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Capítulo 48 - Condição.

O Mestiço (OM)

Capítulo 48 - Condição.

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Kotaru havia dito que eles se juntariam à caravana, porém, com uma condição para Eulália. Guiscard ficou tão feliz ao ponto de ser estranho, afinal eles não dependiam de Kotaru para nada. Calliope e Aludra também ficaram contentes, mas Ícaro se manteve indiferente, sem esboçar alegria ou raiva.

Dana pediu para que lhe dessem um tempo para se despedir de Calime. Aludra com sua flecha a aproximou da casa de Lenz, o esposo humano da outra elfa que se separou deles, o resto do caminho ela seguiu a pé. Não demorou muito até chegar em seu destino.

Knock Knock

Calime abriu a porta e logo sorriu ao ver aquele rosto familiar.

—Onde estão os outros? —Ela pôs sua cabeça para fora olhando para os lados a procura de alguém e ao não ver ninguém ficou preocupada que algo ruim tivesse acontecido.

—Estão todos bem, relaxe. Eu vim… Eu vim me despedir. —Por um segundo Dana buscou uma maneira mais fácil de dizer isso, mas logo notou que não tinha, então decidiu dizer de uma vez.

—Oh… —Suas sobrancelhas franzidas demonstraram sua tristeza, em seguida ela abraçou Dana e até mesmo derramou algumas lágrimas.

Diferente de Calime, Dana não chorou, nem mesmo mudou de expressão, mas no fundo estava triste por deixar sua colega para trás. Ela pediu para ver Hann uma última vez, ao se despedir da criança ela teve que se esforçar para não chorar.

Em alguns instantes Dana já estava de volta ao lugar onde foi deixada por Aludra, que a esperava para levá-la de volta.

Eles se dirigiram para o ponto de reencontro com a caravana. Aludra ia a frente discutindo com Calliope lembrando-a o quão irresponsável havia sido sua atitude. Guiscard seguia conversando com Kotaru e Shin, Ícaro estava próximo deles, mas apenas murmurava de dor nos seus antebraços.

Mais atrás vinham Dana, Arien e a pequena elfa.

—Parando para pensar agora eu percebi que ainda não sei seu nome. —Perguntou Arien encarando a pequena com um sorriso simpático.

—E-Elli… —Ela estava um pouco corada, o que era suficiente para deixar seu rosto completamente vermelho, devido a sua pele extremamente clara.

—É um nome muito bonito… —Arien achou fofo ela ter corado, mas preferiu não comentar para não deixá-la ainda mais envergonhada. —Quantos anos você tem Elli?

A garota demorou um pouco para responder. Arien estava prestes a perguntar novamente pensando que ela não tinha ouvido, mas antes que fizesse isso Elli se pronunciou.

—Eu não tenho certeza… Mas se eu estiver contando certo tenho treze… —Ela caminhava encarando o chão e batendo seus indicadores, há tempos Arien não conhecia alguém tão tímida.

Passaram-se alguns minutos e eles continuaram a caminhar, quanto Ícaro e os demais membros da caravana pararam de andar.

—O que foi? —Perguntou Kotaru.

—Chegamos. —Respondeu Guiscard.

O lugar era bem plano, com um belo gramado no chão, algumas poucas árvores era tudo que podia-se ver além do chão e do céu.

—Vê aquela borboleta verde? —Perguntou Guiscard apontando para um bela borboleta verde com partes pretas nas bordas de suas asas. Ela estava em cima de um galho da árvore mais próxima deles.

—Sim. —Respondeu Kotaru.

—Clóris! Venha cá. —Guiscard estendeu a mão mantendo o indicador esticado e a borboleta voou até ele, posando em seu dedo.

Kotaru e Shin já estavam maravilhados com a beleza daquele pequeno animal voando até Guiscard, quando um brilho intenso se apoderou dela e sua forma começou a mudar. Ela se transformou em uma pequena ninfa.

Clóris em sua forma original tinha pouco mais de trinta centímetros, suas asas eram maiores do que quando estava em forma de borboleta, mas com essa única exceção não havia outras diferenças. Seus olhos, pele e cabelos também eram verdes mudando apenas o tom da cor. Com uma expressão travessa e as mãos na boca ela ria da reação de surpresa de Kotaru e Shin.

Ninfas costumam ser pequenas e possuindo um par de asas. É uma das raças pertencentes ao Conselho dos Seis. Há muito tempo, quando elas ainda não faziam parte do Conselho, uma grande votação foi orquestrada para decidir se as ninfas viriam a ocupar uma cadeira entre eles ou não. Os gigantes que têm o tamanho como um fator decisivo para medir a força de alguém votaram não, junto deles os humanos também não demonstraram interesse em ter as pequenas criaturas.

As outras três raças conheciam mais de perto o poderio delas, com capacidades mágicas inimagináveis e uma ligação com a natureza tão poderosa que nenhum outro ser, nem mesmo os elfos ou os gigantes que possuem um tempo de vida muito maior, seriam capazes de possuir tal conexão.

—E-eu já vi você… Certo? —Ao olhar bem para ela Kotaru lembrou-se de quando a viu na caravana.

—E eu já vi você. —Ela voou ficando extremamente próxima do rosto do rapaz que a seguiu com os olhos ficando vesgo, fazendo-a rir. —Você é engraçado.

—Se puderem deixar o papo pra depois, preciso que Vilian dê uma olhada nos meus braços. —A dor que Ícaro ainda sentia era extrema, era como se o golpe de Gernot se repetisse vez após vez.

—OH! —Ela voou preocupada até Ícaro. —O que houve? —Com seus pequenos dedos ela tocou o antebraço do rapaz que recuou e contorceu sua face demonstrando a dor que sentiu. —Parece algo grave.

Clóris voou em direção ao horizonte e após alguns instantes desapareceu diante os olhos de todos.

Em seguida Ícaro e os demais membros da caravana também seguiram andando reto e depois de alguns passos também desapareceram. Após um momento de hesitação os outros os seguiram adentrando o grande manto de invisibilidade que mantinha a caravana camuflada.

Assim que atravessaram o manto puderam ver, indo na direção contrária, uma borboleta roxa.

—Kotaru!? —Azhar estava próximo dali e ao avistá-lo correu até o rapaz.

—Shin, venha comigo. —Guiscard o chamou para que acompanhasse a ele, Ícaro e Clóris que se dirigiam à uma cabana.

—Então você mudou de ideia? —Azhar aproximou-se com alegria colocando sua mão no ombro do rapaz que também sorriu de maneira tímida.

—Guiscard acabou me convencendo… Mas ainda não é algo definitivo.

—Não?

—Não! Tenho uma condição para Eulália e só me juntarei a vocês se ela aceitar… Na verdade, gostaria de te pedir pra me levar até ela. —Kotaru o encarava com seriedade, mas após alguns instantes se encarando Azhar sorriu e apoiou o braço no ombro do rapaz.

—Eu te levo.

Dana, Arien e Elli ficaram para trás deixando Azhar e Kotaru sozinhos no caminho para a tenda de Eulália, logo eles chegaram até.

—Ei! —Azhar entrou sozinho na cabana chamando-a em alto tom de voz. —Tenho uma surpresa pra você. —Ele afastou a parte do tecido que servia de entrada e Kotaru passou por ela.

—Oh, não pensei que lhe veria novamente jovem… Não me entenda mal, não estou reclamando, olhar para esse belo rosto é sempre um prazer. —Como sempre Eulália não evitava os comentários desagradáveis, mas um olhar de Azhar foi o suficiente para fazê-la parar por aí, pelo menos por enquanto.

—Guiscard me convenceu a voltar até aqui, mas eu lhe disse que apenas me juntaria se você aceitasse minha condição. —Ele tentou não mudar sua expressão séria perante o vergonhoso comentário de Eulália.

—E qual seria tal condição? —Ela pegou seu cachimbo e o acendeu levando-o à boca em seguida.

—Que você não beba… Nunca mais. —Kotaru permaneceu sério, estava decidido. O rapaz pôde notar na reação de Azhar que aquilo não era algo esperado por ele, mas Eulália em contrapartida manteve-se inexpressiva.

—Bem, nesse caso eu morreria desidratada… Haha! Entendeu? Porque eu não beberia nada… —Ela gargalhou até notar que era a única que ria e então ficou constrangida. —Nem mesmo vinho? —Perguntou ela após um breve silêncio.

—Nem mesmo vinho.

—Oh… Bem, vocês são cinco não é mesmo? Realmente seria um bom acréscimo à caravana, além de que vejo potencial em vocês, mas eu gosto tanto de beber… O gosto do vinho, da cerveja… Ah, sem esquecer da aguardente do Simão… É um preço muito caro jovem, achas mesmo que vale tudo isso? Quero dizer, você é muito bonito, e charmoso, e aposto que embaixo dessa roupa toda você esconde seus trunfos. —A cara de Kotaru ao ouvir essas últimas palavras era impagável, Azhar mordia os lábios para não gargalhar enquanto o encarava. Ele se esforçava para manter sua expressão séria, mas estava tão vermelho quanto uma pimenta.

—Não, não creio que sou tão valioso, pelo contrário, você provavelmente sairia no prejuízo por me ter junto de vocês, já que sou fraco e seria apenas uma boca a mais. Mas já que você demonstrou tanto interesse em mim e insiste em dizer que se não estivesse bêbada não faria o que fez, então achei que seria justo que este fosse o preço. Caso aceite não poderá mais jogar a culpa de seus atos na bebida. —Após respirar até que não sentisse mais seu rosto arder, ele retomou sua postura e agora não esforçava-se para ficar sério, sua atitude e expressão eram naturais e espontâneas.

—Haha! —Ela gargalhou como se tivesse ouvido uma boa piada, mas isso não abalou Kotaru. —Além de formoso ainda é cheio de atitude, ein? Gosto de você rapaz. Você tem um ponto, e após ouvir seus argumentos devo dizer que é realmente um preço muito justo… E eu o pagarei. —Ela se levantou apoiando-se em sua bengala e não pôde deixar de notar a expressão alegre que formou-se no rosto de Azhar.

—Obrigado… —Kotaru também se pôs em pé e se curvou em sinal de referência saindo da tenda em seguida, e somente quando saiu que sorriu, pois não queria transparecer a alegria que havia sentido.

—Hum… Pensei que ele ficaria mais contente… Na verdade achei que poderia até mesmo chegar a ganhar um beijo… Droga! Sou péssima em ler esses sinais. —Eulália coçava a cabeça e parecia ter ficado realmente confusa com a atitude do rapaz.

—Ele ficou contente sim, não ao ponto de te beijar claro, mas é bem óbvio que ele queria que você aceitasse. —Azhar, diferente dela, tinha notado o brilho que se formou nos olhos de Kotaru ao ouvir a resposta.

—Não ao ponto de me beijar? CLARO!? —A expressão de Eulália neste momento era capaz de assustar a qualquer um, e não foi diferente com Azhar que logo achou uma desculpa para se retirar.

—Ei! —Azhar se deparou com Kotaru ainda parado em frente à tenda de Eulália, encarando o céu. —Ainda estamos um pouco longe do horário de retirada. Quer retomar nosso treino de onde paramos?

—Claro! —Kotaru se virou para ele sorrindo e em seguida o seguiu para o local onde retomariam o treino.

Não muito longe dali entravam em uma tenda Guiscard, Ícaro, Shin e Clóris.

—Hey, Vilian, vejo o que eu te trouxe, um ferido e um pupilo. —Dizia Guiscard sorrindo. O homem com quem ele falava estava sentado no chão com as pernas cruzadas enquanto meditava. Sua pele era branca e suas orelhas não eram pontuda, o que significava que era humano. Seus pés estavam descalços, usava uma calça cinza, um tanto encardida e bem folgada. Seus cabelos compridos –iam até a metade de suas costas– e esverdeados corriam por suas costas e por seu forte peitoral desnudo. Seus punhos e antebraços estavam enfaixados.

Ele se levantou sem muita pressa e apenas após estar de pé abriu os olhos, igualmente verdes. Vilian era alto, algo em torno de um metro e oitenta e cinco. Seu corpo era extremamente bem trabalhado, porém, sem exageros.

—O que aconteceu Ícaro? —Perguntou ele ignorando a parte do pupilo. Sua voz era suave, porém bem grave, mostrando sua idade mais avançada.

—Meus braços… —Suas mãos tremiam deixando claro para Vilian os danos que ele havia sofrido.

—Sente-se aqui. —Havia naquela tenda uma espécie de mesa, toda de pedra polida com comprimento suficiente para que alguém com pouco menos de dois metros se deitasse. —Preciso que você remova os braceletes e o casaco… Quer que lhe ajude? —Ícaro tentou tocar os braceletes que usava, mas sempre que a ponta de seus dedos encostavam em algo um choque percorria por seu corpo.

—Para os braceletes sim… —Com certa dificuldade ele conseguiu retirar seu casaco.

Vilian encarou Ícaro por um momento e ele logo entendeu o que aquilo significava, afinal, não era a primeira vez que estava naquela mesa recebendo os cuidados do outro homem. Ícaro fechou os olhos com força e virou o rosto para o lado oposto da entrada.

Sem muito cuidado Vilian pegou o bracelete do braço direito com ambas as mãos e o removeu com velocidade. Ele observou a face de Ícaro se contorcendo devido a dor, e antes mesmo que aquela expressão se desfizesse ele agarrou o outro bracelete retirando-o também.

—Agora vem a pior parte… Pronto? —Vilian seguia falando com calma, seu rosto era um pouco inexpressivo, transmitia uma certa paz, mas também passava um ar de mistério.

—Sim… —Ícaro falou com certo receio, porque era óbvio que ele não estava pronto para o que iria acontecer. Em seguida ele estendeu ambos os braços.

As unhas dos polegares de Vilian eram extremamente pontiagudas. Ele posicionou cada polegar em um braço de Ícaro e após estabelecer contato visual com o rapaz novamente, ele penetrou suas unhas na carne dele. Elas afundaram com facilidade e Vilian só parou quando sentiu o osso do rapaz.

Shin não conseguiu evitar que seus olhos arregalassem perante aquela cena, parecia algo realmente doloroso. O sangue de ícaro escorria sem parar pingando no chão.

—Você acha isso ruim? Porque isso não é nada. —Guiscard permanecia tranquilo perante aquela cena e até mesmo ria da reação de Shin. Ele arregaçou a manga direita e mostrou em seu pulso uma única cicatriz, curta e estreita, feita pela unha de Vilian.

Shin ficou espantado ao ver aquilo, mas sua atenção foi chamada pelas próximas palavras de Vilian.

—Water Healing. —De seu pulso começou a brotar água, como em uma infiltração. A água corria até seus polegares e penetrava os ferimentos causado por ele, alcançando assim os ossos e em seguida os curando.

Aos poucos a expressão de Ícaro foi mudando, ele parecia aliviado agora. Seus ombros que estavam tensos finalmente relaxaram. Não muito tempo depois Vilian retirou suas unhas dos braços dele, e os pequenos ferimentos se fecharam em seguida. Ele pegou um pote pequeno e derramou sobre os antebraços de Ícaro enfaixando-os.

Por LiamGt | 07/08/18 às 21:25 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama