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Capítulo 04 - A Caminho de Suzume

O Mestiço (OM)

Capítulo 04 - A Caminho de Suzume

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Oi meus caros leitores, tudo bem? Bom aqui estão dois capítulos extras para vocês aproveitarem nesse feriado, lembrando que amanhã tem o capítulo semanal. Boa leitura.

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Na pensão.

—Kotaru, deite aqui. —Disse a garota de joelhos no colchão.

—Para que? —Perguntou o rapaz um tanto desconfiado.

—Tire a camiseta e deite logo.

—T-tirar a camisa? —Kotaru estava envergonhado.

—Não é nada disso que você está pensando, agora ande logo! Não tenho todo o tempo do mundo. —Arien ficou um pouco corada ao imaginar o que ele poderia ter pensado que ela queria.

—Tudo bem. —Respondeu ele cedendo e tirando a camisa timidamente revelando seu corpo magro.

—Como eu imaginei você também está ferido... Wind Blessing —Arien estendeu suas mãos sobre as costas de Kotaru, nesse momento uma aura num tom de azul esverdeado rodearam as mãos dela que faziam contato com a pele do rapaz.

—Que sensação estranha. O que você está fazendo? —Perguntou Kotaru que não conseguia ver o que ela fazia, mas sentia algo diferente dentro de si.

—Magia de cura, não sou especialista nela, mas dá para melhorar sua situação.

Arien já havia notado que os braços de Kotaru estavam cheios de hematomas, mas demorou um pouco para reconhecer que o resto de seu corpo também estava ferido. Após alguns minutos com as mãos sobre as costas dele e em meio a um silêncio um tanto constrangedor ela voltou a se pronunciar.

—Agora eu vou tomar um banho. —Disse Arien se pondo em pé com o semblante um tanto triste.

—Ok.

Após algum tempo o rapaz, que havia notado o olhar triste dela, foi até a porta do banheiro, mas não teve coragem de falar nada.

—Desculpe. —Disse ela de dentro do banheiro, alto o suficiente para se ouvir do lado de fora.

—Ela sabe que eu estou aqui? —Pensou ele.

—Eu coloquei sua vida em risco, disse que o deteria mas fui fraca e falhei... Eu avisei que andar comigo seria uma maldição… Não devia ter te permitido…

—Nós salvamos o Hayato, se não fosse você os escoltando, com certeza alguém menos experiente teria pego o trabalho e teria morrido. Nós quase morremos mesmo, sinceramente, ainda não sei como estamos vivos, quando te vi sendo segurada por ele, eu tive certeza de que ali seria nosso fim... Nós não falhamos, pelo contrário, salvamos uma vida, não se considere uma maldição, pois mesmo que não veja isso, ao pôr minha vida em risco hoje você salvou muitas vidas. —As palavras de Kotaru foram reconfortantes para a garota que se culpava pela morte de Yoshio. —E não se esqueça que andar com você foi uma escolha minha.

—Meus poderes estão selados. —Disse ela abrindo a porta.

—C-co-como assim? —Perguntou Kotaru desviando o olhar da garota que estava apenas enrolada numa toalha, com seus cabelos úmidos deslizando por sua pele pálida.

—Pervertido! —Arien ficou completamente vermelha e imediatamente fechou a porta do banheiro com muita força. Após alguns segundos de silêncio ela voltou a falar. —Antes de ser expulsa do Reino elfo, meus poderes foram selados. Eu posso usar somente vinte por cento do meu poder com esse maldito selo dentro de mim. —As memórias que vinham a tona eram as mais desagradáveis possíveis. Sua mão estava em seu peito, como se ela tentasse impedir aquela dor com suas próprias mãos.

Houve um momento de silêncio, Arien esperava a reação dele, mas Kotaru não sabia se deveria perguntar mais sobre seu passado ou apenas se contentar com a demonstração de confiança, no fim, ele escolheu a segunda opção.

—Eu vou caminhar um pouco. —Disse Kotaru saindo sem saber como reagir, ele pegou seu cachecol, cobriu o pescoço e o ergueu de maneira que sua boca ficasse coberta e saiu.

Enquanto corria ele pensava no que poderia fazer para ficar mais forte, afinal, agora sabia que embora a elfa fosse realmente forte, ela não poderia usar todo seu poder. Ele não queria ser um fardo e também desejava ajudá-la no que fosse possível.

Passaram-se alguns minutos, aproximadamente uma hora. A garota já havia deixado suas más lembranças de lado, e agora se encontrava sozinha e entediada.

—Humpf… Tão entediante. —Dizia Arien consigo mesma deitada na “cama”, no chão da cozinha, com as pernas pro alto.

—Voltei.

—O que aconteceu? —Perguntou a elfa ao vê-lo extremamente suado e com a blusa encharcada.

—Eu te disse que ia correr.  

—Mas faz horas.

—Acho que não vi o tempo passar. Bem... vou tomar um banho, eu estou fedendo. —Ao dizer isso Kotaru se deparou com a garota se aproximando pra conferir se ele realmente estava cheirando mal.

—Eca! —Exclamou ela confirmando o mau cheiro dele. —Espere um pouco, preciso te pedir algo. —Disse a garota tapando o nariz para evitar o odor de suor.

—O que?

—Não conte para o Hayato que sou uma elfa, não quero me arriscar a descobrir o que ele pensa sobre nós.

—Claro. —Respondeu ele terminando de beber um copo de água e indo em direção ao banheiro.

Alguns minutos se passaram, Kotaru já tinha acabado seu banho, ele olhou pela fresta da porta do quarto para verificar se ela já havia adormecido. A elfa dormia esparramada pela cama e descoberta, após alguns segundos observando-a o rapaz decide entrar cuidadosamente no quarto.

—A noite vai ser fria. —Sussurrou ele cobrindo-a.

O dia amanheceu.

—Ko-ta-ru! Ko-ta-ru! Ko-ta-ru!

Arien fazia um escândalo tentando acordar o rapaz que dormia um sono pesado, mas após uma longa série de gritos, ele acordou.

—Já amanheceu?

—Sim. Vista uma camiseta e pegue suas coisas, nós vamos partir em trinta minutos. —Disse ela jogando a camiseta do rapaz no seu rosto, fazendo-o se esconder embaixo das cobertas com um pouco de vergonha por estar sem camiseta.

—Um minuto e eu já desço. —Disse Kotaru se vestindo em baixo das cobertas, enquanto Arien balançava a cabeça em reprovação.

—Já tinha notado que você era tímido, mas não imaginei que era tanto.

—Ainda há muita coisa que não conhecemos uns dos outros, mas mudando de assunto, você já pagou o dono da pensão? —Perguntou o rapaz saindo de baixo das cobertas já vestido.

—Sabia que é costume os homens arcarem com os custos das damas.

—Para isso acontecer basta deixar que eu receba o dinheiro dos próximos trabalhos.

No andar de baixo se encontrava Hayato próximo a uma simples carruagem de transportar mercadorias. Ele vestia uma calça preta e botas da mesma cor e a mesma blusa de quando conheceu Kotaru e Arien.

—Pensei que vocês tinham desistido. —Disse Hayato sentado na porta da pensão. Pelo seu tom de voz podia-se imaginar que ele esperava há algum tempo.

—Nem nos atrasamos tanto.

—Onde vamos fazer essa entrega? —Perguntou a elfa se aproximando da carruagem.

—Nosso empregador disse que estaria nos esperando daqui cinco dias em Suzume. —Respondeu ele abrindo o mapa do Reino Central e indicando onde era a cidade. https://prntscr.com/iym69q

—Quanto tempo você acha que levaremos daqui até lá? —Perguntou Arien.

—Depende de quantas paradas faremos, mas em média de uns três dias se não fizermos longas paradas.

—Então iremos de carruagem? —Perguntou a elfa observando o transporte que estava logo a sua frente.

—Sim, à aluguei por um preço bem em conta.

—Então estamos prontos para partir.  

—Isso! Prontos para partir! —Gritou Kotaru que se sentiu deixado de lado nas tomadas de decisões.

Os três subiram na carruagem, Kotaru e Arien estavam na parte traseira, enquanto Hayato guiava o veículo.

—Hayato, quanto tempo para a primeira parada?

—Quando sairmos da cidade talvez eu tenha alguma noção. —Respondeu o rapaz sem entender a pressa da garota, afinal não fazia nem meia hora que subiram na carruagem.

—Incrível como esses cavalos são fortes. —Disse Kotaru colocando a cabeça para fora da carruagem.

—Sua primeira vez andando de carruagem? —Perguntou Hayato.

—Sim, eu fiquei d… —Kotaru foi interrompido rapidamente pela elfa que notou que ele iria falar mais do que devia.

—Hum. —Disse ele com o dedo na boca pensando numa resposta.

—Acho que você está certa. —Falou ele cedendo.

—Está tudo bem aí atrás? —Perguntou Hayato que não havia entendido a situação, ficando um tanto desconfiado.

—Sim, vamos observar a paisagem aqui de trás para não ficar te importunando. —Respondeu a garota disfarçando. Kotaru foi interrompido por Arien, ela pôs a mão na boca do rapaz levando-o para dentro da carruagem.

—Eu disse para não contar. —Sussurrou Arien em um tom bravo.

—Eu pensei que era só o seu segredo. —Disse o garoto demonstrando certa inocência.

—E como você explicaria que estava preso?

—Mas depois eu quero sentar lá na frente. -disse Kotaru que estava ansioso para tentar segurar as rédeas da carruagem.

A carruagem era simples, sem pintura alguma, possuindo apenas a cor da própria madeira. Um tanto comprida, pouco menos de dois metros de largura. No topo um pano encardido se estendia pela carruagem tapando as extremidades. Na traseira tinha uma porta que abria para dentro.

—Kotaru, venha cá. —disse Arien sentando no fundo da carruagem que estava com as portas abertas e o tecido erguido, a garota se encontrava com as pernas para fora da carruagem.

—O que foi? —Perguntou o rapaz se aproximando apoiado sobre suas mãos e joelhos.

—Vamos continuar nosso treino sobre magia.

—Sério? —Perguntou contente. Ele ansiava por isso a cada segundo que passava do lado da elfa.

—Tome, pegue este livro, ele contém ensinamentos sobre as cinco magias básicas: Mystical Impact que causa um disparo de aura; Fence que cria uma barreira à sua frente; Find que te capacita sentir outras auras ao seu redor; Hidden que oculta sua aura e Reinforced que te permite materializar armas brancas. Foque em estudar a primeira, assim que nós estivermos afastados o suficiente da cidade vamos fazer algumas tentativas. —Disse Arien estendendo um livro com a capa roxa, bem desgastado e com suas folhas amareladas.

—Incrível, tudo isso em um livro tão pequeno. —Murmurou Kotaru começando a folhear o livro imediatamente, ele estava encantado com tanta informação, em algumas poucas folhas haviam ilustrações que fizeram com que o rapaz ficasse apreciando-as por um curto período. Logo ele começou a ler a parte que Arien o mandou, envolvendo-se facilmente com a leitura demonstrando ter prazer nisso.

—Nem todos os magos têm afinidade com todas as magias, mas noventa e nove por cento conseguem usar essas cinco, por isso são chamadas de magias básicas.

—Como assim nem todos têm afinidade com todas as magias? —Perguntou ele desviando o olhar do livro por um momento.

—Eu, por exemplo, sou incompatível com a magia de cura, eu já tentei e estudei muito sobre, mas não consigo usar os conceitos básicos, por que minha aura é extremamente difícil de ser moldada para isso. —Respondeu ela, que ao olhar para a cara do rapaz percebeu que só havia complicado mais e gerado ainda mais dúvidas em sua mente.

—Mas você usou magia de cura em mim àquela hora não foi?

—Droga, me pergunto por que não comecei te explicando desde o princípio. Quando fizermos a primeira parada eu te explicarei, até lá continue lendo o livro. —A garota parecia estar com a mente um tanto distante aquela manhã.

Kotaru teve que suportar a dúvida em sua cabeça por mais alguns minutos, mas sabia que na hora certa ela explicaria, fora que ele não se continha de curiosidade e desejo por mais conhecimento, por isso logo voltou a ler intensamente o pequeno, mas grosso livro. Enquanto lia ele pôde compreender mais sobre magia, o exemplar não falava apenas sobre aquelas cinco magias, mas era uma introdução ao uso da mesma.

Tendo estado na prisão por tantos anos ele ansiava por conhecimento do mundo exterior, as únicas coisas que ele conhecia vinham das histórias que ouvia enquanto estava encarcerado.

O tempo passara rapidamente e quando ele se deu conta a carruagem estava parada e Arien estava gritando para que ele saísse.

—Como pode ser tão avoado? —Perguntou ela já cansada e estressada de tanto chamar pelo rapaz.

—Desculpe, o livro é tão interessante que eu me deixei envolver.

—Arien, vou dar de comer e beber aos cavalos, em cerca de meia hora nós voltamos a andar. —Hayato pegou as cordas que se ligavam aos cabrestos dos cavalos e se afastou.

—Então, faremos o quê primeiro? Os testes ou a explicação? —Kotaru estava extremamente empolgado e ansioso.

—Melhor eu te explicar primeiro, talvez isso te ajude a usar melhor a magia. Lembra-se que eu disse que havia cinquenta magias?

—Sim, lembro.

—Isso não significa que existam somente cinquenta magias literalmente. —Arien mal acabou de terminar o que dizia e foi imediatamente interrompida por Kotaru.

—Mas isso só está complicando mais. —Disse o rapaz ainda confuso.

—Pelo jeito terei que contar desde o princípio mesmo. —A elfa buscava o jeito mais simples de expressar, buscando poupar palavras, mas viu que atalhos não seriam a melhor opção na explicação.


Por LiamGt | 30/03/18 às 14:54 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama