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Capitulo 80 - Um Lugar Para Cultivar

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capitulo 80 - Um Lugar Para Cultivar

Tradução: Lord Letal | Revisão: Yamasuke

Rael esperou pacientemente. Eles tinham muito tempo para conversar desde que nada acordasse o seu corpo físico.

― Isabela é sua guardiã, ela é designada para te proteger ― explicou Violeta chocando Rael. Não era atoa que ele e ela tinham uma estranha ligação.

― O que mais? ― perguntou Rael, pois pela expressão de Violeta ainda tinha mais coisas vindo.

― Tudo que eu sei do Herdeiro é que ele tinha duas guardiãs e não costumava aparecer muito. Ele não se envolvia nos problemas dos mundos ― disse Violeta.

― Duas? ― se perguntou Rael um pouco surpreso.

― Exatamente. Você perguntou de Isabela, por acaso tem alguma memória dela? Tentei avisar dela pra você uma vez, mas não deu muito certo ― disse Violeta se referindo ao sonho. Rael agora se lembrava disso.

― Eu tenho uma visão que vejo Isabela morrendo ― disse Rael um pouco pensativo.

― A pergunta principal muda agora que sabemos que você tem essas visões. Como você fez pra renascer? Como as trouxe de volta? Se Isabela está aqui, então é possível que a outra também esteja por aí, só esperando ser encontrada ― disse Violeta.

― Eu não me lembro de como fiz isso ― disse Rael depois de pensar um pouco.

― Rael, pessoas não renascem tão facilmente, seja lá o que você fez, foi algo grande que envolvia muito poder, talvez um poder que nem mesmo você poderia controlar direito. Isso explicaria porque você não se lembra.

― Eu tinha tanto poder assim? ― perguntou Rael surpreso.

Rael era o tipo que se conformava rápido com as situações, então ele acreditava na mesma hora em tudo que ouvia e que fazia sentido.

―Talvez, mas eu não sei tudo que você podia fazer, o herdeiro era um ser misterioso. Enfim, é muito cedo pra pensar nisso, você deve se focar nos seus atuais objetivos, a não ser que tenha desistido da sua vingança.

― Eu nunca desistiria ― disse Rael de volta.

― Isso é ótimo, mas tenho uma pergunta. O que você vai fazer com Mara e os pais dela? Rika me contou que eles parecem ser boas pessoas, você ainda os matará? ― perguntou Violeta.

― Eu não posso matar Mara, Violeta, eu acho que não consigo ― disse Rael um pouco receoso, para ele era difícil admitir aquilo. Ele já gostava daquela mulher.

― Você se apegou a ela, mas e eles? Você ainda não respondeu. O que fará com os pais dela? ― perguntou Violeta.

― Eu vou dar uma chance, se eles aceitarem então poderei poupá-los. Acha que isso está me deixando fraco? ― perguntou Rael porque Violeta acabou sorrindo.

― São os pais da mulher que agora ama, é comum você pensar assim. Isso não é fraqueza, isso se chama humanidade, mesmo depois de tudo que você passou ainda a tem.

― Mas eu nunca vou perdoar meus pais e nem todo o resto do clã, eu ainda vou banir de uma vez por todas a escravidão ― disse Rael decidido.

― Faça o que você quiser, eu sempre vou apoiar suas escolhas, independente de quais sejam ― disse Violeta em um tom firme de sério.

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                No dia seguinte, Rael acordou sem Mara na cama. Ele desceu e encontrou ela e a irmã na cozinha. As duas já estavam sentadas em cadeiras prontas para começar o café da manhã.

― Bom dia meninas ― disse Rael normalmente e já chegou dando um beijo no rosto de Natalia que estava de um lado da mesa.

Depois ele seguiu e sentou-se ao lado de Mara dando um beijo nela por último. As duas responderam bom dia normalmente em seguida.

                Mara se levantou e serviu o chá de Rael. Os três começaram a comer algumas bolachas com chá. Mara não parecia irritada, mas a mesa estava um tanto quanto silenciosa.

― Aconteceu alguma coisa? ― perguntou Rael, porque geralmente Mara sempre conversava bastante.

― Nada, por que? ― perguntou Mara de volta se virando curiosa.

―Só perguntei ― disse Rael.

― Então tá ― disse Mara e voltou a se focar em seu copo com chá quente.

― Mara eu tenho um pedido ― disse Rael e ela se voltou curiosa pra ele. ― Eu preciso de um lugar privado para cultivar, você conheceria algum? ― perguntou Rael. Ele precisava continuar a aumentar seu poder.

― Porque não cultiva no quarto? Ninguém vai atrapalhar você ― disse ela.

― Não, o quarto não é seguro para minha cultivação, as paredes podem não aguentar. Eu também quero um local mais discreto.

― E que cultivo destruidor seria esse afinal? ― perguntou Mara surpresa.

― É que eu tenho uma mestra bem exagerada ― mentiu Rael.

― Tem a Caverna dos Céus usada por meus pais, você pode treinar lá se quiser, basta falar com a mamãe, se ela permitir então você poderá ir ― explicou Mara.

― Eu gostaria que vocês duas viessem comigo. Mara você é minha esposa e Natalia é minha noiva, eu quero analisar os corpos de vocês e ver o que poderia ser feito para melhorar a forma de cultivação de ambas ― explicou Rael.

― Ir cultivar com você? ― perguntou Mara surpresa.

― Sim. Eu nunca vi você cultivando Mara, mesmo assim seu poder aumenta tanto. Como isso acontece? Agora sou seu marido e quero saber ― exigiu Rael.

― Eu não posso falar disso com ela aqui ― disse Mara olhando Natalia.

― Se vocês quiserem eu posso sair ― disse Natalia já se levantando e Rael e estendeu a mão em forma de pare.

― Não, você fica. Entre eu, minha esposa, e minhas noivas não pode haver segredo. Você pode confiar em Natalia, ela não contará nada Mara ― disse Rael.

Natalia voltou a se sentar no lugar lentamente e Mara a olhou por alguns segundos, depois ela suspirou como se não houvesse outro jeito e disse olhando Rael.

― Eu não sei tudo, meu pai sempre prepara um ritual e eu tomo um chá antes de fazer, então acabo dormindo e quando acordo já estou com um novo poder ― explicou Mara.

― Ritual? ― perguntou Rael curioso.

― É tudo que ele me diz, eu já perguntei porque ele não fez o mesmo com meus irmãos, ele respondeu que meus irmãos não são tão abençoados quanto eu ― explicou Mara.

― Bom, tudo bem, de qualquer modo, quero que você venha comigo ― disse Rael.

― Eu não posso cultivar normalmente, meu pai disse que só posso treinar técnicas ― explicou Mara um pouco desanimada.

― Por que isso? ― perguntou Rael confuso.

― Eu não sei, eu apenas obedeço ― disse ela.

― Se não tem outro jeito tudo bem. Natalia, você vem junto comigo quando eu for ― disse Rael. Natalia na mesma hora fez um sim com a cabeça.

― Vão voltar pra almoçar? Devo esperar vocês? ― perguntou Mara.

― Não, a gente vai passar o dia lá. Você podia nos levar a comida, o que me diz? Se não for ficar muito ocupada com o treinamento de técnicas. Mesmo que você não cultive, eu ainda gostaria de olhar a formação de seu corpo ― propôs Rael.

― Formação do corpo? Acho que isso não tem problema. Tudo bem dá pra eu ir mais tarde ― respondeu Mara satisfeita. Rael se importava com ela.

― Samuel, meu cultivo atual não é muito alto, eu estou apenas no reino três nível quatro, Espiritual da Alma Profunda ― disse Natalia.

― Para a sua idade está muito bom ― disse Rael de volta.

― Samuel, você aumentou de nível outra vez? Você já está no nível cinco? Você só deu uma pequena saída ontem ― disse Mara chocada. Ela tinha acabado de olhar o nível de Rael.

Esses saltos não era coisa pequena, cultivadores podiam demorar até anos para pegar um simples nível, e Rael estava fazendo isso brincando. Por isso Mara estava bastante surpresa.

―Esposa, foi você que fez esse chá? Ele está maravilhoso ― disse Rael de repente pra mudar de assunto. Mara bufou, pois Rael nunca gostava de falar dele.

― E depois você exigi que eu fale alguma coisa de mim! Você não tem esse direito! ― reclamou ela indignada se virando de lado.

Rael apenas sorriu de lado, ele estava feliz por ter aquela vida, mesmo que não fosse durar muito tempo. Rael não tinha certeza do que aconteceria quando ele iniciasse sua vingança.

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                Rael e Natalia saíram e no caminho para a casa de Neide cruzaram com Elisa que os fez parar. Ela e a filha ainda mantinham um relacionamento. As duas se abraçaram e Rael teve que ficar esperando de lado, mas ele não gostava nenhum pouco, principalmente porque odiava os pais. Natalia sempre foi tratada como objeto na família e só agora Elisa queria fazer o trabalho de mãe.

― Filha, você está bem? Sua prima ou Samuel estão te tratando mal? Se você estiver tendo problemas pode falar comigo meu bem ― disse Elisa segurando a filha pelos ombros depois de soltá-la do abraço.

― Mãe, eu estou sendo tratada muito bem, a senhora não tem que se preocupar ― disse Natalia sorrindo de volta.

― Que bom meu bem. Pode nos deixar a sós por alguns segundos? Eu quero falar algo com o Samuel ― disse ela.

― Não mãe, ele é uma boa pessoa, não brigue com ele. Samuel me trata bem, eu jamais ousaria mentir pra senhora ― Natalia interveio na mesma hora ficando entre Rael e Elisa.

― Meu bem, eu não vou brigar ― disse Elisa ficando um pouco sem graça formando um sorriso amarelo.

― Pode deixar Natalia, me espere ali na calçada ― apontou Rael para frente.

Natalia deu uma última olhada com um toque de preocupação para Rael e se afastou de lado obedecendo ele.

― O que você quer? ― perguntou Rael rispidamente sem mostrar o menor respeito, para ele essa mulher não merecia nenhum.

― Por que ela parece tão feliz com você? O que você fez com minha garotinha? ― perguntou Elisa friamente.

― Eu a estou tratando muito bem, assim como ela merece, coisa que vocês nunca fizeram. Eu vou cuidar para que ela tenha o melhor futuro possível, jamais deixarei ela se machucar de novo, como você deixou daquela vez ― disse Rael de volta.

― Aquilo não foi ideia minha seu ignorante! E já vou avisar que se você estiver se aproveitando da inocência dela para fazer o mesmo eu te mato. Te mato pessoalmente.

― Você deveria ter matado Heitor pelo que ele fez naquela noite. Se fosse uma mãe de verdade teria feito isso. Você me dá nojo. Me diga, como se aguenta se olhar no espelho? Vocês sempre trataram ela como um objeto ― perguntou Rael friamente.

― Como você ousa falar assim comigo?

― E não é verdade? Vocês nunca ligaram pra ela. Pra vocês, ela era um objeto que usaram para permanecer no poder, a prova? Vocês a usaram duas vezes, uma para o Heitor outra para mim. A diferença entre nós, é que eu amo ela de verdade, muito mais do que você mesma ― Rael disse tão firme, que mesmo Elisa ficou em um estado de surpresa, porque ela sentiu no fundo da alma que Rael estava falando a verdade.

                Ela ficou de olhos arregalados olhando Rael, travada, porque não conseguia formular uma só palavra.

― Se não tem mais nada a dizer, estou me retirando ― disse Rael passando por ela.

― Isso ainda não acabou ― disse ela nas costas fazendo Rael parar.

Ele estava olhando para frente vendo Natalia a alguns metros os esperando timidamente com as mãos para trás.

― Não mesmo, uma hora você vai pagar por todos os seus pecados ― disse Rael e depois saiu andando sem esperar ela dizer mais nada.

Elisa ainda se virou furiosa para as costas de Rael, mas não disse nada também, ela apenas saiu apressada.

― O que ela disse? ― perguntou Natalia preocupada.

― Depois conversamos sobre isso tá bom? Agora precisamos ir ― disse Rael estendendo a mão.

Natalia olhou e agarrou a mão de Rael sem a menor vergonha. Os dois continuaram e seguiram para o casarão de Neide.

(Nota autor: As vezes eu cito casa ou casarão, mas não se enganem, a casa dele é realmente enorme. Tratem sempre como casarão)

(Revisor: Mais fácil chamar de mansão então oras…)

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                Quando Rael explicou seu pedido a Neide ela nem pensou muito, apenas virou-se e chamou os dois com um, me sigam.

― Samuel, eu quero que saiba de uma coisa. Essa permissão que estou dando a você é apenas para alguém muito próximo a nós. Eu vou abrir uma exceção para você porque você salvou meu marido e fez um bom trabalho com Heitor, por isso vou deixar você levar ela. Mas ela só poderá entrar quando você estiver junto ― acrescentou Neide.

― Eu agradeço à senhora ― disse Rael de volta.

― Vou te dar uma cópia da chave, pegue ― disse ela passando uma chave de ouro para Rael.

                A entrada do quarto ficava em um corredor na última porta. Para acessar esse corredor tinha dois guardas que vigiavam o local. Neide passou a eles a permissão de entrada e saída de Rael.

― Uma pedra de teleporte ― observou Rael assim que entrou no quarto do fundo depois de usarem a chave de ouro.

A pedra redonda azul brilhante, estava cuidadosamente presa em um encaixe de metal, em cima de uma pequena parede no centro do quarto.

―Vamos indo? ― perguntou Neide se dirigindo a frente.

                Depois que os três usaram a pedra, foram parar em uma espécie de caverna com vários túneis e várias saídas em volta. Era possível ver nuvens, pedaços delas chegavam a entrar pelas entradas e ficavam flutuando.

― Chamamos esse lugar de Caverna dos Céus, vou mostrar o porque ― Neide passou andando na frente normalmente.

Rael respirava com um pouco mais de dificuldade, o ar parecia estar muito pesado nesse lugar. Preocupado ele olhou de lado para Natalia, a garota estava tendo muito mais dificuldade que ele, estava até de boca aberta.

― Natalia? ― perguntou Rael preocupado.

― Estou bem― disse ela bem cansada e já ficou respirando com dificuldade.

― Vocês vão se acostumar, não se preocupem. Venham ― disse Neide esperando na frente.

                Os três foram até uma das saídas e perto da ponta eles viram o mundo pequeno lá embaixo pelos espaços das nuvens.

― Sabe onde estamos? Estamos em cima das Montanhas Mortais, o lugar que o pessoal costuma chamar de amaldiçoado. Aqui, como você pode perceber, existe uma grande circulação de energia que ajuda na cultivação.

― Ainda estamos no continente sul? ― perguntou Rael que não conhecia esse lugar.

― Estamos sim. Esse lugar fica mais ao norte do clã. Estamos a cerca de cem quilômetros de distância do nosso território ― explicou Neide.

Natalia ficou surpresa de lado, porque ela também conhecia esse lugar. Ela nem sabia que a família de seu tio teria esse local de treino.

― Não tem como descer? ― perguntou Rael olhando em volta, a montanha parecia quase uma torre lisa e reta.

― Se vocês não podem voar não há como descer. Mas temos uma barreira de proteção que impede outros de se aproximar, sejam pessoas ou bestas ― disse Neide e caminhou voltando.

                Ela levou os dois até o centro da caverna e apontou para a parede, em um espaço apertado estava a outra pedra de teleporte.

― Já sabem como voltar. Agora eu vou indo, volto depois para ver como estão se saindo ― disse Neide gentilmente. Aproximou e beijou Rael no rosto, depois beijou Natalia.

― Neide, antes de ir, você poderia me arrumar um anel de bloqueio? ― perguntou Rael que queria usar isso na irmã.

― Posso sim ― disse Neide e tirou facilmente um anel verde de dentro de seu bracelete. ― Você já sabe como funciona? ― perguntou ela curiosa.

― Sei sim, pode deixar ― disse Rael aceitando o anel.

― Só isso? Precisa de mais alguma coisa? ― perguntou ela.

― Por enquanto só isso ― disse Rael.

― Qualquer coisa entre em contato. Bom cultivo para os dois ― disse ela e saiu.

                Os dois se olharam depois de ficarem sozinhos. Neide tinha acabado de sumir depois de tocar a pedra na parede.

― Vamos começar? ― perguntou Rael sorrindo.

A irmã fez um sim com a cabeça e sorriu de leve com os lábios fechados. Eles ainda continuavam com dificuldade em respirar, mas já estavam se acostumando.

Por Lord Letal | 29/11/17 às 16:20 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama, +18