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Capitulo 76 - Mundo Completo

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capitulo 76 - Mundo Completo

Revisão: Lord Letal, Sneed - Nego

Mara ficou um pouco de tempo abraçada com Rael sobre aquela tristeza. Rael não estava no mesmo estado, mas podia sentir a tristeza que abalava o coração dela. Ele foi o mais carinhoso possível enquanto ficou tentando confortar Mara, mas o sono estava ficando muito intenso e seu corpo quase não estava aguentando.

                Desde o fim do torneio ele vinha ficando cada vez mais cansado, ele tinha usado uma grande quantidade de energia, muito mais do que um corpo do quinto reino poderia aguentar. Depois ainda ficou cuidando de Mara até ela acordar. Rael estava quase completamente esgotado e ele acabou, pouco a pouco, desabando sobre o corpo de Mara.

― Samuel! Samuel o que está acontecendo? ― perguntou Mara tentando segura-lo. Natalia se levantou e juntas seguraram Rael.

― Esposa cuide dela, não deixe os pais dela... ― Rael tentou falar, mas no processo acabou caindo no sono com o rosto colado nos peitos de Mara.

                Com ajuda de Natalia, Mara deitou Rael na cama que a pouco havia sido usada por ela. As duas ficaram olhando Rael preocupadas. Nenhuma disse nada uma para a outra enquanto o olhavam dormir tranquilamente. Ele só esperou mesmo Mara acordar.

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                Rael abriu seus olhos e levantou-se da cama. Ele estava mais uma vez na biblioteca o que já era esperado por ele.

― Então esse lugar existe na minha mente a vários anos, mas só agora estou me dando conta disso com mais clareza ― disse Rael sozinho.

                Ele sentiu a presença de Violeta a algumas centenas de metros e se dirigiu para lá no mesmo instante passando pelos corredores de livros.

                Violeta estava sentada em uma cadeira, tinha na frente uma mesa com uma pilha de livros em cima. Como Rael chegou pelas costas ela não viu.

― Me diga, você nunca pretendia me contar sobre esse lugar? ― perguntou Rael surpreendendo Violeta que se levantou e virou para ele.

― Rael? É você mesmo? Está consciente dessa vez?

― Estou bem consciente agora ― respondeu Rael.

― Isso me deixa muito feliz ― disse Violeta sorrindo.

― Há alguns dias venho tendo sonhos com esse lugar, quando eu acordava nunca lembrava de tudo. Eu consigo sentir agora que esqueci muitas coisas. Você nunca esquece?

― Não. Eu já sou muito poderosa, nem mesmo sonhos escapam da minha mente ― disse Violeta sem pensar muito.

― Mundo Completo, é o nome desse lugar, um tipo de lugar onde existem livros com conhecimentos de todos os tipos que se possa imaginar ― disse Rael como se respondesse a uma pergunta feita por ele mesmo.

― Então você já sabe ― observou Violeta.

― E o quanto você sabe sobre isso? Me diga? ― perguntou Rael.

― Você é o herdeiro desse lugar. O que sei sobre esse poder é uma lenda ainda, nas histórias que ouvi você seria como um deus vivo, capaz de se unificar e usar qualquer tipo de poder no mundo. Sua essência vital é diferente de qualquer pessoa existente, por isso você é compatível com todos os tipos os tipos de poderes.

― E isso também em se tornar compatível com a raça celestial de Rika e Rose ― disse Rael depois de entender tudo rapidamente.

― Sim ― concordou Violeta. ― Elas reconheceram você quando fez o pacto com Rose.

― Rose mencionou algo sobre uma porta do infinito na época ― lembrou Rael.

― Exatamente. A porta do infinito é como uma chave que existe em você, é com ela que você vem parar nesse mundo e é com ela que você poderá acessar outros mundos.

― E como você tem acesso a esse mundo Violeta?

― Eu não te disse uma vez? Você herdou meus poderes e eu herdei parte dos seus, não posso fazer tudo que você faz, mas pelo menos tenho acesso ao conhecimento.

― O que exatamente eu posso fazer? ― perguntou Rael curioso.

― Não sei, tudo sobre essa sua herança ainda é um mistério. Ela é muito mais poderosa do que você pode imaginar.

― Foi por isso minha vida foi um inferno, o problema que tive no braço quando nasci, surgiu por causa desse poder, meu corpo não desenvolveu direito ― disse Rael baixando o rosto, agora tudo começava a fazer um pouco de sentido.

― Você está certo. Esse poder foi grande demais para você suportar na época, na verdade eu nem sei como você ficou vivo, nem sei como um poder desses pode viver em você ― disse Violeta em seguida.

― Todas as coisas que eu sabia sem me lembrar, eram conhecimentos que eu tirava constantemente desse lugar ― disse Rael consigo mesmo.

― Você era como uma pessoa hipnotizada sem sua consciência. Quando você dormia curioso com alguma coisa, você vinha e aprendia o que precisava aprender lendo livros. Eu sempre tentei conversa com você, mas você não ouvia, não ligava pra mim ― explicou Violeta.

― Eu posso sentir uma forte energia em todo esse lugar ― disse Rael e girou em volta. ― É como se ele estivesse ligado a minha vida ou algo assim.

― É parte de você, afinal você tem a chave desse lugar ― disse Violeta e sorriu.

― E o quanto esse lugar é real para nós? Isso tudo seria somente um sonho? Você nesse momento está dormindo? Estamos dormindo? ― perguntou Rael olhando Violeta.

― Estamos, mas nossa essência vital está ligada a esse lugar, uma vez que estamos aqui.

― O que você quer dizer? ―perguntou Rael.

― Quero dizer que tudo que acontece aqui, acontece também com nossos corpos ― disse Violeta e se aproximou de Rael. Rael ficou parado e Violeta segurou nos ombros de Rael, depois aproximou o rosto e beijou o pescoço de Rael, na verdade, ela estava chupando o local e Rael começou a se arrepiar todo.

                Os macios lábios de Violeta faziam cócegas na pele de Rael. Rael aproveitou e cheirou os cabelos de Violeta, o cheiro era o mesmo, era como se ela estivesse mesmo ali. A sensação do toque, o cheiro... tudo era tão real.

― O que você fez? ― perguntou Rael olhando ela surpresa quando ela se afastou com um leve sorriso. Depois ele passou a mão no local que ficou vermelho depois dela chupar.

― Deixei uma marquinha em você, quando você voltar olhe o local no espelho e vai entender que tudo que acontece aqui, é também passado para o seu corpo lá.

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                Mara tinha tomado um banho demorado e relaxado. Ela se vestiu com calma no banheiro mesmo estando tão preocupada com Rael. Ela havia deixado Natalia cuidando dele.

                Mara tinha pensado a respeito das ações de Rael. Até aquele momento ela não entendia como ele de repente tinha se interessado por Natalia, tudo bem que Natalia era linda, mas ele, não parecia ser o tipo que se preocupava com isso. Essa linha de pensamento fez ela se lembrar de Isabela que também não era nada mal. Pensando nisso Mara ficou um pouco irritada, ela odiava homens que tinham varias mulheres e não cuidava de todas.

                No clã Torres Mara conhecia diversos homens com mais de cinco esposas, essa história nunca acabava bem para as esposas. As mesmas eram sempre esquecidas. Se uma era mais bonita que outra, pronto, aquelas iriam ficar sabe-se lá quanto tempo esperando o marido ter algum desejo por ela novamente. Por isso Mara repudiava homens assim e tinha jurado a si mesma nunca aceitar isso. O problema é que Rael atraia muita atenção e parecia ser atraído facilmente por qualquer mulher bonita.

                Ela não queria brigar com Rael, mas assim que ele se acordasse eles iriam discutir aquilo mais uma vez. Além dela estar arrasada com o fato de perder o filho, Rael ainda ficava tentando arrumar novas esposas e namoradas por ai. Pelo menos era o que ela pensava.

                Mara voltou para o quarto e encontrou sua prima quietinha sentada no mesmo lugar, no canto da cama. Mara ainda estava com uma toalha nos cabelos e olhou de relance Rael.

― Assim que ele acorda me avise ― disse Mara e já ia saindo quando viu algo de estranho, se aproximou de Rael e notou que havia uma marca no pescoço dele, um chupão.

― Prima o que significa isso? ―perguntou Mara que antes de sair do quarto não tinha visto aquela marca em Rael.

― O que foi prima? ― Perguntou Natalia de volta erguendo o rosto curiosa.

― O que foi? Você fica se fazendo de santinha para atacar meu marido enquanto ele dorme? Qual é o seu problema? ― perguntou Mara já ficando nervosa.

― Eu não fiz nada! Eu juro, nem sai desse banco ― disse Natalia o mais rápido possível.

― Então venha aqui e me explique isso ― disse Mara apontando a mão para o pescoço de Rael. Natalia se levantou e chegou perto da prima olhando o local curiosa.

― Prima não fui eu, eu nem toquei nele ― disse Natalia ficando pálida, a garota já era branca ficou mais branca ainda.

― E quem além de nós entrou aqui no quarto? A empregada entrou por acaso? Você saiu daí? ― Mara iniciou uma série de perguntas.

― Não! Ninguém entrou no quarto e eu não sai daqui, a última a tocar nele foi você ― disse Natalia.

― Eu? Agora você está dizendo que fui eu que fiz isso?

― Não eu não disse, só disse que foi a ultima a tocar nele ― explicou Natalia.

― Quando eu o deixei essa marca não estava ai. Você se faz de santa para atacar meu marido enquanto ele dorme? É isso? ― Mara não parava de insistir.

― Eu juro prima, não fiz nada ― Natalia continuava negando.

― Está me dizendo que isso apareceu do nada? Aliais, ele tinha seu cheiro quando eu o abracei antes, vocês já estavam tendo um caso antes de se noivarem?

― Não prima, confesso que ele me abraçou uma vez nessa tarde, mas foi só isso. Eu juro que não fiz nada, eu até pensei que ele fosse me beijar na hora, mas ele beijou minha testa. Prima eu não estou mentindo para você, eu não ousaria, por favor acredite em mim ― Natalia falava tão suavemente e com um rosto tão lívido que era impossível Mara não acreditar, sem mencionar que ela estava nervosa demais, isso convenceu Mara que não tinha sido mesmo ela. A verdade é que Natalia sempre foi muito quieta e Mara que não gostava muito disso.

― Se não foi você? Quem foi então? ― perguntou Mara e olhou em volta por um momento caçando alguma outra mulher invisível.

― Não sei ― disse Natalia e também olhou em volta, como se não tivesse certeza que as duas estavam sozinhas.

― Agora só falta meu marido andar sonhando e namorando escondido nos sonhos, era só o que me faltava ― disse Mara com as mãos na cintura.

― Eu sinto muito pelo seu filho ― disse Natalia aproveitando que as duas estavam conversando. Natalia já queria ter dito aquilo muito antes.

― Você ouviu sobre isso? Não diga nada aos meus pais, eles não sabiam e nem devem saber ― disse Mara rapidamente. Natalia ficou do lado sem jeito.

― E outra coisa, eu não vou aceitar você aqui com essa cara de animal abandonado. Trate já de por um sorriso nesse rosto e alegre-se. Se você não gostava de morar com seus pais não é problema meu, o que você não pode fazer é ficar com a mesma cara na minha casa. Quando meu marido acordar não vai querer te ver triste, então não me faça repetir esse pedido depois ― reclamou Mara e os pequenos olhos de Natalia já se encheram de lagrimas.

― Qual é? Você vai chorar de novo? Eu acabei de reclamar...

― Prima desculpa eu...

― Desculpa? Então chega de tristeza, chega de choro, você não é mais uma criança, você já é uma moça ― reclamou Mara de novo. Ela foi surpreendida por um abraço de Natalia.

― Natalia o que foi agora? ― perguntou Mara quando foi abraçada pela garota.

― Obrigada por me aceitar, obrigada por não ter raiva de mim ― disse Natalia.

― Tudo bem, só me escute viu? Até ele acordar sorria...

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                Rael separou alguns livros que desejava ler em uma mesa. Acabou juntando uma pilha igual a Violeta. Ele ficou em uma mesa do lado da dela.

                Rael escolheu livros baseados no que ele era agora (O Herdeiro do Mundo Completo). Ele queria se conhecer melhor, entender o que ele podia fazer e os poderes que ele podia controlar.

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                As horas passavam, Rael estava muito concentrado na leitura e no aprendizado sobre suas próprias capacidades.

                Dentre elas ele já tinha lido algo sobre ser capaz de utilizar qualquer arma, armadura, relíquia ou artefato mágico já criado no universo. Rael achou que o livro poderia está mentindo mas não faria sentido.

                Outra coisa que ele descobriu é que pedras com essências elementais assim como a Pedra Raios do Mar, poderiam ser combinados com seu braço e ele já havia combinado a primeira pedra, por isso, seu braço passou a utilizar o elemento raio.

                Em algum momento Violeta se levantou.

― Eu já estou indo, meu corpo irá se despertar a qualquer momento ― disse Violeta do lado de Rael.

― E eu? Quando vou acordar? ― perguntou Rael.

― Seu corpo físico está um trapo, talvez você durma por um dia ou dois dias inteiros Rael. Eu percebi quando te abracei naquela hora.― Disse Violeta.

― Mas eu estou bem, eu não estou sentido cansaço nenhum agora ― disse Rael.

― Quando estamos nesse espaço de tempo não sentimos cansaço, afinal, nosso corpo está descansando não é mesmo?― Disse Violeta.

― Isso não faz nenhum sentido.― Disse Rael.

― Talvez não faça, mas é assim que funciona.― Disse Violeta.

― E se eu quiser me acorda? Como faço? Tem minha irmã eu preciso cuidar dela, não sei se meus pais vão fazer alguma gracinha enquanto durmo ― disse Rael.

― Você não pode simplesmente forçar o corpo a acordar, não funciona assim, pelo menos não pra mim ― disse Violeta.

― Mas você acabou de dizer que seu corpo está quase despertando.

― Sim eu disse, eu já consigo sentir as cobertas sobre a minha pele, consigo sentir meu corpo deitado na cama. Quando começamos a sentir é porque estamos por um fio para acordar.

― Mais uma coisa que eu queria falar, é sobre Rika. Se ela fizer algum... ― Rael parou de falar porque Violeta sumiu depois de sorrir. ― droga!

                Rael ficou olhando o livro aberto na mesa de Violeta e a pilha dela do lado. Ele ignorou e se enterrou de volta no lugar pegando de volta seu livro. Ele queria aumentar seu poder o mais rápido possível. Ele não podia ficar simplesmente preso em um mero quinto reino.

Por Lord Letal | 29/11/17 às 16:12 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama