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Capítulo 334 - O Herdeiro

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 334 - O Herdeiro

Autor: Edson Fernandes | Revisão: Diego Menezes

334 - O Herdeiro

 

                A partir daquele ponto não houve luta. Tudo acabou em apenas um movimento. Lana estendeu a mão direita, aberta no ar, mirando o Deus de Pedra e fechou a mão. O que ocorreu é que o peito do Deus de Pedra foi estraçalhado. Ele foi aberto no ar por uma gigante mão transparente, que fez o mesmo movimento da mão de Lana. Era como uma imensa mão verde de algum fantasma, que surgiu junto ao movimento dela.

― ‘Que raio de poder é esse?’ ― Se perguntou Rael, olhando de longe. Rael estava a mais de meio quilômetro de Lana e ainda sentia a pressão da aura dela, aquilo poderia ser dito como um absurdo.

                O pedaço do peito da estátua foi arrancado e era o local em que estava a pedra dourada. A mão gigante a levou para cima, enquanto deixava pedaços de rochas e pedras inúteis cair pelo ar, como se estivesse peneirando atrás da pedra. Enquanto ela fazia isso, o Deus de Pedra e as outras estátuas desmoronavam, se tornando um amontoado de terra.

― ‘Herdeiro do Mundo, eu queria agradecer por ter me ajudado uma vez, em vida, milhares de anos atrás. Eu não imaginei que um dia o veria nessa situação. Deixo um mapa em sua cabeça, para coletar um presente meu. É algo que vai te ajudar e se integrar ao seu poder. Perdoe a audácia de ter te testado. Eu precisava confirmar tudo que vi acontecendo em meus salões. Não sei como caiu, mas desejo sorte ao retorno de seu poder’ ― A voz soou na cabeça de Rael e apenas ele ouviu, o tom da voz não era mais de um deus, era caloroso e agradecido.

― ‘Deus de Pedra, se está me ouvindo, eu gostaria de saber o que fiz que te ajudou no passado... minhas memórias se foram e eu preciso recuperar o máximo delas que eu puder’ ― Rael pensou de volta olhando em várias direções como se quisesse sentir o sopro dos pensamentos do Deus de Pedra novamente.

― ‘Como deseja. Mostrarei a você as minhas memórias daquele dia’ ― A voz soou gentil de volta em Rael. Rael sentiu um leve vento batendo em sua face, o que o fez fechar os olhos. Quando os reabriu, ele já não estava mais no salão com os outros, estava sozinho em algum tipo de deserto escaldante. Estava muito quente e um brilhante Sol queimava intenso no céu sem nenhuma nuvem.

― ‘O que está acontecendo? Eu não... controlo meu corpo’ ― Rael pensou enquanto a cabeça se moveu sozinha, olhando para baixo. Os pés que seriam os de Rael não eram dele... eram pés maiores e descalços.

― ‘Estão se tornando de terra...?’ ― Rael pensou enquanto via os pés pregados no chão. Os pés estavam virando areia, se juntando ao chão. Rael também percebeu que seu corpo era muito maior do que o de um humano normal.

                Rael não tinha percebido, mas estava muito triste, havia um enorme vazio em seu coração e ele aparentemente desejava se destruir... e estava fazendo isso.

― ‘Não é minha tristeza, é a dele. Isso é a memória que ele disse que me mostraria’ ― Rael pensou, agora certo sobre isso e acalmou os próprios pensamentos para não se deixar interligar aos dele.

                No céu, um portal transparente surgiu e um ser majestoso saiu dele, acompanhado de duas belas mulheres. Eram Keylla e Isabela, as guardiãs.

― ‘Então esse era eu antes...?’ ― Rael ficou olhando o ser de vestimentas brancas mescladas com escuro. Era um homem alto, de físico forte e cabelos loiros lisos que desciam na altura do pescoço. A pele dele era branca. Ele usava alguns acessórios, como anéis e uma corrente brilhante no pescoço, tudo cheio de poder das leis.

― ‘Eu era bonito antes e muito sério também, ao que vejo...’ ― Pensou Rael. Não era somente sério, havia uma expressão rígida e arrogante no rosto do homem loiro. Era uma expressão de poder e força. Qualquer um que olhasse, poderia dizer que ele não era alguém comum. Uma intensa quantidade de poder dourada cercava o corpo do homem, de forma sutil e controlada. Isabela e Keylla estavam uma em cada lado. Elas também estavam controlando um grande poder, ao que Rael podia sentir.

 ― Deus de Pedra, eu analisei o seu pedido feito a mim e tomei a decisão de ajudá-lo. Desculpe pelo atraso. Vim hoje para realizar o seu pedido. Irei reviver sua companheira, a cultivadora Laura do Deserto. Ela voltará a vida através da minha permissão. ― A voz do Herdeiro soava com firmeza e Rael pôde ouvi-la muito bem. Era como se fosse a própria voz dele falando, porém de uma outra maneira.

                Isabela e Keylla estavam mais lindas e perfeitas que agora, pois estavam no auge do poder que possuíam quando eram guardiãs, sem terem tido suas vidas tiradas. Elas usavam vestidos bonitos. Isabela um vermelho, que combinava com sua aura fogo e Keylla um azul, combinando com sua aura gelo fria.

                O corpo, em que Rael estava se vendo, tremia. Ele podia sentir as emoções de felicidade correndo por seu corpo, enquanto tinha um olhar brilhante e lacrimejado sobre o Herdeiro, seu antigo eu. Para Rael era estranho estar vendo sua antiga forma em poder total.

― Pare o processo de autodestruição! Irei reviver sua amada Laura imediatamente. ― O Herdeiro ordenou, com sua voz firme e cheia de comando. O tom de voz dele era como se estivesse dando ordens mesmo enquanto parecia falar normal.

                Rael foi forçado a assistir o que o Herdeiro ia fazer, até porque ele também queria, e sua visão estava focada nisso.

                O Herdeiro levantou a mão direita, apertando alguma coisa e muitos símbolos gigantes surgiram no ar. Os símbolos tinham formatos diferenciados e era algo que Rael nunca tinha visto antes, pelo menos não que ele se lembrasse. Um parecia um Sol, queimando com nuvens o cercando. Outro parecia uma estrela com cauda, e assim tinha muitos outros. Eles estavam pelo ar se movendo de forma harmônica e todos eles tinham vários metros de tamanho.

― Eu sou o Herdeiro do Mundo e possuo total liberdade de julgamento para todas as coisas existentes no espaço tempo, vivas ou mortas. Eu ordeno, em nome do meu poder, que se abra o caminho da vida e que traga de volta a cultivadora Laura Voutebel do Deserto! Quero que ela venha com todas as memorias, até seu último dia de vida, e que ela também volte saudável e sem qualquer problema de vida! ― Quando o Herdeiro terminou de pronunciar suas palavras, todos os símbolos estranhos pelo ar pararam de se mover e formaram um túnel branco a frente, repleto de estranhas energias, com um forte poder das leis.

                De dentro do túnel uma forma feminina surgiu e, levantando do fundo, era como uma sombra, que em seguida, foi se aproximando e ganhando forma física, na medida em que se aproximava da saída. A visão de Rael se encheu de lágrimas, enquanto ele via uma bela mulher, morena, magra e de cabelos curtos aparecer.

― Henrique, é você meu amor? ― Perguntou a voz da morena, parada no fim do túnel. Ela se segurava na beirada, enquanto olhava a frente para onde estava Rael. Atrás dela, sem ela notar, estavam o Herdeiro e suas duas guardiãs, flutuando no ar. O túnel em si, tinha sido criado no próprio ar e Rael não entendia no que, afinal de contas, ele se segurava, porque não havia qualquer estrutura física em volta do túnel para mantê-lo no ar.

― Laurinha, meu amor! Você está viva de novo! Graças ao Herdeiro! ― Rugiu a voz saindo da boca de Rael, que não era dele. Era a mesma voz Soberana que ele ouviu enquanto enfrentava o Deus de Pedra.

                Rael foi forçado a olhar de volta para o chão e seus pés presos foram puxados da terra e recuperados instantaneamente. Em seguida, a visão voltou à morena, que agora flutuava saindo de dentro do túnel. Dava para notar que tanto o corpo em que Rael estava, como a cultivadora revivida eram muito poderosos.

― Henrique, quem são eles? Não me diga que é o Herdeiro e suas guardiãs? ― Quando a mulher perguntou, ela parecia perdida. Não precisou de nenhuma resposta para entender segundos depois. Quando entendeu, ela imediatamente pisou no ar, como se tivesse em cima de um piso invisível e se ajoelhou diante do Herdeiro, mostrando um imenso respeito e medo pelo mesmo.

― Não precisa me reverenciar ou mostrar respeito. Eu apenas vim cumprir o necessário! ― Disse a voz do Herdeiro. O corpo em que Rael estava, chorava de emoção e fez o mesmo, se ajoelhando em cima da terra. Ele não se importou com as palavras recém proferidas pelo Herdeiro.

― Eu, o grande Deus de Pedra, que controla o grupo de planetas celestes, jamais esquecerei esse ato de misericórdia por parte do Herdeiro! Se o senhor desejar algo de mim, mesmo que seja minha morte, eu o faria sem arrependimentos! Diga o seu desejo, mestre Herdeiro! ― A voz soou com imenso respeito e ainda emocionada. Estava evidente que o Deus de Pedra não havia se recuperado da surpresa de ter sua amada de volta a vida.

― Eu desejo que você continue vivendo e cuidando bem dos planetas. Alguns deles estavam enfraquecendo por sua ausência e é importante que você retorne a ativa o quanto antes. Esse é o meu único pedido ― O Herdeiro disse forma séria e em tom de comando.

― Sim, senhor! Farei como está me pedindo, com todo o prazer! ― Disse a voz de volta e manteve a cabeça baixa, assim como Laura, a que tinha acabado de ser revivida.

― Muito bem, eu já cumpri aquilo que vim fazer. Vocês podem ficar em paz agora. ― Disse o Herdeiro. Rael ouviu um estranho som de algo sendo puxado, como se fossem ventos se contorcendo. Infelizmente, a cabeça não se moveu por um tempo e Rael não pôde ver o que ocorreu. Demorou algumas respirações, até a voz de Laura voltar a falar.

― Amor, eles já se foram. Agora pode me dizer o que o Herdeiro estava fazendo aqui? ― Perguntou ela. O homem agora tinha se levantado e via a morena flutuando e pousando a sua frente. Comparado a ele, ela era muito menor. Isso não impediu que ele se agachasse e a abraçasse com força, ele chorava enquanto cheirava os cabelos dela.

― Amor, o que há com você? Por que está chorando assim? E o que aconteceu com minha barriga? Eu estou curada? Eu me lembro que essa manhã eu nem estava conseguindo me levantar, de tantas dores. ― Disse ela soltando várias perguntas.

                A visão de Rael começou a se contorcer e ele foi forçado a fechar os olhos. Quando os reabriu, estava de volta ao salão. Ele estava deitado confortavelmente no colo de Yara, que o segurava com todo o cuidado possível, sentada no canto da parede.

― Mas ela é muito bonita Lana, não parece de forma nenhuma uma invocação. As partes bestiais dela também sumiram e ela agora parece uma humana completa e bela ― disse a voz de Isaac, do menino loiro. Rael se virou e viu o menino em sua frente, parado de pé, observando Yara, que não estava nem um pouco incomodada com isso. Em vez disso, ela passava a mão carinhosamente na cabeça de Rael.

                Ao lado de Isaac, estava Lana, também parada em pé. Rael observou que ambos haviam trocado de roupas e nem pareciam ter saído de um combate a pouco. Rael olhou em volta e viu, ao longe, os montes de terra no chão que eram as antigas estátuas guerreiras.

― Oh, você acordou! Que bom. Eu já estava ficando farto desse lugar. Meu nome é Isaac. Já nos conhecemos por nome, mas não formalmente ― disse o menino loiro estendendo a mão para Rael. Rael pensou apenas um pouco antes de estender a própria mão e ele foi puxado para cima ficando em pé ao lado de Isaac.

                Quando Rael foi puxado, Yara pôde se levantar e abanar as roupas para retirar o pó. Lana ficou parada ao lado, olhando para os dois meninos quase do mesmo tamanho.

― Engraçado, você era o ser mais poderoso do mundo e agora é um simples menino como eu, hã? Como se sente sabendo isso? Imagino que deveria ser bem arrogante em sua forma total. ― Supôs Isaac olhando Rael. As mãos estavam apertadas e o menino loiro mantinha uma firmeza estranha no toque. Ele analisava Rael com um ar curioso e cheio de interesse.

― Eu deveria ser, mas não me lembro do motivo. ― Respondeu Rael sem parecer ser nada demais. Em seguida Isaac soltou a mão dele e olhou para Yara novamente.

― Cara, você precisa me ensinar como se faz pra ter uma invocação como essa aí. Eu preciso muito saber como se cria uma mulher dessas ― Disse Isaac ainda admirado com Yara. Rael entendeu na mesma hora o que exatamente ele quis dizer. Isaac tinha interesse em mulheres com aquele corpo de menino. Isso era um fato estranho, porque Rael não sentiu nele o poder de um renascido. De qualquer forma, poderia haver outras centenas de explicações para esse tipo de coisa.

― Você já não tem aquela loira chamada Alessa? ― Perguntou Rael mostrando pouco interesse na conversa.

― Você sabe que não é a mesma coisa...

― Isaac já chega, deixe ele em paz, temos coisas a resolver aqui ― Disse a voz autoritária de Lana, o que fez o menino loiro desanimar um pouco.

― Eu quero a pedra, me entregue ― Rael estendeu a mão, na maior cara de pau, esperando Lana dar a pedra dourada a ele. Eles não tinham negociado isso, mas sequer era preciso. Ficou evidente a quem pertencia aquele tesouro. Se não fosse por Rael quebrar o selo de Lana, ela jamais poderia ter conseguido derrotar o Deus de Pedra.

                Lana não discutiu, apesar de ficar irritada. Ela estendeu a mão fechada para a mão aberta de Rael e entregou a pedra redonda dourada, repleta de poder das leis. Isaac, ao lado, ficou olhando, junto a Yara, que se juntou ao lado curiosa. Agora os quatro, que antes se estranhavam, estavam praticamente juntos, do mesmo lado.

                Rael analisou a pedra redonda em mãos com interesse, enquanto deixava seus dedos sentirem a extensão dela. O poder que fluía dela era intenso, como Rael previra. Essa pedra havia sido usada pelo Deus de Pedra para fortalecer ele e suas estátuas diversas vezes. Era de fato uma pedra especial e poderosa, do tipo terra, que poderia ser fundida em seu braço. Rael guardou ela em seu bracelete por enquanto e depois analisou o mapa em sua cabeça. O Deus de Pedra, tinha dado a ele o mapa de algum tesouro.

― E ai, podemos ir embora agora? A passagem se abriu ali na parede, depois que ele foi derrotado ― Isaac olhava para uma outra parte que havia agora uma passagem, tratava-se de um túnel que Rael não tinha visto antes.

― Vocês podem ir na frente, eu ainda tenho algo a fazer aqui ― Disse Rael e saiu caminhando a frente, deixando Lana e Isaac para trás. Yara passou pelos dois flutuando e seguindo Rael como deveria.

― Vou esperar você na saída, vê se não demora ― Disse Lana e se retirou com o menino loiro, seguindo pelo corredor. Era mais do que claro que Lana não estava gostando da situação atual de ter uma aliança com o Herdeiro, mas agora eles tinham um Pacto de Sangue e, mesmo contra sua vontade, ela teria que aceitar isso.

                Rael seguiu pelos caminhos indicados no mapa em sua cabeça. Era como uma lembrança que ele facilmente conseguia entender e seguir caminho. Agora as armadilhas estavam desativadas e ficava mais fácil ele chegar ao local indicado. Eles facilmente encontraram a falsa parede, que o levaria para a sala do tesouro indicada pelo Deus de Pedra. Rael olhou para Yara antes e depois seguiu em frente, atravessando a falsa parede para o tal tesouro. Rael não sabia qual era o tesouro, ele apenas sabia o local onde busca-lo.

Por Lord Letal | 19/01/19 às 15:41 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama, +18