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Capítulo 33 - Tingido de Vermelho

O Mestiço (OM)

Capítulo 33 - Tingido de Vermelho

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Mitsuaki caminhava lentamente em direção a Dana com os olhos fixos, a adrenalina corria pelas veias daquela mulher fazendo-a temer coragem o suficiente para tentar enfrentá-lo, mas não para ao ponto de não temer o confronto. Um dentre os poucos elfos que restaram de pé tentou atacar aquela figura completamente vermelha, mas sem nem olhar em seu rosto ele desviou do ataque e contra-atacou cortando sua garganta.

Mitsuaki parecia um deus da guerra banhado em sangue no meio de uma batalha sangrenta matando tudo e todos que entrassem em seu caminho. Seu sorriso medonho fazia com que cada pessoa em sua volta se sentisse pressionado, alguns em meio ao desespero tentaria o atacar, mas não surtia efeito algum, apenas abreviavam sua morte.

—E-e-e ago-ra? —Perguntou a mulher que segurava o bebê em seus braços, ela gaguejava com suas pernas trêmulas, a presença de Mitsuaki era assustadora, apenas ela parecia ser capaz de matar. Até mesmo a pequena criança era afetada por aquela aura maligna fazendo-a chorar histericamente.

—O plano não mudou, nossa única chance de seguir com vida é fugindo… —Arien não era exceção, a princesa dos elfos também sentia suas pernas vacilando, o suor escorria gelado pelo seu rosto e sua mente buscava desesperadamente uma maneira de escapar daquela situação.

Ao se aproximar, Mitsuaki achou aquela situação ainda mais interessante, pois reconheceu os três jovens que haviam derrotado Isao, isso fez com que seu sorriso alarga-se ainda mais, o deixando ainda mais aterrorizante.

As pernas de Dana continuavam a bater uma na outra, mas seus olhos carregavam todo o ódio que sentia no momento, para ela sua vida havia acabado no exato momento em que Kallias deu seu último suspiro. A elfa estendeu as duas mãos na direção de Mitsuaki que se aproximava lentamente. Várias lâminas de gelo formarem-se no céu e todas apontavam para o jovem soldado que ergueu sua cabeça e cessou seus passos. Ele parecia esperar ansiosamente pelo ataque de Dana.

Dana abaixou suas mãos furiosamente e as lâminas acompanharam o movimento feito, avançando impiedosamente contra Mitsuaki. Ele por sua vez brandiu sua espada criando uma espessa parede de gelo em sua frente. Todas as lâminas que deveriam atingi-lo chocaram-se com a parede criada sem nem ao menos arranhá-la.

—Decepcionante… —Essa foi a primeira vez que o sorriso carregado de prazer se apartou do rosto dele. A parede de gelo se liquifez e novamente os olhos de Mitsuaki cruzaram-se com os de Dana que o encarava aterrorizada.

—Arien… Nós precisamos fazer alguma coisa. —Kotaru estava nervoso, o rapaz sabia que lutar contra Mitsuaki e sair vitorioso seria impossível.

—Me dê sua bolsa. —A garota havia conseguido pensar em algo e torcia com todo seu ser para que aquilo desse certo.

Kotaru estendeu sua bolsa para a garota buscando entender qual era seu plano, mas não passava nada em sua mente. Enquanto isso Mitsuaki voltou a caminhar na direção deles, mas dessa vez às pressas.

O choro do bebê, o barulho das espadas dos soldados e elfos que continuavam a lutar não muito longe dali, as chamas consumindo tudo em que tocavam, gritos de desespero por todo lado e aquele homem que parecia apenas querer derramar mais sangue tornavam aquela situação a mais caótica possível.

Mitsuaki derrepentemente sumiu do campo de vista de todos aparecendo rapidamente em frente a eles, com um rápido reflexo Kotaru sacou sua adaga e bloqueou o golpe que viria contra Shin.

—Oh? —Mitsuaki olhou para o rapaz esboçando um pequeno sorriso, demonstrando seu repentino interesse.

—Shin… A parede que ele criou virou água. —Kotaru usava toda força para deter a espada de seu oponente que permanecia investindo contra sua adaga. Mitsuaki sabia manusear sua arma com maestria, porém, não parecia usar da força bruta em seus golpes fatais o que dava ao rapaz uma chance de freá-lo.

Shin entendeu o recado e puxou parte daquela água fazendo-a vir em sua direção em alta velocidade envolvendo o rosto de Mitsuaki pegando-o de surpresa, Kotaru estendeu a mão que não segurava a adaga e disparou um Mystical Impact com toda sua força.

Mitsuaki usou a magia Fence criando na região que seria atingida pela magia de Kotaru uma barreira extremamente resistente.

O impacto do Mystical Impact foi forte o suficiente para afastar Mitsuaki e quebrar a barreira, mas nem sequer arranhou sua armadura.

Enquanto isso Arien havia pegado dentro da bolsa um objeto parecido com uma lamparina, ela mantinha-a em mãos enquanto falava com Dana.

—Dana, eu acho que nós conseguiremos fugir, eu não irei te deixar para trás, ainda mais sabendo que você está grávida… Pense no seu bebê, ele merece nascer e viver você não acha? —Arien recusava-se a deixar Dana para trás e apelava para o lado maternal dela na esperança que assim a ouvisse.

—Tudo bem… —Ainda sem vontade alguma de seguir vivendo Dana concordou com Arien pensando em seu bebê.

Mitsuaki parecia estar interessado mais uma vez. Ele avançou rapidamente, mas antes que pudesse chegar ao alcance de qualquer um deles Arien destampou aquele objeto e uma espécie de fumaça de cor escura começou a sair dele. Aos poucos aquela fumaça foi tomando forma, um formato robusto e grande, era o Armong que havia sido aprisionado por eles.

—Oh? Eu estou gostando cada vez mais de vocês, adoro surpresas e encontrar com um Armong realmente é algo que eu não imaginava para meu dia de hoje. —Mitsuaki encarava-o como um leão faminto encara sua presa segundos antes de atacá-la.

—É agora, vamos. —Arien abraçou Dana e eles começaram a se dirigir para a saída.

Mitsuaki pôde sentir no campo de sua magia Find os cinco se distanciando, mas com um sorriso no rosto ele decidiu que deixaria-os fugir, no momento havia uma aberração à sua frente e do outro lado diversos elfos que ele deveria matar e bancar o herói de Tile, no momento essas eram suas prioridades.

Mitsuaki é o tipo de homem que age apenas com algum benefício ou interesse em mente, mas ao mesmo tempo ele torcia para poder encontrar o pequeno grupo novamente e enfrentá-los sem distrações.

O Armong furioso por ter sido aprisionado atacava Mitsuaki com brutalidade e raiva, seus ferimentos da luta contra Arien e Kotaru permaneciam os mesmo, era como se ao entrar naquele artefato o tempo para ele houvesse sido congelado.

Em questão de pouquíssimo tempo Mitsuaki havia cortado fora seus dois braço. O monstro urrava e qualquer que visse aquela cena se perguntaria quem era o monstro. Mitsuaki cessou seus ataques por um breve momento apenas para observá-lo sofrer.

Nesse momento Mitsuaki não poderia ser descrito como um deus da guerra, mas sim como um demônio sanguinário.

Após seu momento de contemplação ele avançou contra o Armong desferindo o golpe fatal. “Fácil demais” pensou ele ao ver a cabeça do monstro caída aos seus pés, em seguida ele avançou contra os elfos. Até então o exército de Tile vinha sendo derrotado facilmente, este grupo que eles enfrentavam era o que havia atacado pela frente, ou seja, o grupo mais numeroso. A quantidade de elfos era o que mantinha o sorriso sadista no rosto de Mitsuaki, imaginando o quanto ele se divertiria e de brinde ainda levaria o título de salvador da cidade.

—Ele não veio atrás de nós? —Shin não acreditava que havia conseguido sair vivo daquilo e ainda se perguntava se isso não era apenas Mitsuaki brincando com eles.

—Aparentemente não… —Arien seguia em direção ao portão de saída temerosa.

—E como abriremos o portão? —Perguntou a elfa que havia sobrevivido e carregava o bebê em seus braços.

—Se necessário for? A força… —Arien apenas se importava com sua fuga no momento, nada além disso a interessava, nada além de permanecer com vida.

Eles seguiram seu caminho rumo à saída de Tile, era um caminho longo, principalmente à pé. Algum tempo depois eles chegaram até o grande portão da saída, ele era idêntico ao da entrada, robusto e feito de madeira com partes de metal. o portão estava fechado para o azar deles, mas havia apenas alguns soldados próximos a ele.

—Fiquem aqui, eu vou dar um jeito naqueles soldados, ao meu sinal vocês deverão se juntar à mim. —Arien levantou-se e se dirigiu até o portão com cautela, escondendo-se entre as casas até chegar perto o suficiente para atingí-los com um vento extremamente forte que os ergueu do chão. Logo após os atingir, a elfa desfez a magia fazendo com que eles caíssem de uma alta altura desmaiando imediatamente.

Arien acenou para os outros quatro que ao verem entenderam que aquele era o sinal e se dirigiram até ela.

—Isso foi fácil… —Disse a garota que segurava o bebê que finalmente havia parado de chorar.

—Vocês dois, desçam o portão. —Arien falou autoritariamente com Shin e Kotaru, o primeiro rapaz normalmente a responderia de forma grosseira ou irônica, mas aquele não era o local nem o momento ideal para isso.

Os dois juntos baixaram o portão através das correntes que o mantinha em pé e assim todos correram para fora de Tile, a cidade continuava a queimar e nesse exato momento Mitsuaki gargalhava enquanto cortava algumas cabeças. Havia pouco mais de cinquenta elfos ainda de pé, e eles não tinham a menor vontade de continuar lutando contra aquele monstro que degolava impiedosamente com muito prazer.

Enquanto Arien e os demais fugiam de Tile os elfos que atacaram a cidade tentavam fazer o mesmo pelo portão da frente, mas o buraco criado pela ausência do portão foi preenchido por gelo e logo eles perceberam que não haveria escapatória, todos já tinham sido sentenciados a morte quando entraram naquele lugar, na verdade antes disso, a sentença foi dada ao fazerem um acordo com Mitsuaki.

Já do lado de fora o pequeno grupo pôde respirar aliviado ao ver que não havia inimigo algum. Era como se tudo o que estivesse acontecendo em Tile ocorresse em um universo paralelo, pois lá fora não tinha o cheiro de queimado ou barulho ocasionado pelas intensas lutas. A única coisa que podia se ouvir era o que vento fazia ao soprar.

O céu estrelado e a grande lua que iluminava aquela noite caótica onde muito sangue do povo de Tile havia sido derramado.

—Ér… Talvez esse não seja o melhor momento, mas… O que vamos fazer com o bebê? —Todos caminhavam lentamente se distanciando aos poucos daquela cidade, um grande silêncio havia se estabelecido entre eles quando Shin decidiu rompê-lo.

—Minha parte eu já fiz… —Disse Kotaru referindo-se ao ato de salvar a criança.

—Bem… Caso vocês não se importem eu… Eu poderia ficar com ele. —A garota havia ficado com ele desde o momento em que Shin o deixou em seus braços e nesse curto período ela já tinha se afeiçoado ao pequenino.

—Você está falando sério? —Arien se surpreendeu de algo ter ocorrido de forma simples naquele dia.

—Sim, como eu poderia deixar uma criaturinha tão fofa e indefesa sozinha, sem ninguém para cuidar dela, além de tudo eu também perdi meu irmão que era minha única família, será bom ter a companhia dele. —Ela olhava com muito carinho o bebê, ele já havia dormido tranquilamente durante a caminhada deles ao sair das muralhas de Tile.

—Eu não esperaria menos de você Calime. —Dana esboçou um pequeno sorriso para a elfa, a pobre mulher ainda se encontrava abalada pela morte de seu marido.

—Oh, Dana… Muito gentil da sua parte, e pensar que daqui há algum tempo você estará dando a luz a um… —Calime parou de falar imediatamente ao notar que embora tivesse boa intenção, aquilo que ela disse entristeceu Dana, pois, embora ter um filho deveria ser uma alegria, era inevitável lembrar que essa criança nasceria sem um pai.

—Me desculpe… Eu não… Eu não pensei antes de falar… —A garota ficou totalmente constrangida e sem reação e podia ver no rosto de Dana a tristeza.

—Está tudo bem… —Estava nítido no semblante triste da elfa que não estava nada bem.

—Você já tem um nome para ele? —Arien tentou mudar de assunto ao ver que a situação estava ficando desconfortável.

—Um nome? —Calime começou a encarar o bebê que dormia tranquilamente, como se não houvesse acontecido nada durante essa noite.

—Hann… —Após alguns breves momento encarando o bebê ela escolheu esse nome.

—Hann… —Kotaru murmurou o nome do pequeno sorrindo e também triste consigo mesmo por não poder ter ajudado a mãe do pequeno.

—É um bonito nome. —Arien se aproximou do bebê e o observou por um breve instante.

—E você tem algum lugar para onde ir? Você disse que não tem família… —Arien procurou escolher com cuidado as palavras para não magoar a garota.

—Sim… Antes de ser raptada e vendida como escrava eu estava noiva de um homem, ele era humano e sabia que não poderíamos ter filhos, mas mesmo assim escolheu ficar comigo… Espero que ele ainda pense assim após o início dessa guerra. —Ela parecia encantada ao falar deste homem, mudando sua expressão apenas em suas últimas palavras, assumindo um semblante preocupado.

—Acho que seria melhor continuarmos andando… —Dana estava com um olhar vazio, como se nada que acontecesse ao seu redor importasse, e não teria como ser de outra maneira, o sangue do amor de sua vida ainda estava em sua pele e roupas lembrando-a daquela cena que ela seria capaz de sacrificar sua própria vida para não ter acontecido.

Eles prosseguiram andando por um bom tempo, cerca de uma hora, estava frio e eles caminhavam enrolados nas poucas cobertas que estavam na bolsa de Kotaru, elas nem deveriam estar lá, mas eles agradeceram por estarem. Eles caminhavam por uma colina elevada, se olhassem para trás seria possível ver Tile bem distante brilhando com uma cor flamejante.

O vento batia movendo a grama abaixo de seus pés, não havia árvore alguma ao redor o que tornava aquele lugar pouco habitado por aves, tornando-o ainda mais silencioso.

—Como está sua perna Kotaru? —Arien se aproximou do rapaz estranhando-o, pois estava quieto demais.

—Depois que a adrenalina passou ela começou a doer mais… Tudo que eu queria era encontrar um lago pro Shin dá um jeito nela. —O rapaz andava com certa dificuldade, mas não queria atrasar o grupo.

—Tem certeza que não quer parar um pouco? Nós estamos andando há um bom tempo. —Arien parecia estranhamente compreensível com o rapaz.

—Você está bem? —O rapaz estranhou a bondade repentina da garota que sempre foi tão rígida e indiferente na maioria do tempo.

—Por que não estaria? —Para a sorte de Kotaru ela não havia entendido o que ele quis dizer com aquilo.

—Nada… Esquece…

Eles prosseguiram andando e quanto mais caminhavam, mais devagar ficavam. Após algum tempo eles chegaram na parte mais alta da colina e puderam ver na parte mais baixa em sua frente luzes de fogueiras, não era apenas uma, mas várias.

—Quantas fogueiras… —Disse Dana sem ênfase alguma, sua expressão permanecia abatida.

—Aposto que deve estar quentinho ali embaixo. —Embora tivesse um bebê bem enrolado esquentando seus braços, Calime ainda sofria com o frio opressor da noite de outono.

—Aposto que tem comida. —Shin estava faminto, afinal o ataque de Shichiro foi pouco antes do pôr do sol, ninguém havia comido nada desde aquela hora, na verdade Kotaru havia ido comprar os ingredientes para a janta, mas não pôde provar dela.

—Se continuarmos com esses pensamentos poderemos ser mortos, e se essas pessoas forem do exército de Tile? Ou talvez um grupo dos elfos? Ou apenas ladrões, ou mercenários… Não importa se têm comida ou não, nós não podemos simplesmente aparecer e dizer “olá, estamos famintos e congelando, podemos nos juntar a vocês?” —Arien, como na grande maioria do tempo, mantinha-se fria e racional, mas já era tarde demais.

Repentinamente facas apareceram no pescoço de cada um e uma voz grave pôde ser ouvida.

—Qualquer movimento e nós acabamos com suas vidas.

Por LiamGt | 19/06/18 às 21:56 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama