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Capítulo 31 - Um Choro em Meio as Chamas

O Mestiço (OM)

Capítulo 31 - Um Choro em Meio as Chamas

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Kotaru e Shin haviam conseguido escapar da pensão trazendo com eles apenas a bolsa que continha as coisas de Kotaru e os artefatos mágicos de Arien e também a adaga do rapaz.

—Droga… Tudo que podia dar errado deu… —Dizia Shin de maneira pessimista. —E agora? Como vamos encontrar a Arien? Além de tudo tem esse maldito toque de recolher para garantir que nós nos encontremos com algum guarda…

—Xiii! Fica quieto, você está tentando chamar a atenção dos guardas? —Kotaru sussurrava enquanto andava pelas ruas desertas de Tile.

As coisas estavam correndo bem, eles estavam próximos área comercial, que ficava um tanto próximo do grande portão na entrada da cidade, e ainda não tinham se encontrado com guarda algum, mas ao mesmo tempo isso parecia ser algo muito errado, afinal quando as coisas ocorrem tão bem assim é difícil não suspeitar.

—Shin… Aquilo é fumaça de fogo? —Ao erguer os olhos Kotaru pôde ver uma grande fumaça negra misturada com laranja, como labaredas.

—Sim… Será que… —Antes que o rapaz pudesse terminar sua fala Kotaru se virou para ele com um olhar desesperado e imediatamente começou a correr em direção àquela fumaça, desejando chegar lá e não se deparar com Arien em uma situação de risco.

Os dois continuaram correndo, no caminho duas pessoas sem armaduras, o que possivelmente significava que eram civis, passaram por eles gritando e chorando. Ao aproximar-se ainda mais puderam ouvir muitos barulhos distintos, gritos, choques de espadas, as chamas se alastrando pelas casas e consumindo-as.

Antes mesmo que pudessem chegar até a origem do fogo muitas pessoas começaram a aparecer, soldados combatiam outras pessoas e ao notar bem Kotaru pôde ver que aqueles que enfrentavam a guarda de Tile eram elfos.

—Elfos? —Poucos instantes após Kotaru notar as orelhas pontudas, foi a vez de Shin que ficou muito mais surpreso que o outro rapaz, afinal ele não tinha presenciado o ocorrido em Suzume e este era seu primeiro real contato com essa guerra.

A guarda de Tile estava sendo acuada pelo ataque élfico e as chamas se alastravam pela cidade. Mesmo que Tile seja quase três vezes maior que Azami, ela não possuía muitas pessoas com condições de pagar pela construção de uma casa de pedra, a maioria das pessoas optavam pela casa de madeira por ser mais rápido e barato, porém, como tudo na vida, têm seus pontos negativos.

Os civis que tiveram suas casas atingidas pelo fogo corriam afobados pela cidade, uns cinco ou seis soldados escoltavam essas pessoas e tentavam fazê-las manter a calma, mas sem sucesso algum. Como conseguiriam acalmá-las? Suas casas, o lugar onde iam para obter segurança estava aos poucos se tornando cinzas e sua cidade estava sendo invadida, não havia certeza de que eles sairiam daquilo com vida.              

—Alguém!? —Uma mulher gritava do mais alto andar de uma construção de três andares. —Meu filho! Alguém me ajude, eu tenho um filho um pequeno! Por favor… —Aquela mulher gritava e chorava a ponto de soluçar ao ver as chamas cercando sua casa.

—Shin, arranje água em algum lugar. —Kotaru sem pensar duas vezes se dirigiu para aquela casa, mas foi freado por seu amigo que segurou seu braço.

—Em algum lugar? —Shin se questionava se Kotaru pensava em algumas coisas que dizia, afinal onde ele iria conseguir água.

—Não sei, entra em alguma casa ou sei lá, apenas arranje água. —Ele se virou para correr, mas o outro rapaz ainda o segurava.

—Kotaru, você não pode salvar todo mundo… —Havia certa tristeza nas palavras de Shin.

—Eu sei, mas no momento eu posso me esforçar pra ajudar aquela mãe e seu filho. —Ele se desvencilhou de Shin e correu até aquela casa, enquanto cada vez mais pessoas corriam na direção oposto fugindo do fogo que se espalhava impiedosamente.

Kotaru conseguiu entrar naquela casa sem problemas, pois o fogo havia acometido aquele lugar pelo lado oposto da entrada, mas em breve ele se apoderaria de toda a casa tornando-a ao pó.

O rapaz subiu as escadas do segundo andar, onde já haviam chamas dentro da casa derrubando destroços no andar de baixo, aos poucos o piso de madeira do andar de cima também cedia. Tinha um longo corredor que levava até a escadaria que dava no terceiro andar. Neste mesmo corredor havia duas portas de cada lado, aquele lugar era provavelmente uma pensão.

Kotaru queria correr o mais rápido possível, mas sabia que deveria ser cauteloso, a qualquer momento um pedaço do piso poderia cair em sua cabeça ou abaixo de seus pés. As chamas que se espalhavam com velocidade também dificultava seu avanço, aos poucos o suor começava a escorrer por sua testa, pois a temperatura era alta. Ele estava passando em frente a um quarto cuja porta estava no chão, ao olhar dentro dele viu um elfo assassinando um homem de idade impiedosamente.

O sangue do rapaz esquentou e antes que pudesse pensar sobre ser cuidadoso com o piso ele ficou invisível e correu na direção do elfo que parecia apreciar ter a vida do outro se esvaindo aos poucos pelas suas mãos.

Kotaru pegou sua adaga na bolsa e cortou a perna do elfo na junta fazendo com que seus joelhos vacilassem e ele caísse sobre eles. O rapaz deu uma chave de pescoço no elfo que começou a se debater em busca de ar, Kotaru não era a pessoa mais forte, por isso aquela não era uma missão muito fácil tendo em vista o físico muito mais trabalhado de seu oponente.

Aos poucos ele se debatia com menos vontade, a ausência do ar em seu organismo o enfraqueceu e logo ele ficou inconsciente.

—Perdoe-me por não chegar mais cedo. —Ele fechou os olhos do senhor que estava morto com a espada do elfo crava em seu peito. Kotaru retirou-a e a atravessou na coxa do elfo que estava no chão deixando-o preso. —Com sorte o fogo acabará com sua vida miserável. —O rapaz encarava o elfo com desprezo em seus olhos.

Ele se apressou para subir para o terceiro andar, ainda com o sangue quente, mas com mais cautela. Chegando lá havia outro corredor, da mesma maneira que no andar debaixo, porém, ao fim deste não havia mais escadas, apenas uma parede.

Ele correu para o quarto onde estava a mulher, chegando lá deparou-se com um grande destroço em chamas em cima do corpo dela, o escombro era um pedaço do teto que havia cedido, era possível ver o lindo e estrelado céu através do buraco que se abriu acima da cabeça dele, porém, não era tempo para admirá-lo.

—Droga! —Ele cerrou os punhos com raiva, diversas coisas passaram por sua mente.

“Talvez se eu não tivesse parado no andar debaixo”; “Se o Shin não tivesse me parado por alguns instantes”; “Se eu tivesse sido mais rápido”.

Em todos os pensamentos havia algo em comum, o sentimento de falha.

Enquanto o rapaz se perdia em seus pensamentos um barulho ecoou pelo quarto: ũé ũé. E então ele se lembrou que havia mais alguém que precisava dele. Imediatamente Kotaru deixou seus pensamentos de lado e começou a vasculhar pelo bebê, as chamas que acometiam o destroço no meio do quarto estavam se espalhando rapidamente.

Logo ele achou a criança, ela aparentava ter um ano e alguns meses e estava em seu berço, porém, estava do outro lado do escombro. Haviam duas janelas no quarto, uma dava para rua onde estavam Kotaru e Shin, a outra se encontrava à direita da primeira janela, porém, com uma distância considerável entre si.

Kotaru abriu a janela e pulou para o parapeito, o lugar que ele teria para pisar era extremamente curto, não havia chão o suficiente para o rapaz pisar, fazendo-o ficar nas pontas dos pés. Ele se movia agarrado na parede com cuidado, mas com pressa.

—KOTARU!? —Shin se assustou ao ver o rapaz andando no parapeito, junto dele tinham dois baldes grandes cheios de água.

Kotaru o ignorou, mas ele tinha um motivo, o rapaz cria que se olhasse para baixo não conseguiria continuar fazendo aquilo. Aos poucos ele foi se aproximando da janela e quando seu braço a alcançou ele a agarrou com muita vontade e se lançou para dentro do quarto podendo finalmente respirar aliviado, mas não por muito tempo. O quarto estava em chamas, o destroço que havia caído do teto fez o piso abaixo dele ceder caindo no andar debaixo.

—Te peguei, vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem… —Kotaru agradecia pelo bebê não entender aquela situação. O pequeno parou de chorar ao ser pego pelo rapaz que desperdiçou alguns instantes para olhá-lo, até que a tristeza veio até os olhos dele ao lembrar que a mãe daquele bebê tinha acabado de morrer.

No momento era impossível sair com a criança pela entrada da pensão, pois havia um buraco no meio do quarto e o outro lado estava tomado pelas chamas, a única saída era a janela, notando isso Kotaru se encheu de medo.

—Shin! Eu vou precisar que você nos tire daqui!

—O QUÊ? Como? —Shin achou o pedido do rapaz completamente insano.

—Você sabe muito bem, use essa água. —Kotaru confiava em seu amigo mais do que tudo, e mesmo assim ele estava temeroso com esse plano, mas ao mesmo tempo essa era a única saída.

—Você está falando sério!? —Shin não sabia se seria capaz de sustentar e fazê-lo descer três andares.

—Shin! Nós não temos como sair daqui sem sua ajuda, seja rápido, o fogo não vai te esperar. —Ele sabia que a melhor maneira de fazer o outro rapaz agir seria fazendo uso da pressão.

—Droga! Se ao menos a Arien estivesse aqui… —Com esse pensamento em mente o rapaz começou a manipular a água, juntando todo o conteúdo dos dois baldes formando uma espécie de concha grande e espessa. Com certa dificuldade ele ergueu toda aquela água posicionando-a em frente a janela onde estava Kotaru.

—Isso é seguro? —Kotaru estava receoso ao ver toda aquela água mesmo sabendo que aquela seria sua forma de escapar.

—É o melhor que eu posso fazer, agora ande logo! —Shin estava tão nervoso quanto Kotaru, se aquilo desse errado seu amigo iria cair do terceiro andar com um bebê no colo e se espatifar no chão.

—Lá vamos nós garotão… Vai dar tudo certo... —Kotaru segurou a criança bem próxima de seu corpo pensando que se isso desse errado talvez o bebê não sofreria danos.

Kotaru colocou o pé esquerdo na janela e com cuidado o direito na “concha” de água, seu pé afundou um pouco, mas ela sentia como se a água o impulsionasse para cima impedindo-o de afundar, nesse momento ele sentiu mais confiança e logo em seguida o rapaz se jogou em cima da concha. Era uma sensação estranha e ele podia sentir seu amigo lutando para que ele não caísse. Aos poucos a concha foi descendo até que ela chegou no chão e se desmanchou em água.

—Você conseguiu… —Kotaru estava sentado no chão encarando Shin com um grande sorriso no rosto e aliviado por estar bem.

Shin o ajudou a se levantar e antes que os dois pudessem trocar qualquer palavra, gritos começaram a se tornar mais altos devido a proximidade e eles puderam avistar elfos afugentando os soldados da guarda de Tile.

—Corre! —Shin começou a correr assim que falou.

Os elfos pareciam estar vencendo, a invasão estava tomando proporções maiores a cada instante que passava. Ao derrubar a barricada que havia sido feita na entrada, como recurso de proteção já que os portões haviam ficado abertos por algum motivo ainda desconhecido.

Os elfos invadiram a cidade dividindo-se em três grupos, um grupo com metade do número total seguiu reto, outro foi para a direita e o outro para esquerda. Um pequeno grupo de três magos incendiários cuidavam de levar a cidade ao pó, um sexto de Tile já estava em chamas ou estava em áreas próximas ao fogo.

O golpe foi inesperado, a guarda estava completamente despreparada, Mitsuaki estava fora das muralhas em uma espécie de acampamento que servia como fronte de batalha caso os elfos atacassem. Enquanto Henrich dormia em sua cama, na área residencial, soldados estavam a caminho de sua casa para avisá-lo, afinal, ele sozinho deveria ser capaz de acabar com aquela invasão.

Flechas comuns e com fogo em suas pontas eram disparadas, uma das flechas comuns acertou Shin de raspão em seu ombro direito, um pequeno grupo de três elfos começaram a perseguir os dois rapazes que assim que os avistaram correram ainda mais rápido.

—Shin, segura ele! —Kotaru esticou o bebê para o rapaz que não pareceu muito contente com a ideia, mas ele entendeu que o rapaz pretendia fazer algo contra os elfos então ele pegou a criança, o jovem rapaz não tinha jeito nenhum em segurar bebês.

—Espero que isso dê certo… —Kotaru virou e começou a correr de costas, esticando as duas mãos para os três elfos e disparou dois Mystical Impacts, o da mão direita saiu na potência correta atingindo diretamente um deles na barriga fazendo-o cair. O da mão esquerda saiu muito mais fraco e pegou de raspão no rosto do outro elfo que revidou atirando uma flecha que acertou o rapaz diretamente na coxa. —ARGHH! —Kotaru tropeçou em seus pés ao ser atingido caindo no chão.

Shin parou imediatamente ao ver seu amigo no chão e antes que tentasse fazer qualquer coisa os dois elfos que ainda os perseguia foram arremessados longe.

—O que vocês fariam sem mim? —Arien havia disparado uma forte torrente de vento contra os elfos.

Kotaru sorriu ao ver a garota que estava acompanhada de apenas metade dos elfos que ela havia libertado.

Por LiamGt | 12/06/18 às 17:46 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama