CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 51 - Encontros

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 51 - Encontros

Tradução: Lord Letal | Revisão: Sneed - Nego

Rael e Mara foram sair do quarto já na hora do almoço, os dois eram quase incansáveis no que se dizia sexo.

Rael sempre se manteve sintonizado com Rose para ter certeza que a mesma estava bem. Quando Rael não estava por perto ela ficava a maior parte do tempo trancada porque Rael não permitia que ela saísse por medo de algo ocorrer a mesma.

Os pais de Mara voltaram em cima da hora os encontrando na cozinha. Todos começaram a almoçar juntos como se fossem já uma grande família.

― Samuel a partir desse ponto espero que você fique atento, não tenho certeza ao certo do que pode ocorrer, mas é possível que você receba propostas pelas minhas costas, eu espero que você não me desaponte ― disse Rayger com um olhar bem firme.

― Não se preocupe senhor Rayger ― disse Rael de volta despreocupado.

― Nossa filha não é um premio nem um simples objeto de conquista, aos meus olhos nesse momento você é bem precioso, mas se ousar trair essa família eu juro que eu mesmo mato você ― disse Neide com um sorriso tão gentil que nem parecia uma ameaça. Agora Rael entendia a quem Mara havia puxado.

― Mãe! Ele jamais faria algo assim comigo! ― reclamou Mara sem graça.

― Eu sei querida, só quero que ele se lembre de não tratar mal minha pequena princesa ― disse ela de volta com um belo sorriso e deu um beijo no rosto de Mara que estava sentada ao lado dela.

― Mãe eu não sou mais pequena! Já tenho dezenove anos e nem sou mais virgem! ― Mara disse quilo com tanto orgulho que nem percebeu o que tinha acabado de dizer. Rayger praticamente tossiu uma colher comida da boca e a mãe sorriu sem jeito levando uma das mãos a boca para tentar esconder algo que já não era possível esconder. Mara ficou roxa e antes que as perguntas começassem ela já soltou.

― Qual é o problema? Eu perdi com o meu noivo então não tem nada de errado não é mesmo Samuel? ― perguntou Mara buscando auxilio pela burrada cometida. Ela tinha olhos arregalados, ela jamais esperaria deixar escapar algo assim de sua própria boca.

A sorte maior dela é que seus irmãos não estavam presentes. Cada um deles já tinham suas próprias casas e suas mulheres, obviamente não iam ficar a todo momento na casa dos pais. Mas visitavam com frequência.

― Verdade e foi muito bom ― disse Rael despreocupado. Ele parecia não dar a mínima importância para as ameaças dos pais. Mara se sentiu com vontade de enfiar a cara em um buraco. Porque ela achava que Rael fosse ajudar, mas acabou foi a deixando mais constrangida.

                Não era tão incomum noivos terem relações antes, essa coisa de se entregar só depois do casamento já tinha saído de moda. Relações antes do noivado dentro de um mês era completamente aceitável, até mesmo para ajudar a gerar um filho mais rápido. Por isso os pais de Mara não ficaram revoltados, mas a situação foi um tanto constrangedora para todos os presentes, aquilo não era um assunto que deveria ser tratado em um almoço, ou talvez em qualquer outra situação.

― Pelo menos sabemos que os dois estão tentando nos dar alguns netos meu querido ― disse Neide sorrindo olhando Rayger. Rayger continuava com aquela expressão confusa de quem foi ofendido e não sabia como lidar com isso.

                A tarde Rael e Rose saíram em uma caminhada pelo território. Não eram apenas membros do clã que andavam pela rua, tinha também, muitos escravos, as vezes passando só ou com seus mestres, mas sempre empenhados em alguma função. Carregando cestas de roupas, compras, as vezes apenas acompanhando, havia muitas atividades para os escravos.

                Rael fez uma visita a muralha para tentar encontrar os homens que o mataram naquela noite. Rael jamais esqueceu do rosto de nenhum deles e era agradecido pelos mesmos terem tirados as mascaras antes de mandá-lo para a morte. Conseguiu encontrar três dos cinco, Reges não estava entre eles. Como os guardas também eram membros da família, era possível que os outros dois estivessem em horário de descanso.

                Rael andou pela cidade sempre ao lado de Rose. Os dois não andavam de mãos dadas porque Rose sempre se afastava de Rael quando via algo diferente para olhar, fosse um quadro, uma rosa diferente, uma borboleta ou algum pequeno animalzinho de algum membro. Cachorros, gatos, pássaros. Rael não se incomodava as vezes de esperar Rose brincar com algum deles, quando os olhares desses membros se cresciam para Rose, então Rael tomava a frente passando o braço pelo pescoço dela, fazendo eles entenderem de quem era aquela garota.

                Rael pretendia treinar nas escolas do clã, mas ainda era cedo para isso. Ele queria usar alguns dias para entender o atual funcionamento do clã. As rondas dos guardas, a troca de turnos, os horários de todos os guardas envolvidos em sua morte.

― Samuel e Rose! ― uma voz feminina gritou por eles. Quando se viraram descobriram que eram Ariane e Adrian se aproximando.

― Oh são vocês ― disse Rael um tanto surpreso e olhou para o braço de Adrian, ele estava apenas com algumas faixas.

― Vocês finalmente chegaram, não imaginei que Mara fosse deixar ela vir ― disse Ariane olhando Rose.

― Ela não teve muita escolha ― disse Rael de volta. Os dois tinham acabado de parar em frente a eles.

― Parabéns por ter ganhado o evento, não esperava menos de você ― elogiou Adrian.

― Obrigado, vejo que seu braço está melhor ― disse Rael.

― Está sim, o medico disse que não ficará nenhuma sequela ― disse Adrian com um sorriso.

 ― Nós não vamos mais participar do torneio familiar, depois daquela derrota para você descobrimos que não temos chance alguma ― disse Ariane com um ar de descontentamento.

― Vão desistir sem nem tentar? ―perguntou Rael.

― Eu não tenho como vencer Mara, Adrian me disse que ela já está acima do quinto reino porque nem ele pode senti a energia dela. Porém Mara não é o problema maior, tem outros primos que estão no sexto reino ― disse Ariane.

― E vocês dois como ficam? ― perguntou Rael. Para ele Adrian só estaria com Ariane por causa daquele torneio familiar.

― Nós ficamos bem, eu tentei sim arrumar uma pessoa forte para me ajudar, mas Adrian é gentil comigo e mesmo sem o torneio iremos permanecer juntos ― explicou Ariane.

― Se é o caso isso é bom ― disse Rael normalmente. Depois daquilo se despediram e cada um seguiu seus rumos.

                Rael e Rose foram até um dos locais de treino físico para crianças perto do fundo, atrás da casa do patriarca. Havia alguns troncos presos no chão que eram usados para treinar socos e chutes. O local agora estava deserto e isso fez Rael ficar se vendo quando ainda morava aqui e tinha apenas um braço. Ele batia tanto nos troncos que sua única mão sangrava. Ele ficou pensando o quanto sofreu tentando ser alguém dentro de um clã de monstros.

― As crianças costumam treinar aqui dos sete até os dez anos ― disse uma voz já conhecida que gelou todo o interior de Rael. Quando ele se virou era sua mãe Elisa, usando as mesmas roupas de mais cedo. Ela continuava maquiada mantendo uma boa aparência e um ar orgulhoso.

― Senhora mulher do patriarca ― disse Rael a cumprimentando tentando parecer calmo enquanto seu peito se enchia de gelo. Rose não disse nada do lado, apenas cumprimentou também.

― Estão passeando? A propósito essa garota é?... ― perguntou Elisa.

― Rose, minha segunda noiva ― disse Rael levantando a cabeça. Ver a própria mãe não era uma tarefa fácil, mas ele não conseguia entender porque ela havia seguido ele até aqui.

― Com apenas quinze anos e já tem duas noivas, isso é surpreendente ― disse ela de volta.

― É o que maioria acha ― disse Rael sem querer conversa muito.

― E você é de onde? Apesar de ter sido apresentado não falaram muito de você ― perguntou Elisa curiosa.

― Sou de uma pequena cidade chamada Meltra, talvez a senhora não conheça ― disse Rael sem querer dar detalhes de sua história inventada.

― Conheço sim essa cidade. Tem uma igreja velha abandonada do Deus Mundel, pelo menos ainda tinha da ultima vez que estive lá ― comentou Elisa.

― E quem é seu mestre ou onde treinou? ― perguntou Elisa porque Rael tinha entrado em silencio.

― É uma mestra ― disse Rael sempre passando respostas curtas, ele não queria conversar com sua mãe, queria evitar porque se ele cometesse um deslize e ela descobrisse sobre ele agora isso seria bem desastroso.

― Imagino que sua mestra deva ser uma pessoa sensacional, conseguiu deixar você quase no quarto reino com apenas quinze anos ― insistiu Elisa.

― É que minha mestra não me permite falar sobre ela para os outros ― disse Rael.

― Não fala muito de você, não fala da sua mestra. Por acaso você está tentando esconder alguma coisa de mim? ―perguntou ela dando um passo a frente enquanto procurava uma brecha no olhar de Rael. Elisa tinha um ar orgulhoso e olhos atentos como os de uma águia. Ela sabia que não era normal ela ter sentimentos estranhos por um jovem. Por isso ela buscava qualquer resposta em Rael, qualquer coisa que a fizesse entender aquele sentimento.

― A senhora é a esposa do patriarca. Eu não quero ser visto conversando com a esposa de alguém tão importante ― disse Rael e deu um passo para trás tentando manter a distancia de um metro dela.

― E nós estamos fazendo algo de errado? Qual é o problema de conversarmos? ― perguntou ela com um meio sorriso.

― Por que a senhora tem interesse em mim? Eu sou apenas o noivo de Mara, nada mais que isso ― disse Rael cuidadosamente.

― Interesse? Se você já coloca dessa forma então eu respondo que tenho. Quero que me diga sua história ― disse ela novamente.

― Minha história não é boa o suficiente para tomar seu precioso tempo senhora, é por isso que eu não quero contar.

― Eu não tenho nada melhor para fazer agora ― insistiu Elisa deixando Rael cada vez mais encurralado.

― Na verdade eu devo ir, tenho uma coisa importante a fazer ― disse Rael sem ter outro jeito e se virou, Rose já estava fazendo o mesmo.

― Você não vai a lugar nenhum garoto ― disse Elisa e estendeu a mão segurando o braço direito de Rael. Rael que estava contendo o ódio parou de se mover. Elisa não viu porque estava nas costas dele, mas os olhos de Rael foram cobertos de uma intensa escuridão e seu corpo inteiro estremecia enquanto uma aura escura invisível estava sendo liberada. Rael sentiu o braço direito começar a esquentar, algo estava prestes a acontecer...

― ‘Rael controle-se’ ― disse Rose mentalmente sentindo o ódio de Rael crescendo.

― Mãe? Eu estava te procurando ― uma voz feminina soou atrás de Elisa. Quando Rael ouviu aquela linda voz seu corpo começou a se acalmar, isso porque o braço de Elisa finalmente o soltou.

― Filha você voltou? Eu estava com saudades ― disse Elisa esquecendo Rael. Elisa e Natalia caminharam uma até a outra e se abraçaram. Rose ficou olhando de lado para a única garota que tinha sido gentil no passado com Rael.

                Quando Rael se acalmou ele se virou para ver sua irmã. Seu coração agora batia suavemente, seu interior tinha se aquecido apenas por ouvir aquela voz e o gelo dentro de si tinha desaparecido. Naquele momento ele sentiu uma verdadeira saudade de sua irmã que não a via há anos, a única de quem ele sentia falta.

                Natalia tinha uma altura média, magra, pele bem branca, cabelos lisos, castanhos e longos abaixo dos ombros. Ela tinha os mesmos olhos verdes do pai. Natalia era uma bela garota, ela era como uma futura linda flor desabrochando. Seu corpo era delicado e seu sorriso era luminoso. Ela sorria enquanto falava com a mãe. Rael não estava ouvindo a conversa, tudo que ele via em seus olhos era Natalia e aquele sorriso lindo dela.

                No passado aquela era a única pessoa que o tratava bem. Rael apesar de morrer e reviver ele jamais a esqueceu e sempre pensava nela. Para Rael aquela garota tinha tanto valor para ele como Violeta.

                Rael estava tão concentrado nela que de repente, Natalia se virou curiosa para ele e os olhares do dois finalmente se cruzaram. Natalia estava ainda sorrindo, mas quando os olhos se cruzaram ela ficou mais concentrada e isso a fez ficar mais séria. Elisa virou-se olhando de um para o outro e mais uma vez se sentiu estranha. Por que aquela cena se parecia tão estranhamente familiar com algo? Elisa se perguntava.

Por Lord Letal | 28/11/17 às 23:33 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama