim, senhor! ― Os homens disseram em uníssono, mesmo estando um pouco irritados. Em seguida, se espalharam para todas as direções, formando um anel com Reges no centro. Alguns estavam irritados ao ponto de caso encontrassem essa mulher sozinhos quererem pelo menos poder bater um pouco nela, mas não poderiam nem sonhar com essa ideia. Foi dito a eles para não encostar o dedo em um só fio de cabelo dela.

                Rael, escondido na sombra ao lado de um buraco no vulcão, viu Reges a uns cem metros dele e sorriu friamente. As memórias de Rael ainda reviviam aquela dolorosa cena dele sendo apunhalado e jogado penhasco abaixo. A dor sentida daquele dia foi guardada na mente de Rael e ele jamais se esqueceu daquele fatídico dia.

                Rael era uma criança humilhada e rejeitada na época, tratada pior que um animal moribundo. Apanhava, sofria ofensas, passava fome, sofria horrores. Rael só conhecia sofrimento, e a única pessoa que verdadeiramente  ficou ao seu lado foi Natalia. Mesmo que as vezes ela sofresse reclamações ou era puxada por Mara, que tentava salvá-la de cair na desgraça junto a Rael. Dor, sofrimento, indignação e revolta era tudo o que restava no coração de Rael daquela época.

                Mas a maior parte de tudo isso foi seus pais, que permitiu que tudo isso ocorresse com ele, os líderes Romeo e Elisa.

― ‘Pais? Eles nunca foram meus pais! Nem de sangue, muito menos de criação!’ ― pensou Rael com ódio enquanto apertava os dentes na tentativa de conter seu instinto assassino.

― ‘Eu sou o Herdeiro do Mundo! O único homem cujo o poder pode balançar até as estruturas do universo’ ― Rael apertou os dentes para evitar pensar na raiva que quis consumi-lo por alguns instantes. Ele queria ficar calmo e agir friamente, mas ele não conseguia enquanto observava o monstro de seus pesadelos bem à sua frente, prestes a receber a sua devida penitência.

Rael agora não se sentia sendo apenas um gênio entre os melhores cultivadores. Mesmo que fossem poucas memórias, ele sabia que era alguém muito maior. Aquele homem na frente dele agora era como uma insignificante formiga que atravessou o seu caminho.

                Mesmo assim, Reges foi o homem mais sombrio em seus sonhos. Ele o apunhalou friamente e o jogou penhasco abaixo. Rael muitas vezes teve pesadelos com essa cena. Em todas as vezes, Reges sempre estava com um sorriso frio enquanto repetia que eram ordens de seus pais, fazendo Rael se lembrar dolorosamente daquele dia tortuoso.

                Quando pequeno, Rael muitas vezes acordava na madrugada chorando e estremecendo de pânico, sendo sempre abraçado e confortado por Violeta. Violeta nunca quis ser como uma mãe de Rael porque tinha sentimentos por ele devido a maldição, mas nessa época ela ainda se tornou um pouco a sua única base familiar, mesmo que indiretamente. Ela dizia que ele estava seguro agora e que nada mais iria feri-lo enquanto o abraçava com carinho. Foi devido ao carinho de Violeta que Rael aos poucos superou o trauma daquele dia, enquanto crescia e se tornando mais fechado.

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                Os homens de Reges já haviam se separado e estavam distantes uns dos outros. Eles entravam em buracos, olhavam entre árvores, rochas, frequentemente lançando os seus sentidos. Na maior parte preferiam ficar sobrevoando por cima da ilha e só desciam quando desconfiavam de alguma coisa no cenário.

                Uma mulher morena, de olhos azuis e longos cabelos escuros, olhava de frente a sua imensa espada em chamas. A espada larga e grande era transparente como cristal e uma chama quente e poderosa queimava por dentro do que parecia ser vidro, a espada de empunhadura vermelha flutuava e girava no ar sozinha, como se estivesse viva à frente daquela bela e poderosa mulher. O corpo de Neide irradiava uma intensa e majestosa aura de puro fogo. Ela era um reino final e o seu poder já estava prestes ao alcançar o limite máximo. Atualmente ela estava no nível 8, restando apenas dois meros níveis para ela finalmente alcançar o ápice do poder final. Ela queria renascer para entrar em um novo sistema de cultivo.

― ‘Renascer nesse mundo talvez seja a única forma de encontrar um poder ainda maior’ ― Neide sempre pensou nisso. Quem nesse mundo não busca um poder maior? Quem não deseja se tornar forte? Neide queria esse poder para assegurar o bem estar de sua família e de seus aliados. Sempre que ela se deparava com Emilia ou Violeta, ela se sentia inferior. Neide era um pouco orgulhosa e desejava ser a mulher mais poderosa do Continente Sul. Embora ela parecia não se incomodar com isso, ela se incomodava em não ser. Entre as humanas puras, não havia nenhuma mulher no Continente Sul mais poderosa que ela, mas se considerar todas as opções femininas, agora muitas passavam a sua frente.

