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Capítulo 44 - Plano

O Mestiço (OM)

Capítulo 44 - Plano

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Kotaru, Aludra e os demais continuavam andando ferozmente, determinados a salvar Calliope. Graças a capacidade de Aludra eles foram capazes de se aproximar dos gêmeos, na verdade só não estavam mais próximos pois decidiram manter uma certa distância por garantia.

—Vocês têm algo em mente ou apenas estamos seguindo essa mulher sem ter mais nada em mente? —Como sempre Dana afrontava a todos com seu realismo exacerbado, mesmo ciente de que ela tinha razão em questionar tal coisa Aludra não pôde evitar se irritar com essa pergunta.

—Nós os alcançamos, matamos, pegamos Calliope e vamos embora. —Após notar os olhos de Dana em cima dela Aludra resolveu conceder a ela uma resposta, obviamente não era isso que ela planejava, pois na realidade não possuía plano algum.

—Estranho, pensei que ainda não tínhamos os alcançando por precaução e não por falta de aptidão. —Dana prosseguia confrontando Aludra deixando-a ainda mais irritada.

—Ok! Eu não sei o que fazer. Satisfeita? Era isso o que queria ouvir? —Estressada ao limite ela não conseguiu manter-se ignorando a elfa.

—Não, gostaria de ouvir que tem uma plano para resgatá-la sem corrermos riscos, mas já que essa não é a realidade eu posso ajudar… Mas antes conte-me: do que nossos inimigos são capazes? —Aludra sentiu um alívio instantâneo, esperava que Dana tivesse uma atitude que iria levá-la a estapear a cara dela, mas pelo contrário ofereceu ajuda.

Assim como fora pedido Aludra contou sobre as habilidades demonstradas por Gernot e Gerhard e também sobre a subordinação dos dois ao comerciante.

—Talvez sequestrar o chefe deles seja a melhor solução. —Sugeriu Dana.

Neste momento estavam todos parados em meio a rua discutindo como as demais coisas sucederiam. Arien sentiu-se de certa maneira deixada de lado e a pequena elfa enfim teve seu pulso solto. Shin e Kotaru ficaram admirados, pois nunca haviam visto Dana agindo desta maneira.

—Isso poderia funcionar, mas os riscos são altos demais, eles não agiam com leal subordinação, pelo contrário, ficavam relutantes quando recebiam ordens, principalmente o que usa espada. —Aludra rapidamente refutou a ideia proposta por Dana, mostrando que já havia pensado nisto antes.

—Bom, resgatar sua amiga diretamente seria complicado… Embora acredite na sua força, eles são dois, e devemos manter em mente que podem não ter mostrado todo seu poder. —Dana mantinha-se crente de que resgatar Calliope evitando uma luta seria a melhor estratégia.

—Érr… Sem querer interromper… Se conseguirmos lutar em um ambiente próximo da água eu poderia ajudar… —Shin deu um passo à frente de maneira tímida, temeroso de que Aludra lhe respondesse com grosseria ou Dana lhe esfregasse na face a realidade de sua fraqueza.

—Possui aura de água? —Perguntou Aludra interessada.

—Isso mesmo…

—O problema é achar lagos por aqui, nem ao menos sabemos se tem algum aqui em Acatia… —Dana não supôs que Shin seria incapaz, mas ainda assim apresentou um problema no plano apresentado por ele.

—Tem… Eu consigo sentir… —Respondeu o rapaz concentrando-se para ver se era capaz de guiá-los até lá.

Todos passaram a encarar Shin que fechou os olhos, eles esperavam ansiosos o que viria a acontecer, seu indicador foi erguido apontando para à direita de onde Calliope estava indo.

—Nesta direção. —Disse ele.

—Não é muito longe de onde estão levando Calliope… —Aludra se continha para não sorrir, estava contente, pois um plano estava começando a se formar.

As pessoas continuavam a passar e encarar o pequeno grupo que estava parado em meio ao caminho conversando.

Após muito discutir eles finalmente estabeleceram um plano, arriscado, porém, se bem executado as chances de resgatarem Calliope seriam altas.

Para Dana ainda não era perfeito, pois precisaria entrar em combate com gêmeos e ela queria evitar isso a todo custo.

A primeira parte do plano era crucial e ela foi proposta por Aludra que conhecia as capacidades ilusórias de Calliope. Ela sugeriu que alguém desse a Calliope as instruções de pôr os três que tinham-na capturada em uma ilusão fazendo-os levá-la ao lago.

Aludra gostaria de ser a pessoa que levaria a mensagem, mas os gêmeos já conheciam seu rosto.

De imediato Kotaru se candidatou, Arien e Shin tentaram de toda maneira tirar essa ideia da cabeça dele, mas ele insistiu, mesmo ciente do risco. Diferente do que Kotaru esperava Dana se candidatou e deu motivos o suficiente para ela ser a mais indicada para fazer isso. O motivo mais convincente com suas próprias palavras foram “sou mais forte”

Todos iriam permanecer juntos até que os gêmeos entrassem no campo da magia Hawk Eye, que é uma magia básica com a capacidade de aumentar campo da visão do usuário.

Assim que Dana estivesse seguindo Calliope sozinha os demais se dirigiriam para o lago, esperançosos de que Shin estivesse certo.

A segunda parte do plano dependia que Calliope tivesse recebido e entendido a mensagem, caso tudo tenha corrido conforme o planejado a rota dos gêmeos seria mudada e eles iriam para o lago onde todos os outros estariam esperando-os.

Todos teriam espalhado pela área suas próprias auras, de maneira que eles seriam incapazes de notar Kotaru invisível pronto para capturar o comerciante.

O plano ainda possuía outras partes, mas nada muito concreto, afinal não tinha como prever o que aconteceria quando Kotaru capturasse o comerciante. Por isso eles previram algumas situações e se prepararam para elas.

À frente do pequeno grupo iam Aludra e Dana que repassavam o plano e discutiam. Elas possuiam prioridades diferentes, enquanto Dana priorizava impedir qualquer tipo de confronto direto, Aludra tinha como único objetivo resgatar Calliope, a qualquer preço.

As instruções de Aludra para Dana foram as seguintes:

—Você deverá dizer a ela de alguma maneira as seguintes palavras: “Aludra, lago, direita, juntas.” —Ao chegarem no ponto em que Dana já era capaz de vê-los com sua magia Hawk Eye, elas se separaram com um aperto de mão.

—Tenha cuidado, não se arrisque além do necessário… —Arien esboçava um sorriso simpático para a ela. —Não esqueça que você não estará arriscando apenas sua vida. —Ela tocou na barriga de Dana lembrando-a do motivo que a fez chegar até ali.

No fundo Arien temia que Dana não estivesse agindo por bondade, nem compaixão, mas por puro egoísmo, buscando uma maneira de acabar com sua vida honradamente.

—Está tudo bem… Eu não estou fazendo isso por mim. —Ela entendeu de imediato o que Arien tinha em mente, mas não disse. —Mesmo sem sentir prazer algum nessa vida essa criança irá nascer… E eu irei cuidar dela. —Ela retribuiu com um sorriso tímido e Arien se sentiu aliviada ao ouvir aquilo.

Dana continuou se movendo em direção aos gêmeos, enquanto os outros se dirigiram para o tal lago.

Shin ficou tenso quando todos viraram em sua direção esperando que ele dissesse onde estava o tal lago.

Ele fechou os olhos esperando que isso o ajudasse, no fundo podia sentir todos aqueles olhos em cima dele como mendigos ao verem alguém rico passar pela rua.

—Nesta direção… —Shin não tinha certeza do que sentia, mas não era essa a primeira vez que era atraído pelas águas. Um sentimento estranho o acometia, como um bom perfume de uma dama que passa deixando para trás sua fragrância embriagante e impossível de não se reconhecer a quem pertence.

Todos os demais o seguiram apreensivos, Kotaru mantinha sua fé implacável a respeito de seu amigo e suas capacidades, mas Arien e principalmente Aludra estavam duvidosas.

Enquanto isso Dana andava a passos largos, mantendo seus olhos vidrados nos gêmeos. Ela parou em uma barraca e retirou de seu bolso uma moeda trocando-a por um pano que enrolou no rosto.

Era possível ver apenas seus olhos, nada mais. Após ter seu rosto coberto, seus passos tornaram-se ainda mais velozes, em questão de minutos alcançaria Calliope.

Ela desviou um pouco seu caminho indo para a esquerda. A saída de Acatia se aproximava a cada passo.

—Anda logo… Não teste minha paciência. —Gerhard constantemente empurrava Calliope e gritava com ela, sua raiva só não era maior do que a de Gernot, ele havia se deleitado no prazer de decapitá-la, mas tinha apenas vivido uma ilusão, e quando estava prestes a torná-la verdadeira seu chefe o impediu.

—Se eu ver apenas um ferimento novo nela eu farei o mesmo com vocês, ou melhor, farei com que seu irmão faça isso. —Após ouvir os gritos de Gerhard quatro vezes o comerciante decidiu interferir no tratamento que seus subordinados davam a sua nova mercadoria.

Os dois irmãos engoliam em seco a raiva que sentiam por não poder respondê-lo ou fazer o que quisessem com Calliope. —Seria tão fácil matá-lo, ele é tão magro e frágil… Acredito que seria capaz de separar sua cabeça de seu corpo com minhas mãos. —Pensava Gernot. Ele era, nitidamente, o mais nervoso dentre os dois.

—Se ele não pagasse tão bem… —Pensava Gerhard que desejava empurrar Calliope novamente para extravasar sua raiva, mas acabara de ser proibido.

Longe dali alguns barulho chamaram a atenção dos três, apenas após os demais olharem naquela direção que Calliope ousou fazer o mesmo.

Dana corria com o rosto coberto e em suas mãos empunhava uma bela faca, maçãs e também uma laranja. Atrás dela um grupo de nove vendedores e dois guardas que patrulhavam ao redor. Ela acabara de roubar essas coisas que carregava e corria velozmente na direção de Calliope que não a reconheceu.

Logo a sua frente havia um lance de três degraus, pouco a frente deles estavam os gêmeos, o comerciante e sua refém. Dana saltou extremamente alto, capaz de fazer com que seus perseguidores parassem de correr por um único segundo para admirar aquele salto.

Dana caia em direção a Calliope, deixando os gêmeos sem reação, incapacitados de fazer algo. —Segurem-na! —Ouviram os comerciantes gritar, mas em questão de segundo ela e Calliope já estavam no chão.

—Aludra. Lago. Direita. Juntas. —Ela olhou nos olhos de Calliope sussurrando as palavras e pôde ver no discreto sorriso que foi esboçado que ela entendeu o recado. Assim Dana levantou-se e voltou a correr, deixando para trás as frutas, mas não a faca.

—Malditos! Por que não a seguraram? —Perguntou um dos comerciantes.

—Tsc! Não é problema nosso, além do mais ela fez algo que ambos queríamos… —Respondeu Gernot encarando Calliope no chão. —Infelizmente ela não bateu a cabeça e morreu…

Ao ouvir as palavras dele e seu tom, tão sinistro e sincero… Os comerciantes, nem mesmo os guardas, ousaram permanecer próximos a eles, dando continuidade a perseguição.

—Ande! Levante-se! —Gritava Gernot que desejava ergue-la pelos cabelos.

Diferente da maneira obediente que agia anteriormente, Calliope permaneceu no chão, com a mão na cabeça dando a entender que havia sofrido algum dano, claro, ela apenas fingia.

—Não me provoque! —Gernot estava prestes a pegá-la pelos cabelos assim como desejava, mas foi rapidamente repreendido.

—Psi! Quão fraca sua memória é? Não toque nela com mais força que tocaria a pétala de uma flor! —Gernot cerrou os dentes para não falar, ou fazer o que tinha em mente. —Venha querida, te ajudarei a se levantar. —O comerciante se virou para Calliope estendendo-a a mão.

—Obrigada… —Ela delicadamente pegou na mão dele e nesse exato momento os dois fizeram contato visual direto. —Você esqueceu algo no lago que fica a nossa direita. —Ela sussurrou essas palavras num tom que garantisse que ele ouviria.

Após ouvir o que ela disse o comerciante passou a ver a ilusão que Calliope havia criado, tudo estava exatamente igual, Gernot e Gerhard permanecia logo ali do lado, longe dali iam os comerciantes e os guardas, mas uma única coisa havia mudado, um único detalhe, na ilusão que ele via existia algo que ele precisava buscar no lago.

O fato da ilusão dela alterar tão pouco a realidade era o que a tornava tão fácil de confundir o que era e não era real.

O comerciante começou a andar na direção do lago e Gernot e Gerhard estranharam a ação dele.

—Senhor? Para onde está indo? —Perguntou Gerhard.

—Oh, que falta de educação a minha, esqueci de avisá-los que acabei de lembrar que tenho algo a fazer nesta direção… —Ele respondeu com um sorriso e voltou a caminhar, os gêmeos estranharam, mas só podiam obedecer, até porquê, eles foram contratados cientes que receberiam ordens. Gernot empurrou Calliope para que ela voltasse a andar, agora na direção onde Aludra estaria esperando.

Dana havia conseguido despistar os comerciantes que a perseguiam. O tempo que eles pararam para falar com os gêmeos, mesmo que curto, lhe foi suficiente para abrir uma distância considerável. Ela entrou em um beco e removeu de seu rosto o pano que mantinha apenas seus olhos a mostra, saindo de lá na esperança de que não reconhecessem suas roupas.

Para sua sorte eles nem sequer passaram por aquele beco, ao se afastar um pouco ela parou de andar calmamente, como fazia para não chamar a atenção, e começou a correr em direção ao lago.

—Ela está vindo… —Aludra falou com excitação e um sorriso em seu rosto ao sentir Calliope andando em sua direção. —Fique sempre atrás de mim, tudo bem? —Ela se abaixou e falou com pequena garota. A elfa estranhou a maneira gentil que estava sendo tratada, afinal Aludra não vinha agindo assim.  Mas agora era diferente, agora a esperança de resgatar sua amiga não parecia apenas um otimismo bobo, mas sim uma possibilidade extremamente plausível e que ela lutaria com todas suas forças para tornar real.

—Sim. —Mesmo sem entender a repentina mudança em seu tratamento a garota respondeu com um sorriso.

—Quão perto eles estão? —Perguntou Kotaru aproximando-se de Aludra junto de Shin.

—Não o suficiente para nos colocarmos em posição.

—Entendi… —Shin parecia apreensivo, o alívio que havia sentido ao ver que o lago realmente estava no local que ele tinha indicado foi momentâneo, pois logo se lembrou da outra parte do plano.

—Obrigada, esse lago… Se não fosse por isso nossas chances seriam muito mais baixas. —Aludra agradeceu diretamente a Shin que não resistiu olhar em seus belos olhos por muito tempo, desviando o olhar com vergonha. —Vocês… Vocês têm certeza de que conseguirão seguir com o plano? —Ela não queria se mostrar duvidosa, mas precisava garantir, afinal era a vida de Calliope que estava em jogo.

Kotaru e Shin se entreolharam, a dúvida também existia em seus corações, e dentro de si sabiam que não tinham certeza se obteriam sucesso, não eram capazes de dar uma honesta garantia de que conseguiriam, mas mesmo assim disseram, juntos. —Sim! —Tentando transparecer que acreditavam no que diziam.

—Ok, então vamos acabar logo com isso. —Aludra sorria, havia um misto de sentimentos dentro dela, nervosismo, raiva e excitação eram os dominantes.

Por LiamGt | 28/07/18 às 23:32 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama