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Capítulo 00 - Prólogo

O Mestiço (OM)

Capítulo 00 - Prólogo

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun | QC: Pedrozar

Há não muito tempo atrás, todas as seis grandes raças viviam em completa paz. Entre os elfos e os humanos um grande laço de amizade tinha sido construído. Certa família humana era tão próxima deles que se tornaram mediadores entre os dois reinos. Nos tempos de paz, o nome Tomura era famoso entre ambas as raças, mas além de extremamente conhecido era um nome poderoso e importante.

Há cerca de dez anos atrás, quando os rumores de uma possível guerra já havia se espalhado por todos os reinos e era pauta de conversa por diversas vizinhanças, os reis dos cinco reinos humanos: O Reino do Sul, o Reino do Norte, o Reino do Leste, o Reino do Oeste e o Reino do Centro, se reuniram. Uma decisão foi tomada nesta reunião, decisão essa que, embora ninguém soubesse, traria consequências irreversíveis.

Os cinco reis votaram, e apenas Tsuyoko, rainha do Norte, se opôs, mas a maioria venceu. Eles decidiram que todos os membros da família Tomura deveriam ser presos em uma pequena prisão, localizada em Komama, no Reino do Centro, e a pena era prisão perpétua.

Nos dias atuais

Em uma pequena cidade no Reino do Centro, num lugar afastado da grande cidade mas não tão distante da floresta, havia uma grande estrutura. Ao seu redor, podia-se ver apenas as árvores que a cercavam.

O sol nasceu trazendo luz para dentro daquele lugar tenebroso. Através de um pequeno buraco no teto, uma cela escura era iluminada e dentro daquele pequeno cubículo tinham apenas duas camas de pedra e duas pessoas, cada um em uma cama.

Um deles era um jovem rapaz, que parecia ansiar por algo. Ele estava deitado encarando aquele pequeno buraco que iluminava o lugar. Suas vestimentas, se é que aquilo que ele trajava podia ser chamado de vestimenta, resumia-se em alguns trapos marrons remendados. Um rapaz não muito alto, magro, de pele branca, porém, não tão clara. Seus cabelos negros e longos cobriam sua nuca, chegando até mesmo a atrapalhar sua visão às vezes. Olheiras escuras rodeavam seus olhos, seu rosto quase sem nenhuma marca, com apenas uma pequena pinta em seu lado direito.

Ele não conseguia parar de pensar em como poderia estar o mundo fora da prisão e o quanto ele havia mudado desde a última vez que esteve livre. Toda essa ansiedade e pensamentos sobre como as coisas estariam para além dos muros que cercavam a prisão, se dava ao fato de que dali alguns poucos instantes ele tentaria fugir. Naquele dia nada poderia dar errado, pois tratava-se de uma oportunidade única.

— Kotaru, venha cá. — Disse o companheiro de cela do rapaz, um senhor de idade já avançada, seus cabelos eram longos e sua barba tinha o comprimento de seu pescoço, ambos já grisalhos. Sua pele branca era marcada por algumas cicatrizes. Ele vestia somente uma calça e uma capa apoiada em seus ombros, que se fechava na altura da clavícula.

— Senhor! — Respondeu Kotaru enquanto continuava pensando como poderia estar o mundo além dos muros.

— Quero te pedir algo. — Disse o velho senhor com o tom de voz baixo, mas sério.

— Pode pedir. — O rapaz rapidamente deixou de lado seus devaneios ao notar o tom sério na voz do velho.

— Caso você consiga escapar, em hipótese alguma volte para nos resgatar! Você sabe que qualquer coisa pode ser usada como estopim para o início desta guerra.

— Sim senhor. — Kotaru não gostava de ter que concordar com o que acabara de ouvir, mas sabia que ele tinha razão. Ao ver a mão daquele homem estendida, o rapaz rapidamente o ajudou a se pôr de pé.

— A luz que passa por esse buraco no teto… — O velho homem ergueu a cabeça e passou a encarar o buraco que iluminava o ambiente. — Essa luz é o que devo ver pelo resto dos anos que me faltam, todos nós que estamos presos aqui já aceitamos esse destino, não ouse voltar por causa de meia dúzia de velhos que já estão com os dias contados. Atenda esse meu último pedido.

— Sim senhor...  — A face triste do rapaz logo podia ser vista, inclinada para evitar contato com os olhos do velho.

— Não fique triste criança. Eu vivi uma boa vida, cheia de alegrias. Agora é a sua vez.

Desde pequeno, Kotaru se destacou por possuir uma habilidade, na época ele não sabia, mas ainda pequeno ele desenvolveu a magia de invisibilidade. Ele adorava brincar de esconde-esconde já que era invencível e quase sempre ganhava das outras crianças, mas um dia sua alegria teve fim.

Quando o decreto de que toda sua família, os Tomura, deveriam ser aprisionados, foi assinado. Ele e todos da sua família foram presos, por um motivo que ele nem ao menos sabia na época. Sua capacidade de ficar invisível se tornou inútil, graças à presença de um selo presente em todo edifício prisional, ele impedia o uso de magia dentro dos muros, entretanto, uma vez por ano, o selo precisava ser trocado, e é nessa pequena brecha que Kotaru daria utilidade à sua magia novamente, e tentaria escapar daquele lugar de uma vez por todas.

Um barulho de algo rangendo trouxe a luz, não só para a cela de Kotaru, mas para todo aquele andar. Uma porta havia sido aberta. Através dela vinham os soldados que iriam realizar a troca do selo. Em poucos instantes, aquele rapaz poderia ver o mundo do lado de fora novamente. Seus olhos mantiveram-se arregalados, sem sequer piscar, esperando ansiosamente por aquele momento único.

— Kotaru, não se esqueça da promessa que você me fez. — Disse o velho homem, segurando a mão do rapaz e o encarando firmemente nos olhos. — Uma velha videira não pode dar mais frutos, mas suas folhas servem de nutrientes para as novas videiras crescerem.

Seus olhos eram profundos e enrugados, mas transmitiam muita determinação e sabedoria, se não estivesse condenado a ficar preso nesse lugar por toda sua vida, talvez ele seria uma pessoa muito respeitada lá fora, porém, a vida não é justa com todos.

— Obrigado, vovô, eu... — Respondeu o rapaz com os olhos cheios de lágrimas, sendo interrompido por seu avô.

Neste momento um soldado retirava o selo que encontrava-se colocado num lugar alto na parede. Seus dedos puxavam aquele pedaço de papel que garantia que aqueles homens dentro daquele lugar não usassem magia, e quando ele já estava quase que retirado por completo o soldado ouviu um grito de uma voz rouca.

— Vá! — Disse ele, estendendo a mão para as grades e causando uma grande explosão que chamou a atenção dos soldados, que se direcionaram à cela dos dois.

Kotaru ficou invisível e correu o mais rápido que pôde, sem sequer olhar para trás. Ele sabia que se virasse seu rosto, não conseguiria prosseguir.

Por ScryzZ | 24/03/18 às 11:56 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama