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Capitulo 85 - A Barreira (Parte 1)

O Herdeiro do Mundo (HDM)

Capitulo 85 - A Barreira (Parte 1)

Tradução: Lord Letal | Revisão: Sneed

Os escravos vieram em cerca de uma dezena e rapidamente limparam os destroços. Eles na sequência já levantaram uma parede e tudo rendeu cerca de uma hora e uns dez minutos. Além da preparação normal eles também usavam seus poderes especiais acelerando assim a criação da parede. (fogo para secar) (elemento terra no reforço). A parede não ficou perfeita ainda faltava reboco, pintura, mas pelo menos já estava levantada.

                Rael passou por todos os quartos fechando todas as janelas e deixando as portas abertas. Para a barreira funcionar, todas as portas deveriam serem abertas dando entrada para todos os cômodos, mas a porta de fora e janelas deveriam ser fechadas, isso era a identificação dos pontos que a barreira deveria alcançar.

                Ninguém além de Neide, Mara e Natalia sabiam o que Rael iria fazer e nem poderiam, se Rael conseguisse fazer aquilo de verdade e a noticia se espalhasse seria algo parecido como curar as veias de alguém.

― Eu vou dispensar todos os protetores até amanhã. A escrava de vocês vai fica na minha casa hoje. Se você puder mesmo fazer isso, então essa informação não pode ser vazada ― explicou Neide na sala com as meninas ao lado de Rael.

― Obrigada mãe ― disse Mara. Ela tinha mais medo de descobrirem sobre Rael do que ele mesmo. Mara sabia que Rael era uma pessoa muito incomum. Pessoas o matariam para descobrir os segredos por trás dele, já estavam até tentando na verdade.

― Samuel você confia mesmo em mim? ― perguntou Neide olhando Rael nos olhos. O olhar dela era afiado e questionador. Por alguma razão Rael se lembrou da desconfiança que ela poderia saber sobre ele.

― Confio sim, você é a mãe da minha esposa e sempre me tratou com respeito ―disse Rael de volta. Seu coração já voltou a bater forte no peito.

― Se você pode fazer isso então deve poder fazer muito mais. Tem que tomar cuidado em quem confia, porque se essa noticia se espalhar, você poderia entrar em apuros. A sua sabedoria não parece seguir o conhecimento desse mundo ― disse Neide em tom de aviso.

― Minha mãe está certa marido, a barreira, os conhecimentos em alquimia, a cura do meu pai, sua força nos elementos e... ― Mara olhou para Natalia, mas parou ali mesmo, porque Rael entendeu que ela ia dizer sobre as veias, mas Neide não precisava saber disso agora.

― Parece que você já entendeu ― disse Neide olhando Rael. Rael tinha ficado sim mais preocupado mais isso era devido a desconfiança de Neide, sobre ela poder saber a verdade depois de analisar o braço de Rael.

― O que precisa agora para iniciar a barreira? ― perguntou Neide.

― Preciso que todas vocês saiam e fechem a porta, vocês não poderão entrar até que eu diga. Eu avisarei quando acabar e não vou demorar muito ― disse Rael chocando Neide e Mara, como Natalia não conhecia muito sobre isso barreiras ficou bem menos surpresa.

― Vamos filha, vamos Natalia ― disse Neide e saiu levando as duas de cada lado. Rael ficou parado olhando elas se dirigirem para a porta.

                Depois que elas saíram Rael mesmo fechou a porta, então ele se virou para a casa e lançou seus sentidos para saber se o sujeito invisível poderia ter voltado. Claro que ele não poderia ter voltado agora, depois do que houve ele só tentaria de novo quando a poeira baixasse, mas Rael já estava pronto para quando ele voltasse, a barreira seria apenas uma garantia extra.

                Rael voltou para a sala, retirou o sobretudo e camiseta longa de novo ficando apenas com a calça e as sandálias que usava quando ficava em casa. Ele fechou os olhos concentrando seu poder, e uma aura colorida fluiu de dentro dele se espalhando no ar. Enquanto espalhava o poder Rael começou a entoar um cântico baixo em uma língua estranha, ele mesmo não conhecia as palavras que estava dizendo, mas sabia que era o que precisava ser feito para iniciar a criação da barreira.

Três símbolos surgiram no ar. O símbolo verde que representava a vida, o azul que representava a água e o transparente que representava o vento. Os três giraram um pouco em volta de Rael e depois pararam formando um triangulo no ar acima da cabeça dele, tendo ele como centro. Rael continuava entoando o estranho cântico sem abrir os olhos. No peito o medalhão continuava lá parado imóvel.

                Os três símbolos brilhavam irradiando uma forte aura, três figuras transparentes como se fossem cultivadores fantasmas surgiram embaixo de cada símbolo. Eles pareciam estar sentados no ar de pernas cruzadas e mãos sobre o colo. Todos os três começaram a entoar o mesmo cântico de Rael de olhos fechados. Aquilo lembrava muito uma oração alta em forma musical.

                Pergaminhos físicos surgiram no ar flutuando. Os lacres vermelhos amarrados neles foram removidos como se mãos invisíveis desatassem os nós. Eles foram abertos, as paginas que chegavam a um metro de cumprimento foram estendidas no ar. Havia vários símbolos brilhantes sobre cada pagina. Esses símbolos saiam das paginas lentamente e depois eram lançados nas paredes em volta, outros subiam flutuando pela escada e se lançavam nos quartos, nas paredes perto das janelas, nas paredes dos corredores. Cada símbolo atingia uma pequena parte da parede e ela toda brilhava em branco enquanto formava o local protegido.

                Os símbolos que avançavam por toda a casa eram brancos como esferas brilhantes, a medida que encostavam na parede sumiam se transformando em energia. Rael continuava entoando o cântico junto com as três figuras sentadas no ar. Eles eram fantasmas de homens velhos, esses seres pareciam ter um enorme conhecimento.

 

                Do lado de fora Neide olhava abismada para a porta a frente. Ela não podia sentir todo o poder que se formava dentro da casa, mas conseguia sentir as paredes serem energizadas por um misterioso poder. Já Mara e Natalia não conseguiam sentir nada.

― Mãe? Por que você ta com essa cara? ― perguntou Mara ansiosa.

― Filha ele está conseguindo, não sei dizer como, mas está conseguindo. Uma barreira está sendo criada em uma velocidade monstruosa. Eu nunca vi nada igual ― disse ela e já olhou em volta preocupada que algum estranho pudesse estar próximo. Sorte que não havia mais ninguém.

― Então antes você não acreditou que ele poderia fazer? ― perguntou Mara.

― Eu não poderia duvidar dele depois de tudo que já vimos, mas acreditar que um simples jovem de quinze anos no quarto reino poderia fazer tal coisa era impossível. Eu começo a pensar que não conheço tão bem esse mundo assim ― disse Neide.

― Eu tenho certeza que todo esse conhecimento vem da mestra dele ― disse Mara e olhou para a casa. Mara não podia ver as paredes brilhando quando os símbolos por dentro batiam, mas Neide podia, ela tinha uma cultivação muito mais avançada que a filha.

― Não filha, a essência do seu marido tem sim a mesma essência da mestra, mas existe algo a mais. Existe uma essência muito maior nele, algo que nunca vi antes, e também ― nesse momento Neide olhou para a quieta Natalia, que apesar de ouvir a conversa não perguntou nada. ― Eu não sei bem como explicar tudo ― admitiu ela e olhou de volta para a casa.

                Mara e Natalia ficaram em silencio ao lado de Neide. Neide ainda continuava com aquele estranho pensamento queimando em sua cabeça.

 

                Os pergaminhos foram fechados no ar depois de esvaziar toda a folha, até mesmo os lacres vermelhos voltaram amarrando os pergaminhos. Todos os símbolos já haviam sido espalhados. Rael e as três figuras fantasmas continuavam entoando o cântico. A aura colorida continuava fluindo de Rael, enquanto as auras das três figuras eram brancas. Os símbolos que representavam os elementos ficaram cada um em cima de uma das cabeças dos três durante todo o processo.

                Rael tinha estendido os dois braços para frente e deixados suas mãos aberta viradas para cima. Ele continuava entoando o cântico sem abri os olhos. Suas mãos começaram a juntar a mesma energia colorida que iam formando duas pequenas bolas (Ex: bolas de bilhar). Quando elas ficaram prontas. Rael juntou as duas mãos em um arco e bateu uma mão contra a outra.

                Um forte brilho surgiu das mãos juntas de Rael e um vácuo daquele poder se espalhou pelas paredes batendo em todos os cantos da casa onde os símbolos já estavam. O poder fez todas as paredes brilharem em conjunto por alguns segundos e finalmente parou. O que restou na mão de Rael foi um símbolo branco flutuando na palma da mão direita dele. Esse símbolo subia e descia lentamente como se tivesse vida própria, enquanto irradiava uma aura transparente que facilmente desaparecia no ar.

                Os três velhos fantasmas e os símbolos representando os elementos desapareceram lentamente no ar enquanto a aura de Rael se acalmava.

                Tudo que ficou foi o símbolo branco flutuando magicamente na palma da mão de Rael. Ele tinha finalmente cessado o cântico e aberto os olhos. Então ele viu o símbolo a frente na palma de sua mão.

― Liberação ― Rael conseguiu identificar aquele símbolo que parecia um numero (8) só que todo aberto nas duas bolinhas e cheio de raízes espalhadas.

                Rael levou a mão para mais perto do rosto e olhou de perto o símbolo, era algo muito bonito. ― Então esses são meus novos poderes ― disse Rael consigo mesmo satisfeito, fechou os olhos e concentrou energia na mão que o símbolo flutuava. O símbolo brilhou e mergulhou entrando na mão azul de Rael. O símbolo formou uma tatuagem verde na mão azul de Rael com a mesma exata formação dele, ele brilhou por alguns instantes e depois desapareceu sem deixar mais nada. A mão de Rael voltou completamente ao normal.

 

                Um pouco longe dali. Isabela e seu grupo estavam caminhando por uma trilha de areia em meio a uma floresta, eles estavam na caça de uma poderosa besta de rank B+.

― Eu ouvi que essa área é perigosa, as vezes aparecem ladrões ― disse Sofia com um tom preocupado sempre olhando em volta.

― Se eles aparecerem então eles que irão perder suas coisas ― disse Luana com um sorriso. Do grupo ela com certeza era a mais ousada.

                Bryan se abaixou e analisou o terreno tocando a mão no chão. Todos esperaram pacientemente em volta dele.

― Não estamos longe, o nosso amiguinho está a menos de meio quilometro agora. Ele está procurando um local seguro para dormir. Venham comigo e não façam muito barulho a partir desse ponto ― disse Bryan.

                Isabela era a última de trás. Ela não queria admitir mais estava muito preocupada. Ela não parava de pensar em Rael e aquilo estava deixando ela louca, ela mal conseguia se manter concentrada numa simples caça. Rael tinha causado um grande tumulto no torneio e era possível que o clã Sarbaros poderia querer sua cabeça. Ela ficava aflita quando pensava que não podia ficar longe dele, porque ela queria estar com ele e protegê-lo.

Ela também se lembrava dos beijos com Rael e quase se derretia sozinha. Ela estava ficando cada vez mais apaixonada. O seu corpo parecia soltar ondas elétricas quando ela pensava nos beijos.

                Enquanto caminhava pensando ela sentiu sua mão direita queimar levemente, ela nem conseguiu se virar para olhar a mão e já caiu no chão perdendo as forças ficando de joelhos. Todos os seus aliados pararam confusos se voltando pra ela.

― Isabela? ― perguntou Bryan preocupado.

Boooom!

O chão abaixo de Isabela se partiu como se uma bomba tivesse explodindo. Do chão até seis metros de altura subiu uma intensa energia vermelha que circulava dois metros todo o corpo de Isabela.

                Luana, Bryan e Sofia foram atirados por mais de dez metros empurrados à força pelo poder monstruoso que cercou em segundos todo o corpo de Isabela.

                O corpo de Isabela foi erguido dois metros no ar por toda aquela energia e seu rosto ficou encarando o céu escuro da noite. Toda aquela energia entrava no corpo de Isabela. As energias que cercavam Isabela eram tão quentes que até os aliados tiveram que se afastar mais para não se machucarem.

                Os olhos de Isabela estavam arregalados e compostos de energia vermelha enquanto ela olhava os céus, ela não estava lúcida. Seus braços e pernas estavam caídos no corpo sem mostrar nenhum movimento.

― Aaaahhhhh! ― ela gritou ainda naquele estado.

― Isabela! ― gritou Sofia desesperada e tentou se aproximar, ela foi segurada por Luana que estava do lado.

― O que será que está acontecendo? ― perguntou Bryan preocupado próximo as meninas.

― Não faço ideia ― disse Luana segurando o braço de Sofia. Os três ficaram olhando sua líder preocupados sem poder fazer nada.

                Isabela caiu de costas no chão logo em seguida, toda aquela formação de energia sumiu. Os aliados correram para ajudar e a cercaram, eles lançaram rapidamente seus instintos para sentir como estava o estado de Isabela e se assustaram, nenhum deles era capaz de senti a força de Isabela.

                Ela foi se acordando e sendo ajudada a se sentar pelos aliados que a cercaram. Luana se agachou ao lado dela e apoiou as costas de Isabela

― Isabela você está bem? ― perguntou Luana.

― Estou, minha cabeça só dói um pouco e minha mão direita ― disse ela. Todos olharam a palma da mão aberta de Isabela e viram um símbolo que parecia um oito, o mesmo símbolo que Rael havia implantado nele.

― O que será isso? ― perguntou Luana correndo o dedo apontador na mão de Isabela, a mão dela ainda estava quente.

― Isabela o que aconteceu com seu poder? O que foi essa explosão agora a pouco ― perguntou Sofia preocupada.

― Eu não sei ― disse Isabela ainda um pouco atrapalhada. ― Mas eu acho que acabei de entrar no oitavo reio, estou na Força do Céu no nível um ― disse Isabela deixando todos os três ali presentes chocados.

 

                Muito longe dali em uma cidade distante. Uma mulher com vestimentas escuras e uma mascara na face, corria saltando apressada pelas lajes de várias casas enquanto fugia de um grupo de guardiões do império. Ela não parava de rir insanamente, achando aquela situação um máximo. Sua mascara branca tinha uma face em forma de um grande sorriso vermelho e por trás era possível ver seus longos cabelos escuros se balançando com o vento da noite.

― Matem ela! Não a deixem escapar dessa vez! ― rugiu um dos guardiões. Era um total de cinco guardiões do sétimo reino a perseguindo. Todos estavam na cola dela. A mulher mascarada estava também no sétimo reino.

― Vocês pensam mesmo que vão conseguir pegar essa linda dama hoje?

― Você não é uma dama! É uma assassina miserável! Agora entregue já sua cabeça a nós! ― rugiu outro guarda, eles estavam cada vez mais próximos dela. A cada instante eles se aproximavam mais.

― Essa Dama não pode deixar essas mãos imundas contaminarem esse belo corpo ― respondeu a mulher. Pelas curvas qualquer um poderia supor que ela era bonita, mas ninguém estava vendo nada além de curvas por baixo de roupas escuras e cabelos.

― Cale a boca e morra de uma vez ― disse um dos guardiões e atirou uma lança. A lança passou raspando próximo do rosto dela e foi enterrada no teto de uma das casas em que ela passou saltando em seguida. Atrás os outros continuavam no encalço, hoje eles não iriam a deixar fugir, ela era perigosa demais.

― Você tem uma péssima mira hahaha! Deixe-me te mostrar como se faz ― gritou ela de volta rindo. Se virou enquanto corria e atirou uma lâmina circula no ar com a mão direita.

Ziiiip!

A lâmina cortou o ar com velocidade indo de encontro ao guardião que a pouco atirou a lança. Ele não teve tempo de esquivar. Ela o atingiu e ficou presa na garganta. Ele caiu no chão de uma laje e ficou tentando respirar enquanto as mãos cobriam a lâmina. Sangue fluía por todas as partes da garganta sujando sua armadura prateada.

Seus companheiros só puderam lamentar enquanto continuavam perseguindo a Dama. O guardião não demorou a desabar para frente caindo inerte no chão. A poça de sangue ficou aumentando enquanto seus companheiros já estavam a vários metros e continuavam no encalço da mulher.

― Ainda vão zombar dessa Dama? Hahaha ― perguntou ela rindo. Os outros quatro guardiões apertaram mais os passos enquanto se enchiam ainda mais de ódio.

                De repente a Dama sentiu a mão direita queimar, ela tentava tirar a luva enquanto corria caiu atrapalhada no chão perdendo as forças.

                Os guardiões se olharam confusos e não sabiam exatamente o que estava acontecendo, mas souberam que aquela era a chance que eles tanto precisavam. Eles avançaram com suas armas cercando a mulher.

Boooom!

Uma explosão cercou todo o corpo da Dama e ela foi levantada no ar igual ocorreu com Isabela antes, só que essa era uma explosão azul. Todos os guardiões foram atirados vários metros para trás. Eles sentiram uma imensa pressão gélida no ar capaz de congelar os ossos...

Por Lord Letal | 29/11/17 às 16:45 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Poder, Harém, Drama