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Capítulo 53 - Agindo às Pressas

O Mestiço (OM)

Capítulo 53 - Agindo às Pressas

Autor: Liam

Já passava do meio-dia e o silêncio reinava sobre o acampamento. Eles estariam em uma má situação caso algum inimigo aparecesse, mas para a sorte deles isso não aconteceu.

O primeiro a acordar foi Azhar e isso só aconteceu duas horas mais tarde. Diferente da grande maioria ele tinha uma cabana só para ele, assim como Eulália. Após lavar o rosto ele colocou água para ferver e fazer um chá.

Aos poucos mais e mais membros da caravana foram acordando. Todos com uma terrível ressaca e o único desejo de permanecerem deitados, mas não podiam, afinal dali cerca de quatro horas deveriam partir, precisavam comer, limpar a sujeira que foi feita, desarmar as barracas, dar comida aos cavalos, enfim, havia muito a se fazer para se darem ao luxo de dormir ainda mais.

—Eulália? —Ele a chamou de frente para sua cabana.

—Pode entrar. —Ao receber a permissão dela ele entrou, trazendo consigo um bule com o chá que havia feito. —Hum. —Suspirou ela ao sentir o bom aroma do chá. —Hortelã?

—Sim. —Ele serviu o chá em duas xícaras que eram guardadas em um pequeno baú, junto de seus pires.

—Eulália! —Desta vez quem estava de frente a tenda dela era Ícaro. Após acordar na cabana de Mercy e olhar para ela, as memórias do que havia lhe sido contado na madrugada passa vieram à tona. Ele levantou e veio até a cabana de Eulália afobado, sem nem ao menos lavar seu rosto.

—Entre. —Assim que lhe foi permitido ele entrou. —O que foi Ícaro? Parece preocupado.

—Mercy teve uma visão ontem a noite. Ela disse que não estava muito claro e que também não foi capaz de ouvir tudo o que foi dito.

—Ora, não enrole e conte logo rapaz. —Eulália ficou aflita de imediato, suspeitava que ele não trazia boas notícias devido a sua expressão preocupada.

—Desculpe-me! —Ícaro parecia extremamente respeitoso em relação à Eulália. —Ela viu uma elfa, de cabelos escuros e olhos cor de topázio. Conversava com alguém, Mercy acredita que era um homem, mas não viu seu rosto. A mulher procurava pela Cursed Seed, e ele lhe disse onde estava.

—Oh, isso é ruim, devemos partir logo! Azhar, mande que todos se apressem, iremos partir assim que estivermos pronto, sem esperar o pôr-do-sol. Devemos chegar até Kepis o mais rápido possível. —Eulália falava com um tom sério, aparentemente ela almejava o mesmo que a mulher da visão de Mercy. —Ícaro, ajude-o a informar a todos.

—Sim, Eulália! —Disseram os dois. Ícaro se retirou primeiro, e logo após beber todo o chá de sua xícara de uma só vez Azhar também saiu.

Após acordar uma meia dúzia de pessoas que ainda dormiam, incluindo Arien e Dana, foi a vez de passar na cabana de Kotaru, porém apenas Shin estava lá.

—Shin! —Ele gritou como o rapaz que pulou da cama assustado com a mão no rosto. Aquele grito pareceu muito mais alto do que realmente foi devido a ressaca que o acometia. —Onde está o Kotaru?

—Kotaru? —Shin buscava entender o que acontecia, ainda estava embriagado de sono e ao olhar para o lado notou a ausência do rapaz que dentre os quatro era o que mais dormia. —Não sei… Ele deve estar andando por aí…

—Eu vou procurá-lo, levante-se e arrume todas suas coisas, comece a desmontar a cabana, nós partiremos o mais cedo possível. —Azhar deixou a tenda sem conceder a Shin nenhuma outra informação.

—Eu estava com essas roupas ontem? —Perguntou Shin a si mesmo ao reparar o que vestia e estranhar, pois não lembrava de muito da noite anterior.

Azhar seguiu passando de cabana em cabana para acordar os que ainda dormiam, a cada um que ele encontrava perguntava sobre o paradeiro de Kotaru, mas não houve ninguém que soubesse lhe responder. Ele se encontrou novamente com Arien e Dana e pediu a elas ajuda para encontrar o rapaz.

Mesmo sem saber ao certo o porquê, pois não se lembrava, Arien tinha uma sensação de que Kotaru poderia estar afastado do acampamento. Ela foi até a árvore onde o encontrou na noite passada e Azhar o seguiu junto de Dana.

—Kotaru!? —Diferente de Shin, o rapaz permaneceu dormindo mesmo com o grito de Azhar sendo mais alto que o anterior. E ele só veio a acordar após receber dois ou três tapas na face. —Na próxima vez que nos reunirmos para beber você fará companhia a Eulália.

Desta maneira todos foram acordados, e começaram a trabalhar para desmontar o acampamento o mais rápido possível. Próximo às cinco horas já estava tudo pronto e a caravana voltou a se mover, o mais rápido e diminuindo as pausas pela metade, pois no momento a prioridade era chegar a Kepis o quanto antes.

A viagem seguiu cansativa, devido ao menor número de pausas e ao fato que cavalgavam durante a tarde, o que afetava consideravelmente os drows. Porém, os resultados foram positivos, cerca de duas da manhã eles chegaram à cidade. Ela era menor que Acatia, tendo quase o mesmo tamanho que Azami.

—Por que nós nos apressamos tanto se não vamos poder entrar devido os guardas na entrada? —Perguntou Arien para Aludra que estava próxima a ela.

—Nosso objetivo não está dentro da cidade. Quando dizemos que precisamos chegar em Kepis estamos usando a cidade como ponto de referência, mas estamos indo para uma caverna que fica aqui perto.

—E para quê estamos atrás de uma caverna?

—Há algo lá dentro que é de nosso interesse, se quiser saber mais terá de ouvir da boca de Eulália e não da minha. —Aludra não se importava em parecer grosseira, mas esse com certeza não era seu objetivo ao respondê-la daquela maneira. Ela apenas não achava prudente dizer algo que talvez não devesse ser dito.

Todos prosseguiram cavalgando, desta vez em menor velocidade. Eles deram a volta na cidade e andaram por mais alguns minutos até encontrarem uma caverna de proporções maiores do que o imaginado.

Todos que estavam à cavalo desceram se posicionando de frente para Azhar que estava junto de Eulália diante todos os outros.

—Antes dizer o que virá a acontecer precisamos que nossos novos membros sejam encaixados em duplas. Vale lembrar que essas duplas serão provisórias e poderão vir a mudar caso Eulália julgue necessário. Shin, você irá trabalhar com Vilian. —O rapaz se esforçou para não abrir um sorriso de ponta a ponta. —Arien, você ficará com Dana e por fim Kotaru, você fará dupla com Mihail.

—Mi-Mihail? Quem é Mihail? —Murmurou Kotaru para Shin que estava ao seu lado.

—Bem, nós estamos aqui para buscar algo que foi escondido nessa caverna, não temos ideia do quão fundo está, ou quanto tempo levará para conseguirmos chegar até ele. Por isso nós iremos nos dividir, a maioria de vocês irá descansar hoje, e assim que amanhecer duas duplas irão até a cidade comprar mantimentos e então os que não forem escolhidos para ficar, partirão. Eulália irá com vocês e eu ficarei aqui, junto dos novatos, Ícaro e Guiscard. Os que ficarão aqui eu peço que se aproximem para que eu explique melhor o que acontecerá. —Todos ouviam Azhar respeitosamente, não havia um membro da caravana que não o admirasse, o braço direito de Eulália, tido como o mais forte depois dela.

Os escolhidos para permanecer em Kepis se aproximaram de Azhar e eliminando os rostos conhecido Kotaru achou Mihail, um drow, com dreads curtos no cabelo. Com uma espada em sua cintura, vestindo roupas nas cores preto e marrom. Sua camiseta cobria apenas seu peitoral e um tecido cobria seus dois antebraços, a atenção que o rapaz não chamava com as cores o fazia com o pouco tecido que cobria seu corpo.

—Devo dizer que eu mesmo pedi para que vocês quatro ficassem aqui, pois quero avaliar suas capacidades. Também acredito que seja necessário lhes informar que o que estamos atrás é de grande valor, por isso ele provavelmente deve ser guardado por algo, ou alguém. —Ao ouvir as palavras de Azhar, Kotaru e Arien não puderam evitar de lembrar do Armong que enfrentaram pouco depois de se conhecerem. Aquele grande monstro que estava adormecido dentro de uma caverna e guardava o baú que guardava um livro.

—Nós iremos continuar sem saber o porquê estamos fazendo isso? —Perguntou Dana que como sempre era direta, no fim todos os outros três ficaram gratos por ela ter perguntado, pois desejavam saber.

—Bem, talvez isso faça vocês mudarem de ideia sobre estar conosco, mas nosso objetivo atual é ir até Tavira e acabar com o rei. Estamos em busca de vingança pelo o que fizeram com nosso povo, lutamos por cada drow escravizado e morto sem motivo algum. O que está lá dentro nos ajudará a vencer nossa guerra. —Azhar falava com seriedade e junto dos outros três membros da caravana encarava os quatro esperando pela reação deles.

—Eu sempre acabo levando vocês a me seguirem em minhas decisões egoísta, então, por favor, decidam entre si o que irão querer fazer. Também queria dizer que eu já sabia sobre isso, mas achei melhor esperar o momento que eles contassem a vocês… —Kotaru vinha pensando sobre isso desde que lhe fora contado. Fato é que ele não tem muito a favor do Reino Central, afinal eles aprisionaram toda sua família e logo depois mataram um por um arrastando seu pai, o único sobrevivente além dele, para algum lugar. Então ele não se sentia nem um pouco mal permanecer com a caravana.

—Bem, eu já estou em busca de vingança, mais uma menos uma, não me fará diferença. —Disse Shin deixando os demais, com exceção de Kotaru, um tanto curiosos.

—Eu também tenho motivos para me opor à coroa… —Disse Dana com certo amargor em seu tom de voz.

—Eu não tenho uma vingança para buscar, mas estou indo para Tavira e é muito mais confortável e seguro viajar com vocês, então, não me oponho. —Embora Arien não tivesse passado por nenhuma situação como a de Dana ou de Kotaru, ela sabia muito bem o que era ser discriminada por sua raça, e era capaz de imaginar o sofrimento dos drows e as coisas terríveis que eles passaram. Mesmo sem ter dito isso, Arien não desejava permanecer com eles apenas por interesse.

—Então é isso. —Azhar ficou contente por tudo ter sido resolvido rapidamente. —Aqui, os rapazes pegam as picaretas, poderá ser necessário. As garotas ficam com as tochas. —Nós iremos entrar agora, então caso queiram se despedir de alguém faça imediatamente. Todos pegaram o que lhe fora mandado, e ninguém desejou se despedir, desta maneira eles logo adentraram a caverna.

Havia na caravana pessoas que não usavam magia e embora desejasse vingança tanto quanto os outros, não possuíam a coragem necessária para arriscar suas vidas em guerras. Essas pessoas viajavam com eles pela segurança e pelo conforto, além de que com o tempo se apegaram aos outros membros. Por isso que aqueles que não fossem entrar na caverna partirão, caso algum monstro venha até a superfície, eles não querem pôr a vida desses que não usam magia em risco.

—O quão forte deve ser o monstro que fica aí dentro? —Perguntou Kotaru temeroso.

—Bem, não há como saber, afinal existem Aberrações com a força de animais comuns e também têm outras capazes de até mesmo usar magia… —Respondeu Mihail que caminhava ao seu lado.

—Aberrações?

—Sim, você não sabe o que é uma? —Kotaru negou com a cabeça. —São seres completamente irregulares, algumas são inteligentes, outras não. Algumas parecem com animais comuns, porém com proporções anormais, outras como o próprio nome diz, são aberrações da natureza.

—Acho que entendi… —Kotaru começava a se perguntar se o Armong que havia enfrentado era uma Aberração.

Eles adentraram a caverna, com exceção de Vilian, que ficou na superfície, pois era necessário que alguém cuidasse dos cavalos que seriam usados para irem embora depois. Logo na entrada Ícaro acendeu as tochas com sua magia. Era realmente escuro lá dentro, parecia de certa maneira que haviam acabado de sair do mundo real, os barulhos feitos lá fora, a claridade causada pela caravana, nada disso podia ser visto de dentro daquela caverna.

Após andar por alguns minutos num solo plano, seus pés encontraram alguns poucos degraus distribuídos em uma espécie de rampa que os levaria à um nível abaixo da superfície.

Os membros antigos da caravana traziam consigo mochilas grandes, dentro delas haviam água, comida, alguns cobertores, antídotos e também algumas tochas reservas.

Ninguém ousava falar nada, todos estavam quietos e tensos de certa maneira. Todo barulho que era ouvido provinha de coisas da caverna, como o gotejar de água infiltrada. O som que alguns morcegos fazia e insetos rastejando pelas rochas.

Do lado de fora o sol já nascia, enquanto lá dentro eles faziam sua primeira pausa. Ícaro, Guiscard e Azhar discutiam sobre algo longe dos demais que sentados bebiam água.

—Pensei que seria mais rápido, ou ao menos mais fácil… Quer dizer, nós estamos andando há horas, já descemos um bocado e não me sinto mais perto de nada. —Disse Shin cansado e frustrado ao ver que a realidade era um pouco diferente do que tinha imaginado.

—Os demais ainda nem devem ter ido embora, então acredite, ainda estamos longe do objetivo, se formos ter que usar essas picaretas aqui, então é possível que tenhamos que dormir uma ou duas noites aqui mesmo. —Disse Mihail que se sentava com os outros quatro.

—Dormir? —Nem mesmo Arien, ou Dana estavam reclamando, mas Shin não parecia gostar muito da ideia de dormir lá dentro.

—O que foi Shin? Está com medo? Seria do escuro? Ou talvez dos morcegos? —Kotaru zombava de seu amigo que ficou um pouco irritado com o comentário.

—Haha! —Riu ele ironicamente.

Ali próximo os outros quatro conversavam.

—Não acho que foi uma boa ideia trazê-los. —Ícaro se opunha a presença dos novatos.

—Por que não? Eles são uns dos nossos, precisam de experiência em batalha, além do mais, apenas nós quatro somos muito mais do que o suficiente, serviremos como reforço para eles, caso precisem. É algo completamente seguro. —Azhar mantinha-se crente no potencial dos cinco.

—Isto não é um treino Azhar, é uma missão, uma crucial para nossa investida contra Tavira, você não pode agir tão despreocupadamente, e se encontrarmos um Huem lá embaixo? Acha mesmo que nós quatro daremos conta? —Ícaro era mais racional e tinha como foco unicamente realizar essa missão, sem atribuir a ela missões secundárias como dar a novatos experiência em batalha.

—Eu concordo com Azhar, quer dizer, mesmo que eles não ajudem em nada na luta irão nos ajudar a escavar se necessário, fazendo com que façamos isso o mais rápido possível, e nós sabemos que dada as novas informações precisamos pegar a Cursed Seed e ir embora o quanto antes. —Guiscard gostava dos novatos, mas manteve-se imparcial, ele era esse tipo de pessoa, capaz de julgar uma situação ignorando os laços afetivos. Com Guiscard concordando com Azhar, Ícaro só pôde cerrar os punhos com raiva e torcer para que ele estivesse errado.

Por LiamGt | 18/08/18 às 12:00 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama