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Capítulo 62 - Hela

O Mestiço (OM)

Capítulo 62 - Hela

Autor: Liam | Revisão: Shenia

Arien ainda sem saber o que dizer a Kotaru se afastou rapidamente alegando que havia prometido a Elli que a ajudaria com magia, o que não era totalmente mentira, ficando apenas Shin com o rapaz.

Eles conversaram sobre o ocorrido e Kotaru expôs o quanto aquilo havia o afetado. Também lhe falou sobre o peso que sentia, era como se de repente uma carga muito pesada houvesse despencado em suas costas. Aquela memória se repetindo em sua mente e as palavras de seu avô ecoando juntamente fazia-o sentir uma imensa vontade de gritar. Ele se sentia à beira da loucura.

Shin o acalmou dizendo que ele sentiu coisas parecidas ao matar pela primeira vez, com exceção do guardião querendo manipulá-lo. Ele ressaltou o quão bom Kotaru era e o levou para longe do acampamento que estava sendo erguido, e lá Shin propôs que eles gritassem o mais alto que pudessem. E assim eles fizeram, a princípio Kotaru ficou com vergonha, mas ao ver seu amigo gritando sem pudor algum ele não hesitou e fez o mesmo.

Após dois ou três gritos os dois começaram a rir e se sentaram no chão.

— Hey! O que estão fazendo aqui? Shin, trate de voltar e ajudar os demais a erguer as cabanas, e Kotaru, a Eulália está te procurando, mas não pense que isso vai te livrar de suas obrigações. — Dizia Sera, a ninfa de cor roxa, com os braços cruzados e uma expressão aborrecida. — O recado está dado! — Ela voou para longe. Os dois rapazes se entreolharam e voltaram para a caravana.

Shin ficou junto de Mihail erguendo uma cabana, enquanto Kotaru foi ver Eulália.

— Eulália? — Kotaru a chamou para avisá-la que estava entrando.

— Oh, vejo que recebeu meu recado. — Ele acenou com a cabeça. — Então, mostre-me a magia que você desenvolveu.

— O que? Mas eu pensei que eu tinha mais tempo…

— E tinha, mas eu acredito que você já fez o que eu pedi… Afinal, uma cabeça não é arrancada tão facilmente com uma adaga. Vamos, mostre-me. — Eulália era extremamente perspicaz pôde notar na leve mudança na expressão de Kotaru o quanto ele não havia gostado de ouvir o que ela tinha dito.

— Tudo bem, mas ainda está bem simples, e aquela foi a primeira vez fora do paralelo, então pode ser que eu não consiga novamente. — Ele estava nervoso, com medo de falhar, e receoso em utilizar aquela magia mais uma vez, afinal, foi com ela que ele decapitou Jakes, e seria inevitável olhar para sua foice e lembrar-se do ocorrido.

Kotaru retirou sua adaga da bainha e pegou no punhal com ambas as mãos, fechando os olhos logo em seguida. A escuridão começou a exalar de sua mão imbuindo a adaga e criando o extenso cabo que alcançava o chão, criando posteriormente a lâmina longa e curva, formando assim a foice. Mas ele pôde sentir que ela não estava pronta pois havia uma diferença desta vez para a anterior.

— Oh, uma foice? Pensei que tinha sido uma espada, mas devo dizer que isso é realmente muito mais estiloso. — Eulália o encarava com um olhar pervertido, fazendo-o corar. — Mas você ainda tem muito o que trabalhar nela não é? A começar por um fio nessa lâmina… Acredito que não estava assim da última vez, certo? Depois, você poderia dar mais personalidade a ela, está muito simples, mas é um belo começo, parabéns rapaz. — Ele sorriu timidamente, porém orgulhoso de si mesmo.

— Obrigado Eulália. — Kotaru se curvou rapidamente durante seu agradecimento, e estava pronto para ir, quando ela continuou a falar.

— Você já deu um nome? — Ele franziu as sobrancelhas estranhando a pergunta. — Oras, uma magia que se preze precisa de um nome!

— Isso é realmente necessário? — Kotaru não gostou muito da ideia.

— Claro, palavras são projeções dos nossos desejos e pensamentos… Consegue notar a semelhança entre isso e a magia? Palavras têm poder meu caro, ou você acha que pronuncia “Mystical Impact” em vão? Bem… O que você acha de Hela?

Kotaru olhou bem para foice em sua mão e era como se aquele nome que Eulália sugeriu já pertencesse a ela.

— Hela… Gostei, obrigado! — Ele se curvou novamente e deixou a tenda dela rapidamente, desfazendo sua magia.

Eles seguiram viagem por longos catorze dias. Haviam passado por Samir e agora se dirigiam para Hamra, estando há cerca de quatro horas de viagem de distância.

Durante esse tempo Kotaru seguiu treinando com Azhar sua magia das trevas, aprendendo coisas novas e aprimorando as que já sabia, além de ainda sem o conhecimento de seu mestre, praticar com sua foice enquanto buscava dar mais personalidade a ela e o principal, fazer com que a lâmina possua fio.

Shin também continuou seu treino com Vilian, as coisas seguiam lentas, mas o rapaz estava começando a entender melhor o jeito dele de ensinar. Dentre as coisas que estava aprendendo estavam magias de cura, manipulação da água e o combate corpo a corpo, que era o que eles mais praticavam.

Arien e Dana assumiram o treino de Elli sem exigir muito da garota. Arien a ensinava sobre magia, enquanto Dana a treinava com a espada e com o arco. Além disso Arien prosseguia treinando por si só, tentando se adaptar ao seu fluxo selado, para ter uma maior arsenal de magias.

Era próximo das quatro horas da tarde mas ninguém estava desmontando as barracas, pois nessa noite eles não iriam viajar. A maioria das cidades adotaram o sistema de fechar os portões durante o pôr-do-sol para evitar invasores,  eles planejavam adentrar a Hamra para comprar mantimentos mas optaram por passarem a noite ali mesmo, e com o amanhecer se dirigirem para lá.

Perto de um pequeno lago estavam Elli e Tyrus, um jovem drow, o mesmo que havia bebido durante a festa quando Imam invadiu o acampamento. Eles brincavam de jogar pedras no lago enquanto conversavam sobre qualquer coisa. No momento, Elli estava contando a ele seu desejo de poder caminhar pela água assim como aquelas pedrinhas faziam.

— Não seja estúpida… Se sua aura ao menos fosse de água… — Tyrus falou de maneira grosseira, mas Elli apenas deu de ombros sem se importar.

— Pensei que você não era desses…

— Desses? — Ele perguntou curioso sem entender o que ela quis dizer.

— Você sabe, desses que são todos presos a detalhes bobos como “sua aura não é essa”... Incapazes de usar a imaginação… — Elli nem ao menos olhou para ele enquanto dizia isso, apenas permaneceu jogando suas pedras no lago e observando-as quicar na água. Mas se ela tivesse observado-o, veria uma expressão irritada e até mesmo um pouco ofendida.

— Elli! Finalmente te achei, venha, vamos praticar um pouco. — Arien procurou a garota por todo o acampamento e já estava ficando preocupada por não achá-la, mas por fim a encontrou.

— Tudo bem… — Ela se levantou e se aproximou pegando na mão de Tyrus que corou de imediato. — Faça-as darem vários pulos. — Elli despejou as pedras que estavam em suas mãos nas dele e logo se afastou na companhia de Arien.

— O que você quer praticar hoje? Magia, luta com espada ou arco e flecha? — Arien parecia estar bem próxima de Elli após todos esses dias.

— Eu não sou boa o suficiente com arco e flecha, então eu deveria praticar para aprimorar… — Ela não pareceu muito animada ao dizer isso.

— Mas o que você quer?

— Magia. Eu estava próxima de fazer aquela luz flutuar no nosso último treino. — Diferente de anteriormente, desta vez Elli parecia contente.

— Então será magia. — Arien pôde ver a alegria no rosto da garota ao dizer aquelas palavras.

Elas pararam num lugar com algumas árvores, não muito distante do lago, nem do acampamento.

— Lembre-se de tudo o que eu lhe disse da última vez, se você conseguiu uma vez, então conseguirá novamente. — Elli acenou com a cabeça e fechou os olhos. Ao olhar aquela cena Arien lembrou-se de quando ensinou Kotaru a usar o Mystical Impact, parecia que fazia tanto tempo, quando na verdade não havia passado sequer uma estação.

Uma forte luz, porém contida, começou a brilhar entre as mãos da garota. Ela sentia sua aura fluindo dentro de si e indo em direção às pontas de seus dedos, e então começava a sair  de seu corpo, gerando uma sensação de calor e uma grande claridade.

— Agora afastes as mãos lentamente e mantenha-se focada. — A voz de Arien parecia algo extremamente distante, quase inaudível, mas mesmo assim ela guiava a garota ajudando-a a alcançar o sucesso.

Suas pequenas mãos foram se distanciando sem pressa alguma, em alguns minutos elas estavam bem afastadas e entre as duas estava uma pequena esfera, como um pequenino sol, que brilhava tão forte quanto um.

— Agora eleve-o, embora esteja fora de seu corpo esta aura ainda é sua, manipule-a. — Novamente Arien  dizia o que fazer.

Passaram-se alguns minutos e aquela pequena esfera brilhosa não havia se movido um centímetro sequer. Elli podia sentir que não estava conseguindo, mas antes que ela desanimasse, logo veio a suave voz de Arien dizendo-a para manter a calma e a paciência.

Ela puxou o ar por suas narinas e em seguida o soltou pela boca, aos poucos foi retomando a calma e deixado de lado suas dúvidas sobre suas próprias capacidades. A esfera aos poucos foi se erguendo até alcançar a altura de sua cabeça, foi quando ela abriu os olhos e abaixou as mãos fazendo com que aquela pequena bola de luz se desfizesse.

— Cansada? — Perguntou Arien ao vê-la soltar um longo suspiro após abaixar as mãos.

— Um pouco… — Elli sorriu de canto.

— Desculpe-me, as vezes eu penso que você é igual ao meu antigo aluno… Ele tinha uma resistência mágica absurda, eu me cansava antes dele. — Ela sorriu ao lembrar da empolgação de Kotaru quando conseguiu usar o Mystical Impact pela primeira vez.

— Qual era o nome dele? — Perguntou a garota curiosa, e por algum motivo Arien hesitou em dizer o nome de Kotaru.

— Dario… Isso, Dario, esse era o nome dele… — Por algum motivo esse foi o primeiro nome que ela conseguiu lembrar, e não hesitou em dizê-lo.

— Ora, ora… Parece que você tem um espião, ou será que seria melhor dizer um admirador? —Arien já havia sentido a aura de Tyrus quando ele se esgueirou pelas árvores para observar o treino de Elli, mas ela não ia dizer nada, até precisar desviar o assunto, nesse momento ela optou por revelar o rapaz antes que Elli fizesse mais perguntas.

— Espião? — A garota começou a olhar ao redor procurando por alguém, mas não conseguiu encontrar Tyrus que se encolheu atrás da árvore.

— Hey, Arien! — Não muito longe vinha Ícaro interferindo na conversa das duas e ao mesmo tempo salvando a pele de Tyrus que aproveitou a distração para se afastar.

— O que foi Ícaro.

— Você viu a Mercy? — Ele parecia estar aflito e sua respiração estava ofegante demonstrando que procurava pela garota há algum tempo já.

— Não… — Arien notou a preocupação do rapaz. — Onde você a viu pela última vez?

— Nós estávamos no acampamento armando, quando pediram para ela ir buscar água para fazer um ensopado, eu ia ir com ela, mas me pediram para acender o fogo e logo em seguida pediram-me outros favores, mas isso já faz um bom tempo.

— Elli estava brincando no lago há pouco, você a viu por lá? — Perguntou Arien a garota que acenou com a cabeça de maneira afirmativa.

— Faz muito tempo? Ela disse se ia para algum lugar? — Ícaro começou a fazer diversas perguntas de maneira afobada. Já fazia algum tempo que ele a procurava e este foi o único progresso que fez.

— Não… Ela só encheu um vaso com água e saiu… — Respondeu Elli timidamente.

— Em que direção ela foi? — Ele se abaixou encarando a garota nos olhos, assustando-a de certa maneira.

— T-tem umas árvores próximas ao lago… Ela andou na direção delas e depois eu não vi mais… — Seus ombros encolheram e seus olhos se direcionaram para o chão, esquivando do olhar fixado de Ícaro.

— Arien, você pode me levar até esse lago? — Ícaro se levantou decepcionado por não obter informações mais concretas, mas ao menos havia conseguido algo.

— Claro. — Assim que a elfa o respondeu eles se dirigiram até onde Elli e Tyrus estavam jogando suas pedras.

No caminho ao lago, numa distância que já era possível vê-lo, Ícaro estava expandindo sua Find no máximo que podia, quando notou duas auras próximas às árvores e sem pensar duas vezes começou a correr naquela direção.

— Volte pro acampamento Elli, e tenha cuidado. — Arien não teve tempo para ponderar e ver se aquela era uma decisão inteligente, mas foi a primeira coisa que lhe veio a mente e após mandar a garota voltar ela seguiu os velozes passos de Ícaro.

Depois de passar dentre uma dezena de árvores, Ícaro pôde ver o corpo de Mercy jogado ao chão com o vaso quebrado e a água espalhada ao redor. Em cima dela estava uma figura humanóide, mas, não parecia ser uma pessoa, possuía cabelos opacos e compridos e o corpo extremamente magro. Ao se deparar com aquele ser de origem desconhecida que se virou repentinamente para ele, nesse momento Ícaro pôde ver uma das coisas mais bizarras que já havia visto em toda sua vida. O rosto de Mercy se encontrava na face daquela criatura.

Antes que Ícaro pudesse atacá-la de qualquer maneira ela simplesmente sumiu perante seus olhos, se desfazendo em sombras. Ele correu aflito e ao pegar Mercy em seus braços percebeu ela já não possuía rosto. Logo em seguida Arien chega, e ao se deparar com a cena fica sem reação.

Por LiamGt | 15/09/18 às 17:38 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama