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Capítulo 03 - A Face da Morte

O Mestiço (OM)

Capítulo 03 - A Face da Morte

Autor: Liam | Revisão: Wesley

—Maldito! —Disse Arien soltando outro raio de aura derrubando o monstro. Ela pulou em cima dele cravando sua espada em sua cabeça, o sangue preto dele espirrou em sua face e roupa.

Com um tapa o monstro a retirou de cima de si, impedindo-a de penetrar ainda mais fundo com sua espada. Com a ponta de seus longos dedos retirou a lâmina de sua cabeça, fazendo com que a lâmina se desfizesse em aura.

Arien já estava exausta, com alguns ferimentos devido às quedas e aos golpes recebidos, ela estava encostada em uma árvore enquanto assistia o monstro se levantar com dificuldades devido a seu corpo desproporcional. Quando finalmente conseguiu se pôr em pé começou a caminhar em direção da elfa.

—Ei seu bicho feio, vem cá! —Gritou Kotaru jogando algumas pedras nele fazendo-o virar o rosto e encará-lo, mas ele o ignorou. Lentamente ele continuou a caminhar na direção da elfa que tentou se pôr de pé, mas seu corpo já não a obedecia totalmente.

—Arien, Corre! —Gritou o rapaz jogando pedras no extenso corpo do monstro que continuava a ignorá-lo.

—E-eu não consigo. Pega minha bolsa, ela está encostada em algum lugar. —Gritou Arien se esforçando para se mexer, mas só conseguia se esgueirar pelo chão.

—Bolsa? Você precisa de ajuda! —Disse ele correndo na direção dela.

—Pegue a bolsa! —Gritou ela seriamente demonstrando certo desespero.

—Está bem. —Respondeu ele correndo para procurar a bolsa, ao ver a seriedade dela.

O armong ficou parado de frente para Arien, ela não sabia para onde poderia ir, o longo braço do monstro logo a alcançou e a ergueu de modo que seus olhos ficassem na mesma altura.

A face da elfa estava tomada pelo medo, ela tinha ciência de que não seria capaz de derrotá-lo, e também sabia sobre a consequência de não derrotá-lo. O monstro olhou nos seus olhos, e com sua larga boca abriu um macabro sorriso.  

O sorriso daquele monstro a aterrorizava, ele continuava a fechar sua mão lentamente, sentindo os ossos de Arien cada vez mais perto de se quebrarem.

Respirar se tornava mais difícil a cada segundo que passava. O sangue começou a escorrer de sua boca e o armong parecia se divertir com aquilo.

—Arien!

Kotaru corria em direção a elfa com a bolsa em mãos.

—K-Kot... —Ela tentou chamar pelo rapaz, mas não tinha forças nem ar para tal ação. Kotaro largou a bolsa no chão e ficou invisível enquanto corria em direção ao monstro.

Ao chegar perto o suficiente para alcançá-lo com seus punhos começou a socar a perna dele, mas seu ato de desespero nem sequer chamou a atenção daquela aberração.

Arien com suas poucas forças esticou sua mão materializando uma espada nos pés de Kotaru. Ao vê-la o rapaz encarou Arien e acenou a cabeça informando-a que entendeu o que ela queria.

Ele pegou a espada e com todas suas forças atravessou a perna do monstro que soltou um grito mais alto que todos os outros, fazendo com que garoto soltasse a espada e levasse suas mãos aos ouvidos, por causa daquele som ensurdecedor ele não foi capaz de ver a grande mão do armong se aproximando, o que o arremessou longe cuspindo um bocado de sangue.

O armong, agora irritado, tinha um alvo que o interessava, por isso deixou de lado a tortura da elfa e passou a caminhar lentamente em direção ao rapaz, Arien estava a ponto de desmaiar suspensa na mão daquele enorme ser, ela sentia sua consciência se apagando. Cada vez que fechava os olhos no ato de piscar se tornava mais difícil abri-los novamente.

—Eu, vou t-te... Vou te salvar... Arien!  — Disse Kotaru ofegante com sangue escorrendo por sua boca.

Ele ficou invisível e com muito esforço ele se pôs de pé novamente correndo em direção ao armong que procurava por ele, não demonstrando muita inteligência já que os passos dele esmagavam a grama. Kotaru se pôs atrás do monstro o com suas poucas forças puxou a espada que estava fincada na perna dele.

—AHHH!  

Com um grande grito de desespero ele juntou suas forças para cortar a mão que segurava Arien, haviam muitas camadas de carne e o osso daquele longo braço era grosso. Kotaru teve que colocar toda a força que conseguiu para tentar separar a mão do resto do corpo daquele monstro. Mesmo com todo o esforço ele não conseguiu, mas o grande corte que chegou a causar uma fissura no osso do monstro foi o suficiente para fazê-lo soltar a garota.

Kotaru soltou a espada e se apressou para resgatar Arien. O armong tornou a gritar, sua raiva o cegava, ele ergueu seu braço e ficou a encarar sua mão que pendia para a direita, ameaçando cair.

—Kota-Ko…

—Não se esforce, eu vou te tirar daqui. —Disse o rapaz a jogando em suas costas.

—Bo-bolsa... —Arien murmurava algo sem força alguma, ela estava extremamente ferida, com alguns cortes em sua delicada pele e duas costelas quebradas.

—Sua bolsa? Sim, você havia me mandado buscá-la. Para quê você a queria?

—Pegue a bo... —Disse ela perdendo as poucas forças que lhe restavam.

—Pegar a bolsa… —O rapaz ponderou por um momento o quão difícil seria essa tarefa. —Isso vai ser complicado, a bolsa está longe e eu não consigo deixá-la invisível. —Disse ele se escondendo atrás de uma árvore.

—Arien, eu já volto com sua bolsa, de jeito nenhum saia daqui.

Kotaru a deitou no gramado, encostando sua cabeça na árvore. Ele já estava esgotado, não conseguiria ficar invisível por muito mais tempo.

Esforçando-se ao limite Kotaru ficou invisível novamente e correu o mais rápido que pôde para usufruir da melhor forma possível do pouco tempo que conseguiria usar sua magia. Logo ele conseguiu chegar até a bolsa que estava próxima ao monstro que ainda estava á procura do culpado pelo o que aconteceu com sua mão. Assim que Kotaru pôs as mãos na bolsa ele voltou a ficar visível, o rapaz já havia extrapolado seus limite.

Em meio a uma procura incessante armong finalmente achou seu alvo, tudo dentro de si clamava pelo sangue daquele pequeno ser que começou a correr imediatamente em direção a elfa.

O punho do armong foi mais rápido que os passos do rapaz.

Ao perceber que não conseguiria escapar do impetuoso golpe que vinha em sua direção, ele se virou e protegeu seu peitoral com os braços cruzados, sem soltar a bolsa em nenhum momento.

Ele pôde sentir os ossos do seu antebraço prestes a ceder quando o punho daquele monstro se chocou com ele o arremessando na direção da elfa.

—A bolsa. —Disse ele ferido rastejando até a garota e colocando a bolsa ao seu lado, e ela abriu seus olhos aos poucos.

—Recipie... -A garota se esforçou ao máximo, mas não conseguiu terminar a fala.

—Recipie? Recipiente? -Arien acenou com a cabeça em resposta à pergunta do rapaz.

Com certo esforço Kotaru se sentou e começou a revirar a bolsa da elfa procurando por um recipiente, seu braços estavam extremamente doloridos, ele tinha a impressão de que o simples ato de mover os braços poderia quebrá-los. Sem cuidado algum ele a virou com a boca para baixo jogando tudo ao chão.

Várias coisas caíram e ele começou a espalhar tudo pelo chão, afastando tudo que não se assemelhava a um recipiente. Kotaru agia desesperadamente, pois enquanto procurava o tal recipiente o monstro se aproximava, sua luta era contra o tempo.

—E-es... Esse. —Começou a repetir ao ver Kotaru pegando o item na mão.

—Isso? Essa lamparina é seu recipiente? —Perguntou o rapaz que colocou o objeto na mão da garota. Arien murmurou algumas palavras com suas últimas forças, abrindo o tal recipiente e logo após desmaiando novamente.

—Arien? Arien? O que eu faço com isso agora? Droga! —Kotaru socou o chão irritado, recebendo logo o salário de sua estupidez, seu antebraço doeu como se o armong o houvesse socado novamente.

O monstro já estava próximo o suficiente para alcançá-lo com seu longo braço. O monstro se virou para ele e o terror caiu sobre o sua face ao ver aquele macabro sorriso no rosto da criatura, que estava com o punho erguido prestes a despencar sobre sua cabeça. Kotaru fechou seus olhos e naquele pequeno segundo pôde se lembrar da sua curta vida, os poucos anos de liberdade que havia vivido com seus pais e avós e os anos que viveu dentro da prisão, por pior que fosse o lugar ele estava cercado por sua família.

—Já ouvi falar que quando se está prestes a morrer, um filme da sua vida passa em sua mente, não esperava que fosse verdade —Pensou o rapaz que esperava o pior acontecer, enquanto em sua mente vinha uma de suas últimas lembranças, o rosto da elfa que conhecera há não muito tempo, e logo teria o mesmo destino.

Passaram alguns segundos Kotaru sentado no gramado ainda esperava sua morte, mas não aconteceu. Ele abriu lentamente um dos olhos. O armong estava se desfazendo e sendo absorvido pelo tal recipiente, era algo inacreditável de se ver. Ao terminar de absorvê-lo ele se fechou sozinho, Kotaru se afastou com medo, mas logo se deu conta de que aquela lamparina provavelmente tinha prioridades, como cuidar de Arien.

Ele revirou as coisas que havia despejado no chão a procura de algo para limpar o sangue no rosto da garota, grande parte desse sangue pertencia ao armong, logo achou um pano, ele sabia que ela iria reclamar ao vê-lo manchado de sangue, mas decidiu usá-lo assim mesmo.

Kotaru o molhou com um pouco de água que estava em um recipiente, originalmente era água para matar sua sede. Deitou cuidadosamente a garota em seu colo, passou o pano na boca e na bochecha por onde o sangue havia escorrido, depois no braço ferido de tantas quedas, por fim ele passou na testa.

—Isso vai deixá-la bem brava. —Disse ele sorrindo. O rapaz a encostou na árvore junto dele e levantou seus olhos contemplando a grande imensidão do céu, e com tempo adormeceu ali mesmo.

O dia já havia amanhecido.

—Não acredito que eles sobreviveram àquela aberração. —Dizia Hayato a si mesmo observando os dois que dormiam. —Acho que devo acordá-los, caso contrário isso pode demorar.

Kotaru estava encostado na árvore com a cabeça apoiada na de Arien que dormia apoiada em seu ombro. O mineiro com sutileza levou sua mão ao braço da elfa e a chacoalhou com cuidado.

—Ahh!

A garota havia se assustando e recuou seu corpo contra a árvore, se afastando também de Kotaru que perdera seu apoio caindo com sua cabeça sobre o colo da garota sem acordar.

—Ele tem o sono pesado não é?

—Parece que sim. —Respondeu ela envergonhada.

—Melhor acordá-lo também.

—Espere. —Pediu a elfa, que não queria que ele acordasse deitado em seu colo. Ela o deitou no chão e levantou-se. No meio do processo ele acabou acordando e ela o soltou, fazendo com que sua cabeça fosse ao chão.

—Ai! —Gritou o rapaz que se levantou acariciando sua cabeça.

—Você é o mineiro não é? O que você está fazendo aqui? —Perguntou Kotaru ainda embriagado de sono.

—Eu queria pedir a vocês um favor.

Hayato estava com o baú que seu pai havia derrubado ao ser morto em mãos.

—Qual seria esse favor? —Perguntou Arien desconfiada.

—Eu gostaria que vocês me acompanhassem para concluir o pedido.

—Você quer ir entregar o achado para o seu empregador? Você sabe que ele provavelmente sabia do nível de proteção dessa caverna não é mesmo? —Perguntou Arien insinuando que a morte do pai do rapaz poderia ter um culpado direto.

—Sim, por isso mesmo preciso ir vê-lo, preciso saber se ele sabia o quão perigoso era esse trabalho. Eu preciso de uma direção pra essa raiva dentro de mim.

Hayato trabalhava com seu pai desde muito jovem, os dois eram além de tudo, amigos.

—Hoje eu mal consegui dormir, toda vez que fechava meus olhos a lembrança dele sendo morto daquela maneira tão brutal vinha à minha mente e eu acordava. —O pobre rapaz secava as lágrimas em seu braço.

—Nós iremos te acompanhar, mas isso irá aumentar o preço que você deverá nos pagar.

—Arien! —Disse Kotaru em tom de reprovação.

—Ela está certa, eu não tenho direito algum de pedir que se arrisquem pelos meus objetivos sem receberem nada em troca.

—E o que tem dentro do baú?

—Eu não sei, esse é um objeto estranho, ele não possui fechadura, e mesmo assim não fui capaz de abrir.

—Deixe-me ver. —Disse Arien pegando-o antes que Hayato pudesse consentir, ela o analisou rapidamente e o pôs no chão de volta.

—E então?

—Ele está selado com magia, você não iria conseguir abrí-lo nem se fosse um homem extremamente forte.

—Como assim nem se eu fosse? —Disse ele sem muito ânimo.

—Quando partimos então? —Perguntou Kotaru desviando o assunto sabiamente ao notar que Arien estava pronta para menosprezar a força do mineiro.

—Amanhã bem cedo, acho melhor vocês descansarem pelo resto da tarde, posso ver que não foi nada fácil vencer aquele monstro. —Respondeu Hayato com o olhar um tanto abatido.

Assim eles encerraram o assunto e se direcionaram para voltar e descansar, em breve será eles se encontrarão com a pessoa responsável pelo pedido que custou a vida do Yoshio.

Por LiamGt | 27/03/18 às 15:17 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama