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Capítulo 32 - A Decisão de Rayger

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 32 - A Decisão de Rayger

Tradução: Lord Letal | Revisão: Sneed - Nego

Rael havia presenciado uma cena que o fez mergulhar de ponta em seu passado. Ele queimava de ódio e se pudesse não hesitaria em retirar a vida daqueles três presentes tamanho era seu ódio. Mas ele não tinha força para isso, além dos três irmãos e do pai, a casa estava cercada de protetores pelos lados de fora, eles cercavam todas as portas e janelas da casa de modo a não permiti a saída e entrada de gente de fora ou de pessoas que não podiam sair agora (como Rael e Rose).

                Rose que tinha se ligado a Rael a pouco tempo entendia os sentimentos dele e estava triste por não poder ajudar. Os horrores que viu na mente de Rael daquela época eram muito piores quando vistos ao vivo como agora. Rose entendia um pouco porque Rael queria se vingar e mudar aquelas regras do mundo.

― Samuel isso é só um escravo ― disse Mara de volta ainda zangada.

― É uma pessoa Mara! Que você matou sem piedade! Você não tem coração! ― rugiu Rael de volta, ele quase perdeu o controle. Robert e Alves tiveram um acesso de risadas e se descontrolaram. Eles chegaram a pensar que Rael estava fazendo uma piada.

                Rael os olhou e ficou ainda mais furioso. Então irritado, ele apenas segurou a mão de Rose e a puxou junto com ele enquanto seguiam o corredor. A mão de Rael apertava firme a pequena mão de Rose, mas não incomodava a garota que já tinha a resistência corporal do quinto reino. Os irmãos de Mara pararam de rir e se olharam confusos, eles pensaram que Rael depois admitiria a brincadeira, mas tudo foi mesmo real?

                No quarto Rael trancou a porta, se dirigiu ao sofá no canto da janela e sentou-se se afundando em pensamentos. Ele teve flashes de sua infância e das horríveis memórias que vivera. Ele não teve o que fazer quando algumas lagrimas deslizaram de seus olhos, não se sabia se eram de ódio ou eram de tristeza pela recente morte do homem.

                Rose se aproximou timidamente e se ajoelhou na frente de Rael deixando um joelho de cada lado das pernas de Rael. Conseguindo entrar naquela posição Rose sentou-se no colo dele e o abraçou, enterrando o rosto no peito de Rael. Ela estava tentando confortá-lo depois de sentir os pensamentos de Rael.

                Rael envolveu os braços nas costas de Rose e a apertou contra o próprio peito como se fosse o bem mais precioso de sua vida. Assim os dois ficaram por vários minutos em silencio apenas abraçados e em algum momento Rael se acalmou.

Olhando a menina a frente em seu peito, ele começou a se sentir confortável com a presença dela, porque ela se importava com ele, ela sabia das dificuldades que ele havia passado. Ele não precisava mentir sobre sua verdadeira face e sobre seus objetivos para essa garota, com ela ele podia ser ele mesmo novamente, assim como quando estava com Violeta.

                Mara havia tomado um banho e trocado para uma roupa mais comum, saia e blusa. Ela ficou pensando no porque Rael ficou tão inconformado com o que ela havia feito. Ela se lembrou que Rael também tinha agradecido um outro escravo por ter apenas apresentado o quarto a ele. Ela não conseguia entender o porque ele se importava com os escravos.

                Um pouco mais tarde ela decidiu ir procurar Rael que até aquele momento não havia saído do quarto. Depois de tentar entrar e perceber que a porta estava fechada ela o chamou duas vezes, até que a porta foi aberta por Rose.

                Mara entrou no quarto ,ignorando Rose que se afastou de lado, e encontrou Rael sentado no sofá, agora ele já estava muito melhor do que antes. Mara se aproximou e sentou-se ao lado dele. Ela sentia que tinha errado com ele, mas não entendia exatamente no que, e aquilo a deixava confusa.

― Você está com raiva de mim? ― perguntou Mara. Rose se dirigiu e sentou-se na cama longe dos dois. Ela preferia não interferir, até porque ela não podia opinar verbalmente na conversa de qualquer forma.

― Não estou ― mentiu Rael logo em seguida sem se quer se virar pra Mara. Ele não podia dizer que defendia os escravos, aquilo poderia arruinar seus planos. Depois de Rael pensar um pouco ele percebeu que não deveria ter deixado os outros perceberem que ele se importava. No mundo de hoje escravos realmente não tinham nenhum valor.

― Você gritou comigo antes e depois saiu sem dizer mais nada. Como pode dizer que não está com raiva de mim? ― perguntou Mara olhando de lado para Rael.

― Ele não merecia morrer por causa de um mero incidente ― rebateu Rael.

― Eu não sabia que você se importava com escravos Rael, por acaso algo do passado incomoda você? Teve alguém que conhecia escravizado? ― perguntou Mara. Aquela pergunta fez Rael gelar. Porque se Mara cava-se mais fundo ela podia se aproximar da verdade, os sentimentos expostos de Rael poderiam ser um perigo a ele mesmo.

― Eu só achei exagerado o que você fez, nada além ― defendeu-se Rael.

― Você disse que eu não tinha coração, como isso é apenas achar exagerado? Uma pessoa já está morta quando vira escravo, eu só o libertei ― disse Mara.

― Você já pensou que um dia poderia ser você uma escrava? ― perguntou Rael se virando para ela. ― Já pensou que um dia poderia ser seu pai? Alguém de quem você gosta? ― perguntou Rael.

― Como eu imaginava! Você perdeu mesmo alguém importante para a escravização, me diga quem foi e eu tenho certeza que meu pai irá ajudá-lo! ― disse Mara firme. Ela nem se quer chegou a por as palavras de Rael na mente. Uma família como a dela, com o poder que tinham jamais iriam se rebaixariam a tal ponto,eles jamais viraria escravos de  alguém.

― Tudo bem esquece, eu não quero mais falar sobre isso ― Rael virou-se furioso de volta pro outro lado. Ele nunca ia conseguir botar algo na cabeça daquela mulher e ele não se importava muito também.

― Se você não me disser eu não posso ajudar ― disse ela de volta.

― Mara escuta! Eu não tenho ninguém de que eu gosto que foi escravizado então chega com esse assunto ta bom? Esquece, finja que eu nunca reclamei de nada ― reclamou Rael de novo.

― Mas ainda ta com raiva de mim ― rebateu ela.

― Eu não estou com raiva de você ― disse Rael ainda furioso, ele não conseguia conter o tom de suas palavras o que fazia Mara perceber facilmente a mentira.

― Está sim!

― Não estou ― disse Rael se virando. Segurou os ombros de Mara e empurrou contra o braço do sofá deitando a moça, então ele mesmo forçou um beijo com ela. Um beijo selvagem. Mesmo Mara sendo do quinto reino sentiu as mãos fortes de Rael a imprensando contra os ombros.

                Os dois ficaram se beijando naquela posição por quase um minuto inteiro e quando Rael se afastou Mara estava até sem ar. Ela sentiu como se tivesse sido tomada deliciosamente por uma fera selvagem, não achou nenhum pouco ruim. Se não fosse pela indecisão de seu pai, ela teria forçado Rael a ir mais longe mesmo com uma espectadora (Rose).

― Você ta com raiva de mim mais ainda me ama ― disse Mara.

― Vá embora, me deixe em paz. Enquanto seu pai não decidir devemos ficar longe um do outro ― disse Rael para mudar de assunto e virou-se para o outro lado. Ele queria tirar da cabeça dela as ultimas idéias que surgiram sobre ele ter algum conhecido escravizado.

                Mara se sentiu um pouco usada, porque depois de Rael beijá-la daquele jeito ele simplesmente a ignorou e estava a mandando ir embora. Quem no mundo ousaria fazer isso com ela? Quem? Ela olhou para Rose e não se importava com essa linda garota que mais parecia uma estatua, depois voltou-se a Rael.

― Nos veremos depois ― Mara apesar de ter ficado com raiva ela também tinha gostado do beijo, então uma coisa meio que se juntou com a outra e saiu tudo na mesma. A garota se levantou e saiu do quarto. Deixando Rael no sofá e Rose na cama.

― ‘Me pergunto o que ela vai pensar quando descobrir que você é um familiar que ela tanto humilhou e pensou que estava morto’ ― pensou Rose mentalmente a Rael.

― ‘Quando alguém descobrir já vai ser tarde demais pra pensar qualquer coisa’ ― pensou Rael de volta e levantou-se, virou-se para a janela e encarou a rua lá fora.

Cultivadores de vários níveis subiam e desciam a rua em um movimentado vai e vem. Rael tinha pensando que essa cidade seria como Elunia, mas enganou-se, o movimento era muito maior. Isso poderia se dar ao fato de que em breve estaria ocorrendo um evento. Evento esse que Rael até agora não sabia. Ele não podia sair da mansão para investigar e se aventurar pela cidade, então tudo que ele podia fazer era esperar.

                Rael podia ver os dois cultivadores de alto nível vigiando as janelas, por isso, mesmo que elas estivessem abertas como agora Rael não podia sair. Rael já estava prestes a tirar o rosto da janela quando viu um conhecido. James passou caminhando seguindo com mais alguns cultivadores. Rael se perguntou o que esse idiota estava fazendo na cidade, será que ele ia participar do tal evento? Seja lá ele qual for? Logo James e os outros sumiram se misturando aos outros, eles não viram Rael por estarem de costas pra ele.

                A tarde passou e eventualmente a noite chegou. Rayger estava andando pela casa com um sorriso que poderia ser notado a metros. Ele estava muito feliz por finalmente ter uma tarde descente de sono sem ter horríveis pesadelos e tudo graças ao seu futuro genro. Exatamente, Rayger sentia que tinha tido sua vida salva, não só sua vida como muitos dias melhores de descanso e tudo graças a Rael. Ele jamais iria permitir que aquele garoto saísse de suas mãos. Por tudo que ele ouviu, pelas coisas que ele era capaz era fazer e até por ter sido uma escolha de sua preciosa filha, não havia como ele abrir mão daquilo. Sobre sua desconfiança em Rael ele concordou que um inimigo não o salvaria e Rael o salvou então aquilo eram águas passadas.

                Na cozinha ele encontrou os escravos concertando a parede. Dois escravos estavam tomando parte daquele trabalho.

― O que aconteceu aqui? ― perguntou ele se dirigindo aos escravos.

― Mestre, a senhora Mara... (o escravo contou o que houve em resumo).

                Rayger não se importava com pequenos incidentes como esse. Alguns escravos a menos ou mais nunca faziam diferença. O fato deles aceitarem escravos como pagamento era mais para pisar em famílias menores e as colocarem em seus lugares do que meras precisões. Os únicos escravos que tinham algum valor, eram aqueles escolhidos para meios sexuais, principalmente belas mulheres. Essas tinham outros cuidados diferentes desses com obrigações domesticas.

                No jantar Rayger reuniu todos. Ele estava muito feliz com sua nova cura e não escondia esse fato de ninguém. Rose estava sentada em um lado de Rael e Mara estava do outro. Aquilo fez Rayger se sentir um pouco estranho, porque ele via desde manhã que sua filha havia se dobrado e permitido seu futuro marido ter outra futura esposa. Mara não era o tipo que aceitava aquilo facilmente, ele acreditava que ela ficou muito impressionada com Rael ao ponto de permitir tão coisa.

― Eu tenho algumas palavras a dizer então quero que todos prestem atenção ― disse Rayger fazendo uma pausa. ― Eu recentemente estava com um veneno perigoso em meu organismo que não me deixava dormir bem, e eu tinha apenas um ou dois anos de vida ― quando Rayger disse isso os filhos homens encaram o pai com uma expressão aflita, eles como Mara mais cedo, não sabiam disso. ― O jovem Samuel, nosso mais novo convidado me tratou passando um remédio e agora estou muito bem, já tive um sono maravilhoso e todos os sintomas visíveis desapareceram. Em resumo, fui curado ― quando Rayger acabou de pronunciar essas palavras os dois olharam Rael com uma expressão de admiração.

― Nossa irmã não tinha dito que seu noivo era medico ― disse Alves olhando Rael.

― Eu passei por outros médicos e nenhum deles soube como me tratar. Samuel foi o único a descrever todos os sintomas e a passar um remédio que funcionou. Em fim ele já provou sua lealdade com esta família. A parti de agora, eu oficializo esse noivado. Samuel é oficialmente noivo da minha filha e o casamento ocorrerá em um mês na nossa capital ― disse Rayger chocando a todos. Mara abriu um lindo sorriso porque seu pai agora tinha deixado tudo oficial, ou seja, ela agora poderia dividir um quarto com Rael. Ela não poderia estar mais feliz, afinal ela vinha trocando caricias com Rael, mas nunca podiam ir muito longe, agora por outro lado...

― Mesmo que ele tenha realmente feito isso pai, como fica os testes? Ele não ia participar do evento? Não foi esse o motivo que nos trouxe a essa cidade? ― perguntou Alves novamente.

― E ele ainda vai, quero que todos conheçam o futuro noivo da minha filha ― disse ele se virando para Rael. ― se todas as histórias que ouvi de você forem verdadeiras, você não irá nos decepcionar ― acrescentou ele.

― Agora um brinde ao noivado de Mara e Samuel ― disse Rayger levantando uma taça de vinho. Todos na mesa fizeram o mesmo até a própria Rose, depois beberam. Rose foi a que bebeu um pouco atrasada e depois começou a tossir. Ela nunca tinha bebido nada com álcool até aquele momento.

― ‘Você está bem?’ ― perguntou Rael mentalmente.

― ‘Sim estou, essa coisa é doce e amarga ao mesmo tempo que estranho’ ― pensou a garota de volta. Rael apenas passou a mão nas costas dela a ajudando.

― ‘Você se acostuma com o sabor’ ― disse mentalmente Rael que já tinha provado aquilo muitas vezes com Violeta.

― Pai o senhor não soube o que aconteceu essa tarde? ― perguntou Robert depois de virar seu copo. ― Samuel ficou comovido porque nossa irmã Mara matou um escravo, sei que o senhor já fez sua escolha, mas será que alguém com um pensamento fraco como esse pode mesmo fazer parte de nossa família? Não estou sendo ingrato por ele ter salvo o senhor, só estou dizendo que alguém assim talvez não se encaixe ― disse Robert. Rael odiou Robert do fundo de seu coração por ter tocado no assunto, porque aquele realmente era um ponto onde ele não tinha qualquer saída sobre o que dizer, a melhor desculpa seria mesmo confirma as palavras de Mara e dizer que perdeu alguém para a escravidão, mas dizer isso, ia fazer Rayger investigar um historia que não seria verdadeira. Rael odiou ter cedido naquele momento diante de todos.

                Mara que estava sorrindo até aquele momento ficou gelada. Numa família forte como a deles a representação de Rael mais cedo tinha mesmo sido de uma pessoa fraca. Ela não achou que os seus irmãos iam tocar no assunto, depois de seu pai inclusive já ter aceitado Rael.

― Isso é comum para alguém como ele ― disse Rayger defendendo Rael e surpreendendo aos três filhos. ― Ele veio de uma família pobre, não está acostumado a ter escravos como nós. Isso para ele não é comum ― explicou Rayger. Rael não ia saber como inventar uma desculpa para aquela sua ação mais cedo, porém o que o deixou surpreso é que o próprio Rayger estava o defendendo.

― Se o pai diz então nós concordamos ― disse Robert sem outra ideia. A realidade é que aquela desculpa veio muito mais a calhar do que o esperado e foi criada pela pessoa que mais cedo desconfiava de Rael. Olhando do ponto de vista de Rayger, ele não estava errado e nem estava protegendo Rael como favor, aquela era de fato a coisa mais comum que ocorria em famílias pobres quando conheciam os escravos. Mas Rael não sabia disso.

― Mais uma coisa, a partir de agora vocês estão livres para sair e voltar. Só se lembrem que o evento será depois de amanha ― disse Rayger. Rael e Rose, poderiam finalmente deixar um pouco aquele lugar no qual pareciam estar presos.

                Quando o jantar chegou ao fim, o pai chamou os filhos e os três saíram. Os escravos rapidamente começaram a limpar a cozinha.

                Rael e Rose foram para o quarto, já estava tarde e era melhor descansar. Rael queria aproveitar bem o dia seguinte para fazer um grande passeio pela cidade e descobrir sobre o que se tratava esse tal evento.

                A porta do quarto se abriu e Mara entrou vestida em uma curta camisola rosa. Rael e Rose ainda estavam se preparando para se deitar.

― O que faz aqui? ― perguntou Rael confuso. Mara estava muito atraente mostrando as pernas, os ombros e até uma parte dos peitos nus. Ninguém negaria que aquela mulher era realmente atraente.

― Eu vim dormir com você, agora somos noivos oficiais ― disse Mara sorrindo. Ela se virou e trancou a porta. Andou até a janela e fechou a janela nos trincos, depois soltou as cortinas para tampar qualquer possível visão de fora. Ela não queria que ninguém os atrapalhasse naquela noite. Rael ficou apenas olhando Mara se aproximando dele com tanta pele exposta. Ela não estava nem usando sandálias, estava descalça.

Por Lord Letal | 28/11/17 às 23:03 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama