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Capítulo 12 - O começo de um longo caminho

O Mestiço (OM)

Capítulo 12 - O começo de um longo caminho

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Após se acertarem e concordarem em viajar juntos, os três começaram a discutir onde seria o destino deles, tendo como principal opção a grande capital do Reino Central, Tavira.

—Como meu pai está provavelmente na capital eu gostaria de ir para lá. —Kotaru ainda se mantinha esperançoso de que seu pai permanecia vivo.

—Eu também tenho negócios em Tavira. —O comentário de Shin deixou a elfa curiosa sobre o que poderia ser esses assuntos, já que ele estava preso por não se sabe quanto tempo e nem qual o motivo.

—Eu também tenho algo que eu procuro e creio poder achar na capital desse Reino. —Disse Arien sem revelar muito.

—Então está decidido, já que todos temos motivos para ir para a capital, então é para lá que vamos. —Kotaru estava tão empolgado que pôde se ver um grande sorriso em seu rosto, mesmo após tudo que havia acontecido.

—O único problema é o tempo que levaremos para chegar lá, são semanas de viagem. —Comentou Shin desanimando um pouco o garoto.

—E não podemos esquecer que agora estamos em guerra, então vamos encontrar algumas dificuldades para cruzar fronteiras de grandes cidades o que irá nos atrasar, e viajar no fim do Outono é sempre mais difícil. —As palavras da garota o desanimaram ainda mais.

—É capaz de chegarmos só no inverno... —Concluiu Shin alisando o queixo de maneira pensativa.

—Droga! Por que vocês tinham que ser tão realistas?! —Kotaru ficou emburrado depois de tanto empecilho posto por Shin e Arien.

—Mas é isso que torna uma viagem divertida não é? O trajeto? —Arien tentou ser simpática com o rapaz para animá-lo, o que não era muito comum.

—Então precisaremos de cavalos. —Falou Shin após um pequeno momento de silêncio.

—E uma carruagem. —Complementou ela.

—Não. Nós podemos ir cavalgando, será melhor, mais rápido e mais barato. —Para variar Shin não concordava com a elfa.

—Mas existem duas coisas que tornam sua ideia inviável. Primeira, ele não pode nem ao menos guiar uma carruagem, então eu aposto que não sabe cavalgar. —Ela apontou para Kotaru que com um sorriso bobo demonstrou que a garota tinha razão. —E segundo, não tem como levarmos mantimentos sem uma carruagem.

—Se o único problema fosse os mantimentos dava para dar um jeito, mas como esse palhaço não sabe cavalgar não tem jeito, teremos que ir de carruagem. —Sem muito gosto concordou com Arien.

—Kotaru, quando pararmos em uma cidade maior lembre-me de comprar a fluorita para revelar sua aura. Eu procurei quando fui comprar o mapa, mas não a achei. —Ela ainda se lembrava de ter dito a ele que faria isso.

—Tudo bem, parece que vou ter que esperar mais um pouco. —Devido aos acontecimentos recentes Kotaru já havia esquecido disso, mas agora sua curiosidade sobre o assunto havia voltado à tona.

—Então podemos partir? —Shin se sentiu um pouco excluído por não entender sobre o que eles conversavam.

—Sim. Vocês dois vão na frente, comprem alguns mantimentos e me esperem na entrada da cidade, eu irei comprar a carruagem e os cavalos. —Arien já estava acostumada a mandar em Kotaru, havia se esquecido que agora havia outra pessoa junto deles, e que ele não abaixaria a cabeça para ela tão facilmente.

—Eu acho que eu poderia negociar melhor. —Shin logo discordou da garota.

—Você acha que pode conseguir um preço melhor que eu? —A elfa cruzou seus braços abaixo dos seios erguendo-os com uma expressão provocante. —Para onde você está olhando? —Shin se esforçava para não cair no jogo sujo da garota e olhar para ela, mas não resistiu.

—Ok… Você está certa, tenho certeza que você conseguirá um preço bem baixo. —Ele saiu da pensão extremamente vermelho sem ousar olhar para trás e Kotaru logo o seguiu.

O sol já estava se direcionando para o oeste, o que significava que era um pouco mais de meio-dia, possivelmente uma hora da tarde. Arien os encontrou na entrada da cidade com três cavalos e uma carruagem não muito diferente da que haviam alugado para ir para Suzume, porém, essa era mais nova e mais espaçosa.

—O que acham de seguirmos sem parar em cidades até Azami? Lá nós poderemos comprar mais mantimentos e descansarmos por uma noite. —Shin parecia conhecer bem os arredores, por isso estava responsável pelo mapa e por fazer o trajeto até Tavira.

—Por mim tudo bem, o quanto mais rápido chegarmos, melhor. —Arien concordou com a proposta de Shin surpreendendo-o, mas antes que ele pudesse fazer qualquer comentário ela subiu na carruagem.

—Shin, você irá me ensinar a guiar a carruagem? —Kotaru se empolgava com ideia de aprender algo novo.

—Pelo meu próprio bem eu vou, caso contrário teria que revezar com sua amiguinha, e eu particularmente não confio muito em dormir e deixar ela me levar para onde quiser.

—Eu já disse que ela é confiável! —Kotaru não havia gostado do comentário de seu amigo, mas Shin não retrucou para evitar uma discussão.

Os dois também subiram na carruagem. Kotaru ia na frente junto de Shin que guiava os cavalos e instruia seu amigo a fazer o mesmo.

Já haviam se passado três dias desde que saíram de Komama. Os três dias se passaram da mesma maneira, viajavam por cerca de doze horas e meia.

Kotaru aprendia a guiar a carruagem com Shin que também começou a ensiná-lo como cavalgar durante as curtas pausas. Kotaru estava tendo dificuldades para aprender essa segunda coisa, no primeiro dia em que subiu no cavalo levou um grande tombo que o amedrontou, por sorte, agora eles tinham um curandeiro com eles, então o ferimento do rapaz não foi nada preocupante.

Ele também seguia estudando as cinco magias básicas do livro e também sua magia de invisibilidade, diferente de antes, agora ele já conseguia pegar pequenos objetos, como uma bolsa, e deixá-los invisíveis juntos a ele. Arien também o treinava na arte da espada e o seu corpo magro também era trabalhado, cada pausa que eles faziam Kotaru resmungava, pois sabia que teria que ficar treinando com a espada ou se exercitando, e enquanto os cavalos andavam, ele treinava a parte mágica.

Com o passar dos dias Shin e Arien brigavam menos, não era como se eles estivessem virando amigos, mas aprenderam a conviver sem brigar tanto, na verdade Shin até treinava junto de Kotaru algumas poucas vezes, mesmo sob ordens dela, ele sabia que era uma boa ideia aumentar suas habilidades, afinal, essa seria uma viagem perigosa. No treino físico ele se saia bem, mas era uma negação com uma espada em mãos, conseguindo ser pior do que Kotaru.

Os três dias que se passaram sem grandes problemas, com exceção da noite do segundo dia que foi especialmente fria, ao ponto dos três dividirem as suas cobertas uns com os outros. Arien não gostou muito da ideia a princípio, pois teria que dormir muito próxima dos dois, mas o impetuoso frio logo a fez ceder. As noites de Outono ficavam mais severas a cada dia que se passava, o que preocupou um pouco o grupo de viajantes, pois mesmo longe do inverno as noites estavam sendo congelantes. A manhã do quarto dia já tinha se acabado. O sol no centro do céu denunciava que já era meio-dia.

—Shin falta mais quanto tempo para chegarmos a Azami? —Kotaru segurava as rédeas, ele parecia estar conseguindo guiar a carruagem sem muitos problemas. Em sua cabeça um grande chapéu como de um mago o protegia do potente sol do meio-dia.

—Acredito que chegaremos lá amanhã nesse mesmo horário. —Shin se esforçava para não rir de seu amigo que estava ridículo usando aquele chapéu que ele encontrou jogado pelo caminho do terceiro dia de viagem.

—Parem de rir! Isso é o visual clássico de qualquer mago, nada mais comum do que eu, como um futuro grande mago aderir a este estiloso chapéu, que, além disso, ele me protege desse sol escaldante. —Ele largou as rédeas por um instante e fez uma pose que conseguiu deixá-lo ainda mais ridículo e fez com que Shin gargalhasse, Arien começou a rir junto dele ao ver Kotaru daquele jeito.

—Eles não sabem nada sobre estilo. —Murmurou o rapaz de maneira emburrada para os cavalos.

Eles estavam passando por dentro de uma floresta, as árvores daquele lugar eram altas e seus troncos um tanto finos, além disso havia uma distância considerável entre elas. Eles decidiram parar ali para almoçar.

Quando a fogueira já estava acesa ouviram um grande barulho, e uma alta e larga sombra pôde ser avistada no horizonte correndo na direção a eles e levantando muita terra no caminho deixando ainda mais difícil identificar o que era.

Aquilo continuava a se aproximar rapidamente, e quando foi chegando mais perto se pôde perceber que era um javali azul selvagem, essa espécie é conhecida pela sua tonalidade azulada, e também porque todos dessa espécie são no mínimo quatro vezes maiores e mais pesados do que os comuns.

—É um javali azul! —Junto do grito de Shin veio o relinchar dos cavalos que se assustaram. Arien e Kotaru por pouco não foram pegos na violenta corrida do animal que passou reto, mas logo deu meia volta e estava prestes a avançar contra eles novamente.

—Acho que ele está de olho na nossa comida. —Disse Kotaru um tanto preocupado.

—E eu acho que ele vai virar comida. —Shin encarava o animal imaginando o que poderia fazer com aquele tanto de carne.

—Espere. —Arien o impediu de enfrentar o animal selvagem que parecia não temê-los. —Acho que essa é uma boa oportunidade de ver onde esses dias de treino te levaram. —Disse ela a Kotaru

—Você quer que eu derrube esse bicho? —Ele se sentiu inseguro ao ver o que Arien queria que ele fizesse.

O javali já havia cansado de esperar a conversa dos três chegar a um fim e começou a correr contra eles que se afastaram deixando Kotaru sozinho. Em seu rosto podia-se ver o suor escorrendo, mas ele procurava se manter calmo e esperava que o animal estivesse próximo o suficiente.

Quando a distância entre eles parecia a ideal para Kotaru, ele estendeu sua mão, fechou seus olhos, e murmurou: “Mystical Impact”. Diferente da primeira vez que ele usou a magia, a esfera de aura que ele gerou tomou distância de sua mão, não muita, mas o suficiente para acertar o javali que estava próximo o suficiente, isso sem causar danos ao rapaz. Aquela esfera de aura causou uma pequena explosão demonstrando toda sua força e nocauteando o animal.

—Muito bem, seu alcance ainda está bem curto, mas eu nunca vi um poder destrutivo tão grande em um “Mystical Impact” feito por um novato. —Arien parecia satisfeita com a evolução dele.

—Bom, não temos como carregar esse javali azul, então é melhor comermos agora. —Shin ainda tinha toda sua atenção focada na carne do animal.

—Eu não vou comer esse bicho! —Arien de imediato recusou a proposta de comer aquele animal, que embora inconsciente ainda estava vivo.

—E quem disse que você precisa comer? Continua comendo sua sopinha sem graça, depois que eu estiver comendo essa carne deliciosa você que não me venha pedir. —Ele continuava a provocá-la quando podia, mesmo após alguns dias de convivência.

—Humpf, saiba que minha sopinha será muito melhor do que essa carne que você fará, e se você demorar muito eu pego os cavalos e a carruagem e vou embora. —Ela não gostou nada do pouco caso que ele fez da sopa dela e muito menos de como ele batia de frente com ela.

—E você? Vai comer minha sopa ou a carne? —Arien se virou para Kotaru e com essas poucas palavras o pôs em uma situação desconfortável.

—E-eu? —perguntou o rapaz gaguejando sem querer se envolver, pois sabia aquilo era uma cilada e qualquer resposta que desse só iria piorar sua situação.

—Eu como os dois, aposto que ambos vão estar deliciosos. —Kotaru pensou rapidamente e logo achou uma saída pela tangente.

Ambos foram cozinhar seus pratos, Arien começou descascando alguns legumes, enquanto Shin foi matar o javali e cortar as partes que iria usar, e algumas para levar para a viagem.

—Pronto, minha sopa já está pronta, vamos comer Kotaru, e quando terminarmos nós iremos embora. —Arien vinha na direção do rapaz com duas tigelas nas mãos.

—Eu também já acabei. Aqui está Kotaru. —Shin também se aproximou com dois pratos em mãos, ambos trocaram olhares irritados e serviram o rapaz.

O pobre garoto mal teve tempo para acabar os pratos que foram postos em sua frente e eles logo serviam mais e o encaravam com olhares penetrantes esperando que ele demonstrasse ter preferência por algum dos pratos, mas nisso ele foi muito determinado em manter a mesma expressão mesmo que algum dos dois estivesse muito bom ele não soltaria nenhum murmúrio para expor isso.

—Então? Qual o melhor? —Arien não teve paciência para continuar empanturrando Kotaru de sopa.

—Ambos estão igualmente deliciosos. —Ele poderia até ter um preferido, mas não ousaria dizer.

—Aposto que ele diz isso somente para não ferir seus sentimentos, mas no fundo ele gostou muito mais do meu javali. —Shin com um olhar de superioridade desprezava o prato da elfa, provocando-a.

—O amigo dele aqui é você, se ele tivesse receio de magoar alguém acha mesmo que seria eu? —Com um olhar zombateiro na face Arien não deixou barato a provocação de Shin.

—Bom, a comida estava deliciosa, mas está na hora de irmos. —Kotaru mal conseguia manter sobre seus pés de tão farto que estava.

Os dois concordaram, arrumaram as coisas e partiram.


Por LiamGt | 21/04/18 às 20:41 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama