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Capítulo 11 - Um Eterno Adeus

O Mestiço (OM)

Capítulo 11 - Um Eterno Adeus

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

—Shin. —Kotaru o chamou em baixo tom de voz. O jovem que estava atrás das grades ouviu seu nome ser chamado, mas não viu ninguém, logo pensou ser coisa de sua cabeça, mas ouviu novamente alguém o chamar, então olhou e se deparou com Kotaru, visível dessa vez.

—Kotaru?! —Shin se assustou ao vê-lo aparecendo de repente em sua frente. —O que você está fazendo aqui?

—Eu vim te libertar, mais tarde eu explico...

—Me libertar? Você está louco? Como vai quebrar esse cadeado? E como você passou pelos guardas? —Shin não entendia o que estava acontecendo e enquanto se perguntava como aquele rapaz poderia cumprir o que disse ele o viu pegando o grande e pesado cadeado que o mantinha preso em mãos. —Ei, me diz o que você está fazendo.

—Magia. —Respondeu Kotaru com um pequeno sorriso no rosto.

A dúvida só cresceu no coração de Shin ao ouvir a resposta de seu amigo, pois ele sabia que era impossível usar magia dentro dos muros da prisão. Kotaru fechou seus olhos e começou a se concentrar, e sussurrou o canto mágico: “Mystical Impact”. O cadeado que estava em suas mãos explodiu causando pequenas queimaduras em sua pele e um barulho que ecoou por todo aquele andar..

—Ai! —Ele chacoalhou as mãos na tentativa de parar o ardor que sentia.

—Como? —Shin ficou ainda mais surpreso e confuso ao ver aquele rapaz usando magia.

—Vamos, lá fora eu explico tudo, é arriscado ficar aqui.

—Está bem. —Ele concordou e saiu de dentro da cela.

Os dois subiram as escadas cautelosamente, Kotaru ia à frente averiguando se outros guardas não haviam aparecido, mas tudo estava da mesma maneira. Já no segundo andar o jovem que acabara de ser solto espantou-se com os soldados caídos.

Em seguida eles subiram para o primeiro andar onde Shin se deparou com alguns homens mortos, caídos no chão e as celas vazias, ele sabia que naquele andar, todos eram parentes daquele que estava na sua frente. Saindo da prisão a cena que ele viu foi pior ainda, homens e mulheres de diferentes idades, todos mortos espalhados pelo chão, tingindo a grama de vermelho.

—Você está bem? —Ele parou por um instante e ficou encarando Kotaru imaginando o sofrimento que ele estava passando.

—Não... —Sua resposta foi fria e sem pretensão de esconder o que sentia, mas ainda assim ele se segurava para não desabar, pois no momento estava priorizando ajudar seu amigo.

—Quem fez isso?

—Muitas pessoas, uns ordenaram, outros executaram… —As lágrimas logo voltaram a encher seus olhos e não demorou muito para que elas escorressem.

—O que você pretende fazer?

—Por hora? Enterrar quantos eu conseguir antes que algum soldado maldito apareça...

—Eu te ajudo. —Shin colocou a mão sobre o ombro de seu amigo.

—Não, eu quero fazer isso sozinho. —Kotaru retirou a mão dele de seu ombro. —Mas antes eu tenho que te apresentar a alguém.

—Me apresentar a alguém?

—Sim, vamos. —Eles foram para a floresta e lá encontraram Arien que estava com o corpo de Morian deitado ao seu lado.

—Então esse é o seu preso? Para mim não parece inocente. —A garota se apressou a julgar o rapaz que apareceu diante dela.

—Quem é essa garota? —Shin não gostou nada da avaliação precipitada dela.

—Esta é Arien, alguém que vem me ajudando desde que eu consegui fugir. E este é Shin, eu já havia falado sobre ele para você. —respondeu o rapaz que estava no meio de dois olhares desconfiados que se atacavam.

—Leve ele para a pensão, eu vou tentar enterrar meus parentes. —O semblante triste ainda não havia se apartado da face de Kotaru.

—Eu vou te ajudar. —Disse a elfa de maneira compreensiva.

—Não, ele quer fazer isso sozinho. —Shin que já havia se oferecido e recebido uma resposta negativa a impediu.

—Quem é você para dizer o que ele quer?

—Ele está certo. —Kotaru se dirigiu aquele montante de corpos sem dizer nem mais uma palavra.

—Kotaru, espere! —Arien agarrou o braço dele puxando-o para trás assim que viu soldados se aproximando da prisão.

—Não! Eles vão levá-los Arien, me solte, eu posso derrotá-los! —Ele se virou para a elfa e o que ela viu a fez sentir um grande aperto no coração. Os olhos dele estavam perdidos, desesperado, já não haviam nem ao menos lágrimas em seus olhos, apenas uma profunda tristeza.

A elfa o abraçou com força na tentativa de impedi-lo de fazer algo estúpido e confortá-lo. Ela ouviu um pequeno murmúrio que vinha da boca do rapaz que estava próximo ao seu ouvido “porquê?”. Essa simples palavra fez com que Arien chorasse junto do rapaz.

—Eu não posso deixá-lo ir lá… Dentre eles há um muito mais forte, nós não seríamos capazes de derrotá-lo… Me… Desculpe…

Os dois ficaram parados abraçados por alguns instantes. Kotaru estava de costas para os cadáveres que eram levados pelos soldados, sendo impedido de virar o rosto por Arien.

—Vamos enterrar seu avô, o corpo dele está aqui, a salvo. —Ela tentou animá-lo, mas sua tentativa foi em vão, pois, o semblante dele continuava o mesmo. Kotaru se ajoelhou e pegou o corpo de Morian em seus braços e sem pronunciar nenhuma palavra se afastou deles.

—Aonde ele vai? Por que fizeram isso com a família dele? —Shin que havia recebido uma promessa de esclarecimentos ao sair da prisão, só acumulava mais dúvidas.

—Vamos, vou te levar para onde estamos hospedados. —Ela deixou de lado por um momento sua desconfiança e toda a implicação que havia demonstrado, o que surpreendeu Shin, mas ele preferiu não comentar nada.

Enquanto os dois foram para a pensão, Kotaru foi em direção à floresta onde estava a árvore da dríade que o havia protegido há algum tempo. Ele ia caminhando como quem não tem destino, até chegar à árvore de Tamara, a dríade, assim que ele se aproximou ela se revelou.

—O que aconteceu meu jovem? Quem é esse homem? —Ela surgiu aflita, sem nem ao menos Kotaru chamá-la tocando em sua árvore, ela pareceu sentir sua presença.

—Esse é meu avô... Ele… Foi morto por soldados do exército. —Ele deitou o corpo de Morian próximo à árvore de Tamara.

—Imagino que o jovem se encontra triste. —Por não possuir família como os humanos ela não entendia muito bem o que o rapaz sentia, mas em sua mente comparou a dor que ele sentia à dor ver uma árvore morrer.

—Todos morreram Tamara, todos... —Kotaru abaixou a cabeça e voltou a chorar.

—O senhor Miyata também? —Tamara demonstrou certa preocupação.

—Não, meu pai conseguiu sair com vida, mas não sei por quanto tempo já que ele foi levado por outro soldado...

—Não chore meu jovem, você está vivo e é isso o que importa. —Ela se desvinculou completamente da árvore e abraçou o rapaz com um braço secando suas lágrimas com a outra mão.

—Que importância tem eu estar vivo? Eu nunca deveria ter fugido, deveria ter ficado lá para ser morto deles.

—Por que você não aceita? —Tamara ergueu o rosto do rapaz que permanecia baixo, fazendo-o olhá-la em seus olhos.

—Aceitar? Você quer que eu aceite que toda minha família foi morta por que o rei estava com medo de uma possível traição? —Kotaru se se irritou com o que ouviu.

—Acho que você não entendeu o que eu quis dizer. Minha intenção era perguntar o porquê você não aceita a vida que lhe foi dada?

O olhar dele mudou completamente ao ouvir as palavras da dríade.

—Eu ficaria muito triste se o jovem Kotaru fosse morto, porque ele e seus pais cuidaram de mim e me deram a vida, então eu acho que consigo entender o que você está sentindo, mas se vocês morressem me dando a vida e eu buscasse a morte, não seria como se eu não me importasse com o sacrifício que foi feito? —Ela parou por um momento ao ver nos olhos do rapaz que ele já havia entendido onde ela queria chegar.

—Você sabia que algumas de nós dizem conseguir prever incêndios naturais? Uma quantidade ainda menor diz conseguir prever até mesmo incêndios feito pelos homens. Eu acredito nisso, e também acredito que seu avô previu a morte se aproximando e por isso quis que você fugisse. Ele estava te dando a oportunidade de viver, então viva, não faça pouco caso da vida que ele te proporcionou, viva o quanto você puder e da melhor maneira que puder, viva por você e por ele, viva por toda sua família.

Uma última lágrima rolou pelo rosto de Kotaru. No momento tudo que ele pensava é que não tinha direito à sua vida, que deveria ter morrido junto aos demais. “Por que eu?” Era mais uma coisa que não saía de sua mente. Embora falasse que desejava a morte, ele apenas não se achava digno para seguir fazendo o que queria… Viver. Porém, Tamara o dizia para viver. As palavras da dríade quebraram os grilhões que era a própria consciência do rapaz.

Ela o pegou pela mão e o levou para um espaço mais amplo onde ficaram observando o céu. Um pacífico silêncio se estabeleceu naquele lugar e com o passar do tempo o rapaz adormeceu, embora não estivesse com sono, sua mente se encontrava exausta. Tamara deitou sua cabeça em seu colo e permaneceu fitando as nuvens enquanto afagava os cabelos de Kotaru.

O sol já estava para se pôr quando o rapaz acordou. Assustado olhou ao seu redor e logo lembrou como havia parado ali.

—Obrigado Tamara…

—Não há de que. —Respondeu ela com um sorriso singelo.

—Você… Poderia cuidar do meu avô. —Perguntou o rapaz com certo pesar em seu olhar.

—Claro. —Ao afirmar que cuidaria do corpo de Morian a dríade se direciona até onde ele estava, mas o rapaz não a acompanhou, ao contrário, ficou lá atrás observando o pôr-do-sol por mais alguns instantes.

—O pôr-do-sol é tão lindo quanto o nascer não acha?

—Sim, mas eu sempre prefiro olhar o nascer do Sol, acho que chega a ser poético, um novo dia nascendo, uma nova chance de fazer o que não se fez, de sorrir o que não pôde sorrir ontem. —Suas palavras foram com uma indireta nada discreta para o rapaz.

—Entendo, eu acho que você está certa, amanhã com o nascer do Sol talvez eu possa sorrir tudo o que eu não sorri hoje. —Disse ele seguindo-a até onde estava o corpo de seu avô.

—Obrigado por tudo Tamara. Adeus vovô...—Kotaru pegou uma flor do gramado e a deitou sobre o peitoral de Morian. Ele passou a mão sobre seus cabelos grisalhos, até tentou sorrir, mas o simples ato de olhá-lo trazia lágrimas aos seus olhos.

—Adeus Kotaru. —Tamara se ligou à árvore novamente.

Enquanto ela adentrava o tronco, raízes emergiram do chão e cobriram o corpo do senhor que estava deitado em frente à árvore e o soterrou. O rapaz assistia seu avô que sempre ao seu lado sendo enterrado enquanto as palavras da dríade vinham a sua mente dando-lhe forças para prosseguir.

Em meio aquele cenário iluminado pelo forte laranja do pôr-do-sol que se espalhava por toda a floresta em meio às árvores ele ganhou um novo objetivo, um novo espírito, uma nova vida.

Já estava escuro quando Kotaru chegou na pensão, as ruas estavam vazias, era uma noite fria de Outono, tudo que se ouvia em meio aquele vazio era o som do vento. Sem muita pressa ele subiu os degraus para o segundo andar onde ficavam os dois cômodos que alugavam. Ele estava prestes a abrir a porta quando ouviu duas pessoas discutindo em alto tom de voz e optou por ficar atrás da porta ouvindo.

—Eu não acredito que ele tem viajado com você sem nem ao menos saber de onde você vem. —Dizia uma voz masculina que pertencia a Shin.

—O problema é ele confiar em mim? Você estava preso e também não diz o porquê. —Retrucou uma voz feminina que era da elfa.

—Ele sabe o porquê eu estava preso, e é só isso que eu preciso, não tenho dever algum de te contar minha história enquanto você esconde a sua.

—Eu não sei onde ele estava com a cabeça em te soltar, no mínimo você era um ladrãozinho de rua que contou uma história triste e como ele é um bobo, acreditou.

—Nisso eu tenho que concordar, ele é um bobo para andar com uma cobra igual a você que deve estar só esperando o momento certo para dar o bote, mas saiba que você não vai conseguir, não enquanto eu estiver por perto.

Os dois chocaram as testas e ficaram se intimidando com olhares quando começaram a ouvir gargalhadas que vinham de detrás da porta, eles caminharam lentamente e sem fazer ruídos a abriram se deparando com o rapaz que caiu no chão, pois estava apoiado na porta.

—Do que você está rindo? —A face ameaçadora da elfa fez com que o Kotaru parasse de rir imediatamente.

—Está achando engraçado ein? —Shin o encarava com um rosto um tanto ameaçador.

—N-Não…

—Bem… Você parece estar melhor. —Shin logo reparou que os olhos de Kotaru voltaram a ter vida.

—Eu tive uma boa conversa com uma antiga amiga, as palavras dela me mostraram o que estava nítido, mas eu não conseguia ver…

—Acho que não entendi, mas é bom ver que você foi capaz de seguir em frente. —Shin procurou escolher as melhores palavras, pois sabia que embora o rapaz estivesse melhor, aquela ferida não iria cicatrizar tão cedo.

—Já que está tudo certo, eu vou me deitar. E você que não suma assim sem dizer nada novamente Kotaru. —A elfa estava preocupada com o paradeiro do rapaz, e ainda mais preocupada com seu estado emocional, por isso ficou contente ao vê-lo bem.

—Por que ela fica com um dos cômodos só para ela? Folgada! —Shin falava com a cara emburrada.

—Então… Só tem mais um colchão fora o que a Arien pegou para ela. —comentou Kotaru constrangido.

—Vamos ter que dormir juntos? Sério? Que garota folgada! —Shin estava irritado com a garota que ele já não havia se dado muito bem.

—Bom, nós somos três, e os colchões são dois, então alguém teria que dormir junto, você preferiria dormir com ela? —Diferente do seu habitual Kotaru o provocou de maneira maliciosa.

—Tanto faz está bem? Já está bom não ter que dormir naquela cama de concreto. —Shin ficou um tanto constrangido e ignorou a provocação de seu amigo.

—O colchão é grande, então se ficar cada um pro seu lado não vai ter problema.

Assim ambos foram dormir, o dia havia sido difícil, principalmente para Kotaru, mas logo o sol nasceria novamente, avisando que um novo dia estava chegando.

No outro dia.

—Ahhh! —Bocejou Shin se sentando no colchão e se espreguiçando.

—Além de tudo é um preguiçoso. —Arien já estava acordada e se encontrava apoiada numa janela observando o grande céu azul, enquanto uma leve brisa soprava sobre seu rosto. Ela, obviamente, não perdeu a oportunidade de criticá-lo.

—Cadê o Kotaru? —Ele sentiu a alfinetada da elfa, mas a ignorou.

—Ele já havia saído quando eu levantei. —Ela nem sequer o olhava ao falar.

—Você também saiu?

—Fui comprar um mapa e algumas roupas. —Arien jogou um par de camisetas brancas de mangas compridas e uma calça marrom em cima dele.

—Obrigado... —Shin se impressionou com o ato de bondade dela.

—Você me deve noventa e cinco réis. —Suas palavras sovinas logo fizeram Shin entender que naquele ato não havia bondade alguma.

—Para onde você pretende ir?

—Ainda não sei, afinal eu não sei se ele irá comigo, ou se ele vai querer ir para outro lugar.

—Ele provavelmente vai querer ir atrás do pai dele, mesmo que seja incapaz de conseguir isso...

—Se isso for verdade, então eu ainda terei a companhia dele.

—Você também pretende ir para capital?

—Sim...

—Então acho que viajaremos nós três, todos juntos. —O tom provocativo de Shin podia ser sentido a metros de distância.

—Três? Eu não vou viajar com você, mas nem morta. —Arien ficou indignada com o que ouviu.

—Cheguei. —disse Kotaru que entrando se deparou com os dois discutindo novamente.

—Onde você estava? —Perguntaram os dois ao mesmo tempo.

—Eu acordei cedo e fui correr.

Parte do que Kotaru disse foi verdade, mas a história completa começava em uma noite mal dormida e repleta de pesadelos, onde a cada momento que ele fechava os olhos a cena de seu avô sendo morto e seu pai arrastado por um soldado vinha em sua mente. Ele já tinha perdido a conta de quantas vezes repetiu para si mesmo que deveria prosseguir, que seria isso o desejo de Morian, mas a dor e a tristeza não são coisas que podem ser contornadas com apenas palavras.

Na tentativa de fugir de seus pesadelos ele saiu à noite e ficou vagando pela floresta onde ficou na companhia da árvore onde seu avô estava sepultado, porém, Tamara não estava com ele.

—Vocês já estão brigando de novo? —A desavença entre os dois estava começando a incomodar Kotaru que esperava que eles se dessem bem.

—Esse indigente está dizendo que irá viajar com a gente.

—Se você não está satisfeita com minha presença sinta-se a vontade para ir sozinha, mas eu não vou deixar o Kotaru sozinho com alguém como você.

—O que você quer dizer com ‘alguém como eu’? —O olhar de Arien era capaz de amedrontar a qualquer um, mas Shin permanecia firme em sua discussão sem a temer.

—Parem! Eu vou ir com a Arien, foi eu quem pediu para estar com ela, eu não preciso que você confie nela, porque eu confio. E eu libertei o Shin porque eu sei que ele é inocente e não fez nada para merecer estar naquele lugar, e se ele quiser ir conosco por quê não? Ele é um ótimo curandeiro e seria de grande ajuda. Então se vocês não confiam um no outro apenas confiem em mim e no meu julgamento sobre vocês, afinal eu estou errado? Vocês são criminosos? —Kotaru os repreendeu severamente.

—Não... —Responderam os dois em baixo tom de voz, fazendo bico.

—Então está decidido, se o Shin quiser ir ele irá, e se você não for capaz de aceitar isso eu terei que me separar de você Arien. E se você não for capaz de aceitá-la eu terei que me separar de você Shin. —Disse Kotaru ainda severamente, mostrando que se importava com os dois.

—Eu acho que posso aturar ela. —Após as duras palavras de seu amigo Shin cedeu.

—Você não me faria mal, então talvez ele não seja um criminoso, ou pelo menos não um perigoso. —Logo em seguida Arien também cedeu.

—Ufa. —Suspirou o rapaz que acabara de dar o sermão.

—É difícil bancar o durão, mas que bom que vocês cederam.

Enquanto isso, muito longe dali, dentro de um grande castelo, em um salão escuro. Um homem de pele clara, vestindo apenas uma calça desgastada e com um cavanhaque um tanto cheio e os cabelos pretos, se encontrava ajoelhado e acorrentado em uma cela, e no teto que estava a uma grande distância do chão se via um selo de um tamanho muito maior do que o da prisão.

—Então, finalmente estou aqui, de frente para você… Há quanto tempo não nos vemos, não é mesmo Miyata? —Perguntou um homem alto e robusto, com cabelos ruivos até os ombros, não conseguia se ver muito bem a sua face devido a pouca luz no ambiente, mas Miyata o reconheceu.

—O que você quer comigo? Por que não me matou como fez com os outros? —Seu rosto se encontrava inchado e com alguns cortes. Seu corpo também estava cheio de hematomas e arranhões.

—Eu espero que você não ache que não te matei em memória dos velhos tempos, porque se acha isso, está enganado. Eu tenho ordens para não te matar. —Ele se agachou próximo a Miyata e ergueu seu queixo com o indicador.

—Ordens dele. —Um sorriso um tanto macabro se formou no rosto dele levando espanto aos olhos do pai de Kotaru.

Por LiamGt | 17/04/18 às 22:57 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama