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Capítulo 15 - Uma visita nada agradável

O Mestiço (OM)

Capítulo 15 - Uma visita nada agradável

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

O tempo passava e dentro da casa nada de anormal acontecia. Kotaru e Arien estavam sempre na companhia de Mari e Shin, normalmente se encontravam junto de Hitoshi.

—Nós já iremos deitar senhor Kimura. —Kotaru se levantou da mesa de jantar.

—Já? Ainda está cedo jovens. —Disse Hitoshi.

—Deixe-os. Amanhã eles partem cedo, aposto que querem dormir o quanto conseguirem. —Sua esposa estava ansiosa para finalmente se livrar da presença dos jovens que ainda não haviam conquistado sua confiança.

—Exatamente senhora, obrigado pela compreensão. —Kotaru havia ouvido os comentários desconfiados de Kaya e mesmo com sua inocência não conseguia mais deixar de notar o quão insatisfeita ela estava com a presença deles.

Ambos se retiraram para seus quartos, Mari subiu junto de Arien, a garotinha esperava brincar com ela uma última vez, mas ela a pôs para deitar e disse que precisava ir ao banheiro, mas ao invés disso entrou no quarto dos garotos.

—Você precisa começar a bater antes de entrar, qualquer hora você vai ver mais do que deseja. —Shin não perdia uma oportunidade de provocar ou criticar a garota.

—Como se fosse muita coisa o que você tem para mostrar. —Sua resposta veio acompanhada de um sorriso vencedor, e o rapaz ficou sem ter o que dizer, tudo o que pode fazer foi ficar com aquele semblante irritado.

—Tudo bem, vocês já se cumprimentaram agora vamos ao que interessa. —Kotaru ainda não havia se adaptado às constantes discussões dos dois e tentava pôr um fim nelas sempre que podia.

—Eu tenho pensado por um momento, que prova você tem que essa família está em apuros? — Ao ouvir a questão da garota, Kotaru lembra que não lhe disse o que viu quando saiu escondido na madrugada.

[…]

Na madrugada anterior.

—Sério, depois de tanto tempo eu finalmente encontrei. Só espero que esse seja realmente o gato de Mary, senão todo esse trabalho de achá-lo terá sido em vão. —Kotaru soltou um leve suspiro ao pensar em tal cenário.

Enquanto perdido nesses pensamentos e dirigindo-se de volta para a casa em que estava hospedado, ele passa em frente à uma taberna e por um acaso ouve algo que captura sua atenção.

—...Os Kimura. —A voz de um homem pôde ser ouvida de dentro da taberna.

Apenas uma palavra foi o suficiente para fazer Kotaru parar seus passos.

—Sério? Então a coisa vai ficar feia para os Kimura amanhã hahaha. —A voz e a risada de um outro homem pôde ser ouvida também, ao que parece eles estavam falando sobre os anfitriões de Kotaru.

—Mas você sabe por que os superiores pediram isso? —Eles continuavam a conversar ociosamente, sem ter ciência que a poucos metros havia alguém de orelha erguida prestando atenção em cada palavra que diziam.

—Eu não sei os detalhes da missão, mas parece ser algo bem sério pelo tom que o capitão nos falou.

—Arghh, mais uma bebida por favor! —Um dos soldados que conversava não estava nenhum pouco satisfeito com seu copo vazio.

—Aqui está senhor soldado. —Um homem serviu ao soldado que se sentava no balcão.

—Vamos deixar isso de lado, que tal após sairmos daqui e irmos visitar um bordel, an? —O mesmo que pediu outra dose de bebida sugeriu.

—Está bem, vamos nos divertir com aquela nova elfa escrava que eles tem lá hahaha.

—Realmente, as elfas são as melhores hahaha.

Vendo o rumo que a conversa tomou, Kotaru ficou tão nervoso ao ponto de serem vistas várias veias em seu braço, mas logo se controlou ao ver o gato se debatendo em seus braços.

[...]

Kotaru contou tudo o que ouviu para Arien e Shin e então começaram planejar algo.

—O que você tem em mente? —Perguntou Shin se sentando em sua cama.

—Eu pensei que Arien poderia ficar de guarda na janela do quarto usando a magia Find para saber se alguém se aproxima pelas costas, e eu ficaria invisível na frente vendo se alguém vai se aproximar pela frente, nós podemos combinar algum código para nos comunicarmos com você que ficará aqui no quarto. —Ele tentou explicar seu plano da melhor maneira.

—Até que é um bom plano. —Arien se surpreendeu, pois mantinha uma ideia de que o rapaz era um tanto estúpido.

—Por que eu tenho que ficar aqui dentro? —Shin não se agradou muito de sua posição.

—Se você puder ficar invisível ou usar a magia Find num alcance igual ou maior que ela nós podemos trocar de posições. —As palavras de Kotaru soaram um tanto pesadas, a verdade é que ele estava nervoso, afinal ele tinha pensado em como prever a chegada de um inimigo, mas não tinha ideia do que fazer caso realmente aparecesse alguém.

—Tudo bem, e quais vão ser os sinais? E o que eu faço se vocês sinalizarem? —Shin procurou não se chatear com o tom grosseiro da resposta dele.

—Arien pode bater três vezes na parede, e eu assoviar. Se você receber os sinais você acorda os pais de Mari e conta o que está acontecendo e mande eles tomarem conta dela, Arien ficará com os três e você desce para colocar tudo o que acharmos na frente da porta. —Neste momento a elfa começou a se perguntar se ele estava planejando tudo ali, naquele momento, ou se isso era algo que ele tinha pensado durante todo o dia.

—Tudo bem. —Responderam os dois.

Kotaru saiu da casa enquanto ainda havia barulhos dentro dela, por isso Kaya não ouviu a porta abrindo, Arien fingia que dormia, mas estava atenta estendendo sua magia até onde conseguia, enquanto Kotaru ficava na frente da casa, ele estava encostado numa árvore que tinha ali por perto.

As horas passaram, já era meia-noite, os três lutavam contra o sono, e cada minuto que passava o pensamento de que nada ia acontecer tomava suas mentes e eles cediam pouco a pouco ao sono. Era próximo à uma hora da manhã quando Shin e Arien ouviram assobios do lado de fora da casa que tirou todo o sono deles e ambos imediatamente saíram de seus quartos para se encontrar.

—Isso é o sinal não é? —Shin desejava com toda sua força que ela negasse, mas ela acenou com a cabeça que sim.

—Vai logo ajudar o Kotaru, eu vou ir acordar o senhor e a senhora Kimura. —Arien nem esperou algum tipo de resposta de Shin e correu rapidamente em direção ao quarto do casal acordando-os sem nenhuma sutileza, já o rapaz desceu as escadas e se encontrou com seu amigo no andar de baixo empurrando a mesa em direção à porta.

—Pegue as cadeiras, mesinhas, o que você achar, os soldados que estão vindo são muito mais do que eu imaginava. —Kotaru se virou para ele e com o rosto transparecendo todo o medo que sentia no momento.

—Muito quantos? —Shin tentava se manter calmo, mas no momento essa era uma tarefa difícil.

—Quatorze, talvez quinze... —Ele continuava a empurrar a mesa em direção a porta.

Poucos minutos depois começaram a bater na porta. Nesse momento Hitoshi estava no andar de baixo junto dos outros dois, e as garotas no andar de cima, dentro do quarto Kaya abraçava Mari que não entendia direito o que estava acontecendo. Arien se encontrava no andar de cima, de frente para a escadaria.

—Tem alguém em casa? Se tiver responda imediatamente ou iremos entrar. —Gritava um soldado que batia ferozmente na porta.

—E agora? Respondemos ou não? —Hitoshi estava aterrorizado com a situação.

—De um jeito ou outros eles vão entrar. —Respondeu Shin que também estava nervoso, mas dos três era o mais calmo.

—Arien, teria como você acertá-los pelas costas? —Kotaru se apressou para subir os degraus e sussurrou para a garota revelando que não tinha intenção de ficar esperando os soldados atacarem primeiro.

—Acho que sim... Não sinto nenhuma aura muito ameaçadora, talvez eu demore um pouco... —Ela foi para o seu quarto na intenção de saltar pela janela.

—Mamãe o que está acontecendo? —Mari estava assustada e não entendia o que acontecia.

—Nada, apenas fique quieta. —Respondeu sua mãe abraçando-a ainda mais forte.

—Senhor, é melhor você ficar com sua mulher e filha. —Shin mantinha-se nervoso e sério.

—Kotaru, vou contar até três, no três nós empurramos a mesa. —Ele olhou para o rapaz com o mesmo olhar sério.

—Tudo bem, mas por quê? —O rapaz não conseguiu acompanhar a linha de raciocínio de Shin.

—Eu não sei quão forte Arien é, mas não acho prudente deixá-la sozinha contra quinze soldados, então é melhor tirarmos essa mesa da frente para ela poder entrar caso a coisa fique feia lá fora. —Antes que Kotaru pudesse ponderar se aquela era mesmo uma boa ideia Shin contou até três em baixa voz e começou a empurrar a mesa. Ao ouvir o barulho dentro da casa o soldado que estava do lado de fora se pronunciou novamente.

—Eu estou ouvindo seus movimentos aí dentro, minha paciência acaba aqui, irei entrar! —O tom de voz do homem era alto e transmitia toda sua arrogância.

Ele mandou outro soldado derrubar a porta e sem muitos esforços ele conseguiu, a porta não era nada resistente, sua madeira em alguns pontos estava podre. Ao abrir das portas ele se deparou com um cenário completamente escuro.

—Não fiquem desarmados nem baixem a guarda. Tem alguém aqui dentro. —Disse o mesmo soldado que gritava. Ele parecia ser o superior dos demais, mas sua armadura não parecia muito superior, era simples igual aos outros.

Ao dar alguns passos o soldado que estava à frente dos demais tropeçou e caiu, ele não sabia, mas o que o fez cair foi Kotaru que estava invisível e com o pé em sua frente o derrubou.

Todos os outros homens correram para ajudá-lo a se pôr de pé e ele arrogantemente negou qualquer tipo de ajuda. Lentamente o rapaz que estava invisível tocou numa cadeira e com muito esforço deixou-a invisível sem que os outros notassem e cuidadosamente tirou-a do chão com muito cuidado para não fazer nenhum ruído. Ele quebrou a cadeira nas costas de um dos soldados e se afastou imediatamente deixando-os agitados procurando o que havia acerto um deles. Procuravam por todos os lados mas não viam ninguém e para o azar de Kotaru o soldado não desmaiou, apenas ficou atordoado.

—Essa casa é amaldiçoada. —Disse um dos soldados com medo.

—Amaldiçoada nada, isso é magia! —Respondeu o superior deles aparentando ter um conhecimento maior que os demais que logo acreditaram nas palavras de seu companheiro.

—Tem certeza senhor? Nós não vemos ninguém e estamos sendo atac… —O soldado que falava foi interrompido por um jato da água que foi disparado em sua cabeça e começou a envolvê-la criando uma espécie de bolha impedindo sua respiração.

Todos procuravam de onde teria vindo o ataque, mas a casa estava completamente escura e nada se via a não ser as coisas que eram iluminadas pela fraca luz que vinha do lado de fora.

—Senhor, como vamos tirar isso dele? Tem certeza que isso não é uma maldição? —Perguntou um dos soldados que tentava retirar a bolha de água do rosto de seu amigo, mas não conseguia fazer nada.

—Isso é magia! Andem, entrem na casa e me tragam qualquer um que acharem. —Mesmo tremendo de medo os soldados demonstravam sua submissão perante as ordens dele.

Alguns homens subiam os degraus quando Arien apareceu na porta.

—Estão procurando alguém? —Perguntou Arien.

—Quem é você? —Perguntou o homem que parecia liderar.

—Eu sou alguém que não vai permitir que vocês façam mal algum aos moradores dessa casa. —Arien parecia estar confiante de que poderia lidar com todos aqueles homens.

—Dois de vocês subam, segundo a reação da garota deve ser lá que os moradores daqui estão escondidos. —Embora arrogante ele não parecia estúpido revelando aos poucos porque liderava aquele pequeno grupo.

Dois deles começaram a subir e um pequeno jato de água foi jogado sobre suas cabeças e aconteceu a mesma coisa que aconteceu com o primeiro, que por sinal já estava caído no chão desmaiado, os dois que foram acertados começaram a se debater e caíram da escada.

—Se eu fosse vocês eu iria embora agora mesmo. —Arien permanecia parada frente a porta esperando que seu oponente agisse primeiro.

—Aquele maldito tenente! Ele disse que a casa era ocupada por humanos quaisquer, não usuários de magia. —O homem que parecia estar no comando parecia frustrado e nervoso pela capacidade mágica de seus oponentes e parecia que quem o mandou para lá vinha estudando a família Kimura.

—Parece que ele mentiu para você. —Respondeu a garota com um sorriso cínico no rosto.

—Sua maldita! Essa era minha chance de ser promovido, e você a estragou! —Ele gritava descontroladamente acusando a garota, pois ele não via os outros dois rapazes que ajudavam a combater seus homens.

—Última chance para você e seus homens irem embora. —ao dizer isso o vento começou a soprar de dentro da casa para fora, ainda era um vento fraco, mas em breve ele teria força para arrastar todos os soldados para fora, mesmo contra a vontade deles.

—Eu não vou voltar sem ter cumprido minha missão! Eu terei minha promoção e é melhor você não interferir! —Ele se pôs em posição de ataque com sua espada em mãos e partiu para cima da elfa que logo desembainhou sua espada e parou o ataque dele. Nesse momento Kotaru e Shin se revelaram e começaram a atacar os onze soldados que ainda estavam conscientes, afinal os outros três já haviam desmaiado com os ataques de Shin e um estava enfrentando Arien.


Por LiamGt | 28/04/18 às 19:57 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama