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Capítulo 58 - Invasores no Acampamento

O Mestiço (OM)

Capítulo 58 - Invasores no Acampamento

Autor: Liam | Revisão: Shenia

Kotaru seguiu no Paralelo se esforçando para realizar o que lhe fora pedido. Sem nem sequer notar, seu preconceito com sua própria base foi deixado de lado, e no momento ele se divertia enquanto assistia seu progresso a cada tentativa, se dedicando ao máximo.

Mais uma tentativa e desta vez as trevas conjuradas foram aos poucos saindo do topo, que se encontrava arredondado como um bastão, e começaram a formar uma ponta. O punhal também se assemelhava mais com o de uma espada, mas ela ainda estava sem fio. Após outras duas tentativas finalmente sua adaga se assemelhava à uma espada. Mas havia um porém que ele logo descobriria.

Empolgado ao ver que tinha obtido sucesso, Kotaru não hesitou em bater com a espada na pedra mais próxima, mas a lâmina formada pelas trevas se desfez e após atravessar a rocha e ela se formou novamente.

Inevitavelmente Kotaru se decepcionou, aquele ainda não era nem ao menos o formato desejável e já havia encontrado um problema que ele acreditava que lhe daria muito trabalho para solucionar. Na verdade, o rapaz não tinha a menor ideia de como tornaria as trevas sólida.

O prazer de descobrir coisas novas por si só havia se apoderado de Kotaru naquela noite, o tempo passou de maneira que ele não foi capaz de ver, sendo capaz de apenas focar sua atenção em sua nova técnica, mas seu fluxo de aura o alertou que ele deveria parar, mesmo contra sua vontade.

Aos poucos os olhos de Kotaru foram voltando ao normal, enquanto isso no Paralelo a paisagem se desfazia perante seus olhos. De certa maneira aquela cena era bonita, parecia tão surreal, as árvores cobertas de neve sendo desfeitas com o soprar do vento. Ao mesmo tempo era confuso, pois ao mesmo tempo em que via aquilo no Paralelo, ele também via ao longe a cidade de Shirakawa.

A lua já estava muito mais alta do que quando ele adentrou o Paralelo. Kotaru ainda não estava acostumado ao fato do tempo ser diferente lá dentro, para ele não havia passado mais de duas horas, mas passou-se quase o dobro disso.

Ele se levantou dirigindo-se para o acampamento da caravana. A distância era significativa, mas Kotaru imaginou que seria capaz de escutar os sons que sempre ouvia durante as festas, que eram de costume, mas dessa vez não foi possível ouvir nada.

Há cerca de meia hora atrás.

—Espero que aquele moleque imagine o quão difícil tem sido pra mim me manter sóbria com vocês todos bebendo na minha frente. —Eulália reclamava sentada em um tronco apoiando suas mãos em sua bengala, enquanto ao redor dela, sentados igual a ela, estavam alguns membros da caravana que faziam questão de beber em sua frente.

—Eu não estou bebendo. —Disse Mercy sorrindo, além dela também estavam Azhar, Ícaro, Aludra e outros membros da caravana.

— Você não vale, afinal você não bebe. — Eulália estava emburrada como uma criança que teve seu brinquedo tomado por alguém.

Azhar ainda fazia questão de ir mais fundo na provocação, pondo-se de frente à Eulália enquanto virava seu caneco de aguardente em sua boca.

— Tsc… Quanta infantilidade… — Vendo que sua falsa indiferença não foi o suficiente para fazê-lo parar com a provocação ela o atingiu com sua bengala entre suas pernas.

— OH… —Ele caiu sentado com as mãos na área atingida. —Isso foi golpe baixo… Literalmente… — A expressão contorcida de Azhar demonstrava o quão doloroso aquilo havia sido.

— Uou… — Todos estavam rindo de Azhar quando eles tiveram sua atenção direcionada para Aludra ao ouvi-la dizendo isso. A garota apoiou-se em Ícaro e parecia estar prestes a cair, mesmo estando sentada.

— Aludra? Tudo bem? — Perguntou Ícaro aparando a garota em seus braços. Ela tentou lhe responder, mas nenhuma de suas palavras puderam ser entendidas, pois sua fala estava enrolada. — Chamem o Vilian ou a Clóris, qualquer um dos dois… Rápido! — Um humano que estava sentado junto deles se levantou, e assim que se pôs de pé ele caiu.

— O que está acontecendo? — Eulália estranhou ver mais de duas pessoas tendo a mesma reação e logo se pôs de pé e estendeu sua Find num maior alcance, pois até agora cobria apenas a área do acampamento, e ela logo reconheceu a presença de algumas pessoas caminhando em sua direção, mas ainda um pouco distantes do acampamento.

Mais e mais pessoas começaram a tontear, outras desmaiaram, e o intervalo entre as pessoas com esses sintomas diminuía cada vez mais.

— Eu-Eulália… — Azhar ainda estava sentado no chão, ele havia tentado se levantar algumas vez, mas também estava tonteando. — Eu acho que e-eu… — Antes que pudesse finalizar sua frase Azhar caiu desmaiado.

Naquele momento havia apenas dez pessoas acordadas. Eram elas Eulália, Mercy, Dana, Ícaro, Elli, Simão, outras três crianças e o rapaz que despejou o líquido escuro nos barris de bebidas.

— Ícaro, como você está se sentindo? — Perguntou Eulália ao rapaz que mantinha-se acordado, o único em seu campo de vista, além dela mesma e Mercy.

— Para ser sincero as coisas estão girando um pouco… — Ao ouvir essa resposta ela teve sua teoria confirmada.

— É algo na bebida… Você deve ter bebido menos que os demais, assim como Azhar deve ter bebido mais do que você, mas menos do que os outros, por isso desmaiou mais tarde… — Enquanto Eulália expunha sua teoria sua mente pensava numa solução e ao mesmo tempo buscava um possível culpado.

— Se isso for verdade en-então… — Ele parou por um instante após ter tudo em sua volta girando violentamente. — Voc… Você preci-sa ir… — Ícaro tapou seus olhos com sua mão na esperança de que isso resolvesse, mas a sensação de que tudo ao seu redor estava girando não passou, e sem muita demora ele perdeu a consciência.

— Mercy… Nós precisamos ir, o Simão e as crianças devem estar bem, pois provavelmente não beberam. Você vá atrás de Simão, ele te protegerá, assim que encontrá-lo vá para Shirakawa, eu pegarei as crianças e irei para lá também. Se você encontrar alguém acordado pergunte-lhe se bebeu alguma coisa, se a resposta for sim o melhor que você faz é seguir seu caminho, será difícil deixar um companheiro para trás, mas é o que devemos fazer por enquanto. Entendido? — Essa foi a melhor coisa que Eulália conseguiu pensar com o pouco tempo que teve.

Mercy consentiu com a cabeça e correu em direção a cabana de Simão. Eulália podia sentir em sua Find aquelas pessoas se aproximando cada vez mais da caravana, e seu tempo estava correndo rapidamente.

Enquanto caminhava ela via os corpos jogados pelo chão, dentre eles estavam o de Arien e próxima a ela estava Dana, acordada.

— Querida? Você bebeu? — Eulália não considerava que tinha tempo para perder, por isso foi o mais direta possível.

— Uma ou duas canecas… Mas o que está acontecendo? — Dana estava com Arien deitada em seu colo, enquanto tentava acordá-la com alguns tapas em sua face.

Eulália pensou rapidamente, ela havia visto Ícaro beber no mínimo cinco canecas, então Dana ainda possuía um tempo considerável e poderia ajudá-la a encontrar as crianças mais rapidamente.

— Alguém envenenou as bebidas, deve ser algum sonífero, ou algo do tipo… Você também desmaiará em breve. Pode parecer egoísta, mas eu quero lhe pedir para me ajudar a achar as crianças antes que você perca a consciência. — Eulália foi o mais honesta que pôde e usando o mínimo de palavras, pois enquanto ela falava, aquelas pessoas que ela não sabia quem eram, se aproximavam.

— Elli… — A experiência de Dana no deserto lhe rendeu a capacidade de responder rápido a situações extremas. Ela foi capaz de ouvir tudo o que Eulália havia dito, não entrar em pânico e nem ao menos perder tempo conversando sobre o que deveria ser feito, apenas fez o que achava que deveria fazer.

— Se achar outra criança cuide dela também! —Tudo que Eulália pôde fazer foi gritar e esperar para que Dana não se preocupasse apenas com Elli.

Passaram-se dois minutos e Eulália encontrou duas das quatro crianças, uma garota e um garoto, ambos drows, porém o menino estava desmaiado com um caneco na mão.

— Pirralho estúpido! Eu já avisei que bebida não é coisa pra criança! — Eulália ficou enfurecida ao vê-lo naquele estado, na realidade sua raiva não vinha do fato dele ter bebido, afinal se nada o tivesse acontecido ela provavelmente apenas o diria para não fazer de novo, mas aquela situação estava deixando-a estressada e nervosa, pois apenas piorava.

— Desculpa Eulália… É tudo minha culpa… E-eu disse que duvidava e ele acabou fazendo por isso… — A garota estava em prantos, pois acreditava que ele havia desmaiado pela bebida em si.

— Não se culpe, alguém drogou as bebidas, não há nada que possamos fazer por enquanto, venha comigo. — Eulália pegou a garota pela mão e saiu da cabana.

Neste momento ela procurou através de sua Find as outras duas crianças. Ela sentiu um grupo de três pessoas próximas à cabana de Simão. Dana correndo em direção à uma cabana onde estavam outras duas pessoas, provavelmente as crianças, mas o que preocupou Eulália foi o grupo de pessoas, nove pessoas adentraram na extremidade do acampamento.

— Eles passaram pela Sera? — Eulália ficou espantada.

Sera era a irmã gêmea de clóris, porém, diferente dela, ela era uma ninfa bem especial, por possuir a aura das trevas, algo extremamente raro. Usualmente ela se tranformava em borboleta e ficava em uma das extremidades do acampamento, protegendo-o.

Eulália não foi capaz de acreditar nisso. Seu plano consistia em evacuar os acordados e junto de Sera impedir os invasores de adentrar o acampamento, mas tudo continuava a dar errado.

Os invasores neutralizaram Sera com um artefato mágico, muito raro, porém conhecido por ser capaz de deixar seres mágicos inconscientes facilmente. Era uma espécie de substância feita de alguns ingredientes, dentre eles, o mais importante eram três: cinzas de árvores, animais e principalmente, as cinzas de uma criatura mágica. Essa substância normalmente era transformada em pó e espalhada no ar próximo ao alvo que após inalá-lo perdia a consciência dentro de alguns minutos.

Não muito longe dali.

— Simão? Mercy? O que vocês estão fazendo aqui? — Perguntou o rapaz de cabelos loiros que não esperava se deparar com alguém acordado.

— Oh, Jan, então você também não bebeu… — Simão abraçou o rapaz aliviado por vê-lo bem. Ele carregava consigo um espada, mesmo sendo incapaz de usar magia, Simão não era o tipo de pessoa que esperava para ser salvo por alguém. —V enha, Eulália nos mandou esperar por ela em Shirakawa.

— Vão indo na frente, eu preciso pegar uma coisa… — Ele não poderia ir embora, não agora que seu mestre se aproximava a cada segundo.

— O que é tão importante a ponto de arriscar sua vida? Venha logo! — Simão o pegou pelo pulso arrastando-o consigo, até que ele se desvencilhou.

— Eu não queria ter que fazer isso, mas você me deixou sem escolha… — Os outros dois o encararam com estranhamento, afastando-se ambos um passo. — Eu não sou o Jan… Se quiserem ir eu não irei atrás de vocês, mas façam isso rápido, antes que eu mude de ideia. — Sua expressão mudou completamente após se revelar, agora ele parecia falar de maneira debochada, diferente da timidez que demonstrava quando se passava por Jan.

— O que você fez com ele? — Simão se encheu de raiva ao ouvir aquelas palavras. Jan estava sempre por perto, sempre o ajudando com as bebidas, sempre rindo timidamente das piadas indecentes que ele contava em sua tenda que funcionava como taverna. Mesmo sendo ainda jovem, Simão sempre o deixava beber escondido, mesmo levando algumas broncas de Azhar quando era pego.

— Oh não, pensei que você era um homem sábio, mas pelo jeito me enganei, não é mesmo? Você é daqueles que gostam de bancar o justiceiro… Tsc. — Ele continuava a debochar de Simão, que retirou sua espada da bainha com os olhos tomados pela ira.

Mercy se afastou de Simão temerosa pelo o que aconteceria, enquanto o falso Jan começou a gargalhar.

— O que você vai fazer? Me matar? — Ele continuou rindo e se aproximou dele. —Vamos lá, me mate… — Após alguns instantes sem que Simão reagisse ele voltou a se pronunciar. — Viu só, isso também é classico do seu tipo, sempre clamando pela justiça, mas incapaz de mat… — A lâmina de Simão atravessou o pescoço dele, separando a cabeça de seu corpo, impedindo-o de finalizar sua frase.

— Perdoe-me por lhe forçar a ver essa cena Mercy… — Ele brandiu sua espada para que o excesso de sangue saísse dela, mas não a pôs de volta na bainha, pois poderia vir a precisar dela novamente.

Mercy estava com os olhos arregalados, assustada pelo o que viu, porém, estava não era a primeira vez que via algo do tipo, nem tão menos julgava Simão de maneira negativa. Ele pegou na mão da garota e voltou seu caminho para Shirakawa, de volta onde se encontrava Eulália.

Eulália corria até a cabana onde estava as outras duas crianças e Dana, ignorando o fato da aura de um do grupo de três pessoas ter se extinguido.

— Dana? — Ela entrou na tenda afoita e se deparou com Elli e a outra criança preocupados com Dana que se encontrava desmaiada. — Me escutem,  eu preciso que vocês três fiquem aqui dentro e não saiam por nada. Cuidem da Dana, e repito, não saiam daqui. —Eulália estava prestes a sair da tenda quando Elli a chamou.

— Ela vai ficar bem? — A garota fez essa pergunta com lágrimas nos olhos.

— Vai. — Eulália se esforçou para sorrir, na tentativa de tranquilizar a garota. — Ela só está dormindo. Cuidem dela para mim, certo? — A expressão de tristeza de Elli logo se desfez e as três crianças balançaram a cabeça de maneira afirmativa e assim Eulália saiu da tenda, indo em direção aos invasores.

Após alguns minutos andando Eulália finalmente pôde ver a face daqueles que tanta raiva lhe causava. Na frente vinha o homem alto e careca, o mesmo que estava sentado no trono quando “Jan” recebeu o frasco com o sonífero. Logo atrás dele vinham  sete soldados, todos muito bem protegidos por armaduras e armados com espadas. Além do homem de cabelos longos, responsável por deixar o pequeno acampamento invisível.

— Ora, ora… Parece que restou alguém de pé… O que foi vovó, não pode beber por causa da promessa que fez ao seu menininho? — Ele zombava dela usando as informações que o falso Jan lhe havia passado.

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Eae guys beleza? Desculpa estar "poluindo" o cap de vocês, mas é por uma boa causa. Quero lhes apresentar a Shenia, nossa nova revisora, ela vai estar cobrindo o Kazuaki algumas vezes porque ele é um rapaz muito compromissado ~ou talvez eu esteja mostrando para ele que seu trabalho está em risco ;x~ bem, apresentações feitas. Mostrem o quão receptivos vocês são xD


Por LiamGt | 01/09/18 às 18:01 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama