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Capítulo 24 - Uma garota em meio a floresta

O Mestiço (OM)

Capítulo 24 - Uma garota em meio a floresta

Autor: Liam

Os oito dias de viagem se passaram rapidamente, e ao findar deles os três jovens passavam por um pequeno vilarejo enquanto ainda era de tarde.

—Vamos parar nesse vilarejo ou prosseguimos? —Shin que já estava melhor guiava a carruagem.

—Eu estou faminta. —Arien estava com roupas diferentes das habituais, a garota vestia um simples vestido bege liso de alça que cobria os tornozelos.

—Eu também gostaria de uma pausa. —Kotaru vestia uma camiseta cinza de manga comprida, uma calça simples e o seu típico cachecol.

Eles pararam a carruagem no vilarejo e conversaram com o “líder” que permitiu a presença deles, mas não ofereceu hospedagem alguma. Eles fizeram uma fogueira ali mesmo e enquanto Kotaru, que não tinha nenhuma habilidade culinária, foi levar os cavalos para beber água, os outros dois cozinhavam algo. Quando a comida ficou pronta eles logo começaram a comer, quando uma mulher que aparentava ter uns trinta anos se aproximou.

—Desculpem a intromissão, mas eu não consegui ignorar o cheiro delicioso da comida. —Ela possuía uma estatura média, cabelos castanhos escuros e vestia um longo vestido azul.

—Por que não se senta? Temos bastante. —Kotaru como sempre bem amistoso convidou aquela estranha a se juntar a eles.

—Quem vê pensa que ele ajudou em alguma coisa, quando nem pra descascar uma batata ele presta. —Pensou Arien servindo uma tigela de carne com batata, que era o que eles tinham preparado.

—Obrigada. —Agradeceu a mulher. —Vocês estão indo para onde? —Sem muito pudor ela perguntou de maneira curiosa.

—Nós estamos ind… —Inocentemente Kotaru ia responder a mulher.

—Iremos seguir nessa direção. —Arien interrompeu o garoto e apontou com a cabeça para onde iria sem revelar muito.

—Se eu fosse vocês eu mudaria o trajeto. —Ela estava com a boca cheia de carne e batata enquanto falava.

—Por quê? —Perguntou Shin.

—Se vocês seguirem nessa direção vão entrar na floresta mal assombrada. —Ela continuava a falar com a boca cheia.

—Mal assombrada? —Shin estava meio descrente em relação ao que a mulher disse.

—Sim, todos que tentam entrar lá dizem ter visto monstros, não dá pra saber ao certo que tipo de monstro, já que cada um que conta a história diz algo diferente, uns dizem ser bichos horrendos, outros dizem ser enormes monstros cheio de galhos e folhas, como se fossem monstros árvore. —Enquanto ela contava as diversas histórias sobre a tal floresta mal assombrada Kotaru e Arien trocaram um olhares, os dois pensaram na mesma coisa.

—Bom, nós vamos ir mesmo assim. —Arien se levantou, pois já havia terminado de comer.

—Depois não digam que eu não avisei. —Ela virou a tigela na boca bebendo o caldo que acompanhava a carne e o legume. —Licença, vou pegar mais um pouco. —Antes que alguém pudesse consentir, ela se pôs de pé e encheu sua tigela com mais comida.

—Nós estamos com um pouco de pressa, então pode ficar com a tigela. —Arien já não tinha ido com a cara daquela mulher, e só se estressava mais ao ver suas atitudes. A garota apagou o fogo enquanto os rapazes guardavam as coisas.

—Sobrou só um restinho não é? Acho que eu vou pegar, desperdiçar comida é um grave pecado. —Ela enfiou a mão com uma colher no fundo do caldeirão tirando duas colheradas cheias.

—Gula também. —Murmurou Arien que não teve reação ao presenciar tamanha folga.

—Oi? —Perguntou a mulher que não tinha ouvido direito.

—Não é nada. —A elfa estava se controlando para não repetir o que disse em alto e bom som.

Após se livrarem daquela mulher oportunista eles entraram na carruagem e foram em direção à floresta, Shin e Arien iam à frente, enquanto Kotaru ia atrás sozinho.

—Se ela pegasse mais uma colherada da nossa comida sem nem ao menos pedir mais uma vez, eu juro que eu ia falar tudo o que tive vontade. —Arien já não aguentava mais guardar aquilo para si e desabafou com os rapazes.

—Eu a achei simpática. —Kotaru logo ouviu e colocou a cabeça para fora para poder participar da conversa.

—Até alguém que tenta te apunhalar pelas costas você acha simpático… Eu nunca vi ninguém tão folgada em toda a minha vida. —Ela continuava falando mal da mulher.

—Mudando de assunto, vocês têm certeza que é prudente continuar no caminho para a tal floresta mal assombrada? —Embora Shin estivesse descrente sobre o que ouviu estava pensando se seria prudente arriscar descobrir se era verdade ou não.

—Temos, nós sabemos o que acontece naquela floresta, e pode ter certeza que ela não tem nada de mal assombrada. —Respondeu Arien tentando acalmá-lo.

Eles passavam por um lugar aberto, com o terreno completamente gramado, mas logo à frente eles puderam ver uma grande floresta, eram muitas árvores, elas eram altas e faziam sombra deixando qualquer entrada escura.

—Vocês têm certeza disso? Porque não me contam o que acontece, assim eu ficarei mais tranquilo. —Shin parou a carruagem ao ver aquele lugar começou a se amedrontar.

—Que espécie de homem é você? —Arien zombou do rapaz que parecia estar com um pouco de medo, a garota não contava o que acontecia na floresta de propósito para amedrontá-lo, e estava funcionando.

Shin juntou toda sua coragem e voltou a guiar a carruagem em direção a floresta, ao adentrá-la eles perceberam que o lugar era realmente escuro, mas não tanto quanto parecia ser do lado de fora, Shin andava olhando para todos os lados, o menor barulho que era ouvido fazia-o ficar mais pálido, enquanto isso Arien e Kotaru riam do pobre rapaz.

Eles continuaram em frente por alguns minutos, era um lugar um tanto difícil de passar devido às grandes raízes das árvores que se estendiam pelo chão, por isso eles iam vagarosamente, mais à frente Shin viu algo se movendo.

—Ei! Vocês viram aquilo? —Shin parecia um pouco paranóico.

—Eu não vi nada. —Kotaru se divertia da situação tanto quanto Arien.

—Estou falando sério, fiquem atentos, eu acho que vi algo. —Ele estava preocupado, pois achava que seus amigos estavam apenas descrentes no que a mulher disse.

Logo todos viram cinco árvores se moverem, três delas se ligaram formando uma espécie de titã, as outras duas fizeram o mesmo criando outro monstro, porém de menor estatura, ambos eram cobertos de folhas e galho, assim como dizia um dos rumores.

—Vocês ainda duvidam? —Shin estava aterrorizado e parou a carruagem, preparando-se para dar meia volta.

—Do que você está falando? —Arien também via os grandes monstros, mas fingia que não para continuar a brincar com ele.

—Chega Arien, se você continuar ele vai acabar se mijando. —Kotaru decidiu que era hora de parar de zombar de seu amigo. —Pode seguir em frente Shin. —Disse ele confiante.

—Você está louco? Olha o tamanho daquelas coisas!

—Shin, acha mesmo que se tivesse algo desse tamanho os cavalos já não teriam fugido ou ao menos se agitado? —Ao ouvir o que Kotaru disse o outro rapaz notou que os cavalos não esboçaram reação alguma.

—Isso é apenas uma ilusão de uma dríade para espantar pessoas que querem causar mal a floresta, por isso animais não são afetados, porque a ilusão é direcionada somente a óptica humana. —Arien concordou com Kotaru e decidiu cessar com suas brincadeiras e acalmar o rapaz que estava ao lado.

—Então… Tudo isso é somente uma ilusão? —Shin achou que seria sábio confirmar o que tinha ouvido.

—Sim, confie em nós, pode seguir em frente. —Ainda temeroso ele opinou por confiar em seus companheiros e continuou seguindo em frente com a carruagem, quando se aproximou dos gigantes, um deles, o maior, ergueu o punho para atacá-lo. Shin fechou os olhos com todas as forças, mas não parou a carruagem, após alguns segundos ele os abriu para confirmar se estava tudo bem, e aquele titã continuava a atacar, mas eles não eram atingidos e então o rapaz suspirou aliviado.

Após quase uma hora de viagem eles ainda se encontravam dentro da floresta, além de ser um grande lugar, eles estavam indo muito devagar por conta do terreno que era difícil para os cavalos puxarem a carruagem que ameaçava tombar as vezes. Mais à frente puderam ver um espaço aberto, sem nenhuma árvore, por causa ausência delas o lugar era completamente iluminado, e tudo o que tinha era grama e uma rocha.

Conforme se aproximavam eles puderam ver uma outra coisa, mas ainda não estava nítido o que era, mas ao chegar bem puderam perceber que o que viam era uma garota. Ela estava deitada de bruços, tinha longos cabelos esverdeados que corriam pelo seu corpo e era a única coisa que o cobria.

Shin desceu da carruagem e se aproximou para ver se estava tudo bem ou se não era apenas outra ilusão. Ele a tocou e pode ver que ela era real, a chacoalhou com cuidado, pois suspeitava que ela dormia, após algum tempo fazendo isso sem obter resultados ele tentou movê-la e então ela acordou e se sentou, esticou os braços e bocejou, enquanto Shin vendo-a corou instantaneamente de maneira que nunca havia corado antes ao ver que a garota estava completamente nua.

Seus olhos estavam entreabertos, ainda embriagada de sono não havia dado atenção ao rapaz que não parava de admirar sua beleza.

Após alguns instantes olhando encarando-o finalmente ela acordou completamente e perguntou quem era ele de maneira assustada.

—E-e-eu… —Shin tentava falar algo, mas não conseguia, pois estava muito focado no que estava vendo.

—Seu pervertido! —Arien correu em direção à garota com um casaco em mãos para cobrir sua nudez.

—O que você está fazendo? —A garota de se levantou afastando-se de Arien e imediatamente o nariz de Shin começou a sangrar.

—Estou te cobrindo! —Arien tentou pôr o casaco na garota novamente, mas ela continuava a recusar achando aquilo estranho sem entender a situação e quem eram aquelas pessoas.

—Pra que essas coisas desconfortáveis? E afinal, quem são vocês? Como vocês entraram aqui? —Seus olhos estavam sérios e a elfa pôde notar que ela estava pronta para lutar.

—Fique calma, não iremos te fazer mal algum… Nós conhecemos as habilidades de uma dríade… Ele é amigo de uma inclusive. —Arien apontou para Kotaru que estava afastado e a garota que ainda se encontrava despida caminhou até ele que estava tão vermelho quanto uma pimenta e tentava desviar os olhos e olhar ao mesmo tempo.

—Você é amigo de uma dríade?

—S-sim. —Kotaru falava timidamente sem saber para onde olhar.

—Então me diga quantos anos de idade ela tem? —Ela procurava testá-lo.

—Hum… A árvore dela tinha treze senão me engano… Então ela tinha treze também. —Após pensar por um instante ele respondeu e ao olhar para a garota pôde ver que sua resposta foi satisfatória.

—Foi você quem plantou a árvore?

—Não, meus pais que plantaram quando eu era criança. —Ela se aproximou ao ponto de encostar seu corpo no dele e começou a cheirá-lo.

—Que baixaria é essa?! —-disse Arien os afastou e pareceu não ter gostado muito do que viu.

—Realmente você esteve em contato com uma dríade há algum tempo, e também parece estar falando a verdade. —Ela analisou as respostas do rapaz juntando isso com seu próprio julgamento chegou a conclusão de que ele estava sendo sincero. —Se uma dríade se revelou para você, talvez não seja mal... —Ela se afastou, ao virar as costas Kotaru abaixou os olhos e logo foi acertado na cabeça por Arien.

—Você pode, por favor, vestir isso? —A elfa insistiu mais uma vez em vestir a garota.

—Como você é chata! —A garota continuava a achar aquilo desnecessário, mas para que a elfa parasse de importuná-la ela decidiu vestir o casaco. —Isso te satisfaz? Agora que eu aderi aos seus costumes estranhos, me respondam: o que fazem aqui?

—N-nós só estamos atravessando, pa-paramos somente porque te vimos caída e pensamos que algo havia acontecido. —Disse Shin.

—Entendo. Vocês não parecem estar mentindo então podem ir.

—Obrigado. —Disse Kotaru com seu típico sorriso. —A propósito qual o seu nome?

—Meu nome? —Ela corou um pouco ao vê-lo sorrir, porém, não entendeu o motivo de sua própria reação.

—Sim, o meu nome é Kotaru e o seu?

—As elfas me chama de Midori… Por causa do meu cabelo verde... —Ela respondeu com certa timidez.

—Bom, vamos indo, nossa viagem é longa e não temos tempo a perder. —Arien ia subindo na carruagem quando todos puderam ouvir um alto grito de mulher.

—Cilene! —Gritou Midori correndo por dentro da floresta e os dois rapazes foram atrás dela, como a elfa já estava na carruagem teve dificuldades para acompanhá-los.

Não muito tempo depois Midori parou em frente uma árvore um tanto velha, ela tocou o tronco com sua destra e uma dríade se revelou.

—O que houve Cilene?

—Outra dríade... —Murmurou Kotaru que nunca tinha visto uma dríade, além de Tamara.

—Então isso que é uma dríade. —Murmurou Shin ao ver a bela mulher de pele esverdeada e coberta de folhas.

—Um incêndio... Eu vi um incêndio. —A dríade parecia aflita, o que ela dizia não fazia sentido aos rapazes, afinal não havia fumaça alguma no céu.

—Onde? Como? —Midori, diferente deles, parecia entender o que ela quis dizer quando disse ter visto um incêndio.

—Próximo ao lago, foi algo repentino, uma das árvores começou a pegar fogo, e ele se espalhou muito rápido, algumas dríades morreram, você estava lá tentando apagar o fogo, mas não conseguia e ninguém vinha ajudar, pois todos têm medo de adentrar a floresta. — Cilene falava com tristeza, seus olhos pareciam perdidos e para os rapazes ela parecia delirar.

—Nós podemos ajudar. —Mesmo sem entender o que a dríade falava Shin se prontificou em ajudar o que surpreendeu Kotaru que já estava pronto para fazer o mesmo.

—Como vocês poderiam fazer isso? —Perguntou Midori.

—Eu consigo usar magia de água, eu posso ajudar a apagar o tal incêndio. —Shin continuava tentando entender, quanto mais pensava sobre as palavras da dríade, mais parecia que ela falava do futuro.

—Eu não tenho essa capacidade, mas posso ajudar carregando baldes de água, ou então podemos deter quem irá fazer isso. —Kotaru tentava se manter positivo, mesmo vendo que não teria grande utilidade.

—A ajuda de vocês será muito bem vinda meus jovens, mas é impossível impedir o causador desse incêndio, pois ele será natural. —A dríade pareceu feliz ao ver a bondade dos dois.

—Você sabe quando acontecerá Cilene? —A pergunta de Midori fez com que Shin tivesse certeza do que havia pensado, a dríade realmente falava de um futuro.

—Em breve, na minha visão estava de noite e ainda era lua minguante, então em menos de três dias deverá acontecer esse incêndio, isso se eu estiver certa.

—Eu acredito em você Cilene. —Midori segurou as mãos da dríade. —Nós vamos proteger a floresta.

—Tome cuidado, humanos confiáveis são tão raro quanto dragões hoje em dia. —Cilene sussurrou a dríade no ouvido da garota que balançou a cabeça mostrando que tinha entendido o recado.

Por LiamGt | 22/05/18 às 17:40 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama