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Capítulo 16 - Alguém Capaz de Matar

O Mestiço (OM)

Capítulo 16 - Alguém Capaz de Matar

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Enquanto Arien lutava contra o soldado que liderava o pequeno grupo do lado de fora, Kotaru e Shin finalmente se revelaram e começaram o ataque.

Kotaru lutava com sua adaga que havia acabado de comprar, sem dificuldades ele conseguia esquivar dos ataques inimigos e contra atacar usando sua invisibilidade a seu favor, o rapaz procurava acertar seus oponentes em lugares não vitais, mas fazendo cortes profundos o suficiente para incapacitá-los.

Shin que ainda não sabia usar seu arco e flecha e nem estava em um ambiente adequado para usá-lo, lutava com a ajuda de sua aura de água, próximo a ele estavam quatro baldes de madeira, cada um com capacidade de dez litros, todos cheios até a boca, ele usava a água dentro dos baldes para atacar seus oponentes, não eram golpes capazes de ferir, mas eram capazes de protegê-lo.

Shin não usava mais a técnica de criar bolhas ao redor da cabeça de seus oponentes, pois isso necessitava de muita concentração e ele não era capaz de controlar mais que duas simultaneamente, isso criaria uma brecha para que pudessem atacá-lo.

Do lado de fora da casa a elfa enfrentava o soldado que estava em busca de sua promoção, ele atacava ferozmente e com muita ira em seus olhos negros.

—Grave bem o nome daquele que irá te matar, Dain! —Ele tinha os cabelos castanhos, seus olhos eram negros e no seu rosto uma cicatriz que ia desde a bochecha esquerda até o pescoço e o resto dela era coberta por sua roupa, seu rosto transparecia sua juventude e seus ataques sua falta de experiência.

—Eu poderia te dizer meu nome também, mas nem sei qual utilidade isso teria para um homem morto. —Arien lutava em pé de igualdade com o jovem soldado.

As palavras da garota o deixaram ainda mais enfurecido. Ele continuava a atacar furiosamente e seus golpes ficavam mais fortes, entretanto menos veloz, Arien conseguia se desviar tranquilamente, mas já não tinha certeza se seria capaz de bloquear um de seus brutos ataques de frente, até que ele a encurralou em uma árvore e ela não teve alternativa a não ser bloquear.

Quando as duas espadas se chocaram ela sentiu toda a força que aquele homem estava pondo em sua arma e caiu sentada ficando numa péssima posição para exercer força sobre sua espada. Cada segundo que passava Dain se aproximava com sua lâmina e trazia consigo um sorriso vencedor e assustador, ela não aguentou mais e cedeu ao ataque dele abaixando sua espada.

—Gale! —O ataque de Dain já estava próximo a acertá-la quando ela usou sua magia gerando um forte vento arremessando-o longe, sua magia o impediu de separar seu braço de seu corpo, mas não o impediu de acertá-la, mesmo que de raspão.

—Argh! —Gritou ela ao ser atingida pela espada.

—Sua bruxa maldita! Você pode ter evitado que eu te matasse agora, mas ainda assim morrerá! —Ele se colocou de pé demonstrando que a magia dela não havia tido nenhum grande impacto.

—Você está me subestimando. —Arien se levantou segurando sua espada na mão do braço que não estava ferido.

Ele avançou com muita ferocidade para atacá-la e ao chegar próximo o suficiente para atingi-la um grande vento o impediu de concluir o ataque, era como se uma parede o impedisse de prosseguir.

—Eu te aconselharia a não subestimar seus oponentes, mas agora não tem mais volta, você já cometeu esse erro. —A garota falava com certa raiva na voz e os seus olhos estavam completamente brancos, ela pisou com força no chão e aquele vento, que estava contido como se fosse uma parede, o ar contido se dispersou causando um grande vendaval jogando-o ainda mais longe do que a primeira vez, fazendo-o chegar à porta da casa.

Quase que na mesma hora Kotaru e Shin saíram de dentro da casa já tendo derrotado todos os soldados que estavam lá dentro.

—Só falta esse maldito aqui. —Shin o encarava com certa raiva.

—Você deveria ter aproveitado a chance e fugido. —Até mesmo Kotaru zombava do homem que se encontrava caído.

—Malditos bruxos! —Mesmo aparentemente derrotado a arrogância de Dain permanecia a mesma.

—Não, nós não somos bruxos, somos magos. —Arien pediu para que os dois colocassem o soldado em pé, ela largou a espada, cerrou o punho e o socou com força fazendo-o sangrar.

—Aposto que você não fugiu porque achou que poderia me derrotar, afinal eu sou só uma garota não é mesmo? —Ela estava irritada, principalmente pelo corte feito no seu ombro.

—Eu tenho certeza que posso derrotar uma imprestável igual a você. —Ele estava com a cabeça baixa, mas a ergueu e sem que ninguém esperasse atacou a garota usando a testa, ela recuou e tropeçou nos próprios pés caindo sentada.

Kotaru estava atrás dele e lhe apontava sua adaga, e Shin rapidamente pegou a espada de Arien que estava no chão e se pôs na frente dela protegendo-a de qualquer tentativa de Dain.

—Se você der um passo eu atravessarei seu coração com essa espada. —Shin o encarava com seriedade sem desviar o olhar por nem um segundo sequer.

—Você jamais iria me matar, sabe por quê? Porque você é bom. Haha, você deve sonhar com coisas como salvar o mundo, você seria incapaz de conviver com o fardo de ter matado uma pessoa! Vocês todos são assim, com sonhos fúteis de serem heróis e salvar o mundo e coisas tão banais, e é por isso que me deixarão fugir e então eu contarei tudo ao meu superior e ele virá arrancar a cabeça de vocês três uma a u… —Dain falava estericamente cuspindo sangue em meio as sua palavras, seus olhos transbordavam loucura, quando a espada de Arien, sendo empunhada por outra pessoa, atravessou sua barriga interrompendo sua fala.

—Eu já carrego este fardo comigo há muito tempo. Não confunda meu desejo por justiça com idiotice. —Shin retirou a espada que estava atravessada na barriga de Dain e sem misericórdia perfurou seu coração.

—Shin! Você o matou?! —Kotaru não acreditou no que acabara de ver, seu amigo matando um homem a sangue frio.

—Eu deveria deixá-lo vivo? —Ele parecia não achar que tinha feito o errado se mostrando totalmente diferente do habitual. O outro rapaz ficou calado, sem ação e sem resposta.

—Você acha que seria melhor deixá-lo ir? Para ele chamar um superior para vir aqui e arrancar não só as nossas cabeças, como a cabeça de cada um dos três que moram nessa casa? E afinal por que nós nos arriscamos para ajudá-los? Que eu saiba eles podem ser criminosos, mas para variar você escolheu confiar cegamente neles. —Shin falava num tom exaltado.

—Eu prefiro confiar, o que há de errado nisso? O que há de errado em não esperar o pior de cada um, para você seria certo deixar pessoas morrerem porque talvez elas não sejam boas? Você realmente acha que alguém merece a morte por causa de um talvez? —Kotaru não gostava do caminho que essa discussão estava tomando, mas ele não poderia simplesmente deixar seus ideais de lado.

—O mundo não é tão belo e justo quanto você pensa Kotaru, as pessoas não são tão boas e generosas, elas são cheias de ódio e interesse dentro de si. Você acha certo não deixar algumas pessoas morrerem por causa de um talvez, mas acha certo colocar a vida da Arien e a minha em risco por causa do mesmo talvez. Você ficou muito tempo dentro daquela prisão, você não tem ideia do que as pessoas são capazes de fazer, elas matam por motivos banais ou você acha que este homem pouparia sua vida? Ou talvez você ache que ele tem um nobre motivo para nos matar? Kotaru, se você realmente acha que será capaz de ir até Tavira em meio a essa guerra e resgatar seu pai, o que significa ir contra o rei que tem todo um exército à sua disposição, sem tirar nenhuma vida, então nós teremos que tomar caminhos distintos, porque eu não vou ficar pondo minha vida em risco porque você não quer sujar as suas mãos. —As lágrimas vinham aos olhos de Shin enquanto falava, não era fácil para ele dizer palavras tão duras para seu único e melhor amigo, mas ele sabia que seria melhor assim, ao terminar ele passou por Kotaru e foi em direção ao lugar onde estavam os cavalos.

—Aonde você vai? —Kotaru não teve coragem de se virar e ficar de frente para Shin, seus olhos estavam cheio de lágrimas, olhar para o cadáver jogado no chão o entristecia tanto quanto as palavras dele.

—Eu vou dormir junto dos cavalos. E amanhã eu quero uma resposta. —Shin da mesma maneira não se virou, apenas falou enquanto continuou a andar.

—O que você vai fazer? —Arien assistia os dois discutirem sem saber o que fazer. Shin já havia entrado no lugar onde estavam os cavalos quando ela decidiu dizer algo, tentando não transparecer que a discussão dos dois também havia abalado-a.

—Não sei, no momento temos coisas mais importantes para fazer. —O rapaz olhava para o chão da casa de Mari que estava cheio de soldados.

—Acho que eu posso cuidar disso.

Os dois caminharam de volta para dentro da casa onde estavam os corpos dos soldados. Arien seguia os passos de Kotaru angustiada devido a situação que a cercava.

—Arien... Deveria ter quatorze soldados aqui, não é? —Kotaru fitava o chão e contava repetidas vezes o número dos homens jogados pelo chão.

Pouco depois dele falar isso um barulho de vidro quebrando foi ouvido no andar de cima, a garota subiu o mais rápido que pôde para ver e ao chegar lá se deparou com a janela quebrada dela ele pôde ver um soldado correndo.

—Kotaru… —Ela desceu as escadas afobada e com o olhar um tanto desesperado. —Um deles fugiu!

—-Maldição! Como se as coisas estivessem fáceis. Agora temos mais esse problema... Arien, você disse que cuidaria desses soldados, então me faça esse favor, eu vou ver se Mari e seus pais estão bem. —Ele estava abalado pela discussão com Shin e os problemas não paravam de aparecer, tudo pesava ainda mais quando ele lembrava que tudo isso acontecia porque ele havia tomado a egoísta decisão de ficar mais um dia.

O rapaz bateu na porta do quarto dos pais da garota, eles haviam se escondido lá. Depois de bater ele disse que era ele e assim a porta foi aberta, Mari o abraçou fortemente, a garotinha estava preocupada, Kotaru pôde ver o alívio nos olhos de Hitoshi e Kaya, por alguns instantes ele sentiu que sua atitude não resultou apenas em coisas ruins, mas logo a realidade voltaria a envolvê-lo trazendo consigo toda sua amargura.

Depois de agradecerem, os pais de Mari desceram para o andar de baixo, estava uma completa bagunça, por sorte não tinha muita coisa quebrada, os homens que estavam ali há pouco tempo atrás, já não estavam mais, Kaya não se conteve e começou a arrumar tudo, mesmo já sendo tarde da noite, seu marido pedia pra ela deixar para arrumar quando amanhecesse, mas ela não deu ouvidos a ele.

—Senhor Kimura, eu preciso te mostrar uma coisa. —O rapaz se aproximou dele falando baixo para a mulher não ouvir. Kotaru subiu as escadas e ele o seguiu.

—O que foi isso? —Perguntou ele ao ver a janela do quarto de hóspedes destruída.

—Um dos soldados conseguiu fugir, e como o senhor deve imaginar em breve receberá mais visitas do exército. —Ele vinha pensando numa maneira de dizer isso de uma maneira que Hitoshi não se desesperasse.

—Jovem, eu lhe impl… —Hitoshi foi interrompido por Kotaru.

—Não, agora não, já está tarde, eu estou cansado e imagino que vocês também estão, amanhã nós conversaremos. —Ao ouvir o jovem falar ele pôde notar o cansaço em sua voz e em seus olhos, mas não era somente um cansaço físico, era algo psicológico.

—-Sim, claro, me perdoe por ser tão indelicado, eu vou pegar um cobertor para tapar o buraco, mas se você quiser eu dormirei com minha esposa aqui e você pode dormir no nosso quarto. —Ele gentilmente ofereceu seu quarto para o rapaz, que imediatamente negou, mas aceitou o cobertor para tapar o buraco. Poucos minutos após ele terminar de estender o cobertor no buraco da janela e sair alguém bateu na porta.

—Kotaru… Sou eu, Arien. —Sua voz estava baixa para não acordar ninguém, pois todos já haviam ido deitar.

—Pode entrar, está aberto. —Pouco depois de responder à garota a porta se abriu. —O que foi? —Ela abriu a porta e o encarou por um certo tempo até que ele a fez essa pergunta.

—Acho que precisamos conversar... —A garota disse isso num tom de voz sério.

—Arien, já é quase de manhã… Eu não dormi quase nada na noite passada, não sei se aguento ficar dois dias acordado com menos de três horas de sono. —Ele sabia sobre o que ela queria falar e quis evitar, mas a garota se manteve firme até ele ceder.

—Seu amigo está certo, não tem como você prosseguir achando que suas mãos vão terminar livres de qualquer sangue no fim disso. —Ela o encarava firmemente.

—Não tem que ser assim, deve ter outro jeito… Tem que ter...

—Não tem, eu sei bem o quão triste é perceber que é impossível almejar o bem sem causar o mal, acho que é uma das maiores contradições da vida, mas infelizmente é a verdade. O que você teria feito se aquele homem estivesse com espada em meu pescoço? —Ela falava com certa tristeza em suas palavras e seus olhos não se desviavam nem para esquerda, nem para a direita, ela queria passar ao garoto toda a seriedade que essa conversa tinha.

—Eu teria impedido sem matá-lo. E realmente isso é uma grande contradição, porque se eu matar qualquer um que se opor a mim eu serei igual a eles, alguém sem escrúpulos, sem respeito à vida. —Kotaru estava disposto a não abandonar seus ideais, ele encarava a garota demonstrando que ele não era só um garoto inocente, mas sim alguém que acreditava na bondade do ser humano.

—É isso que você acha do Shin? Que ele é alguém sem escrúpulos? Que ele matou aquele homem para conseguir alcançar algum objetivo pessoal e egoísta? —Arien elevou seu tom de voz, algo que ele havia dito a tinha irritado, e suas palavras fizeram ele desviar o olhar e morder seu lábio inferior. —É isso o que você acha de mim? —Essa última pergunta saiu juntamente de uma lágrima que rolou pelo pálido e delicado rosto da elfa.

—Você também já… Já matou alguém? —Ao ouvir a última pergunta dela ele imediatamente voltou seus olhos para ela.

Por LiamGt | 28/04/18 às 19:58 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama