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Capítulo 01 - Fugitivo Invisível

O Mestiço (OM)

Capítulo 01 - Fugitivo Invisível

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Em uma floresta, um tanto distante da cidade, se encontrava um rapaz. Ele corria ofegante, mas ninguém o perseguia, seus olhos estavam cheio de lágrimas, algumas escorriam por seu rosto enquanto ele dava seus longos passos, sem direção exata.

O garoto continuava a correr até que uma forte luz alcançou seus olhos. As árvores pareciam estar em fileira, prontas para que o nascer do sol corresse pelo “corredor” criado por elas e alcançasse o jovem. A princípio ele tentou esconder os olhos com a mão, suas vistas não estavam acostumadas com um ambiente tão iluminado, aos poucos sua mão foi abaixando e seus olhos se acostumando. Ele encarou por um tempo o nascer do sol, era uma bela visão, em sua mente ele pensou que poderia ficar ali calmamente, vendo aquela cena pelo resto de sua vida.

Algo dentro de si o levou a olhar para trás, nesse momento seus olhos voltaram a se encher de lágrimas ao relembrar da tragédia que acabara de acontecer. Ele voltou a correr, novamente sem direção alguma. Enquanto em sua mente, desenfreadamente corriam flashes do que havia acontecido. Sentia como se estivesse revivendo tudo aquilo, flash após flash. A voz de um velho homem ocupava sua mente e ele não conseguia fazer nada para silenciá-la. A incerteza do que havia acontecido àquele homem lhe angustiava.

“Não se esqueça dessa promessa” essas palavras ecoavam em sua cabeça como se viessem do fundo de um abismo, porém eram muito nítidas.

Após alguns minutos correndo, ele avistou uma cidade um pouco à esquerda. Sua barriga o lembrou de que não comia a dias. Decidido a ir para a cidade, o rapaz volta a correr, não tão rápido quanto estava, mas dessa vez com um destino planejado.

Chegando na cidade o jovem rapaz já estava exausto de tanto correr. Seus olhos já não estavam mais cheios de lágrimas, mas sua feição ainda era triste.

— Faz tempo que eu não venho aqui, tudo está tão diferente, as mulheres se vestem diferente do que eu me lembro. — pensava o rapaz enquanto andava pela cidade, maravilhado por tudo o que via. Ele parou ao se deparar com um jovenzinho que não deveria ter mais de cinco anos. Ele corria com os braços abertos alegremente enquanto gritava para seu pai: “Papai! Veja, eu sou um pássaro”. Seu pai o pegou e o colocou sobre seus ombros. Ambos pareciam felizes, tal cena despertou algumas memórias do rapaz, memórias que trouxeram aos seus olhos novas e amargas lágrimas.

Ele continuou andando pela cidade, fraco e faminto. Quando ouviu um vendedor gritar.

— Maçãs! Maçãs! Venham e comprem sua maçãs! Maçãs vermelhas, maçãs verdes!

Seus olhos se encheram de alegria e sua boca começou a salivar ao ver aquelas frutas que pareciam tão suculentas. Logo ele lembrou que nem bolso para guardar dinheiro tinha. Sua única alternativa seria roubar, mas isso seria algo contra seus princípios. Após algum tempo de discussão interna sobre o que era certo e errado. Sua fome venceu sua moral e no primeiro momento em que o vendedor desviou seus olhos de sua barraca, ele pegou uma maçã e pôs na boca e pegou quantas podia carregar.

— Ladrão!

Uma das mulheres que estavam por perto e viu o ato criminoso do rapaz, logo gritou o mais alto que pôde, chamando a atenção de todos. Vendo que havia sido descoberto, ele logo começou a correr. Sua boca roia a maçã que estava sendo sustentada pelos dentes. Era incrível como ele não derrubava a fruta enquanto a comia, sem auxílio das mãos.

Ele corria o mais rápido que podia, calculando do que desviaria e para que lado desviaria. Um pouco mais à frente havia uma entrada para esquerda. Ele não planejava virar ali, mas uma pessoa encapuzada surgiu daquela rua, ela não parecia que iria desviar dele, e ele não conseguiria “frear” a tempo. O corpo dos dois logo se chocaram e ambos foram ao chão. As poucas maçãs que não haviam caído enquanto corria, caíram agora, restando apenas a que estava em sua boca.

Ao abrir os olhos ele se deparou com uma visão tão bela quanto a que tinha tido mais cedo. Uma garota com os olhos azuis como o mar e cabelos loiros tão claros que beiravam o branco, os traços de seu rosto eram tão belos que fariam qualquer jovem dar uma segunda olhada. Parecia que uma deusa havia transcendido as dimensões e descido a o mundo mundano. Seus olhos não conseguiam desviar da garota e de sua beleza avassaladora. Após observá-la por alguns segundos ele reparou em suas orelhas. Elas eram pontudas e mais compridas que o normal.

— E-elfa? — Foi o que ele deduziu ao ver suas orelhas, e a maçã que ele tanto lutou para manter, caiu de sua boca.

— É uma elfa! Tenham cuidado! — Gritou um dos homens que perseguia o rapaz.

Ele se pôs de pé, pegou a maçã que caíra de sua boca, tomou a garota por sua delicada mão e começou a correr, porém não estava em um situação em que poderia reparar a maciez daquela mão. Ela mantinha uma expressão calma e cobriu-se novamente com seu capuz. A lembrança do delicado rosto da garota não saia da mente do rapaz, que tentava se controlar para não olhar para trás.

Ao ver uma entrada para a direita, ele imediatamente virou ali. Algo havia passado pela sua cabeça, algo que poderia livrá-los daquela situação. Após correr muito eles estavam saindo da cidade e indo em direção a floresta. Ele estava certo de que seu plano de escape daria certo, quando a garota se desvencilhou dele e parou de correr.

— Quem é você?

— Não importa, eles ainda estão atrás de nós, vamos à floresta, estaremos seguros lá.

Disse ele estendendo a mão para ela.

— É claro que me importa, pelo o que eu saiba, você pode ser apenas alguém querendo me levar para algum lugar para me vender ou torturar.

— Eu jamais faria isso, e se quisesse te torturar te entregaria a eles. Você que escolhe, vir comigo sobre a dúvida de que te farei algum mal, ou ficar e se deixar ser pega e ter a certeza de que eles te darão o pior futuro possível.

— Eu vou com você, mas não pense que eu não posso me defender. E não me segure pela mão. — Disse ela correndo na frente do rapaz que a acompanhou.

Eles adentraram a floresta e alguns homens, cerca de uma dúzia, ainda os seguia.

— Nós estamos seguros aqui?

— Estaremos, é logo ali na frente. — Ele se aproximou de uma árvore que estava por ali. Na visão de qualquer um, aquela era apenas mais uma árvore, mas para ele, ela era especial. Ao tocá-la com sua destra uma mulher surgiu, se revelando até a cintura.

— Uma dríade? Ela respondeu ao toque de um humano?

A elfa ficou surpresa ao ver a dríade. Elas são seres mágicos que vivem dentro das árvores. Conhecidas como protetoras das florestas. As dríades não costumam se revelar para qualquer um, no geral elas se mostram para aquele que plantou sua árvore, para pessoas de bons corações e aqueles com capacidades mágicas altas o suficiente para atraí-las. Ela era bela. Seus olhos completamente pretos. Sua pele num tom esverdeado com folhas que saiam de seu corpo e misturavam aos fios de seu cabelo.

— Tamara, por favor, nos ajude. — Pediu o rapaz.

Os homens que o seguiam finalmente os alcançaram. Eles puderam avistar seus alvos por apenas alguns segundos, mas logo, tudo que estava ao seu redor mudou. O ambiente ficou completamente escuro, como se fosse tarde da noite. Dois ogros extremamente grandes apareceram dentre as árvores, um estava com seu rosto coberto e carregava uma espécie de bastão. Enquanto o outro tinha um rosto assustador, cheio de cicatrizes e com uma grande pá em suas mãos.

— Corram! — Eles correram imediatamente tomados pelo medo.

— O poder ilusório de uma dríade é realmente espantoso. — Disse a elfa.

— Obrigado Tamara, você nos salvou.

— Sempre que precisar jovem Kotaru. — Respondeu ela com um sorriso delicado, voltando para dentro de sua árvore.

— Um humano capaz de falar com uma dríade? Elas não andam respondendo nem o chamado de um elfo.

— Eu a conheço há um bom tempo, a sua semente de vida foi plantada pelos meus pais.

— Bem você me ajudou. Eu posso retribuir de alguma forma? — Ela não estava muito feliz por reconhecer isso, mas pensava que seria o certo a se fazer.

— Bem, eu sempre ouvi o qual bom com magia os elfos são. Teria como você me ensinar? Nem que seja somente o básico. — Perguntou ele, ciente de que seu pedido era um grande pedido.

— Sinto muito, mas não posso.

— P-por que? — Kotaru ansiava por um sim, entretanto ficou abalado com a resposta da elfa.

Afinal, em frente a uma criatura conhecida por sua alta aptidão em magia, não há quem não fique ansioso em querer ser ensinado por eles.

— Eu tenho muitas coisas para fazer, você só me iria me atrapalhar. Além de que andar ao meu lado no momento seria apenas uma maldição. — O olhar da garota ficou um tanto abatido durante suas últimas palavras.

— Eu não me importo! Eu preciso ficar mais forte. Faço o que você quiser, e vou aonde você for. — Disse o rapaz, pedindo novamente. Sendo um jovem inocente, confiou rapidamente nela. Em nenhum momento passou em sua cabeça que ela poderia lhe fazer algum mal.

Após passar por tantas coisas, ele teria motivos suficientes para desconfiar de todos, mas não é esse o caso, ele está ansiando por alguém em quem confiar. Sendo que ele ajudou ela, ele acredita que a garota não lhe fará nenhum mal, sendo assim, confiou nela instantaneamente.

— Olha bem pra mim! Eu sou uma elfa! Sabe porque eu estou aqui? Preferindo estar sendo perseguida por vocês humanos do que estar em meu reino? Eu não sou mais bem-vinda em casa e também não sou bem-vinda aqui. Quer mesmo estar ao lado de alguém que será perseguida por onde quer que vá? — Ela estava irritada pela insistência do rapaz e acabou falando mais do que queria.

— Eu também não tenho lugar que eu possa ir sem ser perseguido.

— O que você quer dizer com isso?

— Bem, humanos também não têm sido bem aceitos no reino elfo com todo esses rumores de guerra. E eu sou um fugitivo. — Respondeu com sinceridade.

— Você fugiu da prisão? — Perguntou ela se afastando um pouco. — E o que você fez para estar preso?

— Meu nome é Kotaru Tomura. Como elfa deve reconhecer esse sobrenome, mas caso não conheça eu te direi o que significa. Minha família é aliada dos elfos há décadas, nós cuidamos dos direitos deles aqui no Reino humano. Há dez anos quando as desavenças entre os elfos e os humanos começaram a crescer, os cinco grandes imperadores decidiram manter todos da minha família em cativeiro, para que não agíssemos como agentes duplos. Eu fugi porque meu avô e meu pai me convenceram.

— Ele não saberia sobre a relação entre os elfos e os Tomura se não fosse um. Eu também ouvi de minha dama que eles haviam sido presos. Ele não deve estar mentindo. — Pensou ela, analisando a história do rapaz. — E porque só você fugiu? — Perguntou ela querendo ir a fundo para ter certeza se ele falava a verdade ou não.

— Porque eu sou o único capaz disso. — Respondeu ele, ficando invisível por um breve momento.

— Magia de invisibilidade, entendo. Então você quer poder para libertá-los?

— Meu avô me fez prometer que não faria isso, já que o Reino poderia declarar guerra contra os elfos declarando que foram eles que libertaram minha família.

— Então pra que você quer poder? — Questionou ela buscando no rapaz algo que o acusasse.

— Eu sei que é infantil... — Disse ele mordendo o lábio com raiva e desviando o olhar para baixo. — Eu quero poder fazer alguma coisa, impedir que tantas outras pessoas vivam como eu vivi, fazer alguma coisa, qualquer coisa... — Ele cerrou seus punhos e mordeu seu lábio, até que um traço vermelho surgiu no canto de sua boca.

A verdade é que ele não sabia o que queria ao certo, talvez tudo o que ele queria era não se sentir tão impotente como ele se sentia no momento. O rapaz havia vivido dez anos com o único objetivo de poder ver o sol novamente, mas ele não esperava que quando isso viesse a acontecer, ele estaria sozinho.

— Entendi. — Disse ela um tanto comovida.

— E você? Por que foi mandada para exílio?

— Eu quem faço as perguntas. — Respondeu ela ríspida, mostrando sua desconfiança ao rapaz.

— Tudo bem, eu confio em você, posso saber ao menos o seu nome? — Perguntou sorrindo inocentemente, inocência essa que irritava um pouco a garota.

— Arien, meu nome é Arien. — Respondeu dando de costas e andando.

— Aonde você vai?

— Nós vamos voltar à cidade, eu preciso de um último ingrediente para uma poção. — Disse ela, parando para esperá-lo. — Ande logo!

— Sério? Você vai me ensinar? Obrigado! Muito obrigado mesmo. —Kotaru se curvou inúmeras vezes enquanto agradecia. Algumas lágrimas até chegaram até seus olhos de tanta alegria.

— Sim, mas que fique claro, você poderá vir comigo desde que me ajude no que eu precisar, eu lhe ensinarei o básico da magia. Isso até quando esse acordo me for vantajoso.

— Arien sentiu que o rapaz estava sendo sincero, mas no fundo, não sabia o porquê estava o ajudando.

— Tudo bem, vou me esforçar para te ser útil de alguma maneira. E essa poção que você quer fazer, o que ela faz?

— É uma poção do metamorfo. Eu a quero para mudar isso.  — Disse ela, parando de andar e se virando para ele, segurando suas orelhas pontudas.

— Entendi. — O rapaz quis rir ao vê-la segurando suas orelhas com a ponta dos dedos. Ele pôs a mão na boca para esconder a risada, fazendo-a corar.

— Kotaru certo? — Perguntou Arien encarando o rapaz que confirmou balançando a cabeça. — Nós iremos fazer um… Bem, como eu posso chamar… Exercício? É acho que exercício é uma palavra boa para descrever isso.

— O que faremos?

—Eu continuarei andando, nessa mesma velocidade, em direção a loja de poções. Você deverá chegar nessa loja na minha frente.

— C-Como? Eu não sei onde ficam as coisas nessa cidade. — Disse o rapaz, que não tinha ideia de como conseguiria realizar o que lhe fora pedido.

— E você só poderá andar enquanto estiver invisível. — Ela possuía um sorriso maquiavélico em seu rosto.

— Eu não consigo ficar muito tempo invisível. Eu teria que ficar fazendo pausas para me recuperar.

— Então acho melhor você ir logo. Use a cabeça e você conseguirá prever para onde eu vou. — Disse ela tentando ajudar o rapaz da maneira mais discreta possível. Kotaru ficou invisível e começou a correr na frente de Arien.

—- Bom, meu limite de tempo invisível é de quase três minutos, então terei que fazer pausas sempre que eu me esgotar. Agora como que eu vou descobrir onde é a loja? E se eu encontrar a errada, eu nem ao menos sei qual o ingrediente que ela procura pra saber se tem ou não na loja.  — Pensava Kotaru, enquanto corria desesperado. Após adentrar na cidade, ele começou a chamar a atenção das pessoas que não o viam, mas podiam ouvir o barulho de seus passos. — Vou esperá-la passar por aqui. — Disse ele entrando em um beco estreito e se apoiando na parede.

— Inteligente, parou na entrada da cidade, mas veremos onde será sua próxima parada. — Murmurou Arien para si mesma. Mesmo sem tê-lo visto entrar no beco, parecia saber exatamente onde ele estava.

Alguns minutos depois

Arien já estava perto o suficiente para avistar uma grande loja com as paredes vermelhas e um grande logotipo de poção pendurado na parte alta. Ela não via Kotaru em lugar algum. A elfa continuava andando em direção a loja quando do seu lado passou um vento acompanhado de barulho de passos.

— Você... Demorou... Demais. —Disse o rapaz ofegante se apoiando em seus joelhos.

— Você acabou de me ultrapassar, se for mentir, ao menos minta direito e mantenha a compostura, você está quase se jogando no chão.

— Eu não ganho nenhum elogio por descobrir como chegar antes de você? — Perguntou o rapaz decepcionado.

— Não! Qualquer um poderia pensar que era só você me seguir aos poucos e quando visse a loja próxima, seria só correr na frente. — Respondeu sem dar o braço a torcer.

Os dois entraram na loja. Lá dentro eles se depararam com um velho senhor, tão magro que Arien imaginava como seus ossos não se quebravam pelo simples ato de ficar em pé. Ela pediu o ingrediente que faltava e alugou um caldeirão para realizar a poção ali mesmo.  

— Me sigam.

O vendedor começou a andar, a preocupação tomou conta do olhar de Arien que esperava pelo momento em que o fino par de pernas daquele homem cedesse. Ele parou em frente a uma cortina, puxando um dos lados.

— Muito obrigada.

— Fiquem a vontade, eu estarei lá na frente. — Disse o vendedor se retirando.

Eles entraram naquela sala. Era um lugar vazio, com apenas um tanto de lenha, com um caldeirão em cima. A garota retirou seu capuz, revelando novamente seus pálidos cabelos. Ela apontou o indicador para a lenha, uma brasa se formou na ponta do seu dedo e logo toda aquela madeira estava em chamas.

— Você também pode fazer fogo? — Kotaru estava maravilhado.

— Não é nada demais.

E para ela realmente não era, afinal havia vivido toda sua vida cercada por magia. Ela abriu sua bolsa que carregava consigo e tirou de lá os ingredientes que seriam usados em sua poção. Em sua grande maioria, os ingredientes eram compostos por frutas e plantas. Apenas um era exceção, um punhado de cabelo que pela cor, se via que não era dela.

Três horas depois

— Finalmente não serei mais perseguida. — Com uma concha, Arien encheu um copo com a poção, que possuía uma cor esverdeada  — Troque essas orelhas de elfo por orelhas comuns — Disse ela em uma língua que Kotaru não conhecia. E bebeu a poção.

— O que você disse?

— Você realmente não sabe nada sobre magia não é? Sempre que se bebe a poção do transmorfo, se deve pedir o que você quer que mude.

— Elas já estão mudando. — O rapaz estava admirado. Ele se aproximou para ver a transformação das orelhas da garota mais de perto. Envergonhada socou-lhe o rosto o afastando.

— Ai! — murmurou ele esfregando a bochecha marcada pelo punho da elfa.

— Vamos. — Disse Arien despejando o restante da poção em dois frascos e os guardando em sua bolsa. Eles saíram da sala, ela pagou ao vendedor e saíram da loja.

— Para onde vamos agora? — Perguntou se apressando para acompanhá-la.

— Resolver seus problemas.

— Meus problemas? Que problemas? — Kotaru não entendeu ao certo o que ela quis dizer, se preocupando um pouco.

Alguns minutos depois.

— Uma loja de roupas? Esse é o meu problema? Roupas? — Perguntou ele aliviado e decepcionado ao mesmo tempo.

— Olhe ao redor, as pessoas ficam te olhando. Acha mesmo que vai passar por um guarda, sem que ele desconfie que você era um prisioneiro, com essa roupa? E você também precisa de uma mochila. — A garota procurava por roupas para ele enquanto falava.

— Aqui, experimente isso. — Ela colocou uma pilha de roupas nas mãos dele e o empurrou para trás de um biombo onde ele se trocaria.

— Oh, ficou perfeito! — Disse ao vê-lo vestindo a roupa que escolheu.

— Acha mesmo? — Perguntou envergonhado, vestindo uma camiseta azul não muito claro, por cima de uma camiseta branca simples. A azul era de manga curta, enquanto a branca de manga comprida. Sua calça preta era sustentada por um cinto marrom. As botas possuíam a mesma cor da calça e no seu tronco uma bolsa atravessada de cor marrom.

— Sim. Agora um toque especial. — Arien enrolou um cachecol num tom azul acinzentado no pescoço de Kotaru.

Os dois riram, cruzaram os olhares e logo desviaram envergonhados.

Por ScryzZ | 24/03/18 às 11:58 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama