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Capítulo 11 - Pavilhão de Jade - Parte 1

O Livro da Ordem (LDO)

Capítulo 11 - Pavilhão de Jade - Parte 1

Autor: Urano | Revisão: JenX | QC: Yuuki

As sombras cobriam o mundo, a noite fria da Cidade Flor de Cerejeira mais uma vez marcava presença, enviando um ar gélido que arrepiava os cabelos dos viajantes que não usavam roupas de frio, ou dos moradores de rua que dificultosamente procuravam se esquentar.

Sob o véu noturno, abaixo de uma deslumbrante lua cheia e ásteres que tingiam o céu do País Sol Ardente, havia uma humilde e antiquada biblioteca, que se sustentava sobre suas próprias raízes com forças tiradas do além.

Fang estava em seu quarto, frente a um espelho antigo, meio manchado e com uma ponta quebrada, mas que ainda cumpria seu papel. Deu uma voltinha, tentando olhar melhor para sua aparência.

Ele havia se arrumado da melhor maneira que pôde. Fang sempre foi alguém despreocupado e preguiçoso, vestia o que visse pela frente, mas hoje era uma noite especial. Ele queria esquecer os recentes acontecimentos e se focar em ter um bom jantar.

Roupas de coloração negra adornavam seu belo físico. Elas vestiam bem e eram decoradas em detalhes brancos, principalmente acompanhando as linhas de costura. Pareciam ser caras e muito belas, algo que uma pessoa que vivia como plebeu em uma cidadezinha não poderia ter em seu armário. Por cima destas belas vestes escuras, Fang ainda trajava um clássico tangzhuang* vermelho escuro, que estava arrojadamente aberto, cobrindo seu torso. N.A: Tangzhuang é uma espécie de jaqueta chinesa com gola reta. Mais ou menos isso... https://ae01.alicdn.com/kf/H68cb94ebe27a4e958c2c8edcd34aedb8J/Traditional-Chinese-Clothing-For-Men-Outerwear-Male-Jacket-Mandarin-Collar-Suit-Tangzhuang-Men-Clothes-2019-KK2982.jpg

‘ Eu realmente preciso agradecer o vovô por isso... Ele gastou uma grande quantidade de dinheiro me comprando essa roupa naquela época, é uma pena que só começou a caber em mim uns anos depois... ’ O rapaz sorriu, lembrando-se do quão esforçado aquele velhinho foi em conseguir estas peças de roupas. Havia usado o máximo da rede de contatos que estabeleceu sendo bibliotecário por toda uma vida.

Seus cabelos escarlates, que caiam até a altura do pescoço, não estavam mais soltos e bagunçados. Ele havia os prendido a um rabo de cavalo, estavam penteados e limpos, brilhando sob a iluminação do quarto. Também usava alguns brincos simples de metal, que adicionavam alguns níveis ao seu charme.

Sua aparência bonita, feições belas, com uma pele parda de se invejar, faziam qualquer um que olhasse se sentir impressionado. Parecia diferente do Fang desleixado de sempre.

“Okay, talvez eu tenha exagerado um pouco...” Ele sorriu sem graça.

...

Fang caminhava pelas ruas extensas da Cidade Flor de Cerejeira. Sua postura era ereta como uma lança e ele não conseguia tirar um leve sorriso de seu rosto, isso porque estava um pouco orgulhoso de si mesmo.

Por onde passava, as pessoas o olhavam com perplexidade. Alguns olhares eram inveja, outros de admiração, das pessoas que o reconheceram foi apenas choque e houve até alguns apaixonados no meio.

‘ Oh, ser uma beldade é realmente complicado. Céus, por que me agraciaram com este dom inato, que também é uma maldição? Os olhares perfurantes me fazem querer chorar, como é difícil, eu repito, como é difícil ser lindo! ‘ Ele pensou, enquanto seu sorriso soberbo foi de orelha a orelha.

Para os que olhavam de fora, aquele sorriso repleto de arrogância, na verdade, pareceu bem elegante, o que só potencializou o sentimento de superioridade dentro de Fang. Ele continuou andando, até que enfim avistou uma longínqua silhueta de um enorme estabelecimento.

Era como um palácio em miniatura. Digo, em miniatura porque seu tamanho equivalia a apenas a fração de um verdadeiro palácio, mas ainda assim era uma construção enorme, só perdendo para mansão do Lorde da Cidade. O Pavilhão de Jade era um restaurante de paredes e pilares brancos, que cobria uma grande área. Decorações esverdeadas e esculturas de jade tornavam-no um colírio para os olhos. A luz do luar refletia, dando um ar quase santo para aquele local.

Fang continuou seguindo, enquanto pensava um pouco sobre o quanto esse Pavilhão de Jade era estranho.

Diziam que o Pavilhão de Jade, na realidade, era uma grande rede de restaurantes que possuía uma filial em todas as cidades, por menor que fossem. Sua sede ficava no maior país do continente e, além da comida mais deliciosa de todas, eles possuíam cultivadores poderosos ao seu comando. Seguindo essa linha de pensamento, Fang começou a achar o Pavilhão de Jade um pouco aterrorizante. Para conseguir estender sua mão sobre todo o continente, esse restaurante com certeza não era nada simples...

Enquanto devaneava e bolava algumas teorias da conspiração sobre a origem e fundo deste lugar, ele vagamente retomou consciência dos seus entornos, pois uma única figura caiu em seu campo de visão.

Sob o luar, a silhueta de uma garota era pintada, como se os próprios deuses houvessem decidido colorir um quadro. Fang foi se aproximando e sua visão ficou ainda mais clara.

Ela era absolutamente como uma fada, agraciando meros humanos com sua presença divina. Os curtos cabelos negros ondulando em comunhão ao gelado vento uivante, estrelas se reuniam acima de sua cabeça, os céus e a terra louvando-a. A garota parecia ter passado por uma apoteose, elevando-se ao nível sagrado da beleza transcendental. Estava com as mãos levantadas e palmas abertas, alguns vagalumes voavam logo acima de seus palmos, circulando-os e brilhando como pequenas chamas. As íris cor de violeta, acentuadas pelos difusos cílios, refletiam este cintilar e transpareciam a elegância e nobreza encravada entre as sobrancelhas da jovem.

Em suas orelhas, dois grandes brincos enfeitados por pequenas estrelinhas de metal e duas luas minguantes de cristal translúcido, brilhando com as cores do arco-íris. Seu pescoço estava florido em colares de prata e joias preciosas, que coloriam seu visual e concediam um efeito de fascínio completo e absoluto. Sua pele pálida como a neve que cai logo após o fim do outono, preludiando a chegada do inverno. Enfeitando seu corpo delgado, um vestido sem alças de cor esbranquiçada descia.

Este vestido caia até quase tocar o chão e era bordado com flores púrpuras que brilhavam abaixo do luar, instigando quem olhasse a não conseguir afastar a visão. O vestido, na parte inferior ao joelho, assumia um tecido semitransparente, fazendo com que a ornamentação florida se tornasse ainda mais vivida e reluzente. Aquele traje parecia um tesouro, tão majestoso que podia cegar olhos desavisados.

Fang, que olhava bobamente para essa jovem, sentiu a arrogância que havia adquirido por sua própria beleza ser lavada em um tsunami. Além do som de seu orgulho esmagado, ele também pôde ouvir seus próprios batimentos cardíacos acelerando, sangue foi bombeado para todo o corpo e um sentimento de torpor tomou conta de sua mente.

Ele tinha certeza que essa era a cena mais linda que já havia visto em toda sua vida.

O rapaz continuou se aproximando, agora um pouco mais tímido. Jian Linyu logo notou sua presença, seus olhos atravessaram a paisagem e acabaram batendo de frente com os de Fang.

Por um instante, ambos se encararam.

Linyu parecia estar passando pelo mesmo processo de admiração que Fang havia experimentado momentos antes, congelando enquanto olhava para aparência excepcional do garoto. No final, como um casal envergonhado clichê, os dois ficaram com as faces quentes, enquanto não conseguiam mais se olhar nos olhos.

“Linyu.” A voz de Fang não saiu tão firme quanto ele esperava.

“Fang.” A dela foi ainda mais inconstante, mas a garota conseguiu espremer um deslumbrante sorriso.

Ver isso fez Fang travar mais uma vez. Ele achou que se fosse ficar deslumbrado assim toda vez que olhasse para ela, acabaria morrendo enquanto vomitava arco-íris ou algo do tipo.

“Como estou?” Ela perguntou, enquanto girava sobre seu calcanhar.

Fang engoliu em seco. “Absolutamente linda.” Ele declarou, sem hesitação, sem nem pensar no que havia dito, sem considerar mais nada, apenas disse. Sua face estava uma mistura de admiração e felicidade.

“Às vezes você é bem direto, hein. Aliás, você ficou muito bem com esse rabo de cavalo, devia usar mais vezes” Ela riu, andando até o rapaz.

Com Jian Linyu elogiando sua aparência, ele se sentiu desconcertado. “Bem, se eu não dissesse, outros diriam por mim.” Seus olhos passearam pelo local, fitando cada uma das pessoas que olhavam apaixonadamente para menina.

“Hehe, você com certeza é atento aos arredores.”

“Pfft, com esse monte de gente olhando pra você, eu seria é cego se não notasse.” Ele disse, enquanto estendia seu braço para Linyu. “Vamos?”

A garota soltou uma risadinha. “Quanto cavalheirismo...” Ela envolveu seu braço no dele.

Os dois estavam tão perto um do outro que seus corpos se tocavam, eles podiam sentir a troca de calor e isso fez com que se sentissem confortáveis. Finalmente, Fang e Linyu foram andando até a porta do Pavilhão de Jade. Como um casal que havia descido dos céus, eles andavam em primor e os olhares não cessaram até que suas figuras fugissem do campo de visão do público.

Um garçom que também servia de segurança estava do lado de fora do restaurante. Trajava algo muito parecido com um terno, sua pele era escura e seu porte alto. Havia uma caixa de pedra ao seu lado e ele esperava pacientemente pelos clientes, sua postura ereta, com um constante sorriso gentil em seu rosto.

Ao ver Fang e Linyu se aproximando, até mesmo ele ficou um pouco desconcertado. ‘ Realmente, todo tipo de pessoa frequenta nosso Pavilhão de Jade... ’ O sorriso em seu rosto cresceu e sua atitude se tornou ainda mais servil.

“Jovem Mestre, Jovem Senhorita, vocês possuem reserva?” Ele perguntou, colocando o braço a frente do peito e curvando-se em uma breve reverência.

“É claro.” Jian Linyu disse, entregando seu token de jade branco para o homem.

Fang seguiu-a, também entregando o seu.

“Tokens de uso único, grau 4...”

O garçom assentiu, pegando-os e fechando os olhos por um instante, enquanto analisava as informações gravadas neles. De repente, o segurança esmagou os dois tokens em suas mãos, a luz que eles emitiam se extinguiu e o homem jogou os cacos na caixa de pedra que havia logo ao lado. “Muito bem, uma mesa para dois no andar principal, com tudo pago para uma noite inteira. Um garçom irá dirigi-los para seus lugares, podem seguir em frente.”

Os dois agradeceram ao gentil segurança e continuaram andando, adentrando o luxuoso Pavilhão de Jade.

...

Fang e Jian Linyu estavam ambos sentados em uma mesa espaçosa, em paralelo um ao outro.

O interior do restaurante parecia magnífico, com rochas luminosas dentro de recipientes de vidro que difundiam a luz por todo o local. As paredes brancas e o ambiente no andar principal eram adornados com esculturas, vasos caros, plantas, pilares de mármore e todo tipo de decoração que agregava valor a aparência interna do Pavilhão de Jade.

Sobre a mesa deles, haviam dois cardápios e um vaso de flores vermelhas bem no centro.

“Você vai pedir?” Jian Linyu perguntou, pegando seu cardápio de cima da mesa.

“Eu vim aqui pra comer, então óbvio que vou.” Fang riu, abrindo seu cardápio e começando a analisar os pratos nele. Sua mente começou a voar pelos inúmeros pratos deliciosos que estavam listados ali. Ele não sabia o que pedir ao mesmo tempo em que queria pedir tudo!

Enquanto folheava incessantemente o cardápio, um fio de baba começou a escorrer da boca aberta de Fang.

“Fang, sua boca...” A garota não conseguiu conter-se, ela colocou a mão na frente dos lábios, tentando ao máximo reprimir sua vontade de rir, mas falhando miseravelmente. A risada dela foi como o cantar de canários nas manhãs de domingo, agraciando aqueles que a ouviam.

Percebendo a saliva escorrendo, o garoto limpou a boca com a manga de sua jaqueta.

“Pra onde foram seus modos, cara?” Ela já nem tentava parar de rir, aquela cena era apenas hilária.

Fang se sentiu tão envergonhado que não sabia onde enfiar a cabeça. “Qual é, vai ficar tirando comigo agora? Eu só fiquei um pouco emocionado com esses pratos...”

“Hehe, um pouco, sei.” A risada dela foi abrandando, enquanto se acalmava.

“Ai, ai... Tá bom, vai, vamos pedir logo, tô faminto.” Ele disse, enquanto dava duas palmas no alto, chamando o garçom.

‘ E quando você não tá faminto? ‘ Ela deu uma última olhada no cardápio, confirmando quais eram os pratos que iria pedir.

...

Depois de algum tempo, suas refeições chegaram e, tanto Fang quanto Jian Linyu estavam se preparando para comer.

A expectativa encheu o rosto do garoto de cabelos escarlates. Ele pegou uma garfada de comida e, logo quando estava para enfiá-la na boca, foi interrompido por duas figuras que adentraram abruptamente o andar principal, com passos pesados.

Eram dois homens, ambos de cabelo escuro e pele bronzeada. Um tinha íris azuis e outro possuía olhos castanhos. Eles trajavam uniformes pretos, com a imagem de um vulcão em erupção bordada em seus peitos. Quando as pessoas presentes viram estes dois, todos ficaram perplexos.

Uma mulher, que estava prestes a comer, olhou para os dois homens e quase engasgou, tossindo pesadamente. Suas orbes fitaram a imagem do vulcão em erupção bordado no peito dos dois e, como se sua alma estivesse saindo do corpo, ela exclamou...

“Facção Rocha Vulcânica!”

Por Urano | 08/09/20 às 17:15 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Xuanhuan