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Capítulo 23 - Deixando Azami

O Mestiço (OM)

Capítulo 23 - Deixando Azami

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Com um sorriso que ia de canto a canto Kaya veio com a informação de que as poções estavam prontas. Arien logo a acompanhou até o pequeno cômodo onde elas estavam sendo feitas para verificar se ela estava certa.

Alguns minutos depois elas voltaram com frascos de vidro cheios da poção e um sorriso discreto no rosto de cada um, enquanto Hitoshi descia com Mari para o andar debaixo.

—Cada uma deve durar por um ano, e tem a capacidade de mudar três aspectos físicos que vocês quiserem. —Explicou Arien referindo-se às poções, pois planejava dá-las para eles beberem imediatamente.

—Basta beber? —Perguntou Hitoshi com certo receio.

—Não, é necessário dizer algumas palavras, por isso eu quero que vocês me digam o que vocês querem mudar para que eu diga a vocês o que dizer. —Ao ouvir as palavras da elfa o casal começou a pensar no que escolheriam.

Hitoshi escolheu ter os cabelos grisalhos, barba mais cheia e o queixo mais quadrado, enquanto Kaya escolheu ter os cabelos loiros, os olhos claros e uma alteração no nariz.

—Vocês têm certeza disso não é? Depois disso talvez vocês não se reconheçam mais. —Arien os alertou do risco.

—Temos certeza. —Kaya olhou para sua filha e qualquer receio que pudesse ter logo foi embora, pois por ela aquela mulher faria qualquer coisa.

—Tudo bem. Para a Mari eu acho que vocês podem escolher menos alterações, uma ou duas já será o suficiente.

—Filha, o que você acha de ter os cabelos loiros igual àquela sua boneca de vestido roxo? —Perguntou Kaya se agachado em frente sua filha.

—Igual à Lola?

—Isso, igual ao cabelo da Lola.

—Ia ser um sonho, aí a mamãe podia fazer uma trança em mim e eu ia ficar igualzinha a Lola.

—Acho que já sabemos qual será a mudança dela. —Disse Kaya se virando para Arien.

—Certo, senhor Hitoshi, beba a poção e depois repita o que eu disser. —Ele bebeu a poção e logo em seguida a garota disse algumas palavras em uma língua que Hitoshi não conhecia, mas mesmo sem entendê-las repetiu e logo seus cabelos começaram a embranquecer, sua barba começou a crescer e a estrutura óssea do seu queixo a mudar.

—Mamãe o que aconteceu com o papai? —Mari ficou um pouco assustada, se escondendo atrás de sua mãe e segurando sua saia.

—Calma filha, isso é uma super poção mágica que sua amiga Arien fez pro papai e para a mamãe se disfarçarem e nenhum homem mal vir atrás de nós novamente.

—Eu também vou tomar? —Aos poucos o medo deu lugar a curiosidade.

—Sim, mas agora é a vez da mamãe, eu vou ficar com o cabelo da cor do da Lola também. —Ela acalmou sua filha deixando Arien e Kotaru surpresos, pois eles nunca tinham visto Kaya agir de forma tão simpática.

Ela pegou um frasco e bebeu a poção, em seguida repetiu o que Arien disse e seus cabelos começaram a adquirir outra cor, o loiro, seus olhos também mudaram de cor e a estrutura de seu nariz mudou.

—Mamãe como você ficou bonita!

—Agora é sua vez.

—Sim! —Ao entender o que acontecia todo o medo da garotinha se foi embora e agora ele se encontrava ansiosa para sua vez de tomar a poção.

—Depois que você beber a Arien vai dizer algumas palavras que são estranhas, então repita exatamente como ela disser, senão você não vai ficar com o cabelo igual ao da Lola.

Ela bebeu a poção toda rapidamente e repetiu tudo o que Arien disse e seu cabelo foi se tornando loiro, quando o processo acabou ela ficou extremamente empolgada.

—Mamãe, agora faz a minha trança.

—A mamãe já faz, mas antes nós temos que pegar nossas coisas porque vamos viajar. —Kaya estava um pouco triste por ter que deixar sua casa para trás, mas ao mesmo tempo muito feliz por estar em segurança.

—Suba e termine de pegar suas bonecas. —Mari acenou com a cabeça e subiu as escadas rapidamente.

Enquanto Mari subiu para o andar de cima Arien explicou para os pais da garota sobre a duração da poção e a necessidade deles tomarem a outra dose antes que o prazo da primeira expirasse. Ela também os alertou que após os três anos que as poções teriam efeito eles voltariam a ter a mesma aparência, aconselhando-os a procurarem algum lugar realmente seguro.

Kaya os agradeceu por tamanho esforço para ajudá-los chegando a derramar algumas lágrimas, enquanto Hitoshi se continha para não dizer que tinha razão em relação à conduta dos jovens.

—Eu acho que sei como agradecer. —Disse Hitoshi repentinamente e logo em seguida subiu as escadas sem dar explicações.

Após alguns minutos Hitoshi desceu com uma bolsa, num tom marrom claro próximo a um caramelo, em mãos.

—Aqui, acho que isso servirá como prova da nossa gratidão. —Ele estendeu a bolsa para o rapaz.

—Não precisa senhor, não fizemos nada esperando recompensa. —Kotaru recusou o presente de imediato.

—Não faça desfeita rapaz, se você recusa como agradecimento, aceite como prova da nossa amizade. —Hitoshi colocou a bolsa nas mãos do rapaz, que por sinal usava uma parecida.

—Mas… Eu já tenho uma bolsa. —Ele ainda não queria aceitar e não entendia porque Hitoshi fazia tanta questão de lhe dar algo que ele já tinha.

—Não como essa. -respondeu o homem rindo e sua esposa também esboçou um pequeno sorriso e imediatamente Arien pensou que havia algo dentro, Kotaru pensou a mesma coisa que a garota, mas não com a mesma ganância, ele a abriu e Arien logo se aproximou para ver o que tinha dentro e ela se decepcionou profundamente ao ver que estava vazia.

—Não entendi, ela não tem nada de diferente da minha só é um pouco mais clara. -disse o rapaz.

—Aqui, leia isso, esse bilhete foi deixado com essa bolsa, e a bolsa foi deixada junto com Mari. —Hitoshi estendeu um papel para Kotaru.

“Dentro dessa bolsa tem uma quantia que deve ajudá-los a cuidar da criança, e se não for o suficiente, você conseguirá um bom valor vendendo-a”.

Era isso que estava escrito no bilhete que Kotaru leu em alta voz.

—A bolsa estava vazia quando eu peguei, somente tinha esse bilhete preso à alça, eu levei para que meu amigo e ele me dissesse o que estava escrito, e quando ele me disse não entendi, pois ela estava vazia, confesso que fiquei frustrado, mas já que eu tinha ganhado a bolsa eu decidi usá-la, e quando eu coloquei algo dentro ele afundou no tecido, eu fiquei espantado, ela não tinha furos, coloquei várias coisas e era como se a bolsa devorasse tudo, foi quando eu arrisquei colocar minha mão lá, e eu pude sentir tudo o que eu havia depositado e também várias moedas, a bolsa realmente estava cheia de réis. —Ele explicou o porquê aquela bolsa era diferente e porque queria tanto dá-la aos jovens com um grande sorriso.  

—Então quer dizer que ela está cheia de dinheiro. —pensou Arien gananciosamente.

—Infelizmente o dinheiro que veio com ela nós já gastamos, mas tenho certeza que vocês darão maior utilidade a essa bolsa do que nós. —Rapidamente Hitoshi acabou com as esperanças de Arien.

—Isso é sério mesmo? —Kotaru havia ficado encantado com o que Hitoshi disse sobre a bolsa e antes que ele pudesse confirmar o rapaz enfiou o braço dentro dela. —UAU!!! Meu braço atravessou o tecido! —É como se tivesse um chão aqui dentro. —Ele começou a explorar a bolsa com a palma da mão.

—É sua. —Hitoshi o lembrou que a bolsa agora era dele.

—E-eu acho que vou aceitar então. —Ele havia ficado interessado após ouvir sobre as propriedades mágicas da bolsa e após comprová-las não teria como negar o presente. —Muito obrigado! —Ele se curvou repetidas vezes.

—Eu quem agradeço. —Hitoshi tocou o ombro do rapaz com um singelo sorriso em seu rosto.

—-Nós vamos preparar nossas coisas e já partiremos. —Disse Arien.

—Nós já estamos com tudo pronto então partiremos agora. —Hitoshi surpreendeu os dois jovens que esperavam partir junto deles.

—Vocês já vão? —Perguntou Kotaru que já havia se ligado àquela pequena família.

—-Sim, nós temos nossa própria carruagem e decidimos que seria melhor partir o quanto antes, enquanto as poções eram finalizadas nós arrumamos tudo, só estamos esperando Mari pegar as bonecas dela e nós já iremos. —Hitoshi pôde notar a pequena tristeza que o rapaz sentiu, e era um sentimento recíproco.

—Mamãe, consegui pegar todas de uma só vez. —A garota vinha descendo as escadas abraçada de várias bonecas.

—Cuidado para não cair Mari! —Kaya correu para ajudá-la.

—Bom, foi um prazer conhecer vocês, seremos eternamente gratos. —Hitoshi estava alegre, pois finalmente poderia viver em paz. Kotaru estendeu sua mão para ele e Hitoshi a apertou, após um breve momento encarando o rapaz ele o puxou e o abraçou.

—Obrigado!  —Ele sussurrou no ouvido de Kotaru que naquele momento pôde sentir que tudo havia valido a pena. O rapaz ficou surpreso com o abraço, mas ele cedeu rapidamente e deu uns tapas nas costas de Hitoshi.

—Obrigado à você também. —Ele segurou as mãos de Arien enquanto agradecia com lágrimas de felicidades nos olhos. —Eu gostaria de agradecer ao Shin, vocês poderiam fazer isso por mim?

—Claro.  —Respondeu Kotaru.

Shin permanecia deitado em cima do cobertor no chão, ainda inconsciente.

—Tchau Arien, essa boneca é pra você.  —Mari se aproximou da garota entregando-lhe uma boneca pequena, com vestido branco e florido, e com cabelo loiro.

—Ela é quase tão bonita quanto você.  —Arien parecia outra pessoa quando falava com Mari, ela era tão simpática e agradável. A elfa respondia a garotinha com um singelo sorriso no rosto e ajoelhando-se a abraçou fortemente se esforçou para não chorar.  —Obrigada, eu vou guardá-la, e sempre que olhar para ela vou me lembrar de você. —Diferente de Arien a pequena logo derramou suas lágrimas.

—Kota...  —Mari chamou o rapaz com a mão para que ele abaixasse e quando abaixou ela o abraçou, o rapaz teve que se esforça para não derramar suas lágrimas.  —Nós vamos brincar novamente?

—-Vamos.  —Ele respondeu com um sorriso simpático, porém, um pouco triste devido a despedida.

—Promete?  —Ela queria ter certeza que voltaria a brincar com o rapaz.

—Promessa de mindinho.  —Kotaru ergueu o dedo mínimo e ela com o seu mindinho agarrou o dele.

Após todos se despedirem, Hitoshi e sua família se foram dentro de sua carruagem.

—Não sabia que você era tão emotiva.  —Kotaru e Arien estavam na porta vendo-os partir e o rapaz que estava impressionado com as lágrimas que ocupavam os olhos da elfa decidiu dizer algo a respeito.

—E eu não sabia que você tinha esse orgulho besta de homem para ficar segurando as lágrimas quando todos já perceberam que tem mais água nos seus olhos do que num lago.  —Ela respondeu a provocação do rapaz provocando-o à altura.

—Acho que é melhor nós irmos arrumar nossas coisas.  —Após ouvir uma resposta igual a que ouviu Kotaru pensou que mudar de assunto seria uma boa.

—Isso será fácil, é só jogar tudo dentro da sua bolsa.

—Não tinha pensado nisso… Realmente esse presente será muito útil.

—Não se preocupe, não irei ocupar muito espaço, serão somente meus artefatos mágicos e parte do meu dinheiro.  —Ela não disse, mas pensou que não seria muito legal deixar suas roupas nas mãos do rapaz, mesmo com toda inocência ele permanecia sendo um rapaz jovem.

Passaram-se algumas horas e eles já estavam prontos para partir, Shin ainda estava ferido e inconsciente, mas com a ajuda de Arien e sua magia de vento Kotaru o carregou para a carruagem.

—Eu vou soltar os presos...  —Era a última coisa que restava fazer antes de partir, Arien parecia um tanto nervosa o que levou Kotaru a oferecer ajuda, mas ela negou.

Ao chegar à entrada do porão ela abriu as portas e não se mostrou, os que estavam lá dentro começaram a falar todos juntos. No lugar tinha alguns pratos jogados pelo chão, eles estavam todos amarrados a colunas de madeira. O lugar não era muito frio e tinha um forte odor de mijo e fezes.

—Calem a boca e ouçam!  —Ela falava encostada na parede sem mostrar seu rosto. Ao ouvir o grito da garota todos ficaram quietos.  

—Eu irei jogar uma faca e vocês com um pouco de esforço provavelmente serão capazes de se soltarem, espero que sejam capazes, porque se não forem, morreram ai mesmo.  —Todos voltaram a gritar e xingá-la.

—Se vocês continuarem agindo como animais eu sairei sem deixar faca alguma e ainda deixarei as portas abertas. —Imediatamente eles se calaram com medo e a garota voltou a falar.

—Após se soltarem entrem na casa, há dois cobertores jogados no chão da sala e uma panela com sopa, estamos indo embora, e eu recomendo que não nos sigam.  —Ela jogou a faca próxima a eles que logo começaram a tentar pegá-la.

—Pronto, podemos ir.  —Ela voltou e logo subiu na carruagem. Eles partiram sem deixar rastros para trás, em meio a uma garoa numa noite fria de outono.

Eles prosseguiram em direção à capital, andando cerca de doze horas por dia, como fizeram para ir para Azami, as noites vinham se tornando mais frias conforme o inverno se aproximava, mas graças à bolsa de Kotaru eles puderam carregar alguns cobertores da casa de Hitoshi.

Eles ficaram oito dias viajando parando somente em alguns pequenos vilarejos durante o caminho para dormirem. Nesse período Kotaru continuou tendo aulas de como cavalgar, também treinava magia e luta com sua adaga, fora diversos exercícios físicos, no geral ele teve um bom desenvolvimento.

Já conseguia deixar a magia Find ativada enquanto estava acordado sem muito esforço, seu alcance atual era de um raio de um metro, seu Mystical Impact já tinha um alcance maior também, além disso ele também começou a estudar outras duas magias básicas: Fence e Hide, mas estava tendo um pouco de dificuldade com a última, com tanta coisa para treinar o rapaz não deu muita atenção a sua invisibilidade.

Shin permaneceu inconsciente durante o primeiro dia quase inteiro, mas na noite seguida que partiram ele acordou. Os oito dias da viagem foram usados por ele para se recuperar. Arien passou a viagem treinando Kotaru e também passava algum tempo treinando sozinha.

Por LiamGt | 19/05/18 às 16:40 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama