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Capítulo 53 - O Encontro com Natalia

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capítulo 53 - O Encontro com Natalia

Tradução: Lord Letal | Revisão: Sneed - Nego

Rael no mesmo instante conteve a intenção de atacar e deixou a mão se abrir. Até aquele momento ele nunca tinha tido uma oportunidade de cruzar com Natalia estando sozinhos.

― Esse não é o lugar mais romântico para namorar ― comentou Natalia abrindo um leve sorriso de lábios fechados para os dois.

― Estamos apenas passeando. E você o que faz aqui? ― perguntou Rael de volta rapidamente.

― Vim apenas passar um tempo, esse lugar é meu refugio. Quando me sinto solitária é aqui que venho ― disse Natalia olhando a arvore.

                Rael se lembrou que Natalia as vezes aparecia. Enquanto ele treinava seu único punho na época, ela chegava para assistir ou treinava com Rael. Quando Natalia aparecia tudo ficava mais divertido naquela época, ela era sua única companhia. A única pessoa que nunca o ofendeu por ele ser um aleijado quando criança.

― Esse lugar parece tão triste ― disse Rael apenas para observar o que ela falaria. Natalia fez uma expressão séria e parecia pensar em algo enquanto centrava seus olhos no tronco a frente.

― Agora parece um pouco, mas nem sempre foi assim ― disse ela.

― Nem sempre? ― perguntou Rael interessado.

― É uma história proibida, promete não contar a ninguém? Se prometer eu falo sobre isso ― disse Natalia olhando Rael de lado.

― Sim ― disse Rael sem prometer nada, apenas ficou olhando a irmã a frente estender a palma da mão e tocar delicadamente a arvore como se fosse seu maior tesouro.

― Eu tive um irmão, ele sempre vinha treinar e usava essa arvore como alvo. Foi a vários anos atrás. Tinha os momentos alegres, mas na maior parte é uma história triste ― comentou ela como se pensasse bem longe.

― Você gostava desse irmão? ― perguntou Rael.

― Se gostava? Eu o amava! De todo meu coração. Nós brincávamos muito e era quase tudo bem divertido ― disse ela. Rael se virou olhando o outro lado porque seus olhos vacilaram por um tempo. Mesmo nas costas Natalia continuou falando.

― O nome dele era Rael. Ele nasceu com um problema, não tinha um dos braços, então por isso não podia cultivar. O clã inteiro o ofendia e eu nunca fiz nada por ele ― disse Natalia e Rael sentiu que o tom de voz dela estava se alterando.

― Ele salvou minha vida uma vez ― disse ela fazendo uma curta pausa e continuou. ― Uma certa tarde quando vim vê-lo treinar, fui cercada por uma besta lobo prateada, como criança meu cultivo ainda era muito fraco. Naquele momento os guardas estavam trocando de turnos, era nessa hora que eu geralmente vinha vê-lo porque ninguém me percebia. Ele escutou o barulho e veio correndo para ajudar. Ele chegou segurando um pedaço de pau e pulou na frente entre mim e besta. Ainda hoje me lembro, mesmo com apenas um braço ele era tão corajoso, se ele não tivesse chegado naquele momento, a besta teria pulado em mim e teria me devorado. Ele a fez recuar ela não fugiu, mas foi tempo o suficiente para os guardas chegarem depois de sentirem a presença dela ― disse ela fazendo uma pausa. Rael permaneceu de costas porque ele se lembrava desse evento.

― Sabe, eu via tudo que faziam com ele, mas nunca o salvei e ele se foi, eu nunca o agradeci por ter me salvado eu nunca... ― a voz de Natalia parou de repente e Rael escutou um “Pa” meio moco. Quando Rael se virou a moça estava de joelhos para a arvore com as mãos cobrindo o rosto. ― Eu nunca fiz nada por ele. Os adultos me arrastavam para longe e eu nunca lutei contra. Minha família, meus pais, minha prima... eu nunca enfrentei ninguém, sempre fui fraca ― ela dizia quase chorando enquanto permanecia com o rosto escondido entre as mãos.

― Irmã... ― Rael se aproximou e parou a menos de um metro dela, sua mão direita estendida querendo tocar aquele ombro, mas sem saber o que diria a seguir, porque ele não podia simplesmente contar a verdade ainda.

― Você deve me achar uma tola agora não é? ― perguntou ela se virando para Rael enquanto retirava as mãos do rosto. Seus olhos estavam bem molhados, mesmo ela tendo passado as mãos.

― Tola? ― perguntou Rael recuando a mão. ― Eu jamais acharia você assim. Ter sentimentos não significa que alguém seja tolo.

― Você ta chorando? ― perguntou Natalia curiosa se levantando olhando Rael.

― Eu? Claro que não! Foi algo que caiu em meu olho ― disse Rael rapidamente e limpou a lagrima com as costas da mão.

― Eu peço desculpas aos dois, eu não costumo ser assim mesmo quando falo do meu irmão, é que desde o dia que te vi, eu me sinto diferente ― disse Natalia.

― Que me viu? O que quer dizer? ― perguntou Rael surpreso.

― Eu não sei, quando te vejo eu me sinto bem e ao mesmo tempo, tenho um sentimento estranho de saudade e tristeza. Eu nunca vi você antes, mas parte de mim acredita que já viu ― disse Natalia e olhou de lado para o chão.

                Rael tinha tanta vontade de abraçar aquela garota, o mais forte que pudesse e dizer que estava ali. Ele chegava a se tremer sem poder fazer nada. Tudo que ele podia era admirar e matar as saudades olhando sua bela irmã, tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Ela parecia tão frágil aos olhos, era como se ela estivesse gritando socorro para Rael. Toda vez que Rael olhava nos olhos dela tinha essa impressão.

― ‘Rael por que não conta a ela? Ela gosta de você então ela vai guardar segredo. Ela mesma disse que nunca tinha feito nada por você e essa seria a chance dela’ ― disse Rose que acompanhava a tudo e sentia a tristeza de Rael.

― ‘Eu não posso contar Rose, eu não posso’ ― repetiu Rael varias vezes. Porque ele mesmo queria contar mas sentiu que era melhor não o fazer.

― Eu acho que estou atrapalhando vocês dois então vou me retirar ― disse ela se virando e naquele momento Rael estendeu a mão esquerda segurando o braço dela a parando.

― Você não está atrapalhando, se quiser falar de qualquer coisa nós ouviremos ― disse Rael. Natalia ficou olhando perdida a mão de Rael segurando o braço dela e isso fez Rael retirar o braço rapidamente em seguida. ― Desculpe se assustei você ― disse ele.

― Não assustou. Me fale de você então? Como conheceu minha prima? Vocês se dão bem? ― perguntou Natalia mudando o assunto. Rael sorriu antes de começa a falar.

― Sua prima não é uma das melhores companhias que já conheci, eu ainda to dando um jeito nela. Ela é muito teimosa e malvada as vezes. Você se dá bem com Mara? ― perguntou Rael de volta após responder a pergunta dela.

― Não muito, desde que meu irmão desapareceu ela se afastou de mim, as vezes ela mesma me chama de fraca. Mas antes éramos amigas, tudo mudou por causa dessa disputa dentro do clã.

― Você pretende participar do tal torneio? ― perguntou Rael. Ele sentia a força da irmã. Ela estava no terceiro reino nível quatro. Uma verdadeira gênio pela velocidade de desenvolvimento comum dentro do limite.

― Não, eu não sou forte o suficiente, em vez disso ele... ― ela parou de falar depois levantou o rosto voltando a olhar Rael. ― Você me enrolou, não me disse nada de você ainda! ― reclamou ela.

― Eu não tenho muito o que dizer. Treinei com uma mestra por vários anos, me fortaleci e resolvi aparecer ― disse Rael praticamente sem dizer nada.

― Ué? E a família? Teve irmãos? Seus pais? Onde morava? ― insistiu ela.

― Se continuar me fazendo essas perguntas vou pensar que você tem interesses especiais por mim ― disse Rael sem jeito. Na verdade ele não queria ficar mentindo para a própria irmã.

― Eu? É claro que não! ― disse Natalia rapidamente ficando vermelha. ― É só que eu queria perguntar, só isso.

                Os dois ficaram em silencio por um tempo em seguida ela disse.

― Gosto da sua companhia, mas preciso ir, se eu não voltar rápido minha mãe me mata ― disse ela e saiu caminhando apressada sem olhar para trás. Rael e Rose ficaram só olhando as costas da moça indo embora.

― ‘Você deixou ela bem sem graça’ ― disse Rose.

― ‘Eu não queria ter que inventar mentiras’ ― disse Rael de volta.

                No quinto dia de manhã finalmente Rael recebeu permissão para deixar o clã por uma semana e ir visitar sua mestra.

                Rayger estava preparando os homens que iriam com Rael, ele jamais permitiria que Rael saísse sozinho depois dos últimos eventos. Dentro do clã Rael estava seguro por causa de toda a vigilância, mas uma vez fora ninguém poderia garantir a segurança dele.

                Rael até que insistiu em partir sozinho, mas Rayger não se dobrava, nem ele nem a esposa. Neide até entregou um anel de comunicação a Rael.

― Esse anel só familiares próximos possuem. Eu, meu marido e meus filhos, agora estamos dando um a você ― disse Neide antes de entregá-lo.

O funcionamento dos anéis de comunicação era muito simples. Se qualquer pessoa usasse ele, todas que tivessem aquele conjunto de anéis ouviriam como se fosse um pensamento dentro de sua cabeça, mesmo que Rael quisesse apenas conversar com Mara, se mais pessoas tivessem todos ouviriam, era por isso, que a maioria das pessoas possuíam três ou quatro anéis de comunicação. Se o mesmo não está no dedo a comunicação não pode ser ouvida e nem passada. Se a pessoa também estiver dormindo não será acordada e nem ouvira a mensagem passada.

― Todos esses sete homens são da minha maior confiança, eles irão acompanhá-lo tanto na ida quanto na volta ― disse Rayger com todos aqueles homens disponíveis. Os homens estavam todos em posição de respeito voltados a Rael, obviamente Rael não conseguia sentir o nível de nenhum deles.

― Agradeço a preocupação, mas não posso ir com todo esse pessoal. Minha mestra é extremamente nervosa e se eu apenas sonhar em aparecer com todos eles ela com certeza mataria eu e todos juntos ― disse Rael surpreendendo todos.

― Sua mestra pode mesmo matar homens dentro do poder lendário tão facilmente? Todos esses homens estão no décimo reino, Lendário poder oculto. Mesmo para elders de famílias mais poderosas isso ainda seria muito trabalhoso ― disse Neide.

― Minha mestra não é alguém que eu considero normal ― disse Rael.

― Samuel eu não vou permitir que você saia sozinho, é pela sua própria segurança. Isso nem é um assunto que possa ser discutido ― disse Rayger firmemente. Rael suspirou e tirou de dentro do bracele um pergaminho cheio de símbolos. Era um Chamado Espiritual, apenas pessoas acima do décimo segundo reino poderiam criar aquilo. (Lendário Poder das Leis).

― Dessa vez vou pedir desculpa para minha mestra em nome de vocês e dizer que não sabiam, que isso não aconteça novamente ― disse Rael, retirou a luva esquerda e mordeu a ponta do dedo polegar, depois passou o dedo por cima do pergaminho aberto deixando um rastro de sangue. Os símbolos do pergaminho começaram a brilhar intensamente diante dos olhos de todos.

                Rayger e Neide se olharam. Eles começavam a perceber que a mestra de Rael definitivamente não era alguém normal. O nível (lendário Poder das leis) era algo muito acima de qualquer coisa esperada. Isso sem mencionar o fato que ela ainda poderia ser mais forte do que estavam tentando imaginar. Mesmo no clã Torres inteiro haviam poucas pessoas dentro daquele reino. Tal poder já era muito respeitado. Mas nem todos eram capazes de criar Chamados Espirituais, isso exige muito mais que somente níveis de poder. Exige um estudo e um entendimento absoluto nas leis da cultivação que abrangem muito mais coisa. Tal mestra, só poderia ser um mostro.

― Sua mestra é mesmo capaz de criar esse tipo de coisa? ― perguntou Rayger muito chocado. Ele agora tinha um certo cuidado com as palavras. Neide se acalmou muito mais rápido que o marido, agora ela tinha uma expressão mais sorridente, isso porque Rael já era praticamente da família. Ela também vinha investindo muito bem nele, então imaginar um mestre de tal poder por trás de Rael a deixou feliz. Era quase como uma recompensa pelo investimento que só estava começando.

                Rael se lembrava de quando Violeta entregou e explicou o uso daquele pergaminho.

― ‘Lembre-se, você só deve usar quando estiver em uma situação entre a vida e a morte, eu não sou sua mãe nem sua guarda costas, então não me amole a menos que uma dessas coisas ocorram. Não se esqueça, a vingança é sua, não me envolva a não ser que seja realmente necessário’ ― na época Violeta tinha deixado isso bem claro.

Por Lord Letal | 28/11/17 às 23:36 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama