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Capítulo 31 - Veneno de Sonhos Pesados

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 31 - Veneno de Sonhos Pesados

Tradução: Lord Letal | Revisão: Yamasuke, Nego

Rayger não tinha certeza porque Rael de repente havia entrado naquele assunto. Até aquele momento estava testando Rael para descobrir possíveis possibilidades dele ser um espião de fora. O fato dele ter liberado um quarto para Rael antes, era porque não tinha certeza absoluta de nada, apenas uma mera ideia formada pela falta de Registro da Alma.

― Eu não sei quais motivos levou o senhor a cruzar com uma besta Demônio Noturno de Garras, mas durante o processo o senhor foi mordido e agora vem tendo pesadelos constantes, não estou certo? ― perguntou Rael.

Rael não tinha aprendido isso com Violeta, ele estava tentando lembrar onde diabos ele tinha ouvido falar daquilo, mas não se lembrava, ele simplesmente sabia e o motivo por trás era referente as possíveis curas que poderia criar com o elemento escuridão.

Mas quando ele pesquisou isso? Como ele sabia? Ele nunca tinha as respostas dessas estranhas questões.

― Samuel, do que você está falando? ― perguntou Mara confusa.

― Silêncio filha, continue garoto... ― disse Rayger que agora estava curioso com o assunto.

― Isso se chama Veneno de Sonhos Pesados. Eu não sei dizer ao certo a quanto tempo o senhor está com os sintomas, mas eu diria que está nas semanas iniciais, talvez um mês. O fato é que essa besta Demônio Noturno de Garras não costuma atacar pessoas fora de sua área. Essa besta não possui nada de qualquer valor para humanos, então me pergunto o que levou o senhor a correr tão risco. Por que o senhor deve saber que a mordida dela é fatal ― chutou Rael.

Rayger franzia cada vez mais as sobrancelhas, porque mesmo entre os maiores homens, poucas pessoas conheciam essa besta, e ela realmente não tinha nenhum valor conhecido entre os homens. O fato de Rael conhecê-la já era grandioso por si só. Sem mencionar que Rael estava certo, ele estava assim a cerca de duas semanas.

                Mara ficou ali confusa sem saber do que os dois estavam falando, obviamente ela não conhecia as condições de seu pai, nem sequer algo sobre essa besta citada por Rael.

― Existem coisas na família que não devemos entrar em detalhes. Mas como soube que eu estava com esse veneno? ― perguntou Rayger curioso.

― Pelos seus olhos e pelas pequenas veias em seu pescoço ― mencionou Rael.

Só naquele momento Mara começou a encarar o pescoço do pai. De fato, havia uma formação de pequenas veias que eram um pouco anormais das veias normais. Para vê-las tinha que prestar muita atenção porque elas poderiam se passar até como uma mera sujeira de longe ou uma mancha sem qualquer questão.

― Impressionante. Eu ouvi dizer que você desenvolveu algumas Pílulas de Pequeno Crescimento da Alma melhores, mas não sabia que era médico.

― Eu não sou exatamente um médico, apenas existem coisas que eu sei ― disse Rael tentando ser modesto.

Mara não dizia nada para não atrapalhar o assunto, mas quando ela entendeu que aquela conversa era sobre um veneno grave de seu pai, ela se encheu de preocupação.

― E pelo visto coisas que ninguém sabe ― acrescentou Rayger.

― Eu posso providenciar a cura, mas antes quero sua palavra de que deixará em paz eu e minha família, incluindo minha noiva ― disse Rael.

Rayger ficou surpreso.

― Está assumindo que é mesmo um espião?

― Não senhor, mas como não confiam em mim eu prefiro me retirar, não quero ninguém próximo a mim correndo perigo devido circunstâncias que sequer eu conheça ― disse Rael.

Rayger ficou pensativo. Rael estava disposto a dar uma cura para aquele seu recente problema e pular fora do barco, mas poderia ter usado isso como prova de que não era um espião.

                Rayger estava sem saída. Todos o conheciam como o Élder mais poderoso da família Torres, o inimigo certamente não ia perder a chance de eliminá-lo.

Se Rael simplesmente não tivesse entrado no assunto de seu problema, as perguntas continuariam e Rael poderia ainda se mostrar inocente, afinal ele não tinha provas contra Rael. No entanto, Mara, sua filha, tinha arrastado Rael e até aquele momento Rael não parecia ter interesse com tudo isso.

― Então vamos ver se você pode mesmo me curar ― disse Rayger por fim.

                Rael se sentou e separou vários conjuntos de ervas, retiradas do bracelete. Então ele massageou algumas ervas enquanto as misturava com seu elemento. As ervas abençoadas com a escuridão se transformavam a um ponto onde até poderiam ser chamadas de outras ervas, por isso, mesmo que Rael demonstrasse a cura e a forma exata de preparo, ninguém iria conseguir fazer o mesmo.

                Rayger e Mara acompanharam todo o processo parados ao lado de Rael olhando ele preparando o remédio, enquanto Rose havia se sentado do lado dele.

Rose era tão quieta que as vezes as pessoas até esqueciam a presença dela, se ela não fosse tão bonita, talvez nem sequer olhariam para ela por mais de uma vez.

― Pai, o senhor não me contou que estava doente ― disse Mara segurando o braço do pai que não tirava os olhos da preparação.

― Não havia nada que você pudesse fazer. Eu já tinha consultado dois médicos e não sabiam nem por onde começar ― disse Rayger se lembrando de um dos seus homens que morreu alguns anos depois de passar pelos mesmos sintomas, isso fez ele dar uma credibilidade maior a Rael.

Ele preferiu não mencionar esse fato.

― Somos família pai, mesmo que eu não pudesse ajudar, eu merecia saber ― disse Mara.

― Tudo bem filha, agora deixe o jovem trabalhar em silêncio ― disse Rayger passando a mão na cabeça de Mara.

Mara para ele era a mais preciosa de todos os filhos, ele não estava tão disposto a entregar sua filha a um homem que não merecesse, mas em seus olhos ele sabia que jamais encontraria alguém assim.

Se Rael pudesse mesmo salvá-lo, então pelo menos ele deveria algo a Rael.

Outra questão que valia lembrar é que se ele quisesse herdar o ramo principal, sua filha tinha que apresentar um homem. A sucessora deveria estar casada ou noiva com casamento já marcado, se não fosse por essas duas questões, ele jamais permitiria que Mara procurasse um noivo sendo ainda tão jovem.

                Vinte minutos depois, Rael estava com dois copos de metal cheios de líquidos coloridos que pareciam vitaminas. Então ele se levantou e mostrou a Rayger. Antes de entregar ele bebeu uma quantidade de cada um dos copos surpreendendo Mara.

Rayger não ficou surpreso com aquilo, pois percebeu que Rael estava provando que não seria veneno. Mara podia confiar em Rael, Rayger não confiava ainda.

― Tome primeiro esse, depois de um curto pedaço de tempo o senhor toma o outro ― explicou Rael estendendo os copos em ordem para ele.

Rayger fez como Rael pediu e tomou o primeiro.

― Em quanto tempo eu terei melhoras? ― perguntou Rayger.

― Depois do segundo copo o senhor já poderá ter um sono tranquilo. O senhor estará completamente curado ainda hoje ― disse Rael.

Mara sorriu aliviada, pois ela acreditava em Rael, já Rayger não tinha tanta certeza, mas faria como Rael pediu. Ele percebeu que não era veneno depois de Rael beber, então não custava nada tomar, Rael afinal, tinha acertado todos os detalhes.

― Você ficará conosco por hoje e amanhã eu decido o que vou fazer ― disse Rayger dando as costas e levando o outro copo de Rael em mãos e voltando para a sala.

― Samuel, obrigada por ajudar meu pai. Eu não quero que você desista de mim assim, ou você já esqueceu o que me prometeu quando aceitei Rose? ― perguntou Mara se sentando do lado livre de Rael.

― Você já sabe que me ameaçar não vai ajudar em nada ― disse Rael.

― Eu não estou te ameaçando, estamos conversando. Eu sei que você gosta de mim, quando me beija eu posso sentir isso, então não adianta você negar esse fato ― indagou a garota.

― Talvez eu goste um pouco de você, mas infelizmente existem muitas coisas que eu também não gosto. Eu nunca esqueci que você tentou matar Rita e também que ameaçou Rose, mesmo que fosse um blefe, eu ainda não esqueci.

― E eu não disse a ninguém que você se livrou daqueles dois, então estamos quites. Eu tive que passar por alguns bocados pra não colocar seu nome como culpado ― disse Mara.

― De algo que você mesma começou ― reclamou Rael.

― Eu sei que eu errei ok? Eu admito, estava com ciúmes de sua irmã ― disse Mara.

― Isso não importa Mara, você tentou matar minha irmã e ela nunca fez nada contra você. Eu não vou esquecer isso tão facilmente. Bom, não importa uma vez que seu pai não me quiser mais aqui eu volto e esquecemos tudo isso ― disse Rael um pouco irritado.

― Eu já escolhi você, não vou deixar você ir embora ― disse Mara e aproximou o rosto de Rael chegando mais perto.

Rose estava quieta do outro lado de Rael apenas assistindo a tudo em silêncio.

― Então se prepare para ser uma pessoa melhor daqui para frente, porque se quiser que eu fique mesmo do seu lado terá que se esforçar mais. Eu sugiro que você comece parando de me ameaçar e comece a me ouvir. Não vou me casar com uma mulher que em vez de escutar o marido, o ameaça ― reclamou Rael.

― Ainda não somos casados ― disse Mara de volta. Ela então beijou demoradamente o rosto de Rael. ― Obrigada por salvar meu pai ― disse ela.

― Eu ainda não o salvei ― disse Rael de volta sem se virar.

― Mas confio em você ― disse ela de volta.

― É melhor você só me agradecer no futuro, ainda é cedo para ouvir agradecimentos ― disse Rael se virando para ela.

Os rostos dos dois ficaram bem pertos um do outro.

― Falando assim me faz pensar que você é mesmo um espião ― disse ela e ambos continuaram daquela mesma forma se encarando quase grudados.

― Talvez eu seja, você não tem como saber ― provocou Rael com um leve sorriso.

Ele sabia que Mara jamais levaria aquilo a sério.

― Se você for um traidor, então no futuro eu mesma mato você ― disse ela e finalmente beijou Rael.

Foi um beijo bem curto, logo ela se levantou e saiu caminhando deixando Rose e Rael em paz. ― Vou ver como meu pai está.

― ‘Você odeia essa mulher, mas gosta de beijá-la’ ― disse Rose mentalmente.

― ‘E o que isso muda no final? Eu estou apenas seguindo meus objetivos’ ― disse Rael de volta.

― ‘Beijar é tão bom assim?’ ― perguntou Rose de volta.

― ‘Se eu pudesse tocar você, eu te mostraria’ ― disse Rael olhando Rose.

Ela apenas ficou olhando de volta com aquela mesma cara de séria, tinha um leve traço de sorriso. Como Rose estava treinando expressões, ela já começava a apresentar leves gestos, mas nada muito nítido ainda.

                O almoço chegou e todos se reuniram na cozinha com exceção de Rayger. Rayger estava descansando. Os irmãos, Robert e Alves, não tiravam os olhos de Rose. Rael começou a pensar que trazê-la talvez não tivesse sido sua melhor ideia. Mas enquanto ele tivesse o apoio de Mara e do pai dela, aqueles dois não ousariam se atrever a mexer com Rose.

Rose não saia do lado de Rael, até quando ela precisava ir ao banheiro, Rael a seguia e esperava do lado de fora da porta. Os dois nunca se desgrudavam.

                O almoço correu bem sem maiores problemas exceto algumas perguntas impertinentes direcionadas a Rose, como o fato de quererem saber se ela tinha irmãs ou como era a família dela etc. Rael apenas manteve as mesmas respostas, dizendo que não sabia nada sobre ela, exceto a ordem de sua mestra.

Perto do fim quando um escravo estava retirando os pratos e vasilhas sujas da mesa, ele deixou uma das vasilhas escorregar, essa vasilha caiu no canto da mesa e os restos voaram no colo do vestido de Mara.

O escravo ficou pálido quando percebeu o acidente que causou. Os irmãos de Mara abriram sorrisos já esperando a pólvora explodir. Rael e Rose já estavam quase saindo da mesa pararam.

― Senhora eu sinto muito, imploro o seu perdão! Eu irei limpar tudo imediatamente ― quando o pobre homem se agachou com um pano para perto de Mara, ela se levantou em um salto de fúria.

― Se afaste de mim seu imundo! ― Mara gritou juntando energia roxa pelo corpo e bateu a palma contra o peito do homem.

Boom!

O golpe arremessou o pobre homem contra a parede mais próxima, fazendo ele se afundar na parede que se rachou.

Assim que o corpo soltou da parede, ele vomitou uma grande quantidade de sangue enquanto deslizava para baixo caindo sentado. Ele era um mero homem dentro do terceiro reino, não aguentaria um golpe de alguém que já era do quinto reino. A cena foi chocante para Rose e para Rael, mas não para os irmãos de Mara que começaram a rir.

Robert gargalhava tanto que levava as mãos sem aguentar ao próprio estômago, enquanto Alves ria com um pouco mais de cuidado. Podia-se ver nos três o olhar de repulsa contra o homem caído.

Mara era a que estava mais irritada. Aquele vestido ela tinha escolhido com muito cuidado para agradar Rael e aquele lixo de gente tinha acabado de sujá-lo, ela não podia estar mais furiosa.

                Rael saltou por cima da mesa e correu até o pobre homem se agachando sobre ele. Rael encostou a mão no peito do homem e mandou uma pequena carga de energia, e percebeu que o coração estava completamente destruído por dentro. Rael chegou nos últimos momentos em que o homem estava perdendo a vida, Mara não teve nenhuma piedade.

                Rose se levantou depois de Rael, ela acabava de ver com seus próprios olhos o quanto os humanos eram ignorantes. Matar uma pessoa por causa de um mero acidente era algo que estava muito além dos entendimentos, até para o mundo das bestas.

― Ele morreu mesmo Samuel? Diz aí pra nós? ― perguntou Alves.

Ninguém ali sabia que Rael tinha pena dos escravos. Escravos para eles tinham menos valor que bestas de Rank baixo. Para uma família com o porte daqueles, matar um escravo não custava nada, ainda mais se eram homens.

― Por que você fez isso? ― perguntou Rael se virando para Mara, ele ignorou completamente a pergunta de Alves.

Aquela pergunta fez todos ficarem confusos e as risadas cessaram. Mara ainda estava furiosa. Seu peito descia e subia, tinha uma repulsa descrita na expressão dela enquanto seus olhos queimavam.

Por Lord Letal | 28/11/17 às 23:01 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama, +18