                Enquanto ela pensava sobre seus próprios sentimentos em relação a si mesma, ela viu o quão sortuda se tornou por ter aceito o casamento de Rael com a sua amada filha. Naquela época, se ela tivesse recusado ou tratado mal o seu atual genro, ela nunca teria alcançado tamanho poder e, cedo ou tarde, ela poderia acabar morta junto com o seu marido. Quer queira ou não, Rayger viraria um alvo de Rael por ser da família, mesmo sem nunca ter feito nada contra o jovem.

                Neide suspirou aliviada por todas as vezes que sempre tratou Rael da melhor maneira possível e agradeceu a si mesma por pensar assim e por nunca desprezar os mais fracos. Mara, na época dizia surpresa com ele, ela dizia ter encontrado um homem que a tratava como uma mulher e não por seu imponente status. Nessa época, Neide não aprovava muito esse tratamento, mas vendo sua filha feliz, não se intrometeu e até fez todo o possível para se aproximar do jovem. Ela se lembrava do que sua filha dizia no anel sobre como ele a tratava sem medo. Neide pensou sobre isso muitas vezes, se Rael tivesse tomado outras escolhas, o que seria de Mara e da família Raleon agora?

― Ruuaaaah... ― Ao lado dela, uma enorme besta rank S+ estava parada sentada, se sentindo um pouco sonolenta, ele tinha acabado de bocejar. Eles seriam os responsáveis para a limpeza da ilha, deixando somente Reges para Rael. Qualquer outro ser que aparecesse, se não fossem aliados, estariam fadados a uma morte horrível e imediata.

                O enorme tigre dourado, que era uma ameaça até mesmo para reinos finais, era muito alto e forte, chegando a quase três metros de altura e sete metros de cumprimento. Depois de sua evolução, Ralf tinha ficado muito mais poderoso. Enquanto sua pelagem e suas asas eram douradas, seus olhos tinham uma intensa cor prateada.

                Olhando para o tigre quieto ao lado, Neide já estava acostumada com o mesmo. Esse tigre era muito inteligente e entendia todas as palavras humanas. Ela se lembrava da primeira vez que sua filha Mara voou em cima dele com Natalia e Rael.

― Está quase na hora de irmos ― disse Neide, se virando e observando a camada azul, o limite da barreira absoluta. Enquanto ela estava aqui para dar apoio a Rael, Rayger estava no clã, colhendo informações e servindo de espião.

                Rayger já tinha descoberto a notícia impressionante dos companheiros de Isabela, mas ainda havia dez dias para eles fazerem algo a respeito. Ele também não queria atrapalhar a vingança de Rael, fazendo-o ter pressa ou algo assim, por isso ele ainda não havia passado a informação e se mantinha apenas atento a respeito dos movimentos do patriarca para encontrar Isabela. Cada vez mais homens estavam sendo mandados para a ilha.

                Rael tinha deixado claro que não se importava com as vidas de quem seguia as ordens de Romeo cegamente. E não importava quem seja, uma vez que estas pessoas entrassem na ilha em busca de Isabela, deveriam perecer. Enquanto Reges e ele estivessem lutando, ninguém deveria atrapalhá-los e, portanto apenas morte esperariam pelos outros. Depois disso, quando abandonassem o local, Rael não se importaria mais.

― Já deve está na hora, faz alguns instantes que eles desceram. Considerando o tempo que passou já devem ter se separado ― disse Neide decidida enquanto começava a flutuar, e sua espada em chamas dançava ao lado dela, acompanhando a sua manipuladora. Ralf levantou-se e lançou um olhar cintilante para Neide.

― Eu vou pela direita você pela esquerda. Então vamos ver quem de nós matará mais, combinado? ― disse Neide, como em um tom desafiador para a besta preguiçosa. Ralf mostrou os dentes afiados, exibindo um sorriso aterrorizantemente animado e bateu as asas, saltando em um instante no ar, ainda mais alto que Neide. Uma poderosa onda de vento varreu em volta, soprando as roupas e o cabelo de Neide.

― Ruuuaaa! ― Ele acenou com a pata da frente para Neide, como se aceitasse o desafio e avançou como um borrão entrando na barreira absoluta. Neide sorriu achando graça no gesto do tigre e segurou sua espada gigante de fogo. Em seguida, como um outro borrão, invadiu a barreira pelo outro lado.

                Todos dentro da ilha sentiram as duas forças imensas entrando na barreira absoluta. Até mesmo Reges parou ali subitamente no ar.

― Um reino final? Uma besta rank S? O que está acontecendo? ― Reges falou sozinho olhando para uma direção e em seguida para outra. Rael, que estava ali próximo, se preparou para sair. Agora, com a entrada dos seus aliados, seria a vez de Rael entrar em ação.

                Um dos homens de Reges que estava mais próximo a besta de rank S+ de repente se sentiu amedrontado. Ele levantou o anel de comunicação prestes a pedir apoio, quando de repente um enorme borrão passou à toda velocidade dele sem fazer qualquer pausa. Ele só teve tempo de esboçar um grito enquanto seu rosto e peito era rasgado em três partes, sendo cortado perfeitamente pelas grandes garras de Ralf. Sangue jorrava por todos os lados e ele logo despencou, caindo morto. Ralf estava tão forte e tão rápido que ele só precisava de um único movimento para matar um humano do décimo segundo reino.

                Do outro lado, um homem sentia um reino final se aproximar. Ele sabia que não poderia fugir de um reino final, portanto apenas esperou para ver se seria alguém que ele conheceria. Como havia poucos reinos finais no continente sul, ele não se desesperou. Uma figura feminina logo surgiu carregando uma imensa espada de fogo. Quando ele reconheceu a poderosa esposa do antigo elder Rayger, ele ficou extremamente aliviado e chegou a soltar um suspiro, se preparando para cumprimentá-la educadamente.

                No entanto, Neide manteve uma expressão indiferente e fria. Não importava quem seria agora, desde que não fossem seus filhos ou aliados, ela teria que matar. O homem chegou a iniciar uma reverência respeitosa, mas ao sentir o instinto assassino dela se sentiu confuso, chegando a abrir a boca para questioná-la o que faria naquele lugar, mas não sequer houve tempo. Neide passou ao lado dele e sua espada mal pareceu se mover.

Zuuuuup...

O peito do homem foi cortado horizontalmente. Pescoço e cabeça voaram caindo em chamas de um lado e o resto do corpo em outro. Neide continuou avançando sem dizer uma palavra. Uma vez que esses homens estavam no caminho de Rael, eles deveriam ser mortos. O homem que havia acabado de ser morto nem mesmo entendeu a razão de sua morte.

                Enquanto Neide matava de um lado, Ralf matava do outro e ambos percorriam a ilha em uma enorme velocidade, buscando todos os seus alvos. Eles só não iriam no centro da ilha porque sabiam que era o ponto de Rael. Eles tinham que cumprir a tarefa o mais rápido possível para depois deixar Rael ter a sua luta com Reges sem interferências.

― Todos vocês, se apressem e tentem fugir! Subam para os céus, saindo o quanto antes da Barreira Absoluta! Estamos em uma armadilha! Quando atravessarem a barreira, avisem ao patriarca imediatamente! ― disse Reges no anel. Ele tinha acabado de sentir que quatro homens haviam repentinamente desaparecidos, como se tivessem sido mortos. Ele era um líder bem treinado, por isso sabia que deveria recuar e pedir reforço agora.

                Reges entendia que a Barreira Absoluta prendia almas e anéis de comunicação. As coisas só funcionariam aqui dentro para quem estivesse dentro, ou do lado de fora para quem estava fora. Conhecendo essa regra, tudo que eles precisavam fazer era sair e pedir apoio imediatamente.

                Os homens imediatamente ignoraram as poderosas auras e começaram a cumprir a ordem, voando para o céu. Neide e Ralf perceberam essas ações e aumentaram ainda mais suas velocidades, partindo contra seus novos alvos.

                Reges olhou uma última vez em volta e percebeu a estranha presença não muito longe dele. Era uma rapaz vestindo sobretudo e calça escura, voando calmamente em sua direção. Ele já tinha visto aquela silhueta, mas devido ao escuro ele ficou um pouco confuso.

― Jovem mestre Samuel? O que faz aqui? ― perguntou Reges, lançando um olhar frio ao jovem. Rael não respondeu. Em vez disso, continuou flutuando calmamente na direção dele com a maior calma do mundo.

― Jovem mestre, esse lugar é perigoso. Eu sugiro que fuja. Tem uma besta poderosa rondando esta ilha, junto a um reino final. Se quiser, pode fugir comigo, eu estou indo agora ― disse Reges, mantendo o seu tom sério.

                Rael se manteve em silêncio e não pôde continuar avançando muito. O poder de Reges de repente vibrou e um instinto assassino surgiu no mesmo. Com um aceno de mão casual, uma adaga voou e foi direto na direção da cabeça de Rael. Rael levantou o braço direito e imediatamente defendeu, essa e uma segunda veio voando em seguida, direcionada ao seu pescoço. As duas adagas bateram e tiveram suas lâminas destruídas quando entraram em contato com o braço de Rael.

                Rael não se surpreendeu, ele já esperava que Reges fosse atacá-lo por já estar desconfiado. O que ele não esperava é que Reges o colocasse como um inimigo à altura, aquele ataque poderia causar ferimentos sérios até mesmo em décimos segundos reinos, Reges usou um ataque simples, porém, extremamente violento. Tanto que as lâminas das adagas se quebraram no impacto.

                Quando Rael acabou de defender, um borrão já estava subindo. Reges não ia ficar esperando Rael se recuperar para o seu apoio chegar. Ele adivinhou que essas energias na ilha estivessem com Rael, embora ainda não soubesse como ligar os fatos.

Vruuum!

Reges parou de subir e recuou um pouco devido a um portal roxo aparecer em seu caminho, fazendo surgir um jovem rapaz.

― Por que a pressa? Nós temos muitas coisas a acertar ainda ― disse Rael friamente, encarando o homem a frente. Eles estavam agora a apenas dez metros um do outro.

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Desafio rolando para mais um capítulo extra amanhã

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Por Lord Letal | 02/05/18 às 15:43 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama, +